domingo, 31 de julho de 2011

Sugestão

Olá meninas, boa noite...

Como sabem, agora estou encarregue de escrever duas fics e como tal, será uma tarefa difícil. Venho hoje aqui, perguntar-vos o que acham de me dar uma ajudinha, isto é, o que acham de me dar uma ajuda a escrever os próximos capítulos? 
Vou tentar esclarecer-vos melhor, sempre tentei surpreender-vos mas nunca indo contra as vossas expectativas,  no entanto, acho por bem deixar-vos participar de forma mais activa na história e por isso mesmo acho que seria uma enorme ajuda para mim e desafio para vocês. Que dizem? Posso contar com a vossa ajuda? Estão dispostos a escrever um capítulo comigo? 

Digam-me o que acham por favor comentando, pois se a ideia for bem aceite daqui para a frente espera-nos um enorme desafio, espero pela vossa opinião...

Bjs 

Clara 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Capítulo 89 - Vêm aí problemas!

Antes de iniciar o capítulo quero só pedir-vos desculpa em meu nome e da Guigui pelo tempo que passámos sem postar, como já tinha mencionado, a Guigui está a passar uma fase complicada e não tem conseguido escrever nada, entre exames na faculdade, trabalhos e assuntos pessoais, ela não tem tido cabeça para a fic. Por isso mesmo e como respeitamos as nossas leitoras, decidimos que eu vou continuar a fic, enquanto ela não pode. Pedimos desculpa por todo este tempo em que não tiveram quaisquer notícias nossas mas andávamos a tentar arranjar maneira de resolver este assunto.

Obrigado por não terem desistido da fic e deixo-vos mais um capítulo.... Espero que gostem e se possível deixem a vossa opinião...

Bjs,
Clara




(Narrado pela Sara)

- Clarinha que disparate é esse? Tu adoras o Ruben, era impossível fazeres alguma coisa para o magoares...

- A Sara tem razão, tu és o género de pessoa que nunca magoa, normalmente sais é sempre magoada.

Ela nada dizia, as lágrimas continuavam a inundar a sua face e soluçava como uma criança. A Guigui e a Catarina foram para dentro pois perceberam que ela não ia abrir a boca, não com todas nós a olhar para ela...

- Clarinha agora estou só eu aqui, conta-me lá o que se passa?

- Não há nada para contar, eu não posso continuar... Não posso, o Ruben não merece...

- Não digas isso, o Ruben adora-te e tu adoras o Ruben...

- Tu não entendes, tu nunca vais entender.

- Mas explica-me, fala comigo, se não falares eu não te vou conseguir ajudar...

- Ninguém me pode ajudar, ninguém... - quando acabou de falar desatou novamente num choro que lhe atropelava a respiração.

Resolvi então abraçá-la e esperar que ela se acalmasse. Ela já se encontrava mais calma quando a Catarina se aproximou:

- Meninas o jogo já começou...

- Vamos lá para dentro, não vais perder um jogo do Glorioso pois não?

- Eu já lá vou ter, deixa-me ficar aqui mais um bocado.

- Não demores...

(Narrado pela Clara)

Ela entrou e eu permaneci mais um pouco na esplanada, pensei no que tinha acontecido no hotel, pensei em como o Simão me tinha feito paralisar e como quase que tinha traído o Ruben. Resolvi ir até há praia e sentar-me um pouco, o mar sempre me acalmava e me deixava ver a coisas com maior clareza. Quando já me sentia melhor, fui para dentro para junto delas.

- Clarinha eles estão a fazer um jogão, adivinha lá quem marcou o golo...

- Não sei, o David?

- Não.

- O Javi?

 - Não.

- Aimar?

- Não.

- Então não sei.

- Foi o Ruben, amiga, eles estão todos a jogar muito bem, mas o Ruben está a jogar muito...

Mal ela acabou de falar olhei para o ecrã e só vi um poderoso remate do Ruben que só parou nas redes da baliza. Todos no bar festejaram e eu própria fiquei contente, no entanto tudo mudou quando vi a sua comemoração, dirigiu-se a uma das câmaras ajoelhou-se e com os seus dedos fez a forma de um coração, no fim mandou um beijo e vi nos seus lábios a
palavra que nos unia, "Amo-te". Confesso que estava de tal forma absorvida naquela prova de amor que ele me tinha acabado de dar que as lágrimas voltaram a cair, eram lágrimas de felicidade, mas também de culpa pois não conseguia esquecer o que tinha acontecido naquela tarde.

(Narrado pelo Ruben)

O jogo tinha-me corrido muito bem, tinha feito dois golos que tinha dedicado à minha mãe e à mulher da minha vida, o pessoal não se cansou de me felicitar. Eu estava completamente morto de cansaço, para acabar o meu dia em beleza só faltava mesmo passar a noite com a minha princesa mas como isso não era possível resignei-me e tentei apenas lhe ligar.

- Mano larga aí esse negócio, ou ainda não falou com a Clarinha?

- Ainda não, não sei o que se passa, ela não atende...

- Elas viram o jogo juntas, no bar da Guigui, a Sara disse quando falei agora com ela.

- Vou continuar a ligar, ela vai ter que atender. - continuei a ligar e ela continuava sem atender, já começava a desesperar, não sabia o que se passava, foi então que decidi ligar para uma das meninas, o David tinha dito que elas estavam juntas por isso, alguma delas tinha que atender.

Estou?

- Oi Sara, desculpa estar a incomodar, posso falar com a Clara? O telemóvel dela deve estar com algum problema, que não consigo falar com ela.

Ruben eu até te deixava falar com ela, mas ela foi dar uma volta pela praia e ainda não voltou.

- Mas já foi à muito tempo?

Um bocadinho, a tua declaração deixou-a um pouco balançada...

- Ok, quando ela voltar pede-lhe para ela me ligar, por favor.

Eu digo, fica descansado.

- Sara, ela ficou balançada como? Feliz?

- Que pergunta Ruben, achas que preciso de responder?

- Ok, ok, já percebi, estou a ser um cromo... Vá beijinhos, fica bem.

Beijinhos.

Desliguei e uma insegurança apoderou-se de mim, era muito estranho a Clara não atender o telefone ainda por cima depois do golo que eu lhe tinha dedicado. Resolvi deixar esses pensamentos para trás e por isso mesmo fui para perto do pessoal, eles estavam todos na brincadeira e pegaram comigo por causa dos golos e dedicatórias. Fomos todos no gozo até ao hotel, confesso que me consegui abstrair da Clara por momentos, mas a falta do seu telefonema estava a dar comigo em doido e por isso mesmo resolvi
ligar-lhe mas mais uma vez não consegui falar com ela. Já estava deitado quando oiço o som de mensagem, era ela, dizia que estava cansada e que já estava na cama, que falávamos no dia seguinte quando me fosse buscar. Ainda lhe tentei ligar, mas estava desligado, as minhas suspeitas estavam certas, alguma coisa tinha acontecido, será que ela não tinha gostado da minha dedicatória?

Acordei no dia seguinte mais cedo do que era preciso, o David ainda dormia e por isso tentei não fazer barulho, tomei um duche e desci para o pequeno almoço, quando acabei de tomá-lo voltei para o quarto.

- Cê hoje acordou cedo cara.

- Ya, estava sem sono.

- Já tomou o café da manhã?

- Já, acabei agora. Vou arrumar a mala e estou pronto.

- É, cê 'tá mortinho por ir embora e dar um beijo na sua gata né?

- Nem sei, acho que aconteceu alguma coisa, ontem não me atendeu o telefone, mandou-me só uma mensagem e disse que falávamos hoje quando me fosse buscar. Estou com um mau pressentimento...

- Pressentimento é coisa de boiola, larga de ser besta e põe um sorriso nesse rosto. Cê foi considerado o melhor jogador em campo, tem que ficar feliz.

- Eu dou-te o boiola, vai mas é tomar o pequeno almoço e larga-me da mão.

Assim foi, ele saiu e foi tomar o pequeno almoço.

O voo de volta a Lisboa foi calmo e quando chegámos finalmente ao estádio vi logo a Clara, ela estava acompanhada pela Sara e a Guigui, pareceu-me que estavam a discutir, pois a Clara encontrava-se a chorar. Fiquei ainda mais preocupado, já pressentia que algo se passava e ao ver aquele panorama fiquei mesmo com a certeza. Mal saí do autocarro vi que a Clara já se encontrava sem qualquer lágrima na cara, no entanto o seu rosto continuava fechado, fui buscar a minha mala ao porta bagagens do autocarro e de seguida dirigi-me a elas.

A Sara correu logo para o David e a Guigui fez o mesmo em direcção ao Javi, já a Clara dava pequenos passos em direcção a mim... Mal ficamos próximos eu agarrei-a logo, dei-lhe um forte abraço ao qual ela correspondeu...

(Narrado pela Clara)

Não consegui dormir nada esta noite, aquela dedicatória não me saia da cabeça, tinha sido a coisa mais bonita que tinham feito por mim e se fosse noutra altura eu tinha ficado maravilhada, tinha pulado de alegriacom tamanha prova de amor. Depois de um longo banho vesti-me e fui arranjar o pequeno-almoço.

- Bom dia Clarinha... - cumprimentou-me a Sara mal entrou na cozinha.

- Bom dia.

- Então as ideias já foram ao lugar?

- Elas nunca de lá sairam Sara.

- Estás a brincar?! Tu não vais acabar mesmo com ele?!

- Tenho de o fazer amiga...

- Bom dia meus amores...

- Bom dia Margarida.

- Mau?! Margarida? Tu nunca me tratas assim, só quando estás chateada...

- Olha Guigui, vê se consegues pôr um bocado de juízo na cabeça dessa menina que ela a mim não me ouve...

- Mas o que é que se passa?

- Sara já chega, eu já decidi e nada do que vocês possam dizer me vai fazer mudar de ideias. Olhem têm aí o pequeno almoço eu vou indo, perdi a fome...

Saí de casa sem sequer querer ouvir mais nada, conduzi até ao hotel e lá pedi para não sei interrompida, quando chegou à hora do almoço peguei na mala e fui para o carro, dirigi-me até ao carro e conduzi até ao estádio. Mal lá cheguei dei de caras com a Guigui e a Sara, elas quando me viram vieram logo ter comigo.

- Meninas a sério se é para voltar ao mesmo assunto mais vale nem falarem comigo...

- Clara nós estamos preocupadas contigo, queremos saber o que é que aconteceu para tu tomares uma decisão tão drástica... - começou a Sara por dizer.

- Sim, não é nada normal o que estás a fazer, tu amas o Ruben e ele ama-te a ti, estás a agir como se não te importasses mais com ele... A Clara que eu conheço ontem tinha ficado derretida com aquela dedicatória, tinha chorado de emoção e quase que aposto que tinha apanhado o primeiro avião e não tinha dormido antes de dar um beijo ao Ruben. Diz-nos o que se passa, só assim te podemos ajudar.

Eu ouvi a Guigui com atenção e cada palavra que lhe saia da boca despertava em mim uma emoção, senti os meus olhos ficarem molhados e as lágrimas a cairem, estava perdida nas palavras dela e apeteceu-me contar-lhes tudo, no entanto, quando o ia a fazer ouvimos o som do autocarro a chegar só tive tempo de limpar as lágrimas e acalmar-me. Eles sairam do autocarro e elas foram logo ao seu encontro, mal cheguei ao pé do Ruben vi-o com um olhar confuso, mas mesmo assim envolveu-me nos seus braços e apertou-me contra o seu peito, confesso que ele fez com que eu não me lembrasse de mais nada só nós dois existíamos naquele momento. Quando ele me largou, voltei a realidade.

- Vamos indo?

- Sim, claro. - respondeu-me não muito convicto.

Entrámos no carro e ele ligou a mãe, como ela estava cheia de saudades convidou-nos para o almoço, não tive coragem de dizer que não, adorava a Bela e compreendia que depois do jogão que o Ruben tinha feito ela quisesse estar com o filho. Assim foi, chegámos ao Spa e entrámos, ela estava a conversa com uma nova colaboradora mas mal nos viu veio logo ter
connosco.

- Boa tarde meus queridos, então filho a viagem correu bem? - cumprimentou-nos e deu um enorme abraço ao Ruben.

- Correu tudo bem mãe.

- Então que carinha é essa? Nem pareces o meu filhote bem disposto...

- Não acordei muito bem hoje, estou com um mau pressentimento. - ao falar olhou para mim, arrepiei-me e senti que ele sabia qualquer coisa.

- Ui, pressentimento filho? Tu nunca foste dessas coisas, não penses em parvoíces. Não achas Clarinha?

Fui apanhada de surpresa com aquela pergunta e não sabia o que responder, o Ruben tinha razão para ter aquele pressentimento, eu própria com as minhas reacções no dia anterior tinha contribuído para aquela insegurança. Estavam os dois a ansiar uma resposta minha, o Ruben então com o olhar pedia-me para eu dizer que não, para dizer que ele não tinha razão para ter aqueles pensamentos, no entanto eu não pude responder pois a nova colaboradora abeirou-se de nós.

- D. Anabela peço imensa desculpa por vos interromper, mas só precisava de esclarecer mais uma dúvida.

- Claro que sim Soraia, mas antes deixe-me só apresentá-la aqui ao meu filho e à minha nora. - virou-se para mim e disse - Clarinha está é a Soraia, ela está a fazer um estágio, acabou agora o curso de massagista, tens umas mãos óptimas já sabes quando tiveres naqueles dias mais cansativos aparece, aqui a Soraia põe-te como nova...

- Obrigada Bela - disse ao mesmo tempo que cumprimentava a Soraia.

- E este é o meu outro filhote, ele chegou hoje e está um bocadinho cansado da viagem...

- Pois, o seu filho está com cara de quem precisa de uma massagem, se eu puder ser útil...

Fiquei parva com aquele descaramento, mas quem é que ela pensava que era? Ali a atirar-se ao meu namorado mesmo à minha frente.

- Soraia aconselho-a a não se prontificar tantas vezes, olhe que eu qualquer dia aceito...

Se fiquei parva com aquele descaramento, fiquei ainda mais parva com aquela resposta do Ruben.

- Estou ao seu dispôr, por isso quando precisar de não pensar em nada e relaxar, sabe bem onde me encontrar...

- Se não se importam eu vou indo para o carro, espero lá.

- Espera Clarinha nós também já vamos.

- Deixe Bela, pelo que percebi a sua colaboradora ainda quer falar consigo por isso eu não me importo de esperar no carro, estejam à vontade.

Estava farta de ali estar, ela estava a atirar-se descaradamente ao meu namorado e ele estava a dar-lhe bola o que me irritou ainda mais, saí de lá disparada e só parei quando o Ruben me agarrou no braço.

- Importaste de me dizer o que foi aquilo?

- Aquilo o quê?

- A forma como falaste ali dentro, passaste-te?

- O Ruben por amor de Deus, aquilo ali dentro só faltou combinarem uma saída.

- Estás a gozar?

- Achas mesmo que estou a gozar? Fogo, ela atira-se a ti assim a minha frente e tu a dar-lhe trela e depois eu é que estou a gozar...

- Clara não brinques comigo, eu não sou parvo, desde ontem que estás estranha não é normal que depois da declaração que te fiz tu não tenhas tido vontade de falar comigo e hoje, viste bem a recepção que me fizeste? Achas que é maneira de receberes o teu namorado? E agora estás chateada por causa de outra rapariga se ter prontificado a fazer-me uma massagem, não há quem te entenda...

- Como quiseres Ruben, mas obrigado por me fazeres fazer figura de parva ali dentro...

Ele olhou para mim e fez um pequeno sorriso, eu não liguei e virei costas, no entanto, mal dei um passo senti o braço dele a agarrar no meu.

- Deixa-me estar Ruben...

Ele aproximou o seu rosto no meu e segredou-me - Sabes que eu adoro sentir-te com ciúmes de mim?!

- Pará com isso, não são ciúmes só não gosto de fazer figura de otária. - ele agarrou-me mas eu não dei parte fraca - Ruben larga-me.

- Clarinha, não te afastes, anda cá vá, preciso da minha princesa aqui comigo. - deu-me um beijo ao qual eu correspondi na hora - Ficas linda quando estás cheia de ciúmes...

- Não gozes comigo, senti-me tão pequenina ali dentro. Ainda por cima tu fizeste de propósito...

- Eu confesso que sim, amor o que se passa? Tu ontem não falaste comigo e hoje vi-te a chorar quando cheguei. Fala comigo, foi por causa da dedicatória, não gostaste?

- Eu amei a dedicatória, mas depois falamos sobre isso. Pode ser?

- Ok, vamos então almoçar. - disse ele ao mesmo tempo que a Bela vinha a dirigir-se ao carro.

O almoço correu bem e o facto de estar com a Bela fez-me muito bem, consegui chegar a conclusão que estava a ser parva e que a única coisa que eu tinha a fazer era contar ao Ruben o que estava a sentir e todos os meus
medos. No fim do almoço fomos pôr a Bela novamente ao spa:

- Bom meus queridos, obrigado pelo almoço e pela companhia.

- Até logo mãe.

- Adeus Bela.

Vimo-la desaparecer pela porta do spa e foi então que o Ruben olhou para mim.

- Amor vamos falar agora, vais-me dizer o que anda a passar na tua cabecinha?

- É um assunto delicado Ruben.

- Então vamos lá para casa e conversamos os dois com calma. Eu estou a sentir que se passa alguma coisa, só não consigo perceber o quê.

- Ok, vamos para casa.

O caminho até casa dele foi bastante rápido, tinha a cabeça a mil, embora soubesse perfeitamente que o amava e o certo era contar-lhe tudo, por outro lado sabia que a partir do momento em que lhe dissesse ela ia começar a controlar e vinha daí uma implicância enorme com o Simão, vinham problemas para nós e para mim no hotel... Quando chegámos ele pousou as malas no quarto e eu fui até à cozinha beber um copo de água, quando voltei para a sala ele já lá estava.

- Princesa vais-me dizer finalmente o que se passa? Algo em ti não está bem já à alguns dias, tens andado estranha...

- Tu já me conheces tão bem... Mas sim, é verdade, ultimamente têm havido uma série de situações que me têm afastado de ti, que não me deixam ser 100% sincera contigo. Promete que me vais ouvir com calma e vais confiar em mim...

- Fala Clara...

- Promete Ruben!

- Prometido, agora fala de uma vez que já não estou a gostar da conversa.

- Lembraste a 1º vez que fomos ao hotel ter com os meus pais? - ele abanou a cabeça afirmativamente - Lembraste que o meu pai quando estávamos no Gabinete da Direcção mandou chamar o Simão e eu fui desagradável com ele e vocês ficaram todos pasmados com a minha reacção?

- Claro que me lembro, tu sempre trataste bem toda a gente, óbvio que aquela tua atitude nos surpreendeu.

- Eu tive aquela atitude porque ele já tinha sido indelicado comigo.

- Indelicado como? - perguntou-me interrompendo-me

- Calma, o Simão julgou que eu era uma hóspede do hotel e começou a lançar o charme...

- Ele o quê? Eu juro que o mato...

- Ruben por favor...

- Por favor nada, ele não tem o direito.

- Pára, confias em mim ou não.

- Confio, mas é nele que não confio.

- Eu sei, mas por isso mesmo eu te vou contar isto. Ouve tudo por favor, tenho perfeita consciência que é grave e por isso mesmo tenho andado mais afastada. Por favor Ruben, confia em mim.

- Sabes que confio...

- Depois dessa vez, ouve outras, ele por várias vezes tentou aproximar-se, sempre o afastei e até algumas das vezes o evitei. Quero que acredites que nunca lhe dei qualquer esperança, nem confiança. Mas...

- Mas o quê Clara?

- Mas ontem ele excedeu-se um bocado.

- Excedeu-se como? - perguntou ele já bastante alterado.

- Ruben por favor.

- Por favor nada, eu ontem dediquei-te um golo e o que eu mais queria era ouvir a tua voz. Em condições normais tínhamos falado e nada me ia fazer mais feliz do que chegar hoje cá e dar-te um enorme beijo. Mas nada disso aconteceu, e se não aconteceu por algum motivo foi, agora percebi que foi esse otário, só tenho medo do que ele tenha feito, não me apetecia nada
ter que lhe partir a boca toda...

- Amor...

- Amor nada, diz lá mas é o que se passou que eu não estou a gostar nada dessa história.

- Se é para estares com essa atitude bem podes esperar sentado porque eu não te vou contar mais nada. - disse já visivelmente enervada.

-  Não me venhas com essa Clara, começaste, agora tens que acabar. Ou julgavas que tu me contavas que o gajo se anda a atirar à minha namorada e eu ia ficar na boa? Por amor de Deus Clara, agora deixa-te de coisas e
conta lá o que é que o gajo andou a fazer.

- Pára... Se te estou a contar é porque a nossa relação não ia resistir se não soubesses, por favor Ruben, não me faças sentir pior do que já estou.

- Tu estás-te a sentir mal? Então e achas que eu estou bem? Cheguei de viagem e levei contigo a ter uma atitude fria e distante comigo e agora começo a perceber porquê e queres que leve tudo na boa, deves estar a gozar, diz de uma vez por todas o que é que se passou porque se não me disseres eu vou directo para a costa e nem me interessa mais nada, parto-lhe logo a boca.

- Por favor Ruben, não faças isso. - pedi-lhe já a chorar.

Ele viu como eu estava e começou a ficar mais calmo.

- Amor diz-me lá o que se passa, já vi que é grave e por isso mesmo quero saber o que se passa, tens que compreender também preciso saber o que te anda a afastar de mim, conta-me Clarinha.

- Mas promete que vais confiar em mim e não vais fazer nada de cabeça quente, por favor... - pedi-lhe ainda um pouco nervosa.

- Eu vou confiar em ti e não vou fazer nada de cabeça quente, mas não posso deixar de um gajo qualquer ande a importunar a minha mulher.

- Ele ontem quase me beijou.

- Ele o quê? Parece que ouvi tu dizeres que ele quase que te tinha beijado, foi mesmo isso ou ouvi mal? - a ironia dele fez-me arrepiar, a cara dele era obviamente de chateado, no entanto, não consegui prever possíveis reacções até porque ele até estava bastante calmo para aquilo que eu lhe tinha contado.

- Não me peças para repetir, tu ouviste bem o que te disse. - disse-lhe um bocado a medo.

- Pois ouvi, mas por momentos quis ouvir outra coisa que não era o que tu tinhas dito. - ele continuava calmo, algo que me estava a assustar ainda mais - conta-me essa história toda, quero que me digas tudo sem me esconderes nada.

- Não há razão para falar mais sobre isto, vamos esquecer, já passou...

- Achas mesmo que passou Clara? Aquele gajo andou a meter-se contigo e tentou beijar-te e tu achas que já passou?

- Amor eu sei que é grave e acredita que nestes dias eu não tenho pensado em mais nada, mas agora não há mais nada a fazer, eu vou continuar afastada dele e se ele se aproximar eu tomo mais medidas. Tens a minha palavra em como ele nunca mais se vai aproximar, eu até já lhe mudei as funções e tudo.

- O quê? Mas não o despediste?

- Não posso Ruben.

- Não podes porquê, não acredito que precises mas se fôr pela indemnização eu pago e não precisas de dar justificação aos teus pais, eu mesmo falo com eles.

- Não é nada disso amor, é complicado. A história familiar dele é muito complicada.

- Todos nós temos problemas Clara e não é por isso que andamos por aí a desrespeitar os outros. Estou-me a borrifar, ele que se faça a vida.

- Amor tu não és assim, não posso mesmo despedir o Simão.

- Não me interessa os problemas pessoais dele, interessa-me sim nós os dois e o que o que ele anda a fazer.

- Amor eu não posso mesmo despedi-lo.

- Não podes despedi-lo, mas podemos-nos chatear por causa dele e da forma como ele anda a agir contigo?

- Confia em mim Ruben, por favor.

- Clarinha achas mesmo que vale a pena pôr em causa a nossa relação? Achas mesmo que devemos arriscar?

- O que eu acho é que se nos amamos verdadeiramente e se confiamos um no outro vamos superar isto. Eu sei que vacilei, mas foi por medo. Agora isso nao vai acontecer mais, nada vai pôr a nossa relação em causa, nunca mais...

- Já puseste, com essa atitude de não o despedires estás a pôr tudo em causa. Não vou admitir que alguém continue a atirar-se a ti e eu continuar a fazer figura de parvo.

- O que é que queres dizer com isso?

- Estou a dizer que tens que o despedir mesmo, porque se não o fizeres... - não o deixei terminar a frase e questionei-o logo já com os meus olhos inundados de lágrimas.

- Se eu não o fizer o quê? Acabas comigo é?