(Narrado pelo Ruben)
O treino correu muito bem, embora estivesse ainda um pouco inseguro em relação à história do Simão, tinha confiança na Clara e tinha a maior certeza do que ela sentia por mim. Saí do treino e segui para o hotel para a ir buscar, quando lá cheguei estava tudo muito calmo, dirigi-me ao seu gabinete e bati à porta.
- "Sim" - ouvi-a responder e entrei.
- Sou eu princesa, estás pronta para irmos?
- Espera só um bocadinho, tenho que acabar de organizar aqui uns papeis.
- Mas ainda demoras amor?
- Não, mas tenho mesmo que acabar isto, amanhã tenho uma reunião e vêm aí mais papeis...
- Sem problema, também ainda temos tempo.
- Mas não queres passar por casa?
- Queria, mas se não der não tem problema.
- Se calhar ainda dá, deixa-me só terminar isto. - disse-me ela agarrando nuns papeis e pondo-os num dossier.
Pouco depois pegou na sua mala e num dos ramos que eu lhe tinha oferecido e saímos. O caminho até minha casa foi rápido, mudei de roupa e quando dei por mim a Clara estava metida no duche.
- Então amor, podias ter avisado que ias tomar banho, tenho todo o gosto em te fazer companhia.
- Nem tenhas ideias, eu só vim tomar um duche rápido, vou já sair.
- Ó amor não sejas assim, deixa lá eu te ir fazer companhia.
- Nem penses, temos que nos despachar, eu também vou já sair...
- Clarinha vá lá...
- Não, deixa-me lá acabar o meu banho, se tu vens para aqui não saímos de casa hoje.
- Fogo amor...
- Blá, blá, blá... - dizia-me ao gozar comigo.
Ela terminou o banho pouco depois e eu esperei por ela na sala, quando a vi chegar perto de mim não hesitei a brincar com ela.
- Ah, afinal sempre dá jeito teres roupas cá em casa...
- Desta vez parece que deu.
- Já te disse que podíamos... - ela não me deixou terminar a frase pois interrompeu-me logo.
- Podíamos muita coisa mas temos tempo, vamos com calma.
- Clara...
- Já falámos sobre isso. Vamos embora?
Ela estava muito segura de si, falava com convicção o que não me deu espaço para dizer mais nada. Aquela situação não era a ideal para mim, com esta história toda do Simão precisava de alguma coisa que me desse a certeza absoluta que a Clara queria o mesmo que eu, que ela queria lutar por nós e que não estava disposta a abdicar da nossa felicidade. No entanto não mostrava isso, como é óbvio eu não duvidava do sentimento dela por mim, mas na hora de ela mostrar que queria mesmo ficar comigo para sempre recuava e não me deixava sequer tocar no assunto.
- Vamos...
Entrámos no carro e seguimos para casa do David, ela foi o caminho todo calada e eu também. Quando entrámos em casa do David as meninas vieram logo ter com a Clara, levaram-na logo para longe de mim.
- Deixa elas mano, não se preocupa que ela não larga você não...
- Nem brinques puto, andamos a passar uma fase mesmo complicada.
(Narrado pela Clara)
Ele ia tocar naquele assunto novamente e eu não estava preparada, cortei logo a conversa, no entanto quando íamos no carro arrependi-me e ia falar com ele mas quando dei por isso, já ele estava fora do carro. Depois disso foi completamente impossível dizer o que quer que fosse, mal entrámos em casa do David, a Sara, a Guigui e a Catarina vieram logo e arrastaram-me para a varanda.
- Vá Clara agora não escapas, conta lá o que é que te fez ter aquela ideia estúpida?
- Guigui já passou, agora está tudo bem e eu já voltei a mim novamente.
- Mas o que é que se passou Clara? Tu naquele dia estavas complemente fora de ti, só choravas e dizias coisas sem sentido... - constatava a Sara.
- Meninas a sério, vamos falar de outra coisa, o Ruben e eu já passámos um mau bocado por causa disto. Não insistam, eu depois falo com vocês, mas agora vamos é divertirmo-nos porque eu já ando farta de estar mal...
- Tu é que sabes amiga, mas nem penses que vais ficar sem nos dizer o que se passou... - informava-me a Guigui.
Depois desta pequena conversa voltamos para dentro, os rapazes já estavam na sala e como é óbvio, agarrados à playstation.
- É impressionante Francisco Javier, só fui lá fora dois minutos e quando volto já te vejo agarrado a essa coisa e ainda por cima a jogar com o Real Madrid. - resmungava a Guigui.
- Fogo mano, essa daí 'tá sempre pegando no seu pé... Pô garota, larga aí o cara, deixa ele jogar nesse negócio aí... Cê é chata p'rá valer...
- Já te calavas não? Nunca ouviste dizer que entre namorado e namorada ninguém mete a colherada? Muito menos uma ovelha choné como tu...
Aquelas discussões daqueles dois eram sempre assim, o David metia-se e depois ouvia das boas, ele era das poucas pessoas que ainda se metia com a Guigui, pois todos os outros sabiam bem que ela não se ficava e mandava sempre resposta...
O jantar foi normal, muita brincadeira e convívio, senti o Ruben afastado de mim, por diversas vezes tentei uma aproximação mas não tive sucesso...
Quando já todos estavam a tomar café ausentei-me, fui até a varanda e fiquei a contemplar a maravilhosa vista sobre a cidade, tinha a plena consciência que o Ruben era o homem da minha vida, mas aquela pressa toda... Bolas, desde miúda que o meu sonho era encontrar o homem da minha vida e casar, vestir um vestido lindo branco e entrar na igreja repleta de convidados e olhar para o altar e ver o homem da minha vida ali à minha frente, à minha espera para o tão aguardado sim... O Ruben aquilo que quer é saltar todas essas etapas e ir apenas viver junto, sem um compromisso, sem uma promessa, será que é certo mudar tudo aquilo que eu quero e sempre sonhei, será justo abdicar assim de tudo...
- Foi aqui que te escondeste?!
- Que susto Sara.
- Andas estranha Clarinha, o que se passa nessa cabecinha.
- Dúvidas e certezas...
- Então? Queres falar?
- À bocado o Ruben foi-me buscar ao hotel e depois quando estávamos em casa ele ia falar novamente em irmos viver juntos, eu não o deixei e disse que não havia mais nada para dizer sobre isso, ele agora desde que chegamos mantém-se afastado e frio comigo...
- Miuda tens que o compreender, vocês passam imenso tempo afastados, tu agora com o hotel, as visitas no lar e ele com os jogos, tu sabes que é complicado...
- Eu sei Sara, mas bolas, eu não quero sair de casa só porque sim. Eu quero sair de casa com certezas que não volto a viver sozinha, eu quero sair de casa quando casar e é para sempre...
- Mas ele já te pediu em casamento...
- E eu já aceitei, mas aquilo que aconteceu depois veio-me fazer ficar insegura.
- Mas foi uma estupidez, tu sabes que foi, a própria Inês já te pediu desculpa e tudo.
- Pois, mas a questão é que ele caiu na estupidez, sei lá se daqui a uns tempos ele não cai noutra... Fogo Sara, eu não sou de ferro e não estou para aceitar e recusar pedidos de casamento...
- Clarinha desculpa lá, não se vou dizer alguma parvoíce ou não, mas ainda ontem quando eles chegaram tu estavas convicta de que tinhas que acabar com o Ruben, pelo que percebi mudaste de ideias, deduzo que tenham falado e resolvido as coisas e por isso mesmo tens que o compreender, vocês gostam muito um do outro Clara, o que o Ruben quer não é nada de extraordinário, é até normal. Nem imaginas a quantidade de pessoas que davam tudo para estar no teu lugar...
- Acredita que imagino e por isso mesmo não terminei com tudo ontem, só o imaginar ver o Ruben com outra pessoa acaba com o meu autocontrolo...
- Então Clara, não desperdices uma oportunidade de seres feliz, arrisca, ele ama-te e isso está à vista de qualquer pessoa.
- Tenho que pensar Sara, não tenho dúvidas do que sinto por ele, mas eu não me vou sentir bem comigo própria se abdicar de um sonho só para ter a certeza que não o perco.
- Compreendo amiga, mas vocês têm que falar e resolverem juntos...
- Eu sei linda, vamos ver no que isto vai dar...
Ela entretanto voltou para dentro e eu fiquei novamente sozinha. Pouco depois ouvi novamente alguém a aproximar-se, olhei para trás e deparei com o Ruben a olhar-me...
Ele olhava-me apenas, sem dizer uma única palavra, foi então que eu quebrei aquele silêncio - Não vais dizer nada?
- Que queres que eu te diga Clara? São sempre os mesmos recuos...
- Não são recuos, nós já falámos sobre isto Ruben...
- Pois falámos, mas a situação não era esta, não andava um gajo qualquer a fazer-se a ti.
- Amor, já te pedi para confiares em mim. Eu já lhe mudei as funções, ele agora não me põe a vista em cima, bolas amor, confia em mim.
- Já te disse que confio, mas ia-me sentir muito mais seguro se tu não recuasses constantemente e admitisses em pleno que estamos juntos.
- Eu não admito que estamos juntos? Amor sabes que odeio que toda a gente saiba da nossa vida, mas a verdade é que já não há como esconder nada, já viste a quantidade de vezes que saiem fotos nossas nas revistas, quem te ouvir a falar assim até pensa que os teus pais não me conhecem e que tu não conheces os meus pais. Fogo Ruben, achas mesmo que eu não admito que estamos juntos?
- Não é a isso que me refiro, sabes bem do que estou a falar.
- Pois, mas isso de que falas está fora de questão, já falámos sobre isso e por enquanto não há muito mais que dizer. Já te disse que não vou viver contigo e não vou mudar de ideias.
- Como sempre decides tudo e pouco te importa o que eu penso, se é mesmo isso que queres tudo bem, mas aviso-te já que não vou tolerar mais merd** do outro gajo, da próxima vez eu parto-lhe mesmo a boca.
- Já te pedi para confiares em mim, é só isso que te peço.
Estávamos no meio daquele pequeno arrufo quando o David se abeirou de nós.
- Galera vamo para dentro, as meninas querem jogar playstation, vamo jogar...
- Sim, é melhor mesmo ir fazer outra coisa, já vi que aqui não me vou divertir de certeza. - quando acabou de falar entrou logo sem me dirigir mais a palavra nem sequer olhar para mim...
- Isso entre vocês está fera não é Clarinha?
- Sim, é verdade. Andamos a passar uma fase menos boa...
- Vocês se adoram Clarinha, não deitem tudo fora sem razão.
- Tu não percebes David, há coisas complicadas...
- Não Clarinha, vocês é que estão complicando. Não esquece que ele te ama e que não está confortável com essa situação, se põe um pouco no lugar dele.
- Fogo David, achas que eu estou bem, juro que percebo a situação dele e por isso já tomei as medidas certas, agora ele também tem que confiar em mim.
- Eu sei minha linda e se eu 'tou falando e me metendo no assunto de vocês é porque não quero ver vocês sofrerem por besteira. Eu e a Sarinha adoramos vocês e queremos que sejam muito felizes, como a gente.
- Eu sei David e acredita que tudo o que mais quero é ser feliz com o Ruben, mas eu tenho princípios, ele não pode estar à espera que eu mude tudo o que penso só por causa dele.
- Cês têm que ter muita paciência um com o outro têm os dois razão, cada um do seu jeito só não tão sabendo falar direito e se entenderem...
- Acredita que sei disso, mas é complicado, estamos a passar uma fase menos boa e só espero que isto não acabe com tudo o que construímos até agora.
- É a falar que as pessoas se entendem, cê tem que engolir um pouco desse orgulho e falarem direito... Vá, agora vamo para dentro, devem estar todos esperando por nós...
- Sim, é melhor ir...
Entrámos os dois e senti os olhos do Ruben pousarem em mim, deu-me um arrepio por causa da forma como ele me olhou. Tentei abstrair-me do que nos estava a chatear para aproveitar com eles aquele belo serão. Tivemos a jogar singstar e os rapazes divertiram-se com a rockband, confesso que consegui divertir-me bastante com eles e o ambiente entre mim e o Ruben serenou um pouco, ele já sorria para mim e em certos momentos até brincava comigo, por momentos viajei no tempo e senti-me como se este tivesse voltado para trás e estivéssemos os dois óptimos e felizes. A certa altura o pessoal começou a pensar em ir embora, quem saiu primeiro foi a Catarina e o Aimar, ele como menino atinadinho que era cumpria os horários todos do mister, o Javi e a Guigui foram logo a seguir, ficando eu e o Ruben na companhia do David e da Sara.
- Amor vamos indo? - perguntei-lhe.
- Sim, já está tarde.
- Vocês vejam é se se entendem, isto de andarem assim só vos prejudica... - dizia a Sara enquanto nós trocávamos um leve olhar.
- É isso aí, vocês têm que conversar e se entederem...
- Meninos acreditem que vocês não querem mais isso que nós, - disse eu olhando para o Ruben - nós prometemos que vamos falar e nos entendermos, não é amor?
- Sim, nenhum de nós os dois gosta desta situação.
- Então se acertem que tou farto de aturar esse cara aí mal humorado.
Nós não dissemos mais nada, apenas trocámos um leve olhar com eles e saímos, o caminho até ao carro foi feito em silêncio e foi quando já estávamos dentro do carro que o Ruben me perguntou:
- Ficas em tua casa ou vamos para a minha?
Eu precisava muito estar sozinha e pensar bem na nossa situação, mas aquela era sem dúvida a pior noite para lhe dizer que ficava em minha casa, ele não se ia chatear mas ia ficar com macaquinhos na cabeça o que iria piorar a nossa relação que já estava fragilizada.
- Vamos para a tua.
Mal ouviu a minha resposta pôs o carro a trabalhar e conduziu em direcção à casa dele, mais uma vez o caminho foi feito em silêncio e quando lá chegámos o silêncio continuou, ele despiu-se e deitou-se sem nunca dizer uma palavra. Eu não podia deixar as coisas ficarem como estavam e por isso mesmo depois de ir à cozinha beber um copo de água e ganhar coragem para aquela conversa, voltei para o quarto, no entanto, quando ia para falar reparei que o Ruben já dormia. Não fui capaz de o acordar e por isso mesmo deitei-me e fiquei a observá-lo, eu amava aquele homem de uma forma que não conseguia explicar e por isso mesmo tinha que tomar uma decisão. Ele estava chateado e até tinha sua razão, embora por outro lado eu também tivesse a minha razão, eu tinha ideais e sonhos que queria ver realizados e não postos de lado para um dia mais tarde os puder ou não realizar. Fiquei durante um tempo com os meus olhos cravados no seu rosto mas aos poucos o cansaço ia-se apoderando de mim e eu ia fechando-os.
(Narrado pelo Ruben)
O serão em casa do David não tinha sido totalmente mau, mas o facto de eu e a Clara não estarmos bem acabou por fazer com que todos nós não nos divertíssemos em pleno. Acordei na manhã seguinte com a Clara do meu lado, ela dormia de forma serena o que fazia com que eu não me esquece-se nunca do quanto a amava. Na noite anterior eu não tinha agido bem, tinha-me deitado sem sequer lhe dar as boas noites, tinha-me portado mal com ela, no entanto, ela ali estava, ao meu lado com o seu ar sereno e que me deixava doido. Enquanto a observava meditei sobre o motivo do nosso arrufo, estaria eu a ser egoísta? Eu sabia quais eram os planos dela e se não fosse eu ter sido parvo, tínhamos seguido o verdadeiro rumo das coisas. Eu sabia que devia confiar nela, tinha a certeza absoluta que ela queria o mesmo que eu, mas algo na minha cabeça me dizia para não ceder e para a convencer mesmo a vir viver comigo, estava de tal forma perdido que quando caí na realidade novamente ela estava a olhar para mim.
- Bom dia...
- Bom dia princesa...
- Amor, temos que falar.
- Sim, mas falamos logo, agora temos que nos arranjar. Já viste as horas? - perguntei-lhe levantando-me da cama na tentativa de escapar aquela conversa.
- Já vi as horas sim e ainda temos tempo. Vem para aqui, eu quero mesmo falar contigo.
- Clara já te disse que falamos logo, já é tarde e eu tenho que ir para o Seixal cedo.
- Tudo bem, então logo falamos. A que horas é que estás despachado do treino?
- Ainda não sei, mas eu depois passo lá na tua casa ou no hotel, se me despachar cedo.
- Deixa estar, não te preocupes.
- Nada disso, eu disse que falávamos logo e podes acreditar que de logo a conversa não passa, não podemos continuar assim Clara, não é bom nem para mim, nem para ti.
- Por isso mesmo queria falar já contigo e dizer-te o que decidi fazer.
- E por isso mesmo estou a dizer para falarmos logo, não me apetece começar o dia logo a discutir. - quando acabei de falar dirigi-me à casa de banho, no entanto aquilo que ela me disse fez-me voltar atrás.
- Importas-te de repetir o que disseste?
- Foi mesmo aquilo que ouviste, eu não quero que comeces logo o dia a discutir, prefiro que o comeces muito bem disposto e por isso mesmo eu vou repetir o que já te disse. Eu venho viver contigo...
- Estás a falar a sério?
- Eu estou farta deste ambiente e destas discussões, se é disto que precisas para ter a certeza que eu quero mesmo estar contigo, então acho que é isso que tenho que fazer. Eu amo-te, tu sabes bem que és tudo para mim, não tem sentido continuarmos assim...
- Amor eu não quero que venhas morar comigo porque eu quero, quero que venhas por tu também quereres.
- Ruben, tu sabes o que eu quero, tu sabes que a melhor parte da minha vida e aquela que estou ansiosa que aconteça é quando a nossa vida fôr conjunta, sabes que eu quero dividir tudo contigo... Tu és o homem da minha vida...
- E tu és a mulher da minha vida... Clarinha nem sabes como fico feliz de te ouvir dizer que vens viver aqui...
- Sei sim... Mas também quero que entendas uma coisa, não é o facto de eu vir viver contigo que vai alterar o que sinto por ti, eu amo-te e não é por viver ou não contigo que te amo mais ou menos. A única razão por eu ter mudado tudo aquilo que queria é o medo enorme que tenho de te perder, por isso a única coisa que te peço é que me respeites e que a partir de agora confies em mim.
- Amor, eu confio em ti, sempre confiei, eu sei que tu não querias que as coisas se apressassem assim, mas uma coisa te prometo já. Nada vai ficar adiado, o facto de irmos morar juntos já não significa que não vamos casar, porque vamos... Prometo...
- Eu sei, não te preocupes...
- Amor, então e quando é que estás a pensar fazer a mudança?
- Tenho que falar com elas amor, não posso abandoná-las assim e além disso eu e a Guigui estamos a pagar uma mensalidade, não posso deixá-las na mão.
- Isso é o mais fácil de resolver lindinha, tens é que começar a pensar em arrumar as tuas coisas para as trazeres para cá...
A seguir aquela conversa fomos tomar um banho e acabar de nos arranjar, eu deixei-a no hotel e segui para o Seixal. O treino correu bem, contei a novidade ao David que ficou logo muito feliz por nós, o resto do dia passou a correr e quando foi hora de voltar para casa liguei à Clara.
- Olá princesa,
- Oi, entao como correu o dia?
- O meu correu bem e o teu?
- Mais ou menos, tive uns problemas aqui no hotel mas nada que não se resolva.
- Linda diz-me uma coisa, jantamos lá em casa?
- Não sei Ruben, tenho que falar com elas.
- Amor anda lá, jantamos aqui e depois passamos lá na tua casa para ires buscar já algumas coisas e falares com elas.
- Amor já estás a apressar as coisas, tem calminha sim, eu disse que me mudava mas não disse que era já hoje.
- Clarinha não sejas assim, bem que podes passar a dormir lá em casa e depois vamos levando as coisas para lá aos poucos...
- Ruben, não comeces, já aceitei ir morar contigo mas agora deixa-me fazer as coisas como eu acho melhor, pára de me pressionar e deixa-me ser coerente e fazer as coisas com calma. Sabias que o mundo não vai acabar amanhã?
- Fogo amor, também não precisas de falar assim para mim, já percebi.
- Ainda bem que percebeste. Agora deixa-me acabar isto para ir embora.
- Está bem... Olha vou preparar jantar para nós os dois, fico à tua espera. Beijinhos, amo-te... - quando acabei de falar desliguei logo o telefone, assim cortava-lhe a hipótese de negar mais uma vez o jantar. Antes de ir para casa passei pelo Spa da minha mãe, fui lá ter um bocadinho com ela e pedir-lhe opinão de algo para fazer para o jantar, eu era uma zero na cozinha mas agora que a minha Clarinha tinha aceite ir viver comigo tinha mesmo que me esmerar para que ela não se arrepende-se da decisão que tinha tomado.
A minha mãe ainda tentou dar-me algumas dicas, mas não consegui perceber nada e por isso mesmo decidi marcar mesa no restaurante que a Clara adorava. Estava já a chegar ao carro quando reparei que encostado a ele estava a nova massagista do Spa.
- Quando saí vi o teu carro e não resisti a esperar que saísses.
- Olá Soraia, está tudo bem contigo?
- Sim, está tudo bem, então e tu? Já andas mais bem disposto, no dia que nos conhecemos não estavas lá muito bem.
- Já estou melhor sim, aquele dia não foi fácil. Vinha de viagem e depois estava também com alguns problemas...
- Com a namorada certo?
- Desculpa?
- Problemas com a namorada?
- Ah, sim, é verdade. Nós estávamos um pouco afastados, mas agora já está tudo bem.
- Ainda bem, era uma pena um rapaz tão giro andar por aí tão triste e ainda por cima por causa de uma rapariga. Queres um conselho?
- Diz.
- Nenhuma rapariga merece que sofras tanto por ela...
- Não conheces a Clara, aquela mulher merece tudo, eu até a minha vida daria por a dela...
- Tu é que sabes, eu não arriscava assim tanto. Bem agora que já te cumprimentei vou indo, espero voltar a ver-te brevemente.
Ela despediu-se de mim com um beijo na cara e entrou no sei carro, a forma como ela falou comigo e aquilo que me disse deixou-me um pouco desconfortável, no entanto foi bom ouvir aquelas palavras e sentir que alguém se preocupava comigo.