(narrado pela Guigui)
Não podia acreditar naquilo. Aqueles gajos realmente não tinham mais nada para fazer da vida. Arranquei e vi que eles me seguiam. Decidi ir pela marginal, talvez assim fosse mais fácil despistá-los, se bem que o facto de ter escolhido levar aquele carro não facilitava muito esse trabalho. Tirei o telemóvel do bolso e marquei o número do Javi, ligando o kit mãos-livres.
- Sim princesa? Esqueceste-te de alguma coisa?
- Esqueci-me que não devia ter trazido este carro.
- An?!
- Não vais acreditar... Quando saí pode-se dizer que a rua estava mais movimentada que o habitual e que neste momento estes atrasados pensam que te estão a seguir a ti...
- Não estou a perceber nada Margarida...
- Jornalistas à porta. Estou a ser perseguida por eles e o facto de este carro ser grande e branco facilita-lhes imenso o trabalho e dificulta-me o meu...
- O que é que eu te avisei Margarida?
- Não te vais pôr com lições de moral, pois não Javi?! Já me chega ter que levar com estes gajos só porque sou tua namorada...
- Desculpa... Vê se os consegues despistar. Eu vou ter contigo, 'tás a ir para onde?
- Não vens nada ter comigo. Deixa-te estar, fazes o que tínhamos combinado. Se sais de casa eles percebem que não eras tu que estavas com este carro. Eu vou ver se os consigo despistar e assim que chegar à Costa vou deixar o carro na garagem do Ico ou assim. Depois tu logo pegas nele e vais deixá-lo em casa. Se andarmos no meu carro nos próximos dias passamos mais despercebidos.
- Guapa, eu vou ter contigo ao bar...
- Javi, deixa-te de coisas. É preferível não darmos nas vistas. Até logo, bom treino. Amo-te.
- Também te amo princesa. Bom trabalho, até logo.
Desliguei a chamada e olhei mais uma vez pelo espelho retrovisor. Ainda não os tinha conseguido despistar e sinceramente já estava a ficar irritada. Entrei por alguns atalhos e vi que mesmo assim eles ainda permaneciam atrás de mim. Assim que entrei na Autoestrada acelerei o máximo possível e comecei a andar entre os outros carros. Aproveitei o facto de estar algum trânsito para conseguir adiantar-me um pouco em relação a eles. Assim que entrei na ponte voltei a esquivar-me entre os os outros carros e assim que entrei na Via rápida da Costa voltei a acelerar. Quando passei os semáforos vi que os tinha despistado e aproveitei para ir directa para casa do Ico. Assim que lá cheguei coloquei o carro na garagem e fui de boleia com ele até ao bar. O dia no bar correu bem, não tinha tido visitas inesperadas. Combinei com o Ico de sair mais cedo, um vez que a Clarinha nos tinha convidado para jantarmos todos com os pais dela. Quando saí fui directa até casa, uma vez que precisava de lá ir buscar algumas coisas. Assim que abri a porta deparei-me com uma cena que, definitivamente, não estava à espera.
(narrado pela Catarina)
Desde aquela noite maravilhosa em casa do Pablo que nós não desgrudávamos um do outro, se bem que ainda ninguém tinha percebido muito bem se realmente já nos tínhamos envolvido ou não. O Pablo era super discreto e nunca tínhamos dado bandeira sobre nós os dois, o que nos deixava termos os nossos momentos sem ninguém nos chatear. O Pablo partia no dia seguinte para Estugarda com o resto da equipa, e tinha-me convidado para passarmos a tarde juntos. Como ele tinha treino de manhã preparei o nosso almoço enquanto esperava por ele. Enquanto o almoço estava no forno tomei um duche rápido e vesti-me de forma simples, sabia que ele odiava extravagâncias. Assim que terminei de me arranjar regressei à sala e escolhi um CD enquanto esperava por ele. A campainha tocou pouco depois e corri para abrir a porta. Não demorou a que o visse sair do elevador e dirigir-se a mim com aquele sorriso maravilhoso que me fazia derreter completamente. Sorri-lhe de volta enquanto ele se aproximava de mim. Entrelaçou a sua mão esquerda na minha enquanto me puxava para si com a mão direita que estava já apoiada na minha cintura. Deixei-me levar e beijei-o avidamente.
- Boa tarde pequenino. - disse de sorriso traquina no rosto enquanto ele elevava a sobrancelha olhando-me espantado.
- Pequenino?
- Pequenino mas bem jeitoso. - pisquei-lhe o olho e dei-lhe um leve beijo enquanto o puxava para dentro de casa.
- Assim já gosto mais. - disse enquanto fechava a porta e se aproximava de mim, encurralando-me entre ele e a parede. As suas mãos começaram a percorrer o meu corpo enquanto me beijava o pescoço.
- Cariño, que tal irmos almoçar? Temos muito tempo...
- Vamos lá. - disse dando-me um beijo no ombro, enquanto me virava de costas para ele e nos encaminhava para a mesa, sem nunca deixar de acariciar o meu corpo.
Sorri com aquele gesto dele e deixei-me guiar até chegarmos à cozinha. Assim que lá chegámos ele sentou-se à mesa enquanto eu tirava o tabuleiro do forno. Almoçámos calmamente, entre muita brincadeira e muita conversa também. Apesar de ele ser super reservado e envergonhado, sabia que tinha várias histórias com fãs que suscitavam a minha curiosidade. Ele ía-me contando algumas enquanto eu gargalhava com as algumas delas. Quando terminámos o almoço comecei a levantar a mesa enquanto o Pablo se dirigiu à sala ouvi-o mudar o CD e regressou pouco depois à cozinha. Eu estava a terminar de levantar e ele aproximou-se de mim. Retirou-me das mãos a louça e pousou-a na bancada. aproximou-se novamente de mim e beijou-me o pescoço descendo ao longo do decote enquanto as suas mãos procuravam a minha pele. Ele despiu-me e eu fiz-lhe o mesmo, com uma pressa avalassadora de sentirmos o corpo um do outro. As carícias prolongaram-se até os nossos corpos se unirem. Amámo-nos ali mesmo, na cozinha. Não satisfeitos, prolongámos aquele momento, as carícias e os beijos sucediam-se e voltámos a fazer amor, desta vez já no quarto. Depois de namorarmos mais um pouco, acabámos por ir tomar banho. Enquanto fiquei no quarto a arranjar-me, o Pablo foi apanhar a sua roupa que estava espalhada pela casa. Estava perdida em pensamentos quando fui interrompida por uma forte gargalhada vinda do andar de baixo. Desci as escadas a correr e, assim que entrei na sala, fiquei sem saber onde me enfiar.
(narrado pela Guigui)
Após aquela falta de reacção num primeiro momento, soltei uma forte gargalhada.
- Ó Pablo, não me digas que te apanhei de calças na mão... - soltei mais uma gargalhada quando vi a Catarina a entrar na sala e a corar de uma maneira que nunca tinha visto - Priminha, podias-me ter avisado que ías fazer coisas indecentes, assim nem tinha vindo a casa.
- Margarida, deixa de ser parva. O que é que estás aqui a fazer? Não devias estar a trabalhar?
- Eu vinha cá buscar umas roupas que estão cá. Logo à noite queria vestir um vestido que cá ficou. Mas já percebi que da próxima é melhor pôr um requerimento para não vos apanhar em trajes menores. - eu tentava controlar o riso, mas era difícil conseguir fazê-lo tendo o Pablo à minha frente o Pablo, completamente envergonhado, de tronco nu, toalha à volta da cintura e calças, literalmente, na mão - Bem, eu vou só lá acima buscar o que quero e vou já sair. Não se esqueçam do jantar logo meninos...
Subi as escadas e fui buscar o que precisava. Notei que a Catarina me tinha seguido e voltei a meter-me com ela.
- Não sabia que as coisas já estavam assim tão evoluídas priminha...
- Margarida, isto não tem piada nenhuma. Viste bem como deixaste o Pablo?
- An?! - olhei para ela e tentei controlar o riso - Tens que admitir que teve bué piada. Se vocês tivessem um buraco tinham-se lá enfiado em três tempos... Mas olha que vendo aqueles abdominais assim ainda com água a escorrer, percebo o que é que tu viste no Pablo...
- Olha lá, mas não tens já o teu espanhol? Deixa o meu argentino sossegado, 'tá?!
- O teu?! Ui, como isso já está! Já me calei e estou já de saída. Até logo, beijinhos. - peguei nas coisas e desci as escadas, antes de fechar a porta ainda soltei mais uma boca - Até logo Pablito guapo!
A Catarina fuzilou-me com o olhar e eu mostrei-lhe mais um sorriso. Fechei a porta e desci até ao carro. Assim que cheguei a casa do Javi vi que estavam alguns jornalistas novamente à porta, pelo que decidi colocar o carro directamente na garagem. Assim que entrei em casa o Buba veio logo a correr ter comigo. Seguiu-me até ao quarto onde pousei as minhas coisas, Como o Javi ainda não tinha chegado, vesti uma Sweat comprida e saí com o Buba para irmos dar uma volta. Como na entrada principal estavam os jornalistas, optei por sair pela porta inferior do prédio que dava acesso ao jardim. Quando regressámos a casa ouvi o barulho de água a correr. Fui até à cozinha e coloquei comida na taça do Buba, e de seguida dirigi-me ao quarto. Despi a roupa que trazia vestida e fui até à casa-de-banho. O Javi estava a tomar banho e não deu pela minha presença, pelo que decidi fazer-lhe uma maldade. Enchi um copo com água fria e entrei de seguida para o chuveiro, entornando a água sobre as suas costas.
- Auuuuu! - giritou enquanto se virava na minha direcção.
- Porra, arranjei um namorado que é uma menina...
- Eu dou-te a menina! - disse puxando-me mais para si. Não dificultei e colei os meus lábios aos seus. Beijámo-nos calma e demoradamente.
Entre brincadeiras e carícias lá terminámos de tomar banho. No final vestimo-nos e depois de prontos saímos no meu carro em direcção à Costa da Caparica. O jantar com os pais da Clara foi super animado. O meu irmão e a Carol foram também e os pais da Clara ficaram super felizes pelas novidades. No final do jantar o pessoal começou a ir embora, pois os rapazes partiam no dia seguinte para a Alemanha e levantavam-se cedo. Como o Javi não iria jogar uma vez que estava castigado, iríamos ter uns dias mais calmos. Acabámos por ir para casa ao mesmo tempo que o resto do pessoal. Quando lá chegámos fomos ver um filme e de seguida fomos dormir.
(narrado pelo Javi)
Acordei cedo, se queria fazer o que tinha planeado não havia muito tempo a perder. Levantei-me e arranjei duas malas com as nossas roupas, enquanto a Guigui continuava a dormir serenamente. Ela era uma pessoa super extrovertida, mas odiava que a sua vida fosse do conhecimento publico. Nunca tínhamos escondido o nosso namoro da imprensa porque sabíamos que se o fizéssemos o impacto iria ser maior quando fosse descoberto. No entanto, o facto de nunca nos termos escondido facilitava o trabalho dos jornalistas nesta altura. Nós precisávamos de uns dias fora desta confusão que estava a instalar-se à nossa volta. Quando terminei de arranjar as malas peguei nelas e fui colocá-las no carro. Quando voltei a entrar em casa vi que ela ainda dormia e aproximei-me dela tentando acordá-la, enquanto lhe dava leves beijos.
- Amor... Deixa-me dormir...
- Não sejas dorminhoca guapa... Levanta-te.
- Não... Ainda é tão cedo. Deixa-me dormir... - disse enquanto me puxou para junto de si.
- Princesa, desculpa mas hoje não. Levanta-te que temos muito que fazer. - falei emquanto me soltava do seu abraço.
- Javi, ainda é cedo para eu ir para o bar, e tu hoje não tens treino, portanto deita-te mas é fica calado.
Sabia que ela não ia facilitar, pelo que decidi pegá-la ao colo. Caminhei em direcção à casa-de-banho enquanto ela tentava ripostar. Ela acabou por ceder e saltou para o chão assim que parei junto ao chuveiro. Deu-me um leve beijo na cara, despiu o pijama e entrou para o chuveiro, ligando a água de seguida. Sorri e juntei-me a ela. Tomámos um banho rápido e de seguida vestimo-nos.
- Para que é tanta pressa amor?
- A pressa é toda porque temos muito que fazer.
- Javi, não temos nada para fazer. 'Tás de folga, lembras-te? Além disso se aqueles abutres continuarem lá fora acho que nem vontade vou ter para ir trabalhar...
- É precisamente por causa deles que temos muito que fazer. Acho que precisamos de uns dias fora daqui, portanto despacha-te para sairmos. - ela olhou-me confusa e eu continuei - Não me faças essa cara, vamos é embora que ainda temos que deixar o Buba em tua casa.
Ela viu que não valia a pena manifestar-se e acabou por se despachar. Saímos de casa e, depois de deixarmos o Buba em casa dela, conduzi até ao aeroporto. Quando lá chegámos ela acabou por perceber a minha ideia, fizemos o check-in e de seguida juntámo-nos à comitiva que já estava na sala de embarque. Assim que aterrámos em Estugarda, dirigimo-nos ao hotel onde deixámos as malas. O resto do dia, assim como o dia seguinte, foram passados a passear, a conhecer a cidade e a namorar. O jogo do dia seguinte correu super bem. O Benfica venceu e passámos à fase seguinte da Liga Europa. Regressámos na noite de Quinta-Feira com o resto da comitiva e, foi quando aterrámos, que o pesadelo recomeçou.
Meninas, desculpem-nos por andarmos
tão desaparecidas, mas o tempo não tem
sido muito e a inspiração também anda
escassa... :s
Espero que este capítulo seja do vosso
agrado e prometemos tentar postar o
próximo o mais rápido possível.
Já sabem, estamos receptivas a sugestões
para o rumo da história.
Beijão,
Guigui
