sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Capítulo 92 - "Importas-te de repetir o que disseste?"

(Narrado pelo Ruben)

O treino correu muito bem, embora estivesse ainda um pouco inseguro em relação à história do Simão, tinha confiança na Clara e tinha a maior certeza do que ela sentia por mim. Saí do treino e segui para o hotel para a ir buscar, quando lá cheguei estava tudo muito calmo, dirigi-me ao seu gabinete e bati à porta.

- "Sim" - ouvi-a responder e entrei.

- Sou eu princesa, estás pronta para irmos?

- Espera só um bocadinho, tenho que acabar de organizar aqui uns papeis.

- Mas ainda demoras amor?

- Não, mas tenho mesmo que acabar isto, amanhã tenho uma reunião e vêm aí mais papeis...

- Sem problema, também ainda temos tempo.

- Mas não queres passar por casa?

- Queria, mas se não der não tem problema.

- Se calhar ainda dá, deixa-me só terminar isto. - disse-me ela agarrando nuns papeis e pondo-os num dossier.

Pouco depois pegou na sua mala e num dos ramos que eu lhe tinha oferecido e saímos. O caminho até minha casa foi rápido, mudei de roupa e quando dei por mim a Clara estava metida no duche.

- Então amor, podias ter avisado que ias tomar banho, tenho todo o gosto em te fazer companhia.

- Nem tenhas ideias, eu só vim tomar um duche rápido, vou já sair.

- Ó amor não sejas assim, deixa lá eu te ir fazer companhia.

- Nem penses, temos que nos despachar, eu também vou já sair...

- Clarinha vá lá...

- Não, deixa-me lá acabar o meu banho, se tu vens para aqui não saímos de casa hoje.

- Fogo amor...

- Blá, blá, blá... - dizia-me ao gozar comigo.

Ela terminou o banho pouco depois e eu esperei por ela na sala, quando a vi chegar perto de mim não hesitei a brincar com ela.

- Ah, afinal sempre dá jeito teres roupas cá em casa...

- Desta vez parece que deu.

- Já te disse que podíamos... - ela não me deixou terminar a frase pois interrompeu-me logo.

- Podíamos muita coisa mas temos tempo, vamos com calma. 

- Clara...

- Já falámos sobre isso. Vamos embora?

Ela estava muito segura de si, falava com convicção o que não me deu espaço para dizer mais nada. Aquela situação não era a ideal para mim, com esta história toda do Simão precisava de alguma coisa que me desse a certeza absoluta que a Clara queria o mesmo que eu, que ela queria lutar por nós e que não estava disposta a abdicar da nossa felicidade. No entanto não mostrava isso, como é óbvio eu não duvidava do sentimento dela por mim, mas na hora de ela mostrar que queria mesmo ficar comigo para sempre recuava e não me deixava sequer tocar no assunto.

- Vamos...

Entrámos no carro e seguimos para casa do David, ela foi o caminho todo calada e eu também. Quando entrámos em casa do David as meninas vieram logo ter com a Clara, levaram-na logo para longe de mim.

- Deixa elas mano, não se preocupa que ela não larga você não...

- Nem brinques puto, andamos a passar uma fase mesmo complicada.

(Narrado pela Clara)

Ele ia tocar naquele assunto novamente e eu não estava preparada, cortei logo a conversa, no entanto quando íamos no carro arrependi-me e ia falar com ele mas quando dei por isso, já ele estava fora do carro. Depois disso foi completamente impossível dizer o que quer que fosse, mal entrámos em casa do David, a Sara, a Guigui e a Catarina vieram logo e arrastaram-me para a varanda.

- Vá Clara agora não escapas, conta lá o que é que te fez ter aquela ideia estúpida?

- Guigui já passou, agora está tudo bem e eu já voltei a mim novamente.

- Mas o que é que se passou Clara? Tu naquele dia estavas complemente fora de ti, só choravas e dizias coisas sem sentido... - constatava a Sara.

- Meninas a sério, vamos falar de outra coisa, o Ruben e eu já passámos um mau bocado por causa disto. Não insistam, eu depois falo com vocês, mas agora vamos é divertirmo-nos porque eu já ando farta de estar mal...

- Tu é que sabes amiga, mas nem penses que vais ficar sem nos dizer o que se passou... - informava-me a Guigui.

Depois desta pequena conversa voltamos para dentro, os rapazes já estavam na sala e como é óbvio, agarrados à playstation.

- É impressionante Francisco Javier, só fui lá fora dois minutos e quando volto já te vejo agarrado a essa coisa e ainda por cima a jogar com o Real Madrid. - resmungava a Guigui.

- Fogo mano, essa daí 'tá sempre pegando no seu pé... Pô garota, larga aí o cara, deixa ele jogar nesse negócio aí... Cê é chata p'rá valer...

- Já te calavas não? Nunca ouviste dizer que entre namorado e namorada ninguém mete a colherada? Muito menos uma ovelha choné como tu...

Aquelas discussões daqueles dois eram sempre assim, o David metia-se e depois ouvia das boas, ele era das poucas pessoas que ainda se metia com a Guigui, pois todos os outros sabiam bem que ela não se ficava e mandava sempre resposta...  
O jantar foi normal, muita brincadeira e convívio, senti o Ruben afastado de mim, por diversas vezes tentei uma aproximação mas não tive sucesso... 
Quando já todos estavam a tomar café ausentei-me, fui até a varanda e fiquei a contemplar a maravilhosa vista sobre a cidade, tinha a plena consciência que o Ruben era o homem da minha vida, mas aquela pressa toda... Bolas, desde miúda que o meu sonho era encontrar o homem da minha vida e casar, vestir um vestido lindo branco e entrar na igreja repleta de convidados e olhar para o altar e ver o homem da minha vida ali à minha frente, à minha espera para o tão aguardado sim... O Ruben aquilo que quer é saltar todas essas etapas e ir apenas viver junto, sem um compromisso, sem uma promessa, será que é certo mudar tudo aquilo que eu quero e sempre sonhei, será justo abdicar assim de tudo...

- Foi aqui que te escondeste?!

- Que susto Sara.

- Andas estranha Clarinha, o que se passa nessa cabecinha.

- Dúvidas e certezas...

- Então? Queres falar?

- À bocado o Ruben foi-me buscar ao hotel e depois quando estávamos em casa ele ia falar novamente em irmos viver juntos, eu não o deixei e disse que não havia mais nada para dizer sobre isso, ele agora desde que chegamos mantém-se afastado e frio comigo...

- Miuda tens que o compreender, vocês passam imenso tempo afastados, tu agora com o hotel, as visitas no lar e ele com os jogos, tu sabes que é complicado...

- Eu sei Sara, mas bolas, eu não quero sair de casa só porque sim. Eu quero sair de casa com certezas que não volto a viver sozinha, eu quero sair de casa quando casar e é para sempre...

- Mas ele já te pediu em casamento...

- E eu já aceitei, mas aquilo que aconteceu depois veio-me fazer ficar insegura. 

- Mas foi uma estupidez, tu sabes que foi, a própria Inês já te pediu desculpa e tudo.

- Pois, mas a questão é que ele caiu na estupidez, sei lá se daqui a uns tempos ele não cai noutra... Fogo Sara, eu não sou de ferro e não estou para aceitar e recusar pedidos de casamento...

- Clarinha desculpa lá, não se vou dizer alguma parvoíce ou não, mas ainda ontem quando eles chegaram tu estavas convicta de que tinhas que acabar com o Ruben, pelo que percebi mudaste de ideias, deduzo que tenham falado e resolvido as coisas e por isso mesmo tens que o compreender, vocês gostam muito um do outro Clara, o que o Ruben quer não é nada de extraordinário, é até normal. Nem imaginas a quantidade de pessoas que davam tudo para estar no teu lugar...

- Acredita que imagino e por isso mesmo não terminei com tudo ontem, só o imaginar ver o Ruben com outra pessoa acaba com o meu autocontrolo...

- Então Clara, não desperdices uma oportunidade de seres feliz, arrisca, ele ama-te e isso está à vista de qualquer pessoa.

- Tenho que pensar Sara, não tenho dúvidas do que sinto por ele, mas eu não me vou sentir bem comigo própria se abdicar de um sonho só para ter a certeza que não o perco.

- Compreendo amiga, mas vocês têm que falar e resolverem juntos...

- Eu sei linda, vamos ver no que isto vai dar...

Ela entretanto voltou para dentro e eu fiquei novamente sozinha. Pouco depois ouvi novamente alguém a aproximar-se, olhei para trás e deparei com o Ruben a olhar-me...

Ele olhava-me apenas, sem dizer uma única palavra, foi então que eu quebrei aquele silêncio - Não vais dizer nada? 

- Que queres que eu te diga Clara? São sempre os mesmos recuos...

- Não são recuos, nós já falámos sobre isto Ruben...

- Pois falámos, mas a situação não era esta, não andava um gajo qualquer a fazer-se a ti.

- Amor, já te pedi para confiares em mim. Eu já lhe mudei as funções, ele agora não me põe a vista em cima, bolas amor, confia em mim.

- Já te disse que confio, mas ia-me sentir muito mais seguro se tu não recuasses constantemente e admitisses em pleno que estamos juntos.

- Eu não admito que estamos juntos? Amor sabes que odeio que toda a gente saiba da nossa vida, mas a verdade é que já não há como esconder nada, já viste a quantidade de vezes que saiem fotos nossas nas revistas, quem te ouvir a falar assim até pensa que os teus pais não me conhecem e que tu não conheces os meus pais. Fogo Ruben, achas mesmo que eu não admito que estamos juntos?

- Não é a isso que me refiro, sabes bem do que estou a falar.

- Pois, mas isso de que falas está fora de questão, já falámos sobre isso e por enquanto não há muito mais que dizer. Já te disse que não vou viver contigo e não vou mudar de ideias.

- Como sempre decides tudo e pouco te importa o que eu penso, se é mesmo isso que queres tudo bem, mas aviso-te já que não vou tolerar mais merd** do outro gajo, da próxima vez eu parto-lhe mesmo a boca.

- Já te pedi para confiares em mim, é só isso que te peço.

Estávamos no meio daquele pequeno arrufo quando o David se abeirou de nós.

- Galera vamo para dentro, as meninas querem jogar playstation, vamo jogar...

- Sim, é melhor mesmo ir fazer outra coisa, já vi que aqui não me vou divertir de certeza. - quando acabou de falar entrou logo sem me dirigir mais a palavra nem sequer olhar para mim...

- Isso entre vocês está fera não é Clarinha?

- Sim, é verdade. Andamos a passar uma fase menos boa...

- Vocês se adoram Clarinha, não deitem tudo fora sem razão.

- Tu não percebes David, há coisas complicadas...

- Não Clarinha, vocês é que estão complicando. Não esquece que ele te ama e que não está confortável com essa situação, se põe um pouco no lugar dele. 

- Fogo David, achas que eu estou bem, juro que percebo a situação dele e por isso já tomei as medidas certas, agora ele também tem que confiar em mim.

- Eu sei minha linda e se eu 'tou falando e me metendo no assunto de vocês é porque não quero ver vocês sofrerem por besteira. Eu e a Sarinha adoramos vocês e queremos que sejam muito felizes, como a gente.

- Eu sei David e acredita que tudo o que mais quero é ser feliz com o Ruben, mas eu tenho princípios, ele não pode estar à espera que eu mude tudo o que penso só por causa dele.

- Cês têm que ter muita paciência um com o outro têm os dois razão, cada um do seu jeito só não tão sabendo falar direito e se entenderem... 

- Acredita que sei disso, mas é complicado, estamos a passar uma fase menos boa e só espero que isto não acabe com tudo o que construímos até agora.

- É a falar que as pessoas se entendem, cê tem que engolir um pouco desse orgulho e falarem direito... Vá, agora vamo para dentro, devem estar todos esperando por nós...

- Sim, é melhor ir...

Entrámos os dois e senti os olhos do Ruben pousarem em mim, deu-me um arrepio por causa da forma como ele me olhou. Tentei abstrair-me do que nos estava a chatear para aproveitar com eles aquele belo serão. Tivemos a jogar singstar e os rapazes divertiram-se com a rockband, confesso que consegui divertir-me bastante com eles e o ambiente entre mim e o Ruben serenou um pouco, ele já sorria para mim e em certos momentos até brincava comigo, por momentos viajei no tempo e senti-me como se este tivesse voltado para trás e estivéssemos os dois óptimos e felizes. A certa altura o pessoal começou a pensar em ir embora, quem saiu primeiro foi a Catarina e o Aimar, ele como menino atinadinho que era cumpria os horários todos do mister, o Javi e a Guigui foram logo a seguir, ficando eu e o Ruben na companhia do David e da Sara.

- Amor vamos indo? - perguntei-lhe.

- Sim, já está tarde.

- Vocês vejam é se se entendem, isto de andarem assim só vos prejudica... - dizia a Sara enquanto nós trocávamos um leve olhar.

- É isso aí, vocês têm que conversar e se entederem...

- Meninos acreditem que vocês não querem mais isso que nós, - disse eu olhando para o Ruben - nós prometemos que vamos falar e nos entendermos, não é amor?

- Sim, nenhum de nós os dois gosta desta situação.

- Então se acertem que tou farto de aturar esse cara aí mal humorado.

Nós não dissemos mais nada, apenas trocámos um leve olhar com eles e saímos, o caminho até ao carro foi feito em silêncio e foi quando já estávamos dentro do carro que o Ruben me perguntou: 

- Ficas em tua casa ou vamos para a minha?

Eu precisava muito estar sozinha e pensar bem na nossa situação, mas aquela era sem dúvida a pior noite para lhe dizer que ficava em minha casa, ele não se ia chatear mas ia ficar com macaquinhos na cabeça o que iria piorar a nossa relação que já estava fragilizada.

- Vamos para a tua.

Mal ouviu a minha resposta pôs o carro a trabalhar e conduziu em direcção à casa dele, mais uma vez o caminho foi feito em silêncio e quando lá chegámos o silêncio continuou, ele despiu-se e deitou-se sem nunca dizer uma palavra. Eu não podia deixar as coisas ficarem como estavam e por isso mesmo depois de ir à cozinha beber um copo de água e ganhar coragem para aquela conversa, voltei para o quarto, no entanto, quando ia para falar reparei que o Ruben já dormia. Não fui capaz de o acordar e por isso mesmo deitei-me e fiquei a observá-lo, eu amava aquele homem de uma forma que não conseguia explicar e por isso mesmo tinha que tomar uma decisão. Ele estava chateado e até tinha sua razão, embora por outro lado eu também tivesse a minha razão, eu tinha ideais e sonhos que queria ver realizados e não postos de lado para um dia mais tarde os puder ou não realizar. Fiquei durante um tempo com os meus olhos cravados no seu rosto mas aos poucos o cansaço ia-se apoderando de mim e eu ia fechando-os.



(Narrado pelo Ruben)

O serão em casa do David não tinha sido totalmente mau, mas o facto de eu e a Clara não estarmos bem acabou por fazer com que todos nós não nos divertíssemos em pleno. Acordei na manhã seguinte com a Clara do meu lado, ela dormia de forma serena o que fazia com que eu não me esquece-se nunca do quanto a amava. Na noite anterior eu não tinha agido bem, tinha-me deitado sem sequer lhe dar as boas noites, tinha-me portado mal com ela, no entanto, ela ali estava, ao meu lado com o seu ar sereno e que me deixava doido. Enquanto a observava meditei sobre o motivo do nosso arrufo, estaria eu a ser egoísta? Eu sabia quais eram os planos dela e se não fosse eu ter sido parvo, tínhamos seguido o verdadeiro rumo das coisas. Eu sabia que devia confiar nela, tinha a certeza absoluta que ela queria o mesmo que eu, mas algo na minha cabeça me dizia para não ceder e para a convencer mesmo a vir viver comigo, estava de tal forma perdido que quando caí na realidade novamente ela estava a olhar para mim.

- Bom dia... 

- Bom dia princesa...

- Amor, temos que falar.

- Sim, mas falamos logo, agora temos que nos arranjar. Já viste as horas? - perguntei-lhe levantando-me da cama na tentativa de escapar aquela conversa.

- Já vi as horas sim e ainda temos tempo. Vem para aqui, eu quero mesmo falar contigo.

- Clara já te disse que falamos logo, já é tarde e eu tenho que ir para o Seixal cedo.

- Tudo bem, então logo falamos. A que horas é que estás despachado do treino?

- Ainda não sei, mas eu depois passo lá na tua casa ou no hotel, se me despachar cedo.

- Deixa estar, não te preocupes. 

- Nada disso, eu disse que falávamos logo e podes acreditar que de logo a conversa não passa, não podemos continuar assim Clara, não é bom nem para mim, nem para ti.

- Por isso mesmo queria falar já contigo e dizer-te o que decidi fazer.

- E por isso mesmo estou a dizer para falarmos logo, não me apetece começar o dia logo a discutir. - quando acabei de falar dirigi-me à casa de banho, no entanto aquilo que ela me disse fez-me voltar atrás.

- Importas-te de repetir o que disseste?

- Foi mesmo aquilo que ouviste, eu não quero que comeces logo o dia a discutir, prefiro que o comeces muito bem disposto e por isso mesmo eu vou repetir o que já te disse. Eu venho viver contigo...

- Estás a falar a sério?

- Eu estou farta deste ambiente e destas discussões, se é disto que precisas para ter a certeza que eu quero mesmo estar contigo, então acho que é isso que tenho que fazer. Eu amo-te, tu sabes bem que és tudo para mim, não tem sentido continuarmos assim...

- Amor eu não quero que venhas morar comigo porque eu quero, quero que venhas por tu também quereres.

- Ruben, tu sabes o que eu quero, tu sabes que a melhor parte da minha vida e aquela que estou ansiosa que aconteça é quando a nossa vida fôr conjunta, sabes que eu quero dividir tudo contigo... Tu és o homem da minha vida...

- E tu és a mulher da minha vida... Clarinha nem sabes como fico feliz de te ouvir dizer que vens viver aqui...

- Sei sim... Mas também quero que entendas uma coisa, não é o facto de eu vir viver contigo que vai alterar o que sinto por ti, eu amo-te e não é por viver ou não contigo que te amo mais ou menos. A única razão por eu ter mudado tudo aquilo que queria é o medo enorme que tenho de te perder, por isso a única coisa que te peço é que me respeites e que a partir de agora confies em mim. 

- Amor, eu confio em ti, sempre confiei, eu sei que tu não querias que as coisas se apressassem assim, mas uma coisa te prometo já. Nada vai ficar adiado, o facto de irmos morar juntos já não significa que não vamos casar, porque vamos... Prometo...

- Eu sei, não te preocupes... 

- Amor, então e quando é que estás a pensar fazer a mudança?

- Tenho que falar com elas amor, não posso abandoná-las assim e além disso eu e a Guigui estamos a pagar uma mensalidade, não posso deixá-las na mão.

- Isso é o mais fácil de resolver lindinha, tens é que começar a pensar em arrumar as tuas coisas para as trazeres para cá...

A seguir aquela conversa fomos tomar um banho e acabar de nos arranjar, eu deixei-a no hotel e segui para o Seixal. O treino correu bem, contei a novidade ao David que ficou logo muito feliz por nós, o resto do dia passou a correr e quando foi hora de voltar para casa liguei à Clara.

- Olá princesa,

Oi, entao como correu o dia?

O meu correu bem e o teu?

Mais ou menos, tive uns problemas aqui no hotel mas nada que não se resolva.

Linda diz-me uma coisa, jantamos lá em casa?

Não sei Ruben, tenho que falar com elas.

Amor anda lá, jantamos aqui e depois passamos lá na tua casa para ires buscar já algumas coisas e falares com elas.

Amor já estás a apressar as coisas, tem calminha sim, eu disse que me mudava mas não disse que era já hoje.

Clarinha não sejas assim, bem que podes passar a dormir lá em casa e depois vamos levando as coisas para lá aos poucos...

Ruben, não comeces, já aceitei ir morar contigo mas agora deixa-me fazer as coisas como eu acho melhor, pára de me pressionar e deixa-me ser coerente e fazer as coisas com calma. Sabias que o mundo não vai acabar amanhã?

Fogo amor, também não precisas de falar assim para mim, já percebi. 

Ainda bem que percebeste. Agora deixa-me acabar isto para ir embora.

Está bem... Olha vou preparar jantar para nós os dois, fico à tua espera. Beijinhos, amo-te... - quando acabei de falar desliguei logo o telefone, assim cortava-lhe a hipótese de negar mais uma vez o jantar. Antes de ir para casa passei pelo Spa da minha mãe, fui lá ter um bocadinho com ela e pedir-lhe opinão de algo para fazer para o jantar, eu era uma zero na cozinha mas agora que a minha Clarinha tinha aceite ir viver comigo tinha mesmo que me esmerar para que ela não se arrepende-se da decisão que tinha tomado.
A minha mãe ainda tentou dar-me algumas dicas, mas não consegui perceber nada e por isso mesmo decidi marcar mesa no restaurante que a Clara adorava. Estava já a chegar ao carro quando reparei que encostado a ele estava a nova massagista do Spa.

- Quando saí vi o teu carro e não resisti a esperar que saísses.

- Olá Soraia, está tudo bem contigo?

- Sim, está tudo bem, então e tu? Já andas mais bem disposto, no dia que nos conhecemos não estavas lá muito bem.

- Já estou melhor sim, aquele dia não foi fácil. Vinha de viagem e depois estava também com alguns problemas...

- Com a namorada certo?

- Desculpa?

- Problemas com a namorada?

- Ah, sim, é verdade. Nós estávamos um pouco afastados, mas agora já está tudo bem.

- Ainda bem, era uma pena um rapaz tão giro andar por aí tão triste e ainda por cima por causa de uma rapariga. Queres um conselho?

- Diz.

- Nenhuma rapariga merece que sofras tanto por ela...

- Não conheces a Clara, aquela mulher merece tudo, eu até a minha vida daria por a dela...

- Tu é que sabes, eu não arriscava assim tanto. Bem agora que já te cumprimentei vou indo, espero voltar a ver-te brevemente.

Ela despediu-se de mim com um beijo na cara e entrou no sei carro, a forma como ela falou comigo e aquilo que me disse deixou-me um pouco desconfortável, no entanto foi bom ouvir aquelas palavras e sentir que alguém se preocupava comigo. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Capítulo 91 - Quando tudo parece estar bem...


Agradeço mais uma vez os comentários a todas e ainda bem que gostaram.
O capítulo que vos trago hoje foi escrito em conjunto com a Ricarda Sousa, espero que gostem e comentem... Mts beijinhos,

Clara 



(narrado pelo Rúben)
Depois daquela entrega e de nos termos acertado e jurado que nenhum dos dois esconderia algo, sentia-me bem comigo mesmo, estar zangado com a mulher que amo era a pior coisa que podia sentir e não fazia sentido nenhum abalar a nossa relação por causa de uma coisa fútil da minha parte. Estávamos deitados no sofá quando alguém bate à porta, apressadamente vestimo-nos e tento dar uma arrumadela em geral à sua secretária e vê-la daquela maneira fez-me sorrir ao lembrar o porquê de ela se encontrar desarrumada. A Clara deu permissão para entrar e foi quando vi aquela figura a entrar pelo escritório a dentro como se já fosse dono daquilo, deixou-me num estado de fúria que tentei controlar ao máximo.
- Precisas de alguma coisa Simão? – perguntou educadamente, mas percebi que a sua presença trazia-lhe algum desconforto, talvez por eu estar ali também.
- Sim menina Clara, precisava de falar consigo… a sós! – respondeu literalmente a atirar-se à minha namorada mesmo à minha frente como se não estivesse ali.
- Não pode ser noutra altura? Como vê eu agora estou com o meu namorado…
- Poder até pode, mas quanto mais rápido for tratado melhor – via-se perfeitamente a sua vontade de me ver dali para fora, mas se aquele otário pensa que lhe vou dar esse gostinho, está bem enganado.
- Mas o que é que se passa?
Ele olhou para mim fazendo ar de quem só falava quando me fosse embora, e quando ia para falar, fui mais rápido e falei primeiro.
- Amor sempre tive curiosidade de saber como funciona e é gerido um hotel como este, gostava muito de saber qual é o problema e como o vais resolver, não te importas?
A sua expressão não foi das melhores, ouvir aquele pedido foi sem dúvida contra os seus planos, mostrou-se completamente de desacordo e a sua inquietação era prova disso. Olhei para a Clara, ela olhava-me com uma certa admiração, talvez por não estar à espera de ouvir isso da minha parte, mas pessoas como o Simão já eu conheço muito bem, e sabia quais eram as suas intenções de ficar sozinho com a Clara, e se não a quero perder, irei lutar com unhas e dentes, mas de uma coisa tenho a certeza, ele não vai abalar com a nossa história e com o nosso amor.
- Se calhar é melhor não… não leve a mal, mas são assuntos que só a nós dizem respeito!
Assuntos que só a “nós” diz respeito? Mas quem ele pensa que é para falar da Clara daquela maneira?
- Claro que não me importo amor! Fico feliz por saberes que estás interessado no meu trabalho! – disse-me ela feliz com o meu interesse, de seguida virou para o Simão e falou - E Simão, tudo o que me diz respeito também diz ao Ruben por isso daqui em diante qualquer problema que surgir pode falar à frente dele.
- Tudo bem, voçê é que sabe… – ele bem que tentou falar amavelmente mas tudo o que saiu da sua boca foi uma resposta seca.
- Então, diga lá o que é que aconteceu? – perguntou a Clara quando já nos encontrávamos sentados, ela sentada na cadeira do “presidente”, e claro que eu sentei-me ao seu lado, ficando o Simão de frente para nós.
- Há um problema numa das arrecadações da cozinha, tentamos ver se dava para resolver o problema, mas antes de chamarmos um técnico queria que fosse dar uma vista de olhos, assim fica a saber dos problemas que surgem.
- Sim, porque eu gosto de ficar a saber de tudo o que acontece neste hotel, e agradeço-lhe ter vindo cá, com certeza que vou dar uma vista de olhos!
- Depois marcamos um dia em que esteja disponível para ir lá ver.
- Porque não pode ser agora? Assim quanto mais rápido o problema estiver resolvido melhor! – interferi pela primeira vez na conversa deles.
- Acho bem! Ainda tenho algum tempo livre, por isso vamos lá!
O caminho até à arrecadação foi feito entre conversa entre ele e a Clara, onde ia explicando a situação do problema. Quando lá chegamos, o Simão e alguns funcionários mostraram o que se estava a passar, pelo que percebi era grave pois parte da canalização estava solta e precisava-se de chamar um técnico. O meu telemóvel começou a tocar e ao olhar para o visor vi que era a minha mãe, por isso pedi licença e fui atender lá para fora. Ainda estive um bocado ao telefone, fiquei a resolver alguns problemas em relação ao spa e depois de me despedir dela fui para dentro para ir ao encontro deles. Cheguei lá e não havia sinais em da Clara e nem do Simão, estranhei e por isso perguntei a um funcionário se os tinha visto.
- Eles estão naquela sala, se quiser pode ir até lá! – respondeu amavelmente um senhor que aparentava ter os seus cinquenta anos.
- Muito obrigado!
Despedi-me do senhor e fui a largos passos até à sala onde eles estavam, e quando lá cheguei fiquei atónito com aquilo que via.

(narrado pela clara)
Fui completamente apanhada de surpresa com a atitude do Ruben, sabia lá no fundo que só fez isso para provocar o Simão mas mesmo assim fiquei deliciada por saber que ele preocupava-se comigo e que estava disposto a lutar pelo nosso amor. Depois de estarmos um bocado à conversa, fomos até à arrecadação, tratamos o problema dos canos e a meio o Rúben recebe um telefonema e retira-se. Após ligar para o técnico o Simão abordou-me.
- Clara não se importa de vir comigo até à sala, queria mostrar-lhe uma coisinha, é rápido!
- Só se for mesmo rápido, porque não quero deixar o Ruben muito tempo à espera.
Segui-lhe os passos e quando chegamos à sala o Simão fecha a porta e aproxima-se de mim a uma velocidade perigosa.
- Se soubesse as saudades que tinha do seu cheiro… nossa, é tão bom ter cê por perto! Disse à medida que o seu corpo estava bastante próximo do meu.
- Que é isso Simão? Já falamos sobre isto, sabe bem que tenho namorado! – disse-lhe com a minha voz a tremer com medo que alguém aparecesse inclusive o Ruben e interpretasse tudo mal.
- Não esconda mais, eu sei que sente alguma coisa por mim, porque não admite?
- A única coisa que sinto por si é respeito, por trabalhar aqui no hotel, mas se continua com atitudes destas pode crer que todo o respeito se perde! Se sinto alguma coisa é pelo homem que está lá fora, pelo Ruben!
- Não é isso o que eu vejo nos seus olhos, eu percebo bem a maneira como se sente quando está perto de mim!
- Simão eu já o avisei mais que uma vez, ou pára com estas insinuações ou eu vou ser obrigada a despedi-lo.
Nada do que dissesse ia fazer o Simão mudar de ideias, maldita hora que vim para aqui, devia ter percebido que isto não passava de um esquema dele, mas agora era tarde e tentei livrar-me dele, mas sem sucesso.
- Ninguém precisa de saber, fica um segredo só nosso… - sussurrou-me ao ouvido provocando-me uma náusea só de senti-lo tão perto de mim
- CHEGA! Vou-me embora e estou a avisá-lo, da próxima vez que tentar uma coisa destas eu despeço-o na hora. – gritei enquanto que com as minhas mãos o empurrava para longe, mas mais uma vez não adiantou e, sem contar ele puxa pelo meu braço rodando-me para a sua frente, percebi na hora qual era a sua intenção e só não me beijou porque ouvi a voz do Ruben a impor-se naquela sala.
- Mas o que é isto? – Perguntou visivelmente intrigado pró me ver abraçada ao Simão. Aconteceu aquilo que mais temia, o Ruben vai interpretar tudo mal, via no seu olhar a gana que estava, a raiva que se estava a acumular no seu corpo e a possibilidade de a qualquer momento explodir, e aí sim, seria uma tragédia.
- Não é… - tentei falar, já solta do Simão, mas o Ruben interrompeu-me.
- Não digas que não é nada do que estou a pensar! Eu vi bem, ninguém me contou! Como foste capaz Clara? - Acusou-me com alguma mágoa na sua voz.
- Ruben, eu não fiz nada! Acredita em mim, o Simão é que…
- Esse canalha estava atirar-se a ti, e tu estavas a gostar não é?
- Mas tu estás parvo Ruben? Eu não acredito que mais uma vez estás a duvidar de mim… e mais uma vez deixaste de cumprir a nossa promessa!
- Eu não me estava a atirar a Clara, cê é que percebeu tudo errado!
- CALA A BOCA OH PALHAÇO QUE A CONVERSA NÃO É CONTIGO!
- Modera o teu tom Ruben, estás no meu local de trabalho! – ordenei-lhe antes que aquilo se desviasse por caminhos perigosos, de seguida virei-me para o  Simão – Simão saí daqui imediatamente, eu já o avisei e não vou voltar a fazê-lo.
- CHEGA, ESTOU FARTO! – gritou tão alto que por momentos me assustei e pensei que lhe ia acontecer alguma coisa.
- O que tu queres dizer com isso? – Perguntei a medo
- Estou farto de discutir contigo, amo-te e não te quero perder! Estou cansado que ele se intrometa na nossa relação! Por isso Clara, ou eu ou ele! Escolhe porque estou farto! Caramba, sou humano, tenho sentimentos e por muito que entenda a situação dele, isso está afectar a nossa relação!
Eu não queria acreditar no que acabara de ouvir. O Ruben não pode ter chegado ao ponto de me pôr entre a espada e a parede, sem duvida que desceu de nível e por muito que percebesse a sua atitude, não era motivo para colocar em risco a vida de outras pessoas, que nada tinham a ver connosco, nomeadamente a mãe do Simão.
- Tu só podes estar a brincar…
- Podes ter a certeza que não estou a brincar!
O Ruben deixou-me ali sozinha sem se importar um pouco como eu me estava a sentir, naquele momento senti uma raiva enorme dele por me estar a colocar naquela situação, mas respirei fundo e tentei-me controlar, tudo o que queria evitar era  tomar alguma atitude que depois me possa arrepender.
Sai daquele sitio a voar, só queria ir atrás do Ruben e resolver este mal entendido, tudo o que eu não quero é ficar zangada com ele. Pelo caminho encontrei o senhor Abílio e perguntei-lhe se tinha visto o Ruben.
- Olá senhor Abílio, por acaso viu o Ruben, o meu namorado?
- Olá menina, sim eu vi-o a entrar no seu escritório!
- Muito obrigada!
- De nada menina!
Corri até ao escritório, pelo meio ouvi alguém chamar-me mas sinceramente não ouvi, só queria entrar no escritório e abraçar-me a ele. Tentei abrir a porta mas estava tão nervosa que não conseguia abrir a porta, depois perceber porquê, estava a abrir a fechadura ao contrário.
- Às vezes consegues ser mesmo burra Clara!
Mal abro a porta encontro o Ruben a olhar pela janela, estava de costas para mim, mas sabia que tinha dado pela minha chegada.
- Ruben… precisamos de falar!
- Diz… – falou de uma forma curta e grossa já virado para mim
- Desculpa por esta situação! Confesso que ele se estava atirar de mim, mas acredita que eu não me deixei levar… Nunca conseguiria te trair, és tu quem eu amo e perder-te num momento deste é tudo o que não quero! Por favor, acredita no que te estou a dizer, nem que seja a ultima coisa que tenha de te pedir!
- Eu sei que tu me amas, mas cheguei aos extremos, ver-te agarrada a ele foi a gota de agua e explodi. Não consigo aguentar mais, mas também tenho noção que fui bruto e precipitado…
- O que aconteceu na arrecadação foi um motivo de acelerar com a decisão que já devia ter sido tomada à mais tempo! Falei com ele e deixei bem claro que é a última oportunidade que lhe dou, ele sabe que da próxima vez que abusar vai para o olho da rua. Por enquanto vou mudá-lo de serviço, vou pô-lo num sítio onde não tenha que olha para a cara dele todos os dias. Não quero que ele seja o motivo da nossa separação, tu és mais importante que ele, ele para mim não passa de um empregado, mas tu és aquele que amo mais que tudo, é contigo que quero passar o resto dos meus dias…
- Chega aqui!
Fiz o que ele pediu e quando já nos encontrávamos próximos, puxa-me para junto do seu corpo e abraça-me
- É tão bom ouvir isso amor! Tive medo…
- Shiu… não digas nada! Vamos esquecer isto e concentramos em nós os dois, pode ser?
- Pode amor! Claro que pode!
Beijamo-nos sem qualquer tipo de urgência, senti-o a relaxar um pouco e isso deixou-me mais descansada. Sentia-me como seu um peso enorme saísse das minhas costas e finalmente poderia respirar de alivio por saber que, um problema estava resolvido pelo menos até agora.
- Amo-te Clarinha, nunca duvides disso!
- Também eu te amo Ruben!
Depois de estarmos mais um bocado abraçados e a namorar um bocadinho, despedimo-nos e ele foi para o centro de estágio enquanto eu fiquei a trabalhar, entretanto chamei o chefe da lavandaria e o Simão. Expliquei-lhes que o Simão ia mudar de funções e por isso mesmo o chefe da lavandaria teria que lhe dar novas indicações sobre o novo trabalho. Vi que nem um nem outro tinham ficado contentes com aquela decisão, mas era a única alternativa que eu estava a ver para o Simão, eu não podia deixar que ele continuasse no antigo trabalho, com toda a liberdade para circular no hotel e me puder cruzar com ele novamente. Tinha que me resguardar, tinha que lutar pela minha relação com o Ruben e não podia deixar que o Simão continuasse a fazer o que queria e bem lhe apetecia.
Depois do treino ele ligou-me, o David tinha convidado para irmos todos jantar a casa dele, sabia que me esperava uma conversa difícil com as meninas, elas não percebido o porquê da minha antiga decisão e por isso mesmo agora tinha que lhes explicar a história toda. Combinei com o Ruben que ele passava no hotel para me ir buscar e chegarmos juntos a casa do David.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Capítulo 90 - "Vamos resolver as coisas?"

Olá a todas, como a minha sugestão foi aceite por algumas leitoras estou aqui hoje para vos mostrar o resultado do 1º capítulo escrito em conjunto. Quem me ajudou a escrever este capítulo foi a Caty, autora de duas outras fics (que por acaso são duas fics muito boas :P), espero que gostem e espero que me contactem (entreamigas56@gmail.com) caso queiram também escrever um capítulo comigo e não digam que não têm jeito, ideias são sempre bem vindas e a história só tem a ganhar com elas, por isso, se existe uma vontade nem que seja pequenina de escrever, não hesitem. 

Bjs a todas e espero que gostem!

Clara





(Narrado pela Clara)

- Clara estás a meter palavras na minha boca.

- Eu não estou a meter nada na tua boca, simplesmente fiz uma pergunta, de acordo com aquilo que eu estava a entender da tua conversa. Pelo que percebi estavas a ameaçar-me...

- Não interpretes assim as coisas, sabes que te amo, mas não vou continuar a fazer figura de otário, para ele continuar a atirar-se a ti.

- Mas eu já te disse que tomei precauções, eu já o transferi e no sitio para onde ele vai nem sequer se vai cruzar comigo. Relaxa, por favor... 

- Nunca ouviste dizer que quando se quer muito uma coisa arranja-se sempre forma de se conseguir, Clara não seja ingénua esse Simão não vai desistir.

- Ruben, não é isso que está em causa

- Como assim?

- Ou confias em mim ou não confias e sinceramente começo a achar que não confias, caso contrário aceitavas a minha decisão

- Essa é boa, agora tenho que aceitar que um gajo qualquer dê em cima da minha namorada. Por acaso gostaste de ver a Soraia a dar em cima de mim? Vá diz lá o que sentiste, não gostaste pois não?

- Não é lógico que não gostei

- Ah então já nos estamos a entender

- Não Ruben a única coisa que entendo é que estás a misturar os assuntos, o Simão errou é verdade mas já vai pagar por isso não preciso despedi-lo

- Sabes que mais, faz como quiseres mas depois não venhas dizer que não te avisei

- O que é que queres dizer com isso?

-Que vou aceitar a decisão que tomares, mas que fique explicito que se continuares com a mesma posição em relação a este assunto até posso aceitar mas não compreendo. E Clara vais acabar por me dar razão, ele não vai desistir.

- Fogo Ruben confias em mim?

Ele não respondeu, olhou-me simplesmente sem nada dizer, aquela falta de resposta da parte dele foi suficiente para mim, agarrei na minha mala com o intuito de ir embora, algo que teria feito se ele não tivesse impedido.

- Larga-me – ele segurava-me pelo braço com alguma força mas sem me magoar – quero ir embora

- É mesmo isso que queres? Queres ir embora sem o assunto estar resolvido – interrompi-o

- Vê se entendes, para mim está mais do que resolvido. A partir do momento que te pergunto se confias em mim e nem sequer respondes, não estou aqui a fazer mais nada – exerci alguma força e consegui libertar o meu braço da sua mão, apressei-me a abrir a porta e a sair.

O Ruben não se deixou ficar e veio atrás de mim, foi já quando estava com o telemóvel na mão a ligar à Guigui para vir-me buscar que ele o retirou das minhas mãos.

- Dá-me isso – ordenei-lhe

- Não precisas disto para nada.

O Ruben estava com o braço no ar, ora ele por si só já é mais alto então com o braço no ar a tarefa de lhe retirar o telemóvel passou a ser impossível, mas mesmo assim estava decidida em não dar parte fraca, acabei por aproximar-me dele tentado puxar-lhe o braço, mas a única coisa que consegui foi fazer com que os nossos corpos ficassem colados um ao outro, senti a respiração profunda dele no meu rosto, o que me fez olhá-lo, encontrei-o a observar-me atentamente ficamos a olharmo-nos olhos nos olhos durante uns segundos mas foi quando o vi a aproximar o seu rosto do meu que me afastei dele.
O Ruben reagiu de forma imediata, agarrou-me pela cintura fazendo-me embater no seu peito e num movimento rápido virou-me para ele, tentei refilar mas foi impedida pela sua boca, ele beijou-me de uma forma que lhe desconhecia, não posso dizer que foi à bruta mas que foi mais intensa do que o normal foi. Ao inicio deixei-me levar, afinal amo-o e as saudades de o sentir bem perto de mim já eram muitas, mas de um momento para o outro voltei à realidade e interrompi o que poderia muito bem vir a ser mais um momento de pura entrega, de puro amor.

- Pára – afastei-o, já quando estávamos a caminhar para o interior da casa.

- Clara, sei que queres tanto quanto eu.

- Até podes ter razão, mas hoje não. Ruben enquanto não confiares em mim não nos vamos voltar a envolver. Desculpa mas não consigo.

Sei que o magoei com as minhas palavras, mas no fundo também ele já me tinha magoado ao insinuar que se não despeço o Simão a nossa relação pode deixar de existir.
Ele ainda tentou que falássemos, mas não quis. Já tínhamos proferido palavras a mais num só dia, palavras essas que nos magoaram. Pedi-lhe o telemóvel de volta, queria ir embora o quanto antes, mas o Ruben falou que me levava, que não era preciso incomodar a Guigui, acabei por aceitar a boleia dele, afinal o que queria era sair dali o mais rápido possível.
A viagem até à minha casa foi feita num silencio agonizante, estava numa luta interior, uma parte de mim queria fazer as pazes com ele mas a outra, a mais racional, não me permitiu e mal o Ruben parou o carro em frente ao meu apartamento saí imediatamente sem sequer despedir-me dele.
O Ruben ainda saiu do carro e veio atrás de mim, mas quando chegou à porta do prédio já esta estava fechada.
O resto da tarde e da noite foi a pensar naquilo que se estava a passar, ponderei muito na decisão a tomar e em determinados momentos pensei mesmo em despedir o Simão, acabei por adormecer com a maldita dúvida a pairar sobre a minha cabeça.
Acordei com os primeiros raios de sol, não tinha conseguido descansar nada e a dúvida mantinha-se, acabei por levantar-me e ir tomar o pequeno-almoço, foi já quando estava a limpar o que sujei que lembrei-me do provérbio “a noite é boa conselheira” não sei quem foi o maluco que o inventou mas quem tenha sido estava redondamente enganado, a noite para mim só serviu para ter acordado com uma tremenda dor de cabeça e sem respostas às minhas dúvidas.
Fui até ao quarto e depois de escolher a roupa que iria vestir fui tomar um duche rápido, vesti-me e saí, ainda queria ir dar uma volta na praia antes de ir para o hotel. Caminhei sobre a areia com as ondas a embaterem nos meus pés, não sei o tempo que andei de um lado para o outro, só sei que despertei para a realidade quando ouvi o meu telemóvel, era a minha secretária a perguntar se ainda demorava, que já tinha as pessoas que se iriam reunir comigo durante a manhã para tratarmos de um assunto pendente à minha espera. Falei que estava a chegar, para ela os levar para a sala de reuniões e lhes servisse alguma coisa.
Cheguei ao hotel rapidamente, passei pela minha sala para pegar na pasta que tinha preparado para a reunião e depois de dar um jeito no meu cabelo encaminhei-me para a sala. A reunião durou quase toda a manhã, mas confesso que a minha cabeça estava longe, muito longe, o Ruben não saia do meu pensamento nem por um instante e mal a reunião terminou fui imediatamente até à minha sala.

(Narrado pelo Ruben)

A posição que a Clara tomou em não despedir o Simão deixou-me inseguro ao ponto de insinuar que ou ela o despedia ou terminava com ela, só me apercebi do que ia dizer quando ela me interrompeu e antecipando-se disse o que me ia no pensamento, naquele momento tentei dar a volta ao que ia dizer, pois na realidade não era isso que queria para nós. Amo a Clara e essa é das poucas certezas que tenho.
A conversa continuou e só serviu para que nos magoássemos mais, a Clara acabou mesmo por tentar ir embora, algo que impedi ao inicio tentei remediar a situação, algo que ela não facilitou e pediu mesmo para ir embora, acabei por levá-la até à sua casa e mal parei o carro, ela saiu disparada e nem mesmo quando tentei que ela me abrisse a porta do prédio para me despedir em condições dela, ela facilitou muito pelo contrário nem sequer olhou para mim.
O resto da tarde só serviu para ter a certeza que tinha feito porcaria e que agora a tinha que reconquistar de novo, acabei por adormecer a pensar numa forma de o fazer. Se adormeci a pensar nela, acordei da mesma forma, decidi por isso levantar-me e fazer-me à vida, se a queria reconquistar só tinha que meter-me a mexer.
Como tínhamos treino de manhã, liguei a pedir dispensa dei a desculpa que tinha surgido um problema pessoal e que teria mesmo que resolvê-lo o quanto antes, deram-me autorização para faltar ao treino da manhã mas avisaram-me que à tarde teria mesmo que ir.
Despachei-me o mais rápido que consegui e saí com o destino traçado, o percurso da minha casa até ao hotel só sofreu um pequeno desvio, o necessário para passar por uma florista e comparar alguns ramos de flores que pedi para serem entregues no hotel, a acompanhar os ramos seguia pequenos cartões com mensagens, neles fiz referencia a diversos momento que já partilhamos, desde os bons aos menos bons mas que mesmo assim conseguimos ultrapassar sempre.
Esperei algum tempo, o necessário para que a entrega fosse feita antes de chegar. Uma hora depois dirigi-me até ao hotel, informaram-me que ela estava numa reunião. Resolvi esperar que a reunião terminasse, acabei por ir dar uma volta pelo hotel e ouvir aquilo que não esperava. Ao passar por um corredor vi uma senhora de meia idade a falar com o Simão, a senhora que presumi ser sua mãe estava a pedir por tudo a ele que não fizesse nada que colocasse o seu emprego em causa, que eles precisavam do dinheiro, consegui ver o desespero da senhora e percebi o que a Clara tanto me tentou fazer ver ontem, eles viviam com dificuldades, por momentos até compreendi a decisão dela, mas a compreensão foi-se no momento que o ouvi dizer que não irá desistir dela, a raiva apoderou-se de mim e se não fosse a mensagem que recebi a avisar-me que a Clara já estava na sala teria mesmo ido tirar satisfações com aquele badameco de meia tigela.
Decidi deixar para depois uma conversa séria com ele, agora o que era prioritário era a Clara. Apressei-me a ir até à sua sala, bati na porta e ouvi-a a dizer para entrar, assim o fiz e voltei a ouvir o que não queria.

(Narrado pela Clara)

Mal entrei na minha sala ia caindo para o lado, tinha o espaço repleto de ramos de flores, cada um mais bonito que o anterior, tinha ali todos os tipos de flores que mais gosto, o que me levou a ter a certeza que o responsável por tamanho acto só podia ser o Ruben e apesar de estar magoada com ele não consegui deixar de sorrir, aproximei-me do primeiro ramo com as minhas pernas ainda a tremelicarem, agarrei no cartão e comecei a lê-lo

1º cartão
"Lembro-me do nosso primeiro encontro no lar, da tua cara de envergonhada e de como ficaste corada quando a Luisinha comentou que percebia porque é que eu era o teu jogador preferido..."

2º cartao
"Lembro-me de te ver torcer pelo nosso Benfica como nunca tinha visto ninguém e como pela primeira vez na vida agradeci por não poder jogar e ter o prazer da tua companhia"
 PS - A tua cara quando casualmente nos encontrámos naquele dia foi tão fofa... 

3º cartao
"Amei a tua cara de surpreendida quando me viste no lar e se há algo que não me sai da cabeça são os teus olhos cheios de água de tão emocionada que ficaste quando viste a sala de cinema do lar..."

4º cartão
"Quando te pedi para não te afastares de mim, lembro-me como ficaste insegura... E quando combinámos aquele jantar e não apareceste, pensei mesmo que não querias nada comigo, mas confesso que a espera compensou e acredita que faria tudo de novo..."

.....

20º cartão
"Lembro-me de todas as vezes que falei em casamento e de como tu ficavas sem jeito sempre que ouvias essa palavra"

21º cartão
"O melhor dia da minha vida foi sem dúvida aquele em que me disseste que estavas grávida, a felicidade tomou conta de mim, na altura pensei que nada me iria fazer mais feliz. Infelizmente não se veio a concretizar, mas desde esse dia que essa ideia não me sai da cabeça."

22º cartão
"A nossa zanga por causa da Inês é a pior lembrança que tenho nossa, um dia que tinha tudo para ser lembrado da melhor maneira porque tinhas aceitado finalmente casar comigo tornou-se um pesadelo. Sofremos os dois, mas ainda hoje não me perdoo pela injustiça que cometi contigo, fiz-te sofrer na altura e estou-te a fazer sofrer agora..."

23º cartão
"Perdoa-me Clara, tu já fazes parte de mim, fazes parte da minha vida e sinceramente já não me vejo sem ti. Estou a ser estupido com esta história, eu sei que estou, mas tenta compreender-me um bocadinho, só a possibilidade de ficar sem ti me deixa aterrorizado. EU AMO-TE CLARA, SEM TI SINTO-ME À DERIVA, SINTO-ME SEM CHÃO... PERDOA-ME MEU AMOR!!"

Li todos os cartões um por um, todas aquelas frases faziam sentido, falavam de diversos momentos nossos, por momentos tive uma vontade louca de sair a correr, de ir ter com ele ao treino, de atirar-me para os braços dele e poder matar as saudades que sinto dele, do corpo dele, de o sentir a amar-me, mas tudo isto passou no instante que recordei as palavras dele e o facto de ter tentado fazer chantagem comigo para que despedisse o Simão, a raiva apoderou-se de mim e num acto irreflectido chamei a Rita para que levasse as flores todas dali para fora. Assim que ouvi alguém a bater à porta dei permissão para entrar e sem olhar para a porta disse que iria almoçar e que quando voltasse queria a sala limpa sem vestígios das flores, que as podia meter todas no lixo. Achei estranho não ouvir resposta nenhuma, foi quando olhei na direcção da porta é que percebi o porquê, afinal quem tinha entrado era ele e não a minha secretária.
Os meus olhos viram aquilo que não queriam, o Ruben estava a olhar-me com alguma mágoa, arrependi-me de ter falado aquilo mas agora estava feito e não havia nada que pudesse fazer para remediar a situação, senti-me desconfortável com a situação, ele não falou nada estava simplesmente a encarar-me, por isso tentei esquivar-me mas ao passar por ele o Ruben agarrou-me o braço, fazendo-me parar.


- Clara precisamos de falar - mal o consegui ouvir, ele praticamente falou num sussurro.

- Ruben, não temos nada para dizer – ele interrompeu-me.

- Como não? Clara vais dizer que conseguiste dormir direito, que o facto de estarmos deste jeito não mexe contigo, consegues ignorar tudo o que se passou?

- Achas mesmo que consigo ignorar? Ruben, magoaste-me quando não confias em mim

- Amor não é uma questão de confiar, em ti confio o problema talvez seja mesmo meu só a ideia de ter alguém a dar em cima de ti deixa-me inseguro.

- Não tens razões nenhumas para te sentires inseguro, Ruben nunca te dei motivos para isso.

- Tens razão mas o que queres? Só de pensar que te posso perder para outra pessoa deixa-me cheio de ciúmes.

- Então aprende a controlá-los ou pensas que para mim também é fácil ter que lidar com o assédio que as tuas fãs te fazem? Ruben já paraste para pensar que para mim também não é fácil ir na rua contigo e de repente ver-te todo de sorrisinhos para cima das outras. Caramba sei que só o fazes por simpatia e talvez gratidão pelo apoio que recebes mas acredita que também não gosto disso e nunca te chantageei para que não o fizesses. 

- Clara é verdade errei ao fazê-lo mas perdi as estribeiras, desculpa sou humano também cometo erros, não sou perfeito, queres o quê que me ajoelhe à tua frente e peça desculpas é isso?

- Deixa-te disso.

- Então diz o que posso fazer para que me perdoes. Clara amo-te, não quero nem posso perder-te ainda para mais por uma estupidez minha.

- Agora é que falaste tudo, foste mesmo estúpido. Ruben tentei explicar-te os motivos pelos quais não posso despedir o Simão e nem sequer te preocupaste em ouvi-los. Ruben a família dele vive com dificuldades e só por isso é que não o despedi, a mãe dele implorou-me que não o fizesse. Desculpa-me se sou humana e não consegui agravar ainda mais a situação daquela família.

- Clara compreendo a decisão que tomaste e se fosse eu no teu lugar provavelmente faria o mesmo, mas podias ter-me preparado. Andaste distantes de mim, fui de viagem já com a sensação que alguma coisa se andava a passar, declaro o meu amor por ti diante de imensa gente, estava no mínimo à espera que quisesses falar comigo coisa que não fizeste e para agravar ainda mais quando chego a Lisboa recebeste-me da forma que foi, querias o quê que ouvisse tudo e ficasse calado? Olha, não consegui e já pedi desculpas.

- Já pediste desculpas e eu já ouvi, agora se não te importas tenho que sair.

- Clara não vás, por favor.

Ouvi-lo a implorar que não fosse embora se por um lado arrasou comigo por outro deu-me uma segurança que desconhecia, não sei bem aquilo que senti, só sei que não consegui continuar a andar, parei no instante que ele pediu.
O Ruben aproximou-se de mim, estava tão próximo que sentia a respiração dele a embater nos meus ombros descobertos, ele levou as suas mãos aos meus braços e bastou sentir o seu toque para que as incertezas que tinha se dissipassem no ar, não sei se ele percebeu que estava a ceder, só sei que o Ruben encostou os seus lábios húmidos ao meu pescoço e apertou-me contra si, acabei por libertar um pequeno suspiro causado pelas saudades que já sentia dele.
Num acto irreflectido virei-me para ele e uni as nossas bocas com urgência, o beijo esse era uma mistura de desejo e de saudades, as nossas línguas depressa se entrelaçaram e deram início a uma dança ritmada, as minhas mãos que até ao momento estavam junto do meu corpo viajaram pelo dele, terminando entrelaçadas atrás da sua nuca. O Ruben reduziu o pouco espaço que existia a separar os nossos corpos e sem dar bem por isso ele agarrou-me pela cintura, pegando-me logo de seguida ao colo, entrelacei as minhas pernas à volta da sua cintura, naquele momento pouco me importei que estava no meu local de trabalho, a necessidade de ser dele falou mais alto e em menos de nada já estava sentada em cima da mesa, o Ruben arrastou os objectos e papéis que estavam sobre a mesma e sentou-me lá. Não foi preciso muito para que começássemos a vermo-nos livres da roupa que nos cobria o corpo, o Ruben estava disposto a levar-me à loucura e deu início a uma sucessão de carícias atrevidas, beijou-me cada parte do meu corpo com uma urgência destemida, não me importei nada deixei-o guiar-nos pelo caminho do prazer, foi já quando o vi excitado que resolvi vingar-me do que momentos antes ele tinha-me feito, empurrei-o de forma a conseguir libertar-me do seu corpo e saí de cima da mesa.
Caminhei na direcção da porta e quando cheguei junto dela tranquei-a, voltei-me para ele e vi-o a sorrir-me, voltei a aproximar-me mas desta vez quem comandou fui eu, fi-lo sentar-se no sofá que tenho no gabinete, não sem antes lhe despir a única peça de roupa que cobria o seu corpo e mal me vi livre dos seus boxers sentei-me no seu colo, ele já estava excitado à muito ainda assim retardei ao máximo o momento de pura entrega, foi mesmo preciso ele implorar para que fosse dele novamente, mas assim que ele entrou em mim a sensação de estar completa foi única, senti-me desejada mas acima de tudo amada.
Os momentos que se seguiram foram únicos, quase que arrisco dizer que de todos os momentos de pura entrega que já partilhamos, este foi o que mais prazer me deu, talvez por corrermos o risco de sermos apanhados ou então por o termos andado a adiar durante as últimas horas. Só sei que no momento que atingimos o prazer máximo uma certeza percorreu o meu corpo, que depois de hoje não lhe esconderia mais nada, que ia dar uma hipótese ao Simão mas ao mínimo deslize dele o ponha a correr.
Nos minutos seguintes deixei-me ficar nos braços dele, estávamos agora ambos serenos e juramos mutuamente que não esconderíamos mais nada um do outro e foi nesse momento que ele me contou a conversa que ouviu entre o Simão e a sua mãe, disse-lhe que podia ficar tranquilo que caso o Simão aprontasse alguma coisa por mais mínima que fosse que o metia a correr. O Ruben respeitou a minha decisão e foi já quando estávamo-nos a vestir que alguém bateu à porta, olhei à nossa volta e ao ver aqueles papeis todos pelo chão sorri envergonhada, afinal aquilo não estava em condições de receber ninguém, por isso falei que agora não podia, que voltasse mais tarde, mas voltaram a insistir.
O Ruben acabou por ajudar-me a dar um ar mais decente ao gabinete e depois dei finalmente ordem para entrar, mas arrependi-me no mesmo momento de o ter feito.  

Quem será que entrou?