(narrado pela Guigui)
Ao ouvir aquelas palavras gelei por completo. Eu sabia que o Javi me amava, não tinha dúvidas, mas o facto de ele me esconder aquilo quando eu nunca lhe ocultei o que quer que fosse relativamente ao Saca, deixou-me completamente desapontada com ele. Continuei o meu caminho até ao balcão e pedi um vodka. Olhei para o palco onde estava o Javi super animado e as lágrimas começaram a apoderar-se de mim. Bebi o vodka de uma só vez e dirigi-me para a porta de saída. Fui interceptada pelo David quando estava no bengaleiro a levantar as minhas coisas.
- Guigui, onde é que cê vai?
- Vou-me embora David... - disse de cabeça baixa.
- Fica mais um pouco, vamo danças um sambinha! Eu sei que cê sabe dançar, quero ver se cê me ganha.
- David, deixa-me ir embora se faz favor. - eu mantinha o meu rosto para baixo e só nesse momento senti a sua mão levantar-me o rosto.
- 'Tá passando algo? Cadê o Javi?
- O Javi está lá dentro. Deixa-me ir embora David. - eu continuava a tentar manter a calma.
- Pô Guigui, fala p'rá mim que 'tá passando? 'Tou ficando preocupado...
- Queres saber o que se passa David? - neste momento o meu autocontrolo foi por um canudo e acabei por lhe gritar - Pergunta ao teu amigo Javi o que é que andou a fazer na Passagem de Ano que não teve a decência de me contar! Se ele te contar a ti é porque tem mais respeito por ti do que aquele que tem por mim! - o David mantinha-se calado - Agora desculpa, mas deixa-me ir embora. Até amanhã David.
Ele nada disse e eu saí dali a correr. Entrei no carro, felizmente tinha trazido o meu, e saí dali o mais rápido que pude. Conduzi sem rumo durante não sei quanto tempo, até que acabei por ir até casa do Ico. Toquei à campainha lavada em lágrimas, no entanto ninguém atendia. Voltei a entrar no carro e ouvi o telemóvel tocar. Olhei para o ecrã e vi que era ele. Deixei tocar e acabei por desligar o telemóvel quando deixou de tocar. Conduzi até ao bar, procurei lá as chaves suplentes de casa do Ico e voltei a conduzir até casa dele. Entrei e deixei um bilheouvi o meu telelemóvel a tocar. Olhei para o ecrã e vi te na mesa de entrada: "Ico, estou no quarto de hóspedes. Usei as chaves suplentes, espero que não te importes. Amanhã explico-te tudo. Adoro-te. Guigui". Dirigi-me até ao quarto de hóspedes e deitei-me voltada para a janela, a observar o mar enquanto dos meus olhos escorriam já algumas lágrimas. Mais que a dor de ele ter sido beijado pela Elena, magoava-me principalmente o facto de me ter omitido isso. Acabei por adormecer ao fim de algum tempo, talvez assim tivesse alguma paz.
(narrado pelo David)
Notei a Guigui um pouco em baixo e tentei animá-la, no entanto foi em vão. Percebi o que tinha passado depois de ela falar, só não percebi como ela tinha descoberto. Deixei ela ir embora e fui à procura do Javi. Ele 'tava no palco com o Roberto e o Luisão cantando e, verdade se diga, já bem alterado. Fui até ele e o chamei.
- Javi, vem cá....
- Olha, ali o menino bonito 'tá com ciúmes!
- Javi, 'tou falando sério, vem cá cara. Preciso de bater um papo sério com você.
Ele percebeu que o assunto era sério e acabou por descer do palco. Quase tropeçou a descer, o que foi motivo para o pessoal zoar dele. Eu puxei ele até uma zona mais sossegada.
- Fala aí mano, o que é que foi?
- Javi, a Guigui descobriu do beijo que a Elena deu em você...
- O quê?!
- É isso aí que eu falei cara. Ela saiu daqui há pouco super desiludida. Eu falei p'rá você contar, porque é que cê não me ouviu?
- Eu sabia lá que ela ía descobrir! Como é que ela descobriu David? Só tu é que sabias, eu não contei a mais ninguém.
- Não olha p'rá mim com essa cara! Cê sabe que eu não ía contar p'rá ninguém... Talvez a Elena tenha contado para alguma das meninas. Pô cara, mas isso agora não interessa. Que é que cê vais fazer?
- Para onde é que ela foi David?
- Não sei não cara... Ela pegou na bolsa e saiu correndo. - nesse momento vi ele procurando qualquer coisa no bolso.
- Merda, foi ela que trouxe o carro! David, dá-me a chave do teu carro.
- Nem pense Javi. Cê já bebeu demais. Eu vou avisar a Sarinha que vou embora e vou com você.
- Despacha-te meu!
Voltei a entrar no bar e vi a Sara junto da Catarina e da Marta.
- Meu amor, vou ter que ir embora com o Javi, depois explico o que 'tá passando. Cê arranja boleia?
- Sim bebé, mas o que foi? A Guigui?
- Depois explico meu amor. A gente não sabe da Guigui, se falar com ela me avisa, 'tá bom? - ela assentiu e eu prossegui - Te amo. - dei um beijo rápido nela e voltei p'rá junto do Javi.
- É preciso tanto tempo meu? - o Javi estava com o ´celular, provavelmente ligando p'rá ela.
- Não começa Javi. Vamo embora. Onde cê quer ir primeiro? 'Tava ligando p'rá Guigui?
- Sim, não atende. Passsamos por minha casa. Eu vou ligar ao Ruben a saber se ela está em casa delas.
Entrámos no carro e arrancámos. O Javi ligou para o Ruben e ele falou que ela não 'tava em casa. Chegámos em casa do Javi e nem sinal da Guigui. Ele continuava ligando, mas sempre sem resposta.
- Vê se ela levou alguma coisa, cara.
- Não, está cá tudo. Ela não esteve cá. Vamos embora.
Ele pediu para ir até ao miradouro de Santa Luzia, nada de Guigui. Fomos até ao bar, na Costa, mas nem aí. Ligámos para todo o mundo, mas ninguém sabia dela.
- Cara, vamo p'rá casa. Vai ver que amanhã ela aparece. Dá um tempo, deixa ela pensar.
- David, eu preciso de falar com ela. Eu conheço a Guigui, eu sei que ela precisa de tempo, mas só depois de eu lhe explicar.
- Deixa ela Javi... Vai ver que amanhã é outro dia. Vamo embora, cê hoje fica lá em casa.
Ele ainda reclamou mas eu me dirigi p'rá minha casa de qualquer maneira. 'Tava ficando preocupado, eu adorava a Guigui e o Javi, e sabia que aquilo ía dar encrenca. Entrámos em casa e o Javi ficou na sala, sabia que ele não ía pregar olho toda a noite.
(narrado pelo Javi)
Não saber da Guigui estava a dar comigo em doido, sabia como ela era teimosa e que se não quisesse falar comigo, não ía mesmo falar. Percorremos todos os sítios que me passaram pela cabeça à procura dela, mas nada. O David tentava tranquilizar-me, no entanto sabia que não iria ser assim tão simples. Chegámos a casa dele, ele foi-se deitar e eu acabei por ficar na sala. Sentei-me no sofá a olhar pela janela, sabia que onde quer que ela estivesse, estava a olhar para o mar concerteza. Eu devia ter-lhe contado do beijo que a Elena me deu mas, além de não ter dado importância, nunca pensei que ela poderia vir a saber. Deitei-me sobre o sofá e tentei adormecer. Passei a maior parte da noite acordado a tentar ligar-lhe, no entanto o telemóvel esteve sempre desligado. Já passava das 8h quando vi o David entrar na sala.
- E aí mano, descansou?
- Nem por isso puto. Tenho mesmo que encontrar a Guigui. Deixas-me em casa se faz favor?
- Sim, vamo lá. Cê já comeu?
- Não, nem tenho fome.
- Cê tem que comer cara. Pega aí em qualquer coisa…
Tirei uma peça de fruta do cesto, só para que ele não me chateasse mais, e saímos de casa. Ele deixou-me em casa e pedi-lhe que me avisasse se a Guigui o contactasse. Sabia que eles tinham criado uma grande amizade, e possivelmente ela tentaria falar com ele. Quando cheguei a casa tomei um duche rápido e saí novamente para a procurar. Entrei no carro e rumei novamente até sua casa. Só lá estava a Catarina que me informou que ainda não tinha falado com ela. Passei por casa do Santiago e a resposta que obtive foi a mesma. Perguntou-me se se tinha passado alguma coisa ao que lhe respondi que a Guigui havia de lhe explicar. Pedi-lhe que me avisasse se conseguisse falar com ela e rumei até à Margem Sul, talvez ela estivesse no bar. Ao entrar no bar vi a Maria ao balcão. Perguntei-lhe se a Guigui estava por lá ao que ele me respondeu negativamente, dizendo que talvez o Ico soubesse de algo. Dirigi-me ao armazém e, assim que entrei vi-o aproximar-se de mim.
- O que é que estás aqui a fazer?
- Hey, calma… Vim à procura da Guigui, sabes dela?
- Mesmo que saiba não te vou dizer de certeza. Tu passas-te? Não lhe podias ter contado? Conhecendo a Guigui como conheço e sabendo que ela odeia que lhe mintam, não sei se vai ser fácil…
- Ico, já percebi que sabes onde ela está. Eu tenho que falar com ela. Se ela se quiser chatear tem todo o direito, eu devia-lhe ter contado, mas agora não posso voltar atrás. O máximo que posso fazer é explicar-lhe o porquê de não lhe ter contado e pedir que me perdoe, mas para isso preciso mesmo de falar com ela.
- Javi, não te vou dizer onde ela está, o máximo que posso fazer é transmitir-lhe o que acabaste de me dizer, se ela quiser falar contigo, sabe como o fazer.
- Obrigado. Eu vou para casa, diz-lhe que estou lá à espera dela e que a amo. Adeus.
Despedi-me dele e voltei para casa. Esperava que ele a conseguisse convencer a falar comigo. Quando cheguei preparei qualquer coisa para o almoço e fiquei toda a tarde na sala a pensar em nós.
(narrado pela Guigui)
Despertei com o Ico junto de mim, a acordar-me cuidadosamente.
- Hey miúda, o que se passa?
Nada disse e apenas o consegui puxar para junto de mim. Abracei-o e enterrei o meu rosto no seu peito enquanto começava novamente a chorar.
- Margarida, o que é que se passa? ‘Tás-me a deixar preocupado…
- Hoje não Ico, hoje não…
Acabei por por passar o resto da noite assim, abraçada ao Ico. Acordei de manhã com o Ico junto de mim.
- Miúda, vem comer qualquer coisa, já preparei o pequeno-almoço.
- Não quero Ico, não tenho fome.
- Nem penses Margarida! Não sei o que se passou, mas não descanso enquanto não comeres. Anda lá vá…
Levantei-me e arrastei-me até à cozinha, sentei-me à mesa a comer enquanto lhe contava o que tinha acontecido. Como era de esperar ficou do meu lado e disponibilizou-se para o que fosse preciso. Pedi-lhe apenas que me deixasse ficar ali, até me sentir preparada para ir para casa. Ele saiu para o bar, não sem antes me obrigar a prometer-lhe que lhe ligasse se precisasse de alguma coisa. Estava perdida em pensamentos quando ouço o meu telemóvel a tocar.
- Sim?
- Linda, como estás?
- Na mesma Ico…
- O Javi esteve cá…
- O quê?!
- Sim, saiu agora daqui. Acho que devias falar com ele… Acho que ele está mesmo arrependido…
- O arrependimento a mim não me interessa para nada Ico. Ele já saiu daí?
- Sim…
- Disseste-lhe onde estava?
- Não. Ele percebeu que eu sabia de ti, mas disse-lhe que tu saberias onde o encontrar se quisesses falar com ele.
- Obrigado…
- Miúda, pensa bem… Até logo. Beijinhos. Adoro-te. Se precisares de alguma coisa, já sabes…
- Eu sei bebé, obrigado por tudo. Adoro-te. Beijinhos.
Depois de desligar decidi ir até casa, sabia que ele não me iria lá procurar certamente. Entrei no carro e conduzi até casa. Quando cheguei constatei que a casa estava vazia. Subi até ao meu quarto, tomei um banho e vesti-me. Voltei a descer, fui ao computador e constatei que o treino seria às 17h e aberto ao público. Peguei no casaco e na mala e voltei a sair. Ao entrar no carro decidi ligar ao David.
- David?
- Oi garota! Como cê ‘tá?
- Na merda… ‘Tás sozinho?
- Sim…
- Sabes do Javi?
- Eu deixei ele em casa de manhã cedo. Ele ficou dormindo cá em casa. Depois não falei mais com ele.
- Ainda bem. Posso ir ter contigo?
- Pode sim, ‘tou em casa te esperando.
- Ok, até já.
Arranquei em direcção a casa do David. Quando lá cheguei sentámo-nos a conversar sobre o que se tinha passado. Não demorou muito para que eu percebesse, pelas suas reacções, que ele já sabia do beijo há algum tempo.
- Porra David, não acredito! Não me podias ter contado?! Pensava que éramos amigos...
- Guigui, é claro que sou seu amigo, mas compreende a minha parte, né? O Javi também é meu amigo, eu falei p'rá ele te contar. Ele me disse que ía fazer isso... Não podia trair a confiança dele...
- A dele não, mas a minha podias, não era David? - levantei-me preparando-me para sair, já lavada em lágrimas, quando senti o David puxar-me e abraçar-me.
- Não fala isso Guigui, cê sabe que eu te adoro. Não fala besteira... - acabei por não resistir àquele abraço e deixei-me estar - Cê tem que falar com o Javi, assim vai ficar louca...
- Não comeces tu também David! Eu sei que tenho que falar com ele, mas não é para já, quando estiver com disposição falo...
- Onde é que cê dormiu?
- Em caso do Ico.
- Cê já contou p'rás meninas o que se passou?
- Não, não me apetece falar com ninguém. E também não vim ter contigo para me fazeres um interrogatório.
- Pôsha garota, cê quando quer é mau feitio mesmo... A Sarinha já perguntou p'rá mim se sabia o que se passava...
- Se não quiser ir p'rá casa, pode ficar aqui. Tem o quarto de hóspedes livre se precisar...
- Não quero incomodar, obrigado.
- Não fala bobagem Guigui! Cê não incomoda, 'tou convidando porque sou seu amigo.
- De certeza que não incomodo?
- Claro que não, fica à vontade.
- E o Javi não vai vir cá?
- Duvido que venha... Ele nunca vem cá, cê sabe.
- Obrigado David.
Ficámos a conversar até à hora do treino. Passava das 15h quando ele saiu em direcção ao Caixa Futebol Campus. Eu aproveitei que o Javi também já estaria a caminho do treino e fui até casa dele para ir buscar algumas roupas. Já passava das 15.30h, estacionei o carro no exterior e, mal abri a porta de casa, ouvi-o.
- Margarida, és tu? - vi-o chegar ao hall de entrada.
- O que é que tu estás aqui a fazer?! Não devias já estar a caminho do treino?
- Precisamos de falar amor... - aproximou-se de mim, ao mesmo tempo que eu me afastava.
- Fiz-te uma pergunta! Não devias já estar a caminho do treino?
- Não vou.
- 'Tás parvo?! Não vais porquê?
- Margarida, precisamos de falar, não vou enquanto não falar contigo.
- Esquece Javi, eu vou-me embora e tu também vais que tens treino. - disse dirigindo-me para a porta da rua, enquanto o sentia tentar travar-me o movimento.
- Já te disse que não vou enquanto não falarmos.
- Javi, não és nenhum puto! Vai para o treino, falamos quando voltares.
- Se eu me for embora tu vais desaparecer outra vez.
- Porra Javi, vai para o treino, não me irrites!
- Já te disse que não vou!
- Incrível! Se queres armar-te em puto vou fingir que és mesmo um puto! Vou-te levar ao treino e no final falamos. - vi-o esboçar um leve sorriso, como se pensasse que eu o tinha perdoado - Evitas de fazer essa cara. Eu vou-te levar, no final do treino falamos e eu depois vou-me embora.
- Guigui...
- Guigui nada! Vai buscar o saco e vamos embora.
Vi-o dirigir-se ao quarto a ir buscar a mala do treino. Como doía estar perto dele e não poder estar bem. Não poder abraçá-lo e beijá-lo. Mas eu estava demasiado magoada, não conseguia perdoá-lo assim tão facilmente. Olhei em volta e o meu olhar prendeu-se na mesa de centro da sala. Lá estava um mural que o Javi tinha mandado fazer com as fotos do seu aniversário. Caminhei até junto da mesa e comecei a observá-lo minuciosamente. No centro estava uma fotografia grande de grupo, com toda a gente que lá tinha estado, e a toda a volta estavam muitas outras fotografias, a maior parte delas de nós os dois, ou de nós com os nossos amigos. As lágrimas queriam escorrer ao longo do meu rosto, no entanto segurei-as com um enorme esforço. Estava perdida a observar as fotografias quando senti o seu corpo encostar-se a mim, provocando-me um enorme arrepio, enquanto me sussurrava ao ouvido.
- Fui um idiota. Desculpa princesa, amo-te...
- Pois foste, um grande idiota mesmo! Já 'tás pronto? Vamos embora! - afastei-me num ápice, nunca olhando na sua direcção, sabia que se assim o fizesse, as lágrimas que a muito esforço tinha segurado, íam escorrer pelo meu rosto incontrolavelmente.
- Margarida...
Não o deixei dizer mais nada, dirigi-me à porta e saí. Ele seguiu atrás de mim. Entrámos no carro e conduzi como uma louca até ao Seixal. Depois de estacionar, saímos do carro.
- Se quiseres vai para as bancadas.
- Se chegaste atrasado por minha causa vou assumir as minhas culpas perante o Mister. - não o deixei dizer nada mais e entrei no edifício que dava acesso aos balneários. Cumprimentei o pessoal que lá estava e dirigi-me ao Jorge enquanto o Javi seguia junto a mim - Boa tarde Mister. Peço desculpa pelo Javi se ter atrasado, foi culpa minha.
- Boa tarde menina. Não se preocupe, como vê ainda estão muitas Amélias dentro do balneário. Não sei o que seria desta equipa se fosse de uma modalidade feminina. - esbocei um leve sorriso enquanto o Javi se dirigia já para o balneário - Vai-nos fazer companhia durante o treino?
- Não quero incomodar... Já me basta atrasar os seus jogadores, não quero vir incomodar o seu treino também.
- Não incomoda nada, já sabe disso. Mas a menina é que sabe. Se quiser vir está convidada.
- Obrigado Mister. Já lá vou então.
Ele sorriu-me e eu acabei por me sentar um pouco num dos sofás. Nesse momento começaram a sair os jogadores que ainda estavam no balneário e começaram a dirigir-se para o campo. Ao sair do balneário o Javi veio até junto de mim, agachando-se à minha frente.
- Princesa...
- Pára Javi, vai para o treino, por favor... Falamos no fim, já te disse. Que coisa!
Ele levantou-se e saiu cabisbaixo, não sem antes me dar um beijo na testa. Apoiei os cotovelos nas pernas, segurando a cabeça com as mãos. Desisti de aguentar as lágrimas e deixei-as escorrer ao longo do meu rosto. Eu sabia que ele também estava certamente a sofrer, mas a dor que sentia era imensa, sentia-me traída. Senti uma mão no meu braço, tentando alcançar a minha mão.
- Vem ver o treino Guigui. - levantei a cabeça e ele obrigou-me a levantar-me.
- Vai indo, eu já vou para lá David, preciso só de me acalmar. - ele deu-me um abraço e sorriu-me - Obrigado.
- É de coração. Vou indo se não o Mister me mata. 'Tou esperando você lá.
- Acho que me mata é a mim. - esbocei um sorriso forçado - Até já.
Ele saiu e eu dirigi-me à casa-de-banho. Passei a cara por água e recompus-me. Voltei a sair e fui em direcção. Assisti a todo o treino no banco de suplentes, e pude ver o olhar do Javi sempre a procurar o meu, no entanto eu deviei sempre o meu. Ele estava farto de fazer asneira no treino, e o Mister esteve sempre em cima dele. O treino terminou e eles encaminharam-se para os balneários. Eu mantive-me no campo, tinha tempo até ele se despachar. Ele reparou e estava a voltar para trás, quando o David o interceptou, disse-lhe qualquer coisa e fez-lhe sinal para que se fosse arranjar. Suspirei de alívio e deixei-me ficar mais um pouco, até que senti alguém perto de mim. Olhei e vi que era o Alan. Perguntou-me se me podia fazer companhia e, embora a vontade de estar um pouco sozinha fosse grande, acabei por ceder e ficámos um pouco na conversa. Pouco depois decidimos regressar, uma vez que o Javi provavelmente estaria já despachado e o Alan tinha que se ir arranjar também. Ao entrarmos na sala de espera vi que o Javi estava num dos sofás já arranjado e, ao ver-me na companhia do Alan notei o desagrado no seu rosto. Despedi-me do Alan e seguimos para o carro. Confesso que tinha gostado de o ver com ciúmes. A viagem, embora curta, certamente iria demorar uma eternidade.
(narrado pelo Javi)
Depois do almoço fiquei o resto da tarde em casa, esperava que ela cedesse e me deixasse explicar-lhe o que se tinha passado. Estava perdido a pensar nela quando senti a porta de entrada a abrir-se. Corri para lá e vi que era ela. Tentei falar com ela, no entanto começámos logo a discutir. Eu não tinha dado pelas horas e, sem me aperceber, já eram horas de sair para ir para o treino. Ela começou a dizer-me para ir para o treino, no entanto eu recusava-me a ir enquanto não falasse com ela. Ela acabou por dizer que me levaria ao treino e falaríamos no final. Um suave sorriso apareceu no meu rosto, apesar de chateada, ela preocupava-se comigo. Ela apercebeu-se e mandou-me uma boca. Eu fui buscar a mala e quando regressei à sala ela estava junto ao mural de fotos dos meus anos. Aproximei-me dela e tentei pedir-lhe desculpa, no entanto ela afastou-se e saiu porta fora. Segui-a e fomos até ao Centro de Estágios. A viagem foi feita em silêncio e algum nervosismo também, os nervos da Guigui davam-lhe para carregar incontrolavelmente no acelerador. Quando chegámos ela dirigiu-se ao Mister e eu acabei por entrar no balneário para me equipar, pois já estava nervoso.
- E aí cara, como cê 'tá?
- Na fossa puto.
- O Mister já se 'tava passando, eu 'tava até pensando que cê não ía vir.
- E não ía, só vim porque a Guigui me obrigou mesmo...
- A Guigui?! Cê 'teve com ela?
- Sim, ela foi lá a casa. Acho que pensava que eu já tinha saído.
- Cês falaram?
- Não, ela não me deu hipótese disso.
- Cê tem que ter calma Javi...
- Eu sei puto. Eu amo-a, não a posso perder...
Contei-lhe o que se tinha passado enquanto nos equipávamos. Fomos os últimos a sair do balneário, o pessoal já estava a ir para o campo. Tentei falar com ela mas, mais uma vez, ela afastou-me. Aquela atitude estava-me a irritar, mas eu tinha que aguentar se queria que ela me perdoasse. O treino correu super mal, não consegui prestar atenção nenhuma e o Mister esteve sempre a dar-me na cabeça. Só conseguia pensar nela, em nós. Tentei falar com ela na pausa para beber água, mas a resposta foi a mesma qua antes. O pessoal já começava a aperceber-se que alguma coisa se passava. No final do treino dirigi-me para o balneário, queria despachar-me o mais rápido possível, pois precisava de lhe explicar a situação. Ao dirigir-me para o balneário olhei para trás e vi que ela se mantinha em campo. Ía ter com ela quando sou interceptado pelo David.
- Onde é que cê vai cara?
- Vou ter com ela David. Ela ficou ali.
- Javi, dá um tempo p'rá ela também, né? Cês combinaram de falar em casa, vai-se despachar que ela vai ficar à sua espera. Se ela ficou ali é porque quer ficar sozinha...
- Se calhar tens razão. 'Bora.
Tentei despachar-me o mais rápido possível. O Roberto e o Saviola começaram a perguntar-me o que se passava, eram das pessoas no plantel, fora o David e o Ruben, que melhor me conhecíam. Disse-lhes que estava com pressa e depois lhes explicaria e saí. Quando cheguei à sala de espera ela ainda não estava lá. Fui até à rua, talvez ela estivesse ainda no campo. Estava a dirigir-me para lá, quando ao longe reparei que ela permanecia no mesmo sítio, na companhia do Alan. Os ciúmes estavam a apoderar-se de mim, eu sabia o que ela sentia por mim, mas também sabia que ela estava irritada comigo. Comecei a lembrar-me da conversa do Alan no dia de anos dela e o ciúme começou a consumir-me ainda mais. Preparava-me para ir ter com ela quando ouvi alguém a chamar-me.
- Javi?
- Sim? - olhei para trás e vi que era o Mister - Desculpe Mister, diga...
- Ouve lá, eu não sei o que se passa contigo, mas vê lá se atinas. Aquele treino hoje foi uma autêntica desgraça... Não sei se te lembras, mas Quinta-Feira temos um jogo importante, eu não te quero deixar de fora, mas se amanhã o teu treino for igual ao de hoje, é bem provável que o Airton faça o jogo por ti.
- Desculpe Mister, hoje não estava nos meus dias. Garanto-lhe que amanhã vou estar concentrado. - ele aproximou-se de mim e colocou a sua mão sobre o meu ombro.
- Rapaz, todos temos dias maus, mas temos que saber lidar com eles. Além disso tens que saber separar os problemas pessoais do teu trabalho. Até amanhã rapaz.
- Tem razão Mister. Obrigado. Até amanhã.
Vi-o afastar-se e olhei de novo para o campo. Vi que a Guigui e o Alan já estavam a vir embora. Dirigi-me novamente à sala de espera e sentei-me num dos sofás. Vi-os entrar logo a seguir, vinham a conversar. Ao ver-me ali, ela despediu-se do Alan e fez-me sinal que estava pronta. Levantei-me e seguimos em silêncio até ao carro. Ao aproximarmo-nos do portão vi que estavam algumas fãs à espera. Ela olhou-me, tentei descodificar o seu olhar.
- Queres que pare?
- Hoje não.
- As pessoas não têm culpa Javi. - apesar de chateada, sabia que ela estava a ser sincera e tinha razão até.
- Tens razão, mas hoje não. Além disso não reconhecem o carro.
- Como queiras.
A viagem até casa foi feita em silêncio. Tentei falar com ela, no entanto ela não facilitou. Ao chegarmos a casa ela estacionou o carro na rua, saímos do carro e entrámos em casa. Ela entrou e dirigiu-se ao quarto. Segui-a e quando lá cheguei vi que estava a colocar as suas coisas numa mala.
- O que é que estás a fazer Margarida?
- Não vês?
- Vamos falar...
- Podes falar, eu estou-te a ouvir. - disse enquanto continuava a colocar as suas coisas na mala. Fui até junto dela e virei-a para mim.
- Desculpa, fui um idiota. Vamos falar, não te estejas a precipitar...
- A precipitar? Tu estás a gozar comigo Javi? Eu precipitei-me foi em vir para tua casa sem ripostar...
- Margarida, eu amo-te. Fui um idiota, devia-te ter contado do beijo que a Elena me deu, mas aquilo para mim não teve importância e, sabia que, se tu soubesses ías chatear-te. Eu não queria discussões, não quero estar chateado contigo...
- Demasiado tarde, meu querido. O teu erro foi não me teres contado, não me teres dado hipótese de formular uma opinião, não me dares hipótese de achar que não tinhas culpa de nada. Se me tivesses contado, provavelmente eu ía ficar chateada, mas não era contigo, era com a Elena. Ía admirar o que tinhas feito, a frontalidade em teres-me contado a verdade, mas preferiste esconder-me. Assim sim, é contigo que estou chateada, porque não tiveste sequer a decência de me contar a verdade, de seres sincero comigo. Asim, acho-te um cobarde porque não tiveste tomates para me contares a verdade.
- Tens razão, mas perdoa-me, eu amo-te...
- Eu sei que me amas, como tu também sabes que eu te amo a ti, mas neste momento estou demasiado chateada contigo para te conseguir perdoar. Antes de seres meu namorado, já eras meu amigo, portanto se queres manter a nossa amizade pelo menos, mostra que és meu amigo e compreende-me, dá-me espaço. Deixa-me pensar, deixa-me digerir isto tudo.
- Eu deixo, mas pelo menos fica cá, esta casa também é tua...
- Não Javi, não é, esta casa é tua. A minha casa é onde está a Clara, a Sara e a minha prima. Esta casa é tua e, neste momento, eu não vou ficar. Não sei quando volto ou se volto sequer.
- Não digas isso amor...
- Pára de me chamar isso Javi. Pedi-te a tua amizade, se não me queres dar sequer isso, então não me procures. - ela voltou ao que estava a fazer, a colocar as suas coisas numa mala.
- Margarida, pára de arrumar as coisas. - segurei nas suas mãos e voltei a virá-la para mim. Com a mão que estava livre, levantei o seu rosto obrigando-a a olhar-me - Olha para mim, eu amo-te, não te vás embora...
ups... o espanhol colocou a pata na poça lool
ResponderEliminaragora aguenta....
ah e o alan??? que faz no meio disto tudo???
continua... quero mais...
Bjs Adoro-te :D
Oh ela nao se pode chatear com ele!
ResponderEliminarAmei o capitulo!
Quero mais!
Beijinhos
Se eu na minha fic os ponho chateados tu nao gostas e agora és tu proprias que os poes chateados? Agora sou eu que nao gosto xD
ResponderEliminarAdorei o Capitulo, como sempre xD
Quero mais *.*
Beijinhos*
GMDV (;
Ai, ai, ai já estava mesmo a ver que o "nosso" espanhol ia sofrer, pois quem o mandou...
ResponderEliminarO capitulo está muito bom, mesmo muito bom, mas isto promete... só quero mesmo ver quando fizeram as pazes :) :) :)
A vossa fic é fantástica.
Publiquem rápido meninas :):):)
Beijinhos lindas
Oh God... Estes moços, pá!!! Metem a pata na poça e depois metem a malta toda aqui a sofrer com o sofrimento deles e das suas meninas...
ResponderEliminarDizer que ADOREI é pouco! Fico a roer-me de curiosidade pelos próximos capítulos. :)
Beijinhos às 2 e... Parabéns!
adoro, beijinhos! (:
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