Agradeço mais uma vez os comentários a todas e ainda bem que gostaram.
O capítulo que vos trago hoje foi escrito em conjunto com a Ricarda Sousa, espero que gostem e comentem... Mts beijinhos,
Clara
(narrado pelo Rúben)
Depois daquela entrega e de nos termos acertado e jurado que nenhum dos dois esconderia algo, sentia-me bem comigo mesmo, estar zangado com a mulher que amo era a pior coisa que podia sentir e não fazia sentido nenhum abalar a nossa relação por causa de uma coisa fútil da minha parte. Estávamos deitados no sofá quando alguém bate à porta, apressadamente vestimo-nos e tento dar uma arrumadela em geral à sua secretária e vê-la daquela maneira fez-me sorrir ao lembrar o porquê de ela se encontrar desarrumada. A Clara deu permissão para entrar e foi quando vi aquela figura a entrar pelo escritório a dentro como se já fosse dono daquilo, deixou-me num estado de fúria que tentei controlar ao máximo.
- Precisas de alguma coisa Simão? – perguntou educadamente, mas percebi que a sua presença trazia-lhe algum desconforto, talvez por eu estar ali também.
- Sim menina Clara, precisava de falar consigo… a sós! – respondeu literalmente a atirar-se à minha namorada mesmo à minha frente como se não estivesse ali.
- Não pode ser noutra altura? Como vê eu agora estou com o meu namorado…
- Poder até pode, mas quanto mais rápido for tratado melhor – via-se perfeitamente a sua vontade de me ver dali para fora, mas se aquele otário pensa que lhe vou dar esse gostinho, está bem enganado.
- Mas o que é que se passa?
Ele olhou para mim fazendo ar de quem só falava quando me fosse embora, e quando ia para falar, fui mais rápido e falei primeiro.
- Amor sempre tive curiosidade de saber como funciona e é gerido um hotel como este, gostava muito de saber qual é o problema e como o vais resolver, não te importas?
A sua expressão não foi das melhores, ouvir aquele pedido foi sem dúvida contra os seus planos, mostrou-se completamente de desacordo e a sua inquietação era prova disso. Olhei para a Clara, ela olhava-me com uma certa admiração, talvez por não estar à espera de ouvir isso da minha parte, mas pessoas como o Simão já eu conheço muito bem, e sabia quais eram as suas intenções de ficar sozinho com a Clara, e se não a quero perder, irei lutar com unhas e dentes, mas de uma coisa tenho a certeza, ele não vai abalar com a nossa história e com o nosso amor.
- Se calhar é melhor não… não leve a mal, mas são assuntos que só a nós dizem respeito!
Assuntos que só a “nós” diz respeito? Mas quem ele pensa que é para falar da Clara daquela maneira?
- Claro que não me importo amor! Fico feliz por saberes que estás interessado no meu trabalho! – disse-me ela feliz com o meu interesse, de seguida virou para o Simão e falou - E Simão, tudo o que me diz respeito também diz ao Ruben por isso daqui em diante qualquer problema que surgir pode falar à frente dele.
- Tudo bem, voçê é que sabe… – ele bem que tentou falar amavelmente mas tudo o que saiu da sua boca foi uma resposta seca.
- Então, diga lá o que é que aconteceu? – perguntou a Clara quando já nos encontrávamos sentados, ela sentada na cadeira do “presidente”, e claro que eu sentei-me ao seu lado, ficando o Simão de frente para nós.
- Há um problema numa das arrecadações da cozinha, tentamos ver se dava para resolver o problema, mas antes de chamarmos um técnico queria que fosse dar uma vista de olhos, assim fica a saber dos problemas que surgem.
- Sim, porque eu gosto de ficar a saber de tudo o que acontece neste hotel, e agradeço-lhe ter vindo cá, com certeza que vou dar uma vista de olhos!
- Depois marcamos um dia em que esteja disponível para ir lá ver.
- Porque não pode ser agora? Assim quanto mais rápido o problema estiver resolvido melhor! – interferi pela primeira vez na conversa deles.
- Acho bem! Ainda tenho algum tempo livre, por isso vamos lá!
O caminho até à arrecadação foi feito entre conversa entre ele e a Clara, onde ia explicando a situação do problema. Quando lá chegamos, o Simão e alguns funcionários mostraram o que se estava a passar, pelo que percebi era grave pois parte da canalização estava solta e precisava-se de chamar um técnico. O meu telemóvel começou a tocar e ao olhar para o visor vi que era a minha mãe, por isso pedi licença e fui atender lá para fora. Ainda estive um bocado ao telefone, fiquei a resolver alguns problemas em relação ao spa e depois de me despedir dela fui para dentro para ir ao encontro deles. Cheguei lá e não havia sinais em da Clara e nem do Simão, estranhei e por isso perguntei a um funcionário se os tinha visto.
- Eles estão naquela sala, se quiser pode ir até lá! – respondeu amavelmente um senhor que aparentava ter os seus cinquenta anos.
- Muito obrigado!
Despedi-me do senhor e fui a largos passos até à sala onde eles estavam, e quando lá cheguei fiquei atónito com aquilo que via.
(narrado pela clara)
Fui completamente apanhada de surpresa com a atitude do Ruben, sabia lá no fundo que só fez isso para provocar o Simão mas mesmo assim fiquei deliciada por saber que ele preocupava-se comigo e que estava disposto a lutar pelo nosso amor. Depois de estarmos um bocado à conversa, fomos até à arrecadação, tratamos o problema dos canos e a meio o Rúben recebe um telefonema e retira-se. Após ligar para o técnico o Simão abordou-me.
- Clara não se importa de vir comigo até à sala, queria mostrar-lhe uma coisinha, é rápido!
- Só se for mesmo rápido, porque não quero deixar o Ruben muito tempo à espera.
Segui-lhe os passos e quando chegamos à sala o Simão fecha a porta e aproxima-se de mim a uma velocidade perigosa.
- Se soubesse as saudades que tinha do seu cheiro… nossa, é tão bom ter cê por perto! Disse à medida que o seu corpo estava bastante próximo do meu.
- Que é isso Simão? Já falamos sobre isto, sabe bem que tenho namorado! – disse-lhe com a minha voz a tremer com medo que alguém aparecesse inclusive o Ruben e interpretasse tudo mal.
- Não esconda mais, eu sei que sente alguma coisa por mim, porque não admite?
- A única coisa que sinto por si é respeito, por trabalhar aqui no hotel, mas se continua com atitudes destas pode crer que todo o respeito se perde! Se sinto alguma coisa é pelo homem que está lá fora, pelo Ruben!
- Não é isso o que eu vejo nos seus olhos, eu percebo bem a maneira como se sente quando está perto de mim!
- Simão eu já o avisei mais que uma vez, ou pára com estas insinuações ou eu vou ser obrigada a despedi-lo.
Nada do que dissesse ia fazer o Simão mudar de ideias, maldita hora que vim para aqui, devia ter percebido que isto não passava de um esquema dele, mas agora era tarde e tentei livrar-me dele, mas sem sucesso.
- Ninguém precisa de saber, fica um segredo só nosso… - sussurrou-me ao ouvido provocando-me uma náusea só de senti-lo tão perto de mim
- CHEGA! Vou-me embora e estou a avisá-lo, da próxima vez que tentar uma coisa destas eu despeço-o na hora. – gritei enquanto que com as minhas mãos o empurrava para longe, mas mais uma vez não adiantou e, sem contar ele puxa pelo meu braço rodando-me para a sua frente, percebi na hora qual era a sua intenção e só não me beijou porque ouvi a voz do Ruben a impor-se naquela sala.
- Mas o que é isto? – Perguntou visivelmente intrigado pró me ver abraçada ao Simão. Aconteceu aquilo que mais temia, o Ruben vai interpretar tudo mal, via no seu olhar a gana que estava, a raiva que se estava a acumular no seu corpo e a possibilidade de a qualquer momento explodir, e aí sim, seria uma tragédia.
- Não é… - tentei falar, já solta do Simão, mas o Ruben interrompeu-me.
- Não digas que não é nada do que estou a pensar! Eu vi bem, ninguém me contou! Como foste capaz Clara? - Acusou-me com alguma mágoa na sua voz.
- Ruben, eu não fiz nada! Acredita em mim, o Simão é que…
- Esse canalha estava atirar-se a ti, e tu estavas a gostar não é?
- Mas tu estás parvo Ruben? Eu não acredito que mais uma vez estás a duvidar de mim… e mais uma vez deixaste de cumprir a nossa promessa!
- Eu não me estava a atirar a Clara, cê é que percebeu tudo errado!
- CALA A BOCA OH PALHAÇO QUE A CONVERSA NÃO É CONTIGO!
- Modera o teu tom Ruben, estás no meu local de trabalho! – ordenei-lhe antes que aquilo se desviasse por caminhos perigosos, de seguida virei-me para o Simão – Simão saí daqui imediatamente, eu já o avisei e não vou voltar a fazê-lo.
- CHEGA, ESTOU FARTO! – gritou tão alto que por momentos me assustei e pensei que lhe ia acontecer alguma coisa.
- O que tu queres dizer com isso? – Perguntei a medo
- Estou farto de discutir contigo, amo-te e não te quero perder! Estou cansado que ele se intrometa na nossa relação! Por isso Clara, ou eu ou ele! Escolhe porque estou farto! Caramba, sou humano, tenho sentimentos e por muito que entenda a situação dele, isso está afectar a nossa relação!
Eu não queria acreditar no que acabara de ouvir. O Ruben não pode ter chegado ao ponto de me pôr entre a espada e a parede, sem duvida que desceu de nível e por muito que percebesse a sua atitude, não era motivo para colocar em risco a vida de outras pessoas, que nada tinham a ver connosco, nomeadamente a mãe do Simão.
- Tu só podes estar a brincar…
- Podes ter a certeza que não estou a brincar!
O Ruben deixou-me ali sozinha sem se importar um pouco como eu me estava a sentir, naquele momento senti uma raiva enorme dele por me estar a colocar naquela situação, mas respirei fundo e tentei-me controlar, tudo o que queria evitar era tomar alguma atitude que depois me possa arrepender.
Sai daquele sitio a voar, só queria ir atrás do Ruben e resolver este mal entendido, tudo o que eu não quero é ficar zangada com ele. Pelo caminho encontrei o senhor Abílio e perguntei-lhe se tinha visto o Ruben.
- Olá senhor Abílio, por acaso viu o Ruben, o meu namorado?
- Olá menina, sim eu vi-o a entrar no seu escritório!
- Muito obrigada!
- De nada menina!
Corri até ao escritório, pelo meio ouvi alguém chamar-me mas sinceramente não ouvi, só queria entrar no escritório e abraçar-me a ele. Tentei abrir a porta mas estava tão nervosa que não conseguia abrir a porta, depois perceber porquê, estava a abrir a fechadura ao contrário.
- Às vezes consegues ser mesmo burra Clara!
Mal abro a porta encontro o Ruben a olhar pela janela, estava de costas para mim, mas sabia que tinha dado pela minha chegada.
- Ruben… precisamos de falar!
- Diz… – falou de uma forma curta e grossa já virado para mim
- Desculpa por esta situação! Confesso que ele se estava atirar de mim, mas acredita que eu não me deixei levar… Nunca conseguiria te trair, és tu quem eu amo e perder-te num momento deste é tudo o que não quero! Por favor, acredita no que te estou a dizer, nem que seja a ultima coisa que tenha de te pedir!
- Eu sei que tu me amas, mas cheguei aos extremos, ver-te agarrada a ele foi a gota de agua e explodi. Não consigo aguentar mais, mas também tenho noção que fui bruto e precipitado…
- O que aconteceu na arrecadação foi um motivo de acelerar com a decisão que já devia ter sido tomada à mais tempo! Falei com ele e deixei bem claro que é a última oportunidade que lhe dou, ele sabe que da próxima vez que abusar vai para o olho da rua. Por enquanto vou mudá-lo de serviço, vou pô-lo num sítio onde não tenha que olha para a cara dele todos os dias. Não quero que ele seja o motivo da nossa separação, tu és mais importante que ele, ele para mim não passa de um empregado, mas tu és aquele que amo mais que tudo, é contigo que quero passar o resto dos meus dias…
- Chega aqui!
Fiz o que ele pediu e quando já nos encontrávamos próximos, puxa-me para junto do seu corpo e abraça-me
- É tão bom ouvir isso amor! Tive medo…
- Shiu… não digas nada! Vamos esquecer isto e concentramos em nós os dois, pode ser?
- Pode amor! Claro que pode!
Beijamo-nos sem qualquer tipo de urgência, senti-o a relaxar um pouco e isso deixou-me mais descansada. Sentia-me como seu um peso enorme saísse das minhas costas e finalmente poderia respirar de alivio por saber que, um problema estava resolvido pelo menos até agora.
- Amo-te Clarinha, nunca duvides disso!
- Também eu te amo Ruben!
Depois de estarmos mais um bocado abraçados e a namorar um bocadinho, despedimo-nos e ele foi para o centro de estágio enquanto eu fiquei a trabalhar, entretanto chamei o chefe da lavandaria e o Simão. Expliquei-lhes que o Simão ia mudar de funções e por isso mesmo o chefe da lavandaria teria que lhe dar novas indicações sobre o novo trabalho. Vi que nem um nem outro tinham ficado contentes com aquela decisão, mas era a única alternativa que eu estava a ver para o Simão, eu não podia deixar que ele continuasse no antigo trabalho, com toda a liberdade para circular no hotel e me puder cruzar com ele novamente. Tinha que me resguardar, tinha que lutar pela minha relação com o Ruben e não podia deixar que o Simão continuasse a fazer o que queria e bem lhe apetecia.
Depois do treino ele ligou-me, o David tinha convidado para irmos todos jantar a casa dele, sabia que me esperava uma conversa difícil com as meninas, elas não percebido o porquê da minha antiga decisão e por isso mesmo agora tinha que lhes explicar a história toda. Combinei com o Ruben que ele passava no hotel para me ir buscar e chegarmos juntos a casa do David.