Olá!! Sei que já passou imenso tempo (+ de 1 ano) sem vos dar um capítulo novo. Confesso que por motivos pessoais desmotivei um bocadinho da escrita, no entanto, houve alguém que me fez voltar a "tentar" escrever. Não prometo escrever todos os dias, mas pelo menos vou tentar escrever de forma regular para que vocês tenham vontade de ler. Espero que gostem...
Bjs,
Clara
(Narrado pela Clara)
Algumas semanas se passaram, tivemos mais alguns jogos importantes que ganhamos, no entanto a luta pelo título estava cada vez mais complicada, nós estávamos no 2º lugar e víamos o campeonato a aproximar-se do fim, o porto sempre a ganhar e nós sem nos conseguirmos aproximar. A nível pessoal a vida não estava muito fácil, o Simão não tinha voltado a fazer das dele e a Clara até já estava a morar lá em casa, mas a mudança não estava a ser fácil para nenhum dos dois. Eu já estava a morar sozinho há muito tempo e estava habituado a ter as coisas do meu jeito, com a chegada da Clara tudo veio mudar, ela implicava por coisinhas de nada, coisas sem importância e que muitas vezes aconteciam fruto do hábito de morar sozinho.
- Clara também não precisas de ficar assim.
- Achas mesmo que não? Ultimamente não andas muito original, parece que a única coisa que sabes dizer é "Clara também não precisas de ficar assim". Achas mesmo que não preciso? Eu não sou tua criada Ruben, sou tua namorada e o minimo que mereço é um pouco de respeito.
- Não exageres.
- Eu estou a exagerar? Achas normal não vires jantar e nem sequer dizeres nada, chegas às horas que queres, fazes o que queres e estas-te a borrifar para mim.
- Clara, eu já pedi desculpa.
- Pois Ruben, mas parece que isso já não serve de nada. Ainda ontem esperei por ti e tu nada, hoje tive que vir a casa buscar uns papeis que me tinha esquecido e aproveitei fiz o almoço para almoçarmos juntos, esperei por ti e tu nada...
- Já te disse que fui almoçar com os rapazes.
- E não podias ter avisado, eu não sou tua criada...
- E eu já pedi desculpas...
- Isso já não chega, começo a ficar farta disto...
- Quem já está a ficar farto sou eu, implicas por tudo...
- Que lata, tu é que achas que eu sou tua criada e depois eu implico.
- Esquece Clara, quando te passar o stress avisa, eu vou até ao Spa ter com a minha mãe, não estou com paciência para mais discussões.
- Sim, agora desculpa-te com a tua mãe. Mas olha não me lembro da tua mãe fazer massagens e de se atirar a ti, ah espera, essa é mesmo a tua nova amiguinha Soraia.
- Não me venhas outra vez com essa história, os teus ciúmes estão a passar dos limites.
- Se calhar se tenho ciúmes é porque me deste razão para isso. Já te avisei e vou voltar a avisar, eu não sou burra Ruben.
Ela estava mesmo numa de implicar e por isso mesmo eu optei por não responder mais e saí de casa. Conduzi até ao Spa e quando entrei a Soraia estava na conversa com a minha mãe.
- Filho, que boa surpresa.
- Olá mãe, olá Soraia.
- Olá Ruben.
- Filho o que é que se passa? Não estou a gostar da tua cara.
- Acho que é hoje que não te vais escapar a uma massagem.
- A Soraia tem razão filho, vai lá com ela e depois passa no meu gabinete para falarmos um bocadinho.
Não tive forças para negar, sabia que a Clara não ia gostar se soubesse, mas a Soraia nos últimos tempos tinha-se tornado uma grande amiga e confidente. Ao contrário do que a Clara pensava ela não se andava a fazer a mim e como é óbvio eu também não sentia nada por ela e aqueles ciúmes, que ao inicio eu até achava graça, estavam a tornar-se insuportáveis e completamente despropositados. Fui até ao balneário e despi-me deixando apenas os boxers, dirigi-me para o gabinete de massagem tendo sobre mim o roupão.
- Podes deitar-te na marquesa e tenta relaxar.
Foi o que fiz, deitei-me e no momento em que ia fechar os olhos senti as mãos dela tocarem no meu pescoço, arrepiei-me com aquele toque o que me levou a instintivamente me levantar da marquesa.
- Desculpa Soraia mas acho que isto não é boa ideia.
- Ruben por favor, vê-se a milhas que precisas de relaxar e deixar de pensar por algum tempo. Eu sei que já me disseste que amas a Clara mas esta situação não está a ser nada boa para ti. Tu andas tenso, vá deita-te lá.
- Não Soraia, obrigado mas não posso aceitar, não está certo.
- Ai Ruben é só uma massagem, tu não vais trair a Clara.
- Eu sei que não, mas só ia atiçar ainda mais os ciúmes dela. Se ela sabe disto não vai gostar nem um bocadinho.
- Pára de pensar nela, tu já reparaste que sempre que falo contigo o teu assunto é sempre o mesmo. A Clara não pode ser a tua única preocupação, tu também és importante, não podes fazer só aquilo que ela quer e aquilo que ela não gosta não fazes. Deixa-me fazer-te a massagem, vais ver que quando saíres daqui vais-te sentir muito melhor.
As palavras dela fizeram-me vacilar, deitei-me novamente na marquesa e ela começou a fazer-me a massagem. A Soraia tornara-se mesmo uma grande amiga, era óptimo ouvir aquela preocupação toda comigo, que era o que sentia mais falta na minha relação com a Clara. Embora durante a massagem a minha cabeça estivesse apenas na Clara, a verdade é que quando a Soraia terminou sentia-me muito mais relaxado.
- Então? Estou aprovada?
- Aprovadissima, obrigada.
- Não tens que agradecer, fiz a massagem com todo o gosto, só tenho pena que não a usufruísses em pleno. Ela não te sai da cabeça não é?
- É, eu não queria, mas não consigo pensar noutra coisa.
- Eu não a conheço bem Ruben, mas daquilo que temos falado a única conclusão que eu tiro é que ela não te merece. Desculpa, mas faz-me confusão desde que te conheci que ainda não te vi completamente feliz.
- Foi um erro aquilo que eu a obriguei a fazer, ela tinha razão quando dizia que ainda era cedo para irmos viver juntos, a culpa foi minha.
- Pára de meter as culpas de tudo o que vos tem acontecido em cima de ti. Quando uma relação está com problemas a culpa nunca é só de um, é dos dois.
- Eu sei, mas se não fosse por minha culpa isto não estava a acontecer desta maneira.
- Não digas isso.
- Soraia desculpa mas não me apetece falar mais disto, quero ir ter com a minha mãe para depois ir para casa.
- Ok, não insisto mais. Se precisares de mais alguma coisa estou disponível.
- Obrigado. - quando acabei de falar ia virar costas mas ela não deixou, olhou-me nos olhos e falou.
- Estou a falar a sério, QUALQUER coisa Ruben. - acabou de falar e aproximou-se de mim, deu-me um beijo e confesso que estremeci, tive a impressão que ela se tinha acabado de atirar a mim e aquele beijo no canto da minha boca tinha confirmado as minhas suspeitas. Saí o mais rápido que pude do gabinete dela, entrei no balneário e tomei um duche e de seguida dirigi-me para o gabinete da minha mãe.
- Mãe posso?
- Claro filho, entra. Então já estás melhor?
- Não, eu não devia ter aceite, a Clara não vai gostar.
- Filho tu sabes que eu adoro a Clara e sabes também que não achei bem vocês terem ido viver juntos por insistência tua, mas tu agora estás a pagar pelo teu erro, viver com outra pessoa não é fácil e tem que haver muita tolerância de parte a parte. Mas eu acho que ela não se importa, vocês andam os dois muito desgastados e precisam de relaxar um bocadinho, ela própria também devia vir fazer uma massagem.
- Não entendo o que se anda a passar connosco mãe, eu amo aquela mulher, mas ultimamente ela anda a dar comigo em doido. Eu sei que tenho tido também muitas falhas, mas ela faz de uma coisinha pequenina uma tempestade.
- Ai filho faz parte da nossa natureza, nós mulheres somos complicadas mas vocês homens alimentam as nossas complicações. Tu também não tens sido muito fácil para a Clara...
- Eu sei mãe, mas não está nada fácil.
- Têm que falar filho, têm que lutar pela vossa relação, se gostam um do outro não podem deixar que estas constantes chatices prejudiquem a vossa relação.
A minha mãe tinha razão, se eu não fizesse alguma coisa a nossa relação ia-se destruindo aos poucos e não era isso que eu queria. Resolvi seguir o seu conselho e falar com a Clara, por isso, decidi marcar mesa no restaurante que costumávamos frequentar e depois de um jantar agradável iríamos falar com calma.
Cheguei a casa e chamei pela Clara, não obtive resposta e por isso percorri a casa toda à sua procura. Não havia sinal dela o que me fez pegar no telemóvel para lhe ligar, mal ia pôr o número a chamar ouvi a porta da rua abrir e ela a aparecer à minha frente.
- Já chegaste?
- Sim, ia agora ligar-te.
- Como vês não precisas, eu já cá estou.
- Amor nós precisamos de falar e resolver as coisas definitivamente.
- Ruben hoje não é um bom dia para isso. Estou cansada de discutir.
- Eu também Clara, vamos jantar, eu marquei mesa no restaurante. Anda lá, vamos jantar e depois vimos para casa e resolvemos as coisas.
- Não é boa ideia Ruben, tu amanhã tens jogo, não te podes estar a deitar tarde e a nossa conversa tem que ser calma e temos que nos entender...
- Anda lá linda, vamos os dois jantar, vamos nos divertir um bocadinho e depois vimos para casa e com calma conversamos. Eu amo-te Clarinha, mas a verdade é não nos estamos a entender muito bem nesta coisa de vivermos juntos.
- Já te disse que hoje não, para nos entendermos temos que deixar esta mágoa passar, temos que falar de tudo o que nos incomoda e hoje não é um bom dia para isso.
- Ok.
Eu sentei-me no sofá e os meus pensamentos levaram-me até ao Spa, aquela atitude da Soraia tinha-me confundido, gostava da maneira como ela me tratava mas a Clara era a única mulher que eu queria e de certa forma sentia-me um pouco culpado pela forma como tinha permitido a aproximação da Soraia. A Clara desde o inicio que se tinha incompatibilizado com a Soraia e não percebendo nada do assunto eu cheguei à conclusão que a intuição da mulher não se engana mesmo. Será que lhe devia contar da massagem? E aquele beijo no canto da boca? Os meus pensamentos foram interrompidos pela Clara a chamar.
- Ruben?? Ruben?
- Sim.
- Não estás a ouvir o telemóvel?
Atendi.
- Estou?
- Fala muleque!
- Então meu?
- Oi, cês querem vir jantar aqui em casa? Sarinha tinha falado para te dizer, mas me esqueci.
- Não dá puto.
- Xiiii, não faz isso comigo irmão, ela fez comida para todo o mundo e eu me esqueci de falar com vocês. O Javi e a Guigui não vêm e se vocês não vêm ela me mata.
- Puto hoje não dá mesmo, a Clara não está com vontade de sair.
Ela quando ouviu o nome dela tentou perceber de que se tratava.
- Pô manz, convence ela vai... Fico esperando vocês.
- A sério puto, não contes, nós jantamos aqui. Fica para outra altura.
- Ok manz. Xau.
- Xau.
- Então?
- Era o David, a Sara acho que lhe tinha dito para ele nos convidar para jantar e ele esqueceu-se. Agora a Sara fez comida para todos.
- Então liga lá para ele e diz que vamos.
- A sério?
- Sim, porquê?
- Não sei Clara, mas até há uns 5 minutos disseste que não querias ir jantar comigo, mas agora já queres ir jantar a casa do David.
- Se a Sara fez comida para todos, coitados deles se não formos andam a comer o mesmo não sei quantos dias seguidos.
- Não te entendo, ou melhor, acho que não quero é entender.
- Tu és engraçado, só tu é que podes te divertir com os teus amigos é? Almoçares comigo não, almoças com os amigos. Eu agora também quero jantar com os meus amigos e tu começas já a stressar... Fala sério Ruben...
- Esquece Clara. Vou ligar ao David. - Optei por me calar, ela queria discussão mas eu não estava para ali virado.
Quando acabei de falar com ele a Clara já estava pronta para sair.
- Vamos? - perguntei.
- Sim. - disse-me já a caminho da porta.
O caminho até casa do David foi em silêncio e desagradável, a sorte foi que chegámos lá rapidamente.
(Narrado pela Clara)
A mudança para casa do Ruben foi rápida e o inicio das discussões também. Eu estava feliz porque estava com ele, mas por outro lado aquelas discussões depois de um dia de trabalho ou mesmo assim nos levantávamos de manhã, estavam a desgastar a nossa relação e até mesmo a afastar-nos. O Ruben cuidadoso e que me ligava sempre a meio da manhã e da tarde deu lugar ao Ruben desapegado, aquele que passou a nem sequer avisar que não jantava em casa, ou mesmo que durante um dia inteiro não ligava uma única vez.
Depois de mais uma discussão e dele fugir novamente para os braços da sua nova amiga, eu decidi sair também em direcção ao lar. Cheguei mas nem do carro consegui sair pois desabei num choro compulsivo, passou-me tudo pela cabeça, mas o que mais ecoava na minha cabeça eram as saídas dele para o Spa. Nada me tirava da cabeça que ele ia ter com ela e embora eu soubesse que ele me amava, também sabia que com todas as nossas discussões se abria caminho para outra pessoa se meter no meio de nós. Não sei quanto tempo passou comigo dentro do carro à porta do lar a chorar, sei que quando olhei para o relógio já eram quase 20h e ele já devia estar em casa. Aquele tempo sozinha fez-me pensar e recordar, mas não me fez decidir o que fazer, sabia que para resolvermos o que nos estava a deixar separados tínhamos que falar e acima de tudo sermos sinceros e compreensíveis um com o outro porque o amor que sentimos um pelo o outro tinha que ser maior.
Quando cheguei a casa, como já esperava, ele já lá estava. Pediu-me para irmos jantar os dois para falarmos e resolvermos tudo, disse-lhe que não, a nossa conversa tinha que ser séria e calma, porque para resolvermos tudo a magoa tinha que passar. Entretanto o David ligou e depois de mais uma pequena discussão lá saímos para jantar com eles.
Quando chegámos a Sara veio abrir-nos a porta.
- Ainda bem que afinal vieram, tinha dito ao David para falar com eles no treino mas estes nossos homens só não se esquecem da cabeça porque está agarrada ao corpo.
- A vontade de sair não era muita, mas para estar com os amigos arranja-se qualquer coisa.
- Parva... Ruben, o David está na sala, entrem...
- Ok, vou ter com ele.
- É impressão minha ou há para aí coisa? - perguntou-me depois de ele sair de perto de nós.
- Não é impressão tua, hoje discutimos outra vez.
- Então amiga?
- Nem vale a pena falar sobre isso.
- Vá, anda comigo, estás a deixar-me preocupada Clara.
Dito isto dirigimo-nos para a cozinha, ao passar pela sala já estavam os dois agarrados ao PES, disse "oi" ao David e seguimos.
- Vá, conta lá o que se passa.
- Não há nada para contar Sara, o Ruben desde que eu fui viver com ele mudou, aquela paixão, aquele sorriso ao acordar, a eterna preocupação comigo, os convites para jantar, as mensagens, as surpresas... Foi tudo embora, ficou aquele Ruben despreocupado, relaxado, sem respeito por mim.
- Clarinha não gosto de te ver assim.
- Estou farta Sara - disse-lhe já com a lágrimas a quererem sair dos meus olhos - E depois estou assim, começo a falar dele ou a pensar nele e começo a chorar. Não controlo as minhas emoções, ainda hoje no hotel, antes de uma reunião vi que me faltavam uns papeis que ficaram em casa e automaticamente comecei a chorar, eu agora há mais pequenina coisa entro em stress.
Quando acabei de falar desabei num choro tal que a Sara teve que me dar um abraço forte, daqueles mesmo de amiga porque eu estava num pranto.
- Chora amiga, manda tudo cá para fora, faz-te bem...
Mal ela acabou de falar afastei-me dela e apressei-me a limpar a cara. - Não posso, o Ruben não me pode ver assim.
- Clarinha já disseste tudo isso que me disseste agora, ao Ruben?
- Ele sabe Sara, ele não é burro. Eu até acho que ele até está a fazer de propósito, ele agora cada vez que discutimos vai-se meter no Spa da mãe e vai lá falar com a outra...
- Não penses assim amiga, meteres essas coisas na cabeça não te vai fazer bem. Ele ama-te, quantas provas disso ele já te deu?! Clara vocês só têm que falar, pararem e pensarem que a vossa história é linda demais para agora deitarem tudo a perder.
Estava já com uma lágrima a cair-me dos olhos e pronta para desabar novamente quando ouço a voz do David e do Ruben a chegarem à cozinha.
- Amor... - chamava o David.
Baixei a cara para que não me vissem naquele estado e apressei o passo em direcção à casa de banho.
(Narrado pelo Ruben)
Cheguei a casa do David, estava completamente fulo da vida com a Clara, mas assim que entrei pela porta a Sara avisou-me que ele estava na sala.
- Então puto...
- E aí manz? Valeu terem vindo. - disse-me ao mesmo tempo que me dava o comando da playstation.
- Valeu para ti.
- Ainda...?!
- Ainda puto e não sei se tem solução.
- Puxa manz, não diz isso, vocês se amam.
- Oi David... - cumprimento-o ela quando passaram por nós em direção à cozinha.
- Oi Clarinha. - respondeu ele, entretanto elas desapareceram e ele prosseguiu - Manz larga de ser otário e resolve logo esse negócio com ela, vocês se gostam muito, não podem continuar se magoando desse jeito.
- David chega de falar disso, eu quero é esquecer que ela hoje não tinha disposição para ir jantar comigo mas para vir aqui já tinha... Não quero mais perder tempo com isto, se der deu, se não der, azar...
- Cara não diz isso não, porque não é o que você está sentindo, dá um tempo p’rá ela. Pode ser que falando com a Sarinha as coisas depois melhorem... Quem sabe ela não está precisando de uma amiga?!
- Pode ser, não sei... Vá agora concentra-te lá no jogo, porque mais parece que ‘tou a jogar contra o Javi...
- Cê ‘tá muito engraçadinho, quem te disse que não ‘tou só deixando você ganhar...
- Isso querias tu...
Entretivemo-nos mais um bocado a jogar mas entretanto começou a dar-nos a fome...
- Bem pensei que a Sara já tivesse tudo pronto, vou lá dentro ver se ela ‘tá precisando de ajuda.
- Vamos lá então, mas olha que depois do jantar não te safas de levar mais uma coça...
- É né, cê pensa que depois de comer eu vou deixar você ganhar novamente de mim. Já te falei muleque, você é muito fraquinho para mim...
Quando chegamos a cozinha o clima estava um pouco estranho, a Clara passou por nós quase parecia um foguete e a Sara estava com cara de caso.
- Que é que ela tem? - perguntei.
- Não brinques comigo Ruben, sabes bem o que ela tem. Eu acho...
- Sara não te metas, isto é entre mim e ela. - contestei.
- Tu é que sabes, mas também fica sabendo que se aquilo que ela desconfia é verdade, podes querer que eu vou ser a primeira a ajudá-la a fazer as malas outra vez.
- Podes ficar descansada, ninguém vai a lado nenhum. Eu amo-a...
- Acho bem, porque foi por eu saber disso que sempre lhe dei força para ela ficar contigo.
- Não te preocupes, é verdade que temos tido problemas e também é verdade que as coisas estão dificeis, mas quando me deito os problemas desaparecem. Se em certas alturas eu penso que não tem volta a dar e que estamos magoados demais para pudermos ficar juntos, ao olhar para ela eu apaixono-me outra vez e aí eu fico com a certeza absoluta que fomos feitos um para o outro e que por muitas discussões que possam acontecer, o amor que sentimos é maior que qualquer coisa...
Acabei de falar e vi que eles tinham os olhos postos na porta da cozinha, olhei para trás e o que eu tinha acabado de descrever aconteceu. Ali estava ela, com os olhos rasos de lágrimas mas não de tristeza, senti na hora o que ela estava a sentir, apaixonámo-nos outra vez, ali, ao pé dos nossos amigos...
(Narrado pela Clara)
Quando cheguei à casa de banho tentei acalmar-me, tentei não pensar naquilo que nos estava a separar, mas sim naquilo que nos unia, o nosso amor... Ainda levou algum tempo até que me sentisse bem para voltar para perto deles e quando voltei...
- “… Se em certas alturas eu penso que não tem volta a dar e que estamos magoados demais para pudermos ficar juntos, ao olhar para ela eu apaixono-me outra vez e aí eu fico com a certeza absoluta que fomos feitos um para o outro e que por muitas discussões que possam acontecer, o amor que sentimos é maior que qualquer coisa...” - ouvi-lo dizer aquilo fez com que me esquecesse de todas as nossas diferenças e de tudo o que nos estava a separar. Num impulso atirei-me para os seus braços, senti ele a apertar-me com força e não demorou muito até os nossos lábios se unirem como há muito não acontecia. A verdade é que ultimamente cada vez que nos beijávamos ou estávamos juntos, acontecia fruto do compromisso que tinhamos e não pela paixão e amor que sentíamos um pelo outro. Foi bom ouvir aquelas palavras da boca dele, deu-me esperança, mas acima de tudo fez com que eu visse finalmente uma luz ao fundo do tunel, fez com que os meus medos e dúvidas desaparecessem e fez-me ter a certeza que eu e ele estávamos destinados a ficar juntos.
- Eu amo-te... - confessou-me enquanto me olhava.
- Eu também, tive tanto medo...
- Xiu... Não tens que ter medo de nada, eu sou teu Clara, SÓ TEU!
- Mas o ambiente entre nós estava tão dificil, tive tanto medo que deixasses de me amar...
- Não sejas tonta, achas que depois de tudo o que passámos para ficarmos juntos eu ia deixar-te fugir?! Depois de todos os bons momentos, depois de uma quase gravidez, de um pedido de casamento e de todas as pessoas que nos quiserem separar, achas mesmo que não estávamos destinados a ficar juntos?
- Estamos os dois muito magoados Ruben, eu sei que exagerei em algumas coisas...
- Sim, eu também não agi bem em certas situações. Sim, tudo isto de vivermos juntos está a ser um autêntico desastre mas vamos falar e tudo o que nos estava a separar vai ser resolvido, vamos é aproveitar o momento que eu estava cheio de saudades de te sentir assim...
- Parvinho... - já estava bem mais bem disposta e bem mais confiante quando uma lembrança me assalta os pensamentos - Eles... - disse percorrendo a cozinha com os olhos - Nós esquecemo-nos deles...
- Deixa... Eles compreendem...
- Vá anda lá... - pedia-lhe enquanto ele me puxava novamente para junto dele - Ruben nós viemos jantar lembraste?
- Pronto ‘tá bem... Mas só mais um beijinho...
- Só um... - disse juntando os nossos lábios num beijo rápido.
- Ei, isso não é um beijo...
- Ruben... Estamos em casa deles...
- Tu é que estás a demorar, se já me tivesses dado um beijo como deve ser já não estávamos aqui.
Dei-lhe um beijo e quando ia para me afastar ele não deixou, apertou-me e envolveu-me nos seus braços, prelongou aquele beijo o máximo que conseguiu pois eu voltei a mim e a lembrar-me que os nossos amigos estavam à espera para jantar...
- Vá, agora que já demos um beijo como deve ser vamos ter com eles...
- Tu realmente não consegues mesmo relaxar. - disse-me enquanto nos dirigiamos para a sala, onde estava o David e a Sara.
- O casal ternura já se acertou? - perguntou o David quando chegamos perto deles.
- Pára David... - resmungava com ele a Sara.
- O amor, não ‘tou falando nada de errado... -
- Pois só estás a querer saber demais. - reclamava o Ruben.
- Ei! Ele só fez uma pergunta - falei - É normal ele querer saber, já que os espulsámos da cozinha e atrasámos o jantar.
- Vá fala aí Clarinha, cês se acertaram?
- David! - falava novamente a Sara.
- Sim David, fizemos as pazes, quer dizer...
- O quê? - perguntava o Ruben não deixando que eu terminasse.
- O quê, o quê? É verdade Ruben, já estamos melhor mas ainda temos que falar...
- Sim, mas fizemos as pazes. - contestava ele.
- Sim... - concordei.
- Vá vocês são muito lindinhos juntos mas eu ‘tou morrendo de fome. Vamos comer? - perguntava o David.
- Sim, vou só buscar as coisas lá dentro. - dizia a Sara.
- Eu ajudo. - disse enquanto me dirigia com ela para a caozinha.
O jantar foi super animado, o ambiente já estava melhor e quando nos juntávamos era sempre divertido. Ou era eu e a Sara que juntas implicavamos com eles, ou eles que implicavam um com o outro, ou então juntavam-se para nos “zoar” como dizia o David. Depois do jantar fomos embora, eles tinham que dormir cedo e por isso mesmo a diversão tinha que ficar para outro dia, neste caso para o dia seguinte pois ficou logo combinado depois do jogo irmos jantar.
O caminho até nossa casa foi rápido mas muito divertido, estávamos ambos felizes e todo o ambiente do jantar estava a ajudar na nossa reconciliação. Quando chegámos ele não me deu tempo de pensar, pegou-me ao colo e levou-me para o quarto. A noite foi maravilhosa e de manhã embora ele tivesse que se despachar para ir para o estádio, ainda tivemos tempo de tomar um demorado banho e um super pequeno almoço. Quando estacionámos no parque do estádio já a Sara lá estava com o David.
- Manz cê demorou, já ‘tá todo o mundo lá dentro.
- Então vamos... Xau princesa, até logo. - disse-me ao despedir-se de mim - Amo-te
- Eu também. Até logo...
O David também se despediu da Sara e lá foram eles para o balneário.
- Então? Tudo resolvido?
- Resolvido não está, mas acho que deu para nos lembrar-mos do que realmente sentimos um pelo outro.
- Assim está melhor. Almoçamos juntas?
- Sim, eu tenho é que passar no hotel agora a seguir, vens comigo?
- É melhor não Clara.
- Porquê?
- Olha porque se vais trabalhar eu vou atrapalhar.
- Não vais nada, eu tenho só que lá ir cumprimentar uns hóspedes que chegam hoje e são amigos dos meus pais.
- Se é assim...
- Sim e depois podemos almoçar na costa ou ir ao forum, ou ligamos à Guigui e à Catarina e combinamos alguma coisa as quatro.
- Acho uma óptima ideia.
Ela deixou o carro do David no estádio e seguimos no meu para a Costa. O tempo que tivemos no hotel não foi muito e depois de falarmos com a Guigui fomos ter com elas ao Almada forum.
Passámos uma tarde super animada e com muita risota, a Catarina contou-nos que o seu argentino andava muita saído da casca e que nunca pensou que com aquela carinha de quem não parte um prato ele fosse tão "tarado", palavras dela. Fartamo-nos de rir com aquelas afirmações e ainda mais nos rimos quando as duas primas começaram a discutir por causa do sotaque dos seu homens, elas bem que tentaram que nós entrássemos na discussão, gozando com as expressões que o David por vezes mencionava e por o Ruben muitas vezes não entender nada do que os outros três falavam. Foi uma tarde muito bem passada e quando demos por nós estavamos cheias de sacos nas mãos e já atrasadas para o jogo.
- Eu não acredito nisto, vocês já viram as horas? - perguntava a Catarina.
- Eles vão-nos matar. - constatava a Sara.
Depressa chegamos ao carro e conduzi até ao Estádio, quando lá chegamos na entrada do estacionamento levamos com o segurança na brincadeira connosco.
- Boa tarde senhor Alfredo.
- Boa tarde meninas. Menina Clara desculpe mas não a posso deixar entrar. - disse-me com um ar muito sério.
- Porquê senhor Alfredo, eu tenho a credencial.
- Desculpe, mas tenho ordens para não deixar entrar as meninas que vêm atrasadas.
- Senhor Alfredo nunca lhe disseram que não pode brincar dessa maneira aqui com a Clarinha? - brincava a Guigui, o que foi motivo para todas dentro do carro darem uma gargalhada - Olhe que ainda é responsável por um ataque de ansiedade desta menina, se ela não vê o seu Ruben rapidamente ainda lhe dá uma ataque.
- Pronto, pronto, passe lá e vejam lá se dão sorte aos rapazes.
- Obrigado senhor Alfredo, até logo.
- Até logo meninas.
Entrámos no parque de estacionamento e estacionamos no parque privado que estava destinado aos jogadores, subimos no elevador e quando entrei no camarote tive a pior surpresa que podia esperar.
- Mas o que é que esta gaja está aqui a fazer?