(narrado pelo Ruben)
O jantar estava a correr lindamente, vi a cara de felicidade da minha mãe e contrastava na perfeição com a da Clara.
Depois de cantarmos os parabéns, desafiaram-me para um mini campeonato de PES. Estivemos imenso tempo a jogar, escusado será dizer que ganhei. No final fui para perto da Clara que estava com a Sara e o David, estávamos a conversar normalmente quando é puxado o assunto do carro dela, ela afirmava mais uma vez que não queria o carro. Tentei fazê-la aceitar ao dizer que ia ser minha mulher e já não tinha como negar aquele presente. Toquei num assunto delicado e fui surpreendido com uma pergunta que não esperava. Não lhe consegui responder, não pensei sequer em mentir, no entanto também não tive coragem de dizer a verdade. O meu silêncio foi também a minha resposta, vi a desilusão e tristeza nos seus olhos. Tentei falar com ela mas não me deu hipótese, ao subir para o meu quarto, quando me preparava para a seguir, o David agarrou-me.
- Dá tempo para ela manz, ela levou um choque…
- Mas porque é que eu fui tão burro? Eu amo aquela miúda.
- Eu sei, mas também, que é que deu em você para fazer um negócio desse com a menina? Cê já viu como ela deve estar se sentindo?
- Eu sei, mas a Inês andava a chatear-me, ela desde o início que não gosta da Clara. Pensa que ela é uma interesseira, eu já tentei fazê-la mudar de opinião, mas não dá…
- Mas não era razão para você fazer o que fez. Cê sabe que ela também implicou com a Sara, mas eu mandei ela puxar o saco de outro cara. Ela não tem que vir para mim e falar que a minha namorada é interesseira, eu não sou burro, eu sei ver quando uma garota gosta de mim p’rá valer…
Quando o David acabou de falar vi que elas desciam as escadas e preparei-me para ir ter com ela, mas mais uma vez o David puxou o meu braço.
- Cê não vai lá não… Deixa ela pensar, a Sarinha fica com ela, deixa ela sozinha…
Aceitei o que ele me pediu e sem fazer grande alarido subi as escadas, entrei no quarto e sentei-me em cima da cama. Umas quantas lágrimas caíram dos meus olhos, eu não era homem de chorar, mas eu tinha feito porcaria e quem estava a sofrer era ela…
- Manz, sua mãe ‘tá perguntando que ‘tá pegando, o pessoal ‘tá indo embora, vem falar qualquer coisa e cê já volta…
- Posso? – perguntava a Guigui entrando no quarto – Que é que se passa? Onde está a Clara e a Sara?
- Elas foram embora…
- Mas foram embora porquê? A Clara pediu-me a chave, mas como eu lhe perguntei para que era, ela não insistiu… - como ninguém lhe respondeu ela insistiu – Ruben, vocês terminaram o noivado? – confesso que mais uma vez fui apanhado de surpresa.
- Mas como é que tu estás a fazer uma pergunta dessas se ainda não sabes o que se passou? – perguntei-lhe com a voz um pouco mais alta, ela não me respondeu, limitou-se a apontar para a mesa de cabeceira.
O anel dela estava ali, aquele anel que eu lhe tinha dado umas horas antes já estava fora do seu dedo. Levantei-me rapidamente da cama e desci as escadas em direcção à sala, procurei a Inês, mas estava difícil de a encontrar. Fui dar com ela na rua, junto da piscina.
- Inês olha para mim. – pedi-lhe ao agarrá-la por um braço
- Ai! Estás parvo?… Que se passa?
- Parabéns… Se o teu objectivo era acabar com a minha felicidade e estragar-me o dia de anos, então dou-te os parabéns porque conseguiste…
- Não posso… Tu e a sonsa terminaram? – disse ao ver a minha cara – Ainda me vais agradecer um dia, ela só estava contigo pelo dinheiro… Não perdeste nada.
- TU ESTÁS LOUCA?! – disse-lhe já a gritar – ESTÁS A VER ISTO?! – tinha o anel na mão assim como as chaves do carro – SERÁ QUE AINDA NÃO PERCEBESTE QUE ESTÁS ERRADA?! A CLARA NUNCA QUIS NADA MEU, NUNCA!
- Ruben, deixa lá o drama, isso passa-te… Já te disse que não perdes nada, ela não era mulher para ti…
- Eu não te admito que continues a falar assim dela, não admito! - fiz uma pausa - Chega, nunca mais te metes na minha vida. - agarrei-a no braço e encaminhei-a até à porta – Estás a ver esta porta? É por aqui que tu vais sair e não vais voltar a entrar.
- O quê? Estás parvo?!
- Parvo estive enquanto deixei que acabasses com a minha felicidade, tu nunca lhe deste uma oportunidade, nunca a tentaste conhecer. Nada! Por isso esquece, esquece que eu existo!
- Ruben olha o drama, sim? Vais acabar com a nossa amizade por causa de uma gaja que apareceu do nada?...
- NÃO, VOU ACABAR COM A NOSSA AMIZADE PORQUE TU FOSTE LONGE DEMAIS. PORQUE TU NÃO SOUBESTE QUAL ERA O TEU LUGAR E METESTE-TE NA MINHA VIDA…
- Esqueceste-te do que já aconteceu antes, com a outra que conheceste naquele bar? Andavas tapadinho de todo e não te deste conta que ela só tinha um objectivo… Até viver com ela tu foste…
- São pessoas diferentes, a Andreia não tinha nada a ver com a Clara. Aliás, a Andreia nunca fez metade das coisas que a Clara em menos tempo fez por mim… A Clara sempre acreditou em mim, a Clara aturou todo o teu mau feitio…
- Continuas tão tapado agora como estavas antes… Esquece, vai mas é dormir que amanhã já estás melhor, vais ver que te livraste de boa…
- Não quero mais falar contigo Inês, vai-te embora e não voltes. Esquece que algum dia fomos amigos…
- Ruben, pára com isso. Estás a exagerar…
- A exagerar?! MAS SERÁ QUE TU AINDA NÃO ENTENDESTE QUE EU A AMO MESMO? INÊS, É ELA! A CLARA É AQUELA PESSOA QUE EU QUERO AO MEU LADO E, OU TU ENTENDES ISSO, OU ENTÃO A NOSSA AMIZADE ACABOU.
- Queres que eu acredite em ti e que lhe dê uma oportunidade?
- Não, eu só quero que me deixes viver a minha vida. Mas se és aquela amiga que eu adoro e que sempre esteve comigo em tudo, se és essa pessoa então dá-lhe uma oportunidade. Acredita nela e deixa-a mostrar-te que estás enganada. Inês, a Clara é uma pessoa espectacular, quando a conheceres vais ver que vais gostar dela e vais perceber o porquê de eu estar tão apaixonado…
- Se é o que queres… Duvido que vá mudar de opinião, mas se é o que queres…
- Bolas Inês, tu não imaginas como me deixas chateado com essa atitude… Se é para continuares a fazer a mesma coisa, mais vale não voltares a falar comigo…
- Calma, tu queres que eu lhe dê uma oportunidade, portanto eu dou-lhe uma oportunidade… Agora não ponhas é a nossa amizade em causa, tu és como um irmão para mim e eu adoro-te… - dito isto chegou-se a mim para me abraçar.
- Não Inês, hoje não… Eu só quero ir falar com a Clara…
Despedi-me dela e fui com a Guigui, o Javi e o David a casa delas. Tentei falar com ela, mas não consegui, discutimos apenas. Ela confirmou as minhas suspeitas, não só terminou o noivado, como também terminou o namoro. Ela tinha toda a razão do mundo para estar chateada, só não estava à espera que ela desistisse de nós tão facilmente, no entanto compreendia-a, vi nos olhos dela o sofrimento por que estava a passar e não fui capaz de insistir mais. Quando ela me pediu para sair eu acedi ao seu pedido, talvez fosse melhor esperar, uma noite de sono ia fazer-nos bem.
Não consegui pregar olho a noite inteira, sei que ela tinha razão para estar chateada, mas custou-me tanto ouvi-la dizer que já não confiava em mim… Levantei-me e pensei para mim mesmo “Dê lá por onde der, eu tenho que reconquistar aquela miúda…”. Quando já estava pronto e chego à mesa da entrada para pegar nas chaves, vi junto delas aquilo que me tinha destruído na noite anterior. As chaves do carro que lhe ofereci, as chaves da minha casa, o anel que tinha comprado com o maior carinho e prenda dela… Se as coisas não tivessem acontecido da maneira que aconteceram eu tinha adorado aquela prenda. Dentro daquele envelope estava uma reserva para duas pessoas para uma viagem a Itália. Ambos já tínhamos falado várias vezes que queríamos conhecer aquele país e inclusivamente já tínhamos prometido que íamos só os dois. Adoraríamos ir a Verona, palco de um dos maiores e mais tristes romances da história, passear em Roma, fazer compras em Milão e visitar aquele estádio que era fabuloso, namorar em Veneza e saborear aquela comida que ambos adorávamos. Queria tanto fazer tudo aquilo, mas queria fazê-lo com ela ao meu lado. Para isso só tinha uma hipótese, reconquistar a sua confiança… Só assim podia ir com ela a Itália, voltar a pôr aquele anel no seu dedo e projectar com ela o nosso futuro. Saí de casa em direcção ao Caixa Futebol Campus para o treino, quando lá cheguei tive o David a chatear-me a cabeça. O treino correu bem e depois fui almoçar com a minha mãe, ela estava preocupada com o que tinha acontecido, pois não tinha percebido bem a razão da nossa chatice.
- Eu não acredito que tu lhe fizeste uma coisa dessas filho…
- Eu sei mãe, mas não foi por mal. A Inês chateou-me tanto a cabeça, eu já estava farto de a ouvir. Não pensei nas consequências, para a calar resolvi dizer aquilo, a minha intenção não era pô-la há prova. Eu amo-a…
- Mas porque é que vocês, homens, por vezes são tão burros? O que me custa é saber o que ela aturou da Inês sem nunca se chatear contigo… Eu sei que a Inês é tua amiga desde sempre e compreendo a atitude dela, ainda para mais sabendo o que já aconteceu anteriormente, mas a Clara é um doce e ela gosta tanto de ti…
- Eu sei disso mãe e por isso juro-te que vou reconquistar aquela miúda, nunca pensei que fosse possível gostar tanto de alguém como gosto dela. É curioso, em seis meses conheci a mulher da minha vida, pedi-a em casamento e fui burro ao deixá-la fugir…
- Agora só tens que olhar em frente e reconquistar a sua confiança… Tenho que lhe ligar, ela coitadinha deve estar destroçada, ainda para mais depois do que saiu no jornal…
- O que é que saiu no jornal?
- Ainda não viste? Vem naquela revista que acompanha o Correio da Manhã, uma notícia sobre vocês. Não sei lá como, mas eles souberam que vocês terminaram o namoro.
Fiquei espantado com aquela notícia e enquanto comentávamos o sucedido a minha mãe recebe um telefonema.
- Olha, é a Clara…
- Deixa-me falar com ela, eu depois passo-te o telefone.
- Não… - afastou a minha mão do telemóvel e atendeu – Estou?
- Olá Bela.
- Olá minha querida, já sei o que aconteceu e como mãe peço-te desculpa…
- Não tem que pedir desculpa Bela, se há alguém que tem que o fazer sou eu… Estraguei o dia de anos ao seu filho e saí de sua casa sem me despedir de si. Desculpe…
- Ó minha querida, tiveste que sair, compreendo que não tenha sido fácil para ti. Olha, que me dizes de jantares comigo um dia destes? Queria muito falar contigo.
- Eu aceito com muito prazer, mas por favor não insista para eu perdoar o Ruben. Tenho a certeza que a Bela me compreende, eu sei que é seu filho, mas eu ainda estou muito magoada com ele.
- Sim querida, não te preocupes. Prometo que vou respeitar a tua decisão. Combinamos então para Domingo? É que eu amanhã não posso…
- Sim, pode ser Bela. Obrigada por tudo.
- Não tens que agradecer meu amor, sabes que já és como uma filha para mim…
- Obrigada… Então até Domingo, beijinhos…
(narrado pela Clara)
Os dias custavam a passar, não estar com ele e não falar com ele era difícil. Os dias estavam mais compridos e as minhas noites eram passadas em claro, a falta do seu toque e do seu beijo despertavam em mim uma enorme tristeza. No trabalho, a Bá fazia questão de me fazer sentir ainda pior, como se não fosse mau o suficiente estar separada dele. Tentava entreter-me com o projecto, mas nem vontade para o continuar tinha, sentia-me a mergulhar numa enorme tristeza que não me dava ânimo para nada. As melhores partes do meu dia eram quando recebia uma mensagem dele, podia estar desiludida com ele, mas a verdade era que o amor que ambos sentíamos um pelo outro ainda estava lá. E quando eu via cada mensagem não conseguia deixar de sorrir.
Chegou Domingo, a Bela tinha-me convidado para ir jantar a casa dela, não corria o risco de encontrar o Ruben pois eles tinham jogo no norte. Passei o dia em casa de volta do meu projecto, a concentração aparecia muito dificilmente e por isso mesmo tinha que aproveitar todos os bocadinhos. Por volta das 19.30h saí de casa em direcção há Costa da Caparica. Quando cheguei, a Bela cumprimentou-me logo, jantámos e conversámos durante bastante tempo. Tinha ali alguém de quem gostava muito e que sentia que gostava de mim também, já tínhamos uma enorme amizade. Estávamos a conversar quando somos surpreendidas pelo barulho da porta a bater, vi quem não queria ver, quem não estava à espera.
- Ainda bem que ainda estás aqui. – disse-me ao aproximar-se.
- Mas… Tu não foste para cima?
- Não, o mister não me convocou… - fez uma pequena pausa e pouco depois continuou – Tenho tantas saudades tuas… - disse aproximando-se de mim.
- Nem penses… - afastei-me e dirigi-me à Bela – Obrigada pelo jantar Bela.
- Clara espera, temos que falar.
Eu continuei – Bela, desculpe, mas eu vou indo… - peguei nas minhas coisas e preparava-me para sair quando ele me agarra no braço.
- Amor, por favor, fica aqui, vamos conversar.
- Nós já falamos tudo o que havia para falar, tu não me vais dizer nada que eu não saiba já…
Neste momento a Bela e o Mauro que permaneciam junto de nós, pediram licença e deixaram-nos sozinhos.
- Clarinha, eu não consigo estar sem ti, por favor… Dá-me uma oportunidade, eu juro que não te volto a desiludir.
- Pára com isso, sabes que é difícil para mim… Eu entreguei-me a ti, eu confiei em ti e tu sabes como foi difícil estarmos juntos sem qualquer reserva, sem medos… Tu estás-me a pedir que confie em ti novamente, depois da maneira como me fizeste sentir… Achas que é justo? – disse-lhe já completamente entregue às lágrimas…
- Desculpa, eu amo-te e nunca te quis fazer sofrer. Sei tudo o que já sofreste e juro-te que me dói ver-te sofrer novamente sabendo que o culpado sou eu… - aproximou-se de mim e abraçou-me, eu não resisti, aqueles braços em volta do meu corpo era tudo o que precisava naquele momento – Eu dou-te tempo e prometo-te que vou reconquistar toda a confiança que perdi. Prometo Clara, eu ainda vou casar contigo… Tu és a minha vida… - quando acabou de falar deu-me um beijo na testa.
Eu afastei-me, mas de repente sinto-o aproximar-se novamente, num movimento rápido agarra a minha cara com as duas mãos e beija-me. Os nossos lábios tocaram um no outro, pareciam ímanes que não se conseguiam separar. Aquele beijo estava carregado de saudade, amor, paixão, desejo e compreensão. Foi um beijo que transmitiu aquilo que sentíamos no momento, foi um beijo bom, mas triste… Pus termo àquele beijo e saí daquela casa a correr, corri até ao carro e arranquei.
Tinha acabado de chegar a casa, aquela conversa com o Ruben tinha-me deixado mais uma vez em baixo, eu queria muito perdoá-lo mas estava demasiado difícil fazê-lo. Estava eu na cozinha a fazer um chá para me acalmar quando oiço a campainha, dirigia-me para a porta mas quem era estava com demasiada pressa, pois carregava no botão da campainha de forma bastante insistente. Olhei pela câmara e vi que era a Catarina, a prima da Guigui, abri e esperei que saísse do elevador. Quando saiu vinha desvairada…
- Olá Clara, a minha prima está em casa?
- Não querida, não sabes que ela foi de viagem, na surftrip que o Saca lhe ofereceu?!
- Bolas, esqueci-me…
- Mas aconteceu alguma coisa?
- Precisava de falar com ela… Chateei-me com os meus pais e acabei com o Martim.
- O quê?! Mas…
- Mas nada, estou farta daquilo tudo… Estou farta daquela cidade, daquela gente, de tudo Clara…
- Mas o que se passou? Estavas com o Martim há tanto tempo…
- Ya, passei tempo demais com ele… Agora andava com ideias de casamento e viver juntos, e sinceramente isso não é para mim. Depois os meus pais também começaram a atrofiar, a dizer que devia casar com o Martim e que já não tenho idade de viver em casa dos pais… Olha, passei-me! Será que posso ficar aqui por uns tempos?
- Claro que sim, já sabes que estás em casa…
- Obrigada querida. Olha, eu faço questão de dividir as despesas.
- Não te preocupes com isso. Então e a faculdade?
- Peço transferência e acabo o curso para o ano, assim como assim, mais ano menos ano…
- Tu não existes, és mesmo prima de quem és…
- Ahah! Já sabes…
- Vá anda, vamos-te instalar… Para já ficas no quarto da Guigui, depois quando ela voltar logo vemos isso, se bem que ela agora já pouco ou nada o usa.
- Sim, não te preocupes, eu até no chão posso ficar… Clara?
- Sim querida…
- Como estão as coisas com o Ruben? Eu vi o que saiu nas revistas…
- Não estão, eu e o Ruben é passado, não há volta a dar.
- Fico triste em ouvir isso, vocês ficavam tão bem juntinhos…
- Esquece isso… Olha, estava a fazer um chá para mim, também queres?
- Sim, pode ser…
Ficámos mais um tempo à conversa até que chegou a Sara. Pu-la ao corrente da situação e ela compreendeu na perfeição. Depois fomos dormir, os próximos dias prometiam grande agitação, pois sem a Guigui, mas com o furacão Catarina, não íamos ter descanso concerteza…
No dia seguinte fui trabalhar normalmente, tive que levar mais uma vez com a Bá e o “Eu avisei-te”, em relação ao Ruben. Era certo que eu podia contar com ela, mas também era certo que tinha que levar com cobranças em relação a eu ter sido “burra” ao atirar-me de cabeça naquela relação.
Quando cheguei a casa fui surpreendida com a Sara a chorar e a arranjar a mala dela, a Catarina estava perto dela, mas não tinha coragem de dizer nada.
- Clarinha, o David vai para o Chelsea…
- Então Sara, tu sabias que isso podia acontecer amiga…
- Eu sei, mas já estava com esperança que ele fosse só no fim da época…
- Calma amiga… Tu podes ir com ele querida, não vale a pena estares ai a chorar, vais ver que tudo se resolve…
- Eu sei que sim… Mas eu estou a ser tão egoísta em estar triste… Eu devia estar feliz por ele, porque vai para o melhor campeonato do mundo.
- Não estás nada a ser egoísta, é normal estares a agir assim, Portugal é o teu país é aqui que estás confortável, é compreensível que estejas com medo… Vá, eu ajudo-te a fazer a mala, vocês ainda vão hoje?
- Sim, o David ainda tem que assinar hoje…
Ajudei-a a fazer a mala, ela estava um pouco triste e confesso que eu também, estava a ser egoísta é certo, mas nesta altura da minha vida em que estava a passar por momentos tão complicados não ter as minhas amigas perto de mim, ia ser ainda pior. Tentei não pensar nisso, já estava a ser tão complicado para ela que se visse que eu estava triste ela ainda se iria sentir pior… Quando acabámos de fazer a mala fui com a Catarina levar a Sara ao aeroporto, ela disse que ficou de se encontrar lá com o David.
Os dias foram passando e quando dei por mim era dia 7 de Fevereiro, estava entretida nos meus papéis, quando recebo um telefonema da Guigui:
- Clarinha amor, como estás querida?
- Estou bem e tu? Como está tudo por aí?
- Está tudo bem. Querida, preciso de um favor…
- Diz…
- Eu chego esta noite…
- Ahn?
- Sim, vou embarcar hoje e chego por volta das 6h da manhã. Podes ir-me buscar?
- Claro que sim. Mas aconteceu alguma coisa?
- Não, mas o Javi faz anos amanhã e eu tenho que estar aí… Vou fazer-lhe uma surpresa.
- Está bem… Então não te preocupes que eu vou-te buscar… Olha, não é só o Javi que vai ter uma surpresa…
- Não?!
- Não, tu quando chegares também vais ter uma surpresa…
- Clarinha, Clarinha… A melhor surpresa que me podias dar, era teres feito as pazes com o Ruben.
- Pronto! Tinha que vir esse assunto… Não, não é… Eu e o Ruben acabou e cada dia que passa tenho mais certeza disso.
- Quando chegar temos muito que falar, nem penses que vais deitar a tua vida fora… Mas depois falamos.
- Sim, está bem… Vá, tenho que voltar para o trabalho, beijinhos amiga. Até logo…
- Até logo…
Desliguei e continuei o meu trabalho, o resto do dia passou normalmente e às 18h saí em direcção a casa. Apanhei a Catarina e fomos ao Colombo comprar a prenda de anos do Javi e, como o Roberto também fazia anos uns dias depois, aproveitei e comprei também a dele. Jantámos por lá e quando íamos embora apareceu-nos à frente o Ruben que estava com o Mauro e a Inês. Era incrível, ele que dizia gostar tanto de mim, estava ali com a pessoa que nos tinha separado. Como eles ainda não nos tinham visto, agarrei no braço da Catarina e virámos costas…
- Clara?!
Tarde demais, afinal viram-nos, não me apetecia nada ir lá mas o Mauro sempre foi impecável comigo. Voltámo-nos novamente para eles e fomos cumprimentá-los.
- Olá Clarinha. – disse o Mauro chegando-se a mim para me dar um beijo – Está tudo bem? Nunca mais falámos…
- Estou óptima, tenho tido muito que fazer…
- Sim, sempre que está em casa tem o computador à frente… - completou a Catarina.
A Inês tinha o olhar baixo, não abriu a boca. O Ruben pelo contrário não tirava os olhos de mim.
- Desculpem, mas nós temos que ir indo.
- Clara, posso passar lá em casa para falar contigo? – perguntou-me o Ruben, todos ficaram calados à espera da minha resposta. Até a Inês me olhou expectante.
- Não tenho nada para falar contigo… Vamos Catarina?
- Sim… Adeus…
Despedimo-nos e fomos para o carro. Quando cheguei a casa fui logo dormir e às 5h levantei-me, tomei um duche rápido e saí para o aeroporto.
Enquanto esperava pela Guigui pensava em como a minha vida tinha mudado do dia para a noite. Numa altura estava completamente feliz e “cinco minutos depois”, estava literalmente na fossa… Ver o Ruben tinha-me feito muito mal, depois de uma semana a lutar contra uma saudade que fazia-me doer o peito, vê-lo e não poder abraçá-lo e beijá-lo foi como se me torturassem aos poucos. Quando dei por mim tinha uma lágrima que teimava em querer cair do meu olho, ainda não tinha chorado tudo pois, para me abstrair da realidade, tinha-me entregue de corpo e alma ao trabalho. De repente oiço pelo altifalante que o voo dela tinha chegado, dirigi-me às chegadas e algum tempo mais tarde vejo-a a aparecer-me à frente.
- Clarinha…
- Guigui… Fizeste boa viagem?
- Sim, como é que estás? Tinha tantas saudades tuas…
- Eu também… - abracei-a e aquele abraço dela fez com que eu deixasse todas as minhas emoções e sentimentos transparecer, a minha respiração começou a ficar rápida e as lágrimas caiam de forma repetitiva, eu não conseguia falar pois os soluços era muitos…
- Calma Clarinha… Desculpa eu não estar aqui… Desculpa minha linda… - ao falar, senti que ela me abraçava ainda mais…
Ficámos assim algum tempo…
O caminho para casa foi rápido, quando chegámos eu disse-lhe que ela tinha uma surpresa no quarto e ela pé ante pé, quando abriu a porta foi surpreendida com a prima na cama dela. Ficámos algum tempo à conversa, eu já não ia dormir e por isso a Guigui fez-me companhia até eu sair para o trabalho, enquanto começava a preparar a sua surpresa para o Javi.
Linda:
ResponderEliminarEu vi que este capitulo é enorme, mas depois de ler este só dá vontade de ler mais e mais...
Está fantástico, mesmo, a situação na casa da mãe dele mexe mesmo quando leio. Transmite sentimento, muito bom.
Adorei, mal posso esperar pelo próximo :)
Beijinhos
Ahahah Catarina ao ataque :P Não sei porquê mas esta prima da guigui ainda vai dar que falar.
ResponderEliminarE vê se metes a Clarinha de bem com o Rúben sim!!!
Continua
Adoro-te Amiga :D
Adorei! Simplesmente adorei. Transmites emoções de uma forma tão intensa que até fiquei de lágrima no olho com o Ruben sentado na cama a chorar...
ResponderEliminarEu sei que somos umas chatas, pedinchonas e os capítulos até são bem compostinhos e tudo mais, mas... é como diz a Elsa: fica sempre a vontade de ler mais e mais e mais... :)
Parabéns! Mesmo.
Bjs*
clarinha tá simplesmente fantástico! :)
ResponderEliminarolha adorei a parte do Ruben resmungar com a Ines ela já merecia há muito ouvir isso!
agora tens de juntar a clara com o ruben! só de imaginar a carinha do ruben a chorar! :P
continua e estou à espera do proximo! :D
a guigui também tem de postar rápido, tou curiosa para saber como correu a viagem! :)
beijinhos
adorei...
ResponderEliminarquero mais...
a clara tem que fazer as pazes com o ruben...
continua...
tou cada vez mais curiosa para ver os proximos capitulos..
Liinda, ja' sabes O que eu achO e pensO que cada vez esta' melhor!!
ResponderEliminarCOntiinua liinda...
BjnhOs
Adorei!! Adorei!! E Adorei!!!
ResponderEliminarNo dia em qe postas.te eu vim cá ler, mas como já é habitual, não comentei...
Fiqei curiosa. :D
Fico á espera do Próximo.
Bjokas e continua...
Tatty