(Narrado pela Clara)
A festa estava a correr pessimamente para o meu lado, o que eu mais queria era sair dali e desaparecer. Estava lá praticamente todo o plantel com as suas famílias, o Ruben também lá estava, tinha levado a Inês e o irmão. Tinha andado a fugir dele o tempo todo, mas a certa altura, quando saía da casa-de-banho, vejo-o à minha espera. Tentei ir embora sem falar com ele mas foi impossível.
- Clara, vamos falar…
- Já te disse que não temos nada para falar…
- Temos sim, eu quero ficar contigo, quero ser feliz ao teu lado…
- Pois, mas se eu estiver contigo não vou ser feliz de certeza…
- O quê?
- Foi isso mesmo que ouviste, eu nunca vou ser feliz ao teu lado, vou ter sempre que levar com a Inês a avaliar cada acção minha, a seguir cada passo… Eu não estou para isso, pelos vistos consegues viver sem mim, por isso vive a tua vida e deixa a minha. Acabou Ruben.
- Clara, por favor, não digas isso… Sabes que a Inês é minha amiga, que é como uma irmã para mim…
- Por isso mesmo, fica lá com a tua irmã e deixa-me a mim em paz…
Fui até à cozinha, mas depressa saí… Fui ter com a Guigui e o Javi pedi desculpa mas queria ir embora. Eles compreenderam a situação e eu fui até ao carro. Quando ia a entrar fui surpreendida.
- Clara, posso falar contigo?
- Não, nós não temos qualquer assunto para falar as duas…
- Temos sim. – disse com aquele ar autoritário que já era normal nela – O meu melhor amigo e o teu namorado são o assunto que temos em comum.
- Eu não tenho namorado e o teu melhor amigo para mim não significa mais nada.
- Se é assim porque é que vieste embora? Eu vi a vossa discussão…
- Sempre em cima do acontecimento… Eu não tenho que falar contigo, agora nem sequer tenho que olhar para ti.
- Clara… Eu devo-te um pedido de desculpas…
- Estás a gozar comigo? É que só podes estar mesmo a gozar com a minha cara…
- Não, eu estou aqui a pedir-te desculpa. Julguei-te sem te tentar conhecer, desculpa.
- Mas o que é que te deu agora?
- Agora, tenho o meu melhor amigo a sofrer, a sofrer porque tu estás a sofrer. A sofrer porque não está contigo e a sofrer porque não o perdoas. Eu fui parva em tratar-te mal, nunca pensei que ele estivesse assim tão apaixonado…
- Desculpa Inês, mas não me podes levar a mal se eu não acreditar numa única palavra que sai da tua boca…
- Não levo. Mas eu digo-te na mesma e tu aceitas ou não. A verdade é que eu já falei mesmo muito mal de ti e sempre pus em causa o que tu sentias por ele. Não posso dizer que já acredito, agora não quero é cometer mais erros. Vou conhecer-te e só depois tirar conclusões, desculpa-me a mim e a ele. Eu nunca vi o meu amigo tão em baixo…
- O teu amigo recupera rapidinho, não te preocupes com ele… Eu agora vou indo que amanhã é dia de trabalho. – virei costas e entrei no carro.
Saí de lá e confesso que carreguei um pouco no acelerador, queria chegar a casa rápido pois tudo aquilo me deixava de rastos. Quando cheguei preparei-me para dormir, mas a verdade é que não conseguia mesmo dormir, a conversa com a Inês não me saía da cabeça. Não sabia ao certo se havia de acreditar naquela súbita mudança, ou se devia continuar a desconfiar dela. Os dias foram passando e eu sem falar com o Ruben, continuava a ser difícil e por várias vezes o evitava, chegava sempre a casa tarde, pois durante toda a semana fui ao lar e saía de lá a horas de chegar a casa sem encontrar surpresas. Elas por diversas vezes tentaram que eu chegasse mais cedo, mas eu sabia bem qual era o objectivo e nunca lhes fiz a vontade. Na Sexta-Feira cheguei a casa e fui arranjar a mala, tinha ligado á minha mãe a dizer-lhe que ia visitá-los. Quando me preparava para sair, a Sara, a Guigui e a Catarina vinham a entrar.
- Finalmente que resolveste vir jantar connosco… - dizia a Sara.
- Eu não vou jantar aqui.
- Não? – perguntava admirada a Guigui, nisto sinto gente a entrar em casa. Eram os rapazes, vinha o Javi, o David, o Ruben e vinha também o Aimar. Estranhei ver tanta gente mas não disse nada, foi a Guigui, quem continuou – Então mas vais jantar onde?
- Vou passar o fim-de-semana ao Algarve.
- O quê? – perguntava o Ruben – Vais para o Algarve passar apenas 2 dias?
- Eu não tenho que te dar justificações, mas já que queres saber, sim… Vou passar 2 dias ao Algarve. Vou ter com os meus pais e com os meus amigos…
- Clarinha, não vás… O jogo no Domingo é na Luz, tu adoras ir ver o jogo ao estádio. Vamos ao Algarve depois quando eles jogarem lá.
- Não Sarinha, desculpa mas eu vou hoje. Já liguei à minha mãe a avisar…
- Pessoal, obrigada pelo convite para jantar mas fiquei sem apetite. Vou para casa. – disse o Ruben, que mal acabou de falar não esperou que ninguém dissesse nada e saiu.
- Pô Clara, cê também já podia perdoar o mano. Vocês 'tão os dois sofrendo…
- David, desculpa mas é melhor não te meteres. Ele estragou tudo e agora não há volta a dar… Vá pessoal, eu vou indo, quero chegar lá cedo. Bom fim-de-semana.
- Adeus Clara, vai com cuidado. – pedia a Guigui.
Os outros despediram-se também e eu saí. Chamei o elevador e passado pouco tempo quando ele abre tive uma surpresa.
- Pensei que tinhas ido embora…
- Era para ir sim, mas resolvi esperar por ti. – fez uma pausa e olhou-me nos olhos – Não vás Clara, fica comigo… Eu já não aguento mais a tua ausência, fazes-me falta amor.
- Não me chames isso, nós já não somos nada um ao outro. – dizia enquanto estava com ele no elevador.
- Clara… Se me amas fica cá, vai ver o jogo no Domingo…
- Tu não me podes pedir uma coisa dessas… Sabes perfeitamente o que sinto por ti, mas não me peças isso. Eu tenho sofrido demais por tua culpa, achas que tem sido fácil para mim? Achas que não sinto falta do teu beijo e do teu toque? – confessei-lhe deixando de seguida o elevador, que tinha acabado de chegar à garagem e dirigindo-me para o carro.
- Eu sei que sim. Mas por favor Clara, dá-me uma oportunidade, vamos ficar juntos. Eu não volto a deixar que a Inês fique entre nós, ela não volta a tratar-te mal.
- Deixa-me pensar, dá-me tempo Ruben…
- Ok, queres tempo, eu dou-te tempo. Mas não me digas que acabou… O que nós tínhamos, não acaba assim de um dia para o outro…
- Ok… Mas agora deixa-me, tenho um longo caminho pela frente…
- Ok. Posso pedir-te para me ligares quando chegares lá? Eu só quero saber se chegaste bem…
- Eu mando-te mensagem quando chegar. Adeus… - disse e no fim pus-me à frente dele, em bicos de pés para lhe dar um beijo na cara. Virei costas, entrei no carro e segui viagem.
Quando cheguei ao Algarve já era um pouco tarde, o Ruben já me tinha ligado várias vezes mas eu não ouvi. Entrei na quinta e quando estacionei o carro vi a minha mãe a vir na minha direcção de forma apressada.
- Está tudo bem filha? Porque é que demoraste tanto tempo? A Guigui ligou para cá para saber se já tinhas chegado, porque o Ruben tentou ligar-te mas tu não atendeste… - dizia a minha mãe bastante preocupada.
- Calma mãe, demorei mais porque parei numa estação de serviço para comprar água… Quanto a não atender o telefone ao Ruben, eu avisei-o que lhe mandava mensagem quando chegasse, ele não tinha nada que ir preocupar a Guigui. Ele tem que aprender a compreender e a respeitar o que eu digo.
- Mas filha também tens que o compreender a ele. É uma viagem grande, é natural que fique preocupado, ainda por cima se não lhe atendes o telemóvel.
- Preocupado o tanas, antes de fazer o que fez é que se devia ter preocupado, agora não preciso da preocupação dele para nada.
- Pronto, tu é que sabes… Mas eu quero saber essa história todinha…
- Sim, vamos agora para dentro, estou cheia de saudades do pai…
Entrámos em casa e quando chegámos à sala vi o meu pai sentado no seu cadeirão, para não variar estava a dormir, a minha avó também ainda estava acordada e como era normal estava sentada no seu banquinho ao pé da lareira. Quando me viu levantou-se logo e veio dar-me um grande abraço.
- Ó minha querida, que saudades… - quando o meu pai ouviu a minha avó, despertou e levantou-se também – Minha querida estás mais magrinha…
- Não estou nada avó, estou na mesma. – entretanto o meu pai também me abraçou.
- Que bom que decidiste vir fazer-nos uma visita, a tua mãe andava muito preocupada contigo.
- Deixe-se disso pai, agora já cá estou, não há motivo para preocupações.
- Por falar em preocupações, já ligaste ao Ruben e à Guigui?
- Não, vou já ligar.
- Então vai lá, que eu vou até a cozinha preparar alguma coisa para comeres, a tua avó tem razão, estás bem mais magra Clara…
- Ohh, não digam disparates, eu estou na mesma… Vá, eu vou ligar-lhes… - afastei-me e mandei mensagem ao Ruben.
“Já cheguei, não entendo é porque é que tens que preocupar toda a gente, se te disse que quando chegasse mandava mensagem, não tinhas nada que me tentar ligar antes…
Agora vou dormir, bom jogo no domingo…”
De seguida liguei à Guigui, disse-lhe que tinha chegado e que estava tudo bem, desliguei e dirigi-me para a sala.
Passei um agradável serão com os meus pais, contei-lhes o que tinha acontecido com o Ruben e embora eles estivessem do meu lado, compreendiam também o lado dele. Depois de uma grande conversa fomos dormir, andei às voltas na cama, estava cheia de saudades do Ruben, sentia falta dos seus braços em volta do meu corpo, dos seus beijos… Dei por mim com uma sucessão de lágrimas a caírem-me cara abaixo, lembrei-me também da conversa com a Inês, será que ela ia dar-me realmente uma oportunidade?
No Sábado acordei e decidi ir dar um passeio, sempre que ia visitar os meus pais era quase obrigatório passear pela quinta. Assim foi, fiz um pequeno lanche que pus na mochila, fui até aos estábulos selar o cavalo e saí. Cavalguei pela quinta durante mais de uma hora e parei perto da hora do almoço junto do riacho. Estendi a pequena manta que levava e fiz ali o meu piquenique, aqueles passeios faziam-me muito bem, aquele contacto com a natureza e o silêncio que era apenas interrompido pelo barulho dos animais e do rio, faziam-me pensar…
Lembrei-me da minha ida para o Algarve quando os meus pais receberam aquela proposta de trabalho, lembrei-me em como estava triste naquela altura, longe dos meus amigos e longe da vida que eu tinha em Lisboa. Foram aqueles passeios a cavalo pela quinta que me faziam sentir melhor, deixavam-me sempre mais calma. Lembrei-me também o porquê de ter decidido vir visitar os meus pais, sentia falta deles e agora que estava a passar um momento tão difícil da minha vida precisava de apoio, precisava de pensar e pôr as ideias em ordem… Será que devia insistir numa história que já estava tão real, será que ia mudar e agora sim ser verdadeiramente feliz, a Inês estaria mesmo arrependida e ia-me dar descanso? As famosas dúvidas que me assombravam no início da nossa relação tinham voltado, eu estava novamente insegura e não sabia como dar a volta aquilo. Estava de tal forma calma que adormeci, acordando com alguém junto de mim a dar-me miminhos.
- Tu? Mas como é que sabias que eu estava cá?
- Calma, sim? Até parece que viste algum fantasma… Encontrei hoje a tua mãe no supermercado, estava toda contente porque estavas cá…
- Pois… E tu, cheio de saudades da tua rica amiga, vieste logo ter ao sítio onde sabias que eu ia estar…
- Claro, como é óbvio. Então e como estás? Afinal aquele gajo sempre aprontou…
- Miguel, não preciso de ti para me dizeres que me avisaste, nem para me pores a cabeça com mais dúvidas… Preciso do meu amigo, que vai estar comigo seja qual for a decisão que eu tome…
- Decisão? Mas tu estás a pensar perdoá-lo?
- Não sei Miguel, a única coisa que eu sei é que o amo e que ele me ama a mim…
- Tu estás a gozar comigo? Depois do que ele te fez…
- Não entres por aí…
- Clara, ele não te merece… Ele pôs-te à prova miúda…
- Eu sei que sim, mas se tu conhecesses a Inês… Ela consegue ser insuportável.
- Ela? Mas tu atribuis a culpa a essa Inês? Clarinha, sempre tontinha… Amiga, ele fez o que fez porque quis…
- Eu sei que sim, mas…
- Esquece-o Clara, ele não te merece. Não precisas dele para nada, tens tanta gente que gosta de ti… - quando acabou de falar fez-me uma festa na cara e aproximou-se, eu via a sua cara a aproximar-se da minha e não estava a entender.
- O que estás a fazer Miguel? – perguntei afastando-me.
Ele levou os seus dedos aos meus lábios não me deixando falar – Shiu… - aproximou-se novamente e os seus lábios tocaram os meus, eu sentia-me confusa, aquilo não podia acontecer…
- Pára! Tu tens namorada e nós somos amigos…
- Clara, nós sempre fomos mais que amigos…
- Isso não é verdade….
- Esqueceste-te da nossa primeira vez?
- Isso foi um erro, nós já falámos sobre isso. Miguel, tu amas a Mariana, a tua namorada, lembras-te? E eu, embora esteja chateada com o Ruben, sei que é ele a única pessoa com quem quero ficar…
- Clarinha, deixa-te disso, ele não te merece. E nós estamos aqui os dois, estamos sozinhos…
- Esquece… Eu vou embora e, se vais continuar com essas ideias, bem podes esquecer que eu estou cá…
- Clara?!
Eu não liguei, arrumei as minhas coisas e subi para o cavalo. Quando cheguei a casa fui directa para o quarto, tomei um duche bastante demorado e só desci para jantar. A minha mãe perguntou se o passeio tinha corrido bem e implicou comigo por eu não comer quase nada. Passei mais uma vez o serão em casa, não me apetecia sair e ter que encontrar o Miguel, depois do que tinha acontecido durante a tarde aquilo que menos me apetecia era estar com ele…
No Domingo levantei-me e decidi que ia ver o jogo a Lisboa, não ia ao estádio, mas ficaria em casa a vê-lo na televisão. Almocei com os meus pais e depois segui para Lisboa. A viagem foi rápida e quando cheguei a casa não estava ninguém, elas já deviam ter ido para o estádio.
Deixei as malas no quarto, vesti o pijama e fui deitar-me no sofá, com o portátil em cima das pernas, a adiantar o projecto, enquanto o jogo não começava. O jogo correu bem, vi o mesmo Benfica da última época entrar em campo e cilindrar o adversário, ganhámos por 3-0, mas a verdade é que podíamos ter marcado mais. O Ruben, tinha inclusivamente falhado vários golos, remates de longe que foram à barra, ou o guarda-redes defendia. Caí no sono ainda não tinham dado os comentários…
(Narrado pelo Ruben)
Tínhamos a festa de anos do Luisão, não estava com disposição para festas, mas eles não me deixavam faltar. Passámos em casa da Sara para ela mudar de roupa e, quando entrámos, um sorriso abriu-se na minha cara.
- Shiu, vejam lá se fazem pouco barulho para não a acordarem… - pedia a Sara.
- Não te preocupes. – eu sentei-me no chão junto do sofá e o David no puff – Puto eu não vou à festa, eu vou ficar com a Clara…
- Não faz isso não cara, cê sabe que o Grandão está esperando por nós…
- Nem penses, achas que eu vou perder esta oportunidade? Puto, nem penses, eu hoje vou ficar aqui com ela…
- Você que sabe… Eu compreendo você, mas acho que devia dar tempo para ela, foi isso que cê prometeu para ela…
- Eu não vou fazer nada, mas contento-me a ficar apenas ao pé dela… Tu não imaginas as saudades que eu tenho dela.
- Eu sei mano, mas toma cuidado viu? Ela pode não gostar, ainda ‘tá muito magoada com você.
- Não te preocupes, eu não abuso…
Eles saíram entretanto e eu fiquei com ela, aquela tranquilidade dela fazia-me pensar que ia ficar tudo bem. Fiquei algum tempo a ver televisão mas a verdade é que já estava a ficar cansado, resolvi pegar nela ao colo e levá-la para o quarto. Deitei-a na cama e não resisti a colar os meus lábios aos dela, quando me ia a afastar senti que ela mexeu os lábios a retribuir o meu beijo. Interpretei aquilo como se ela quisesse o mesmo que eu, ou seja, fazer as pazes. Continuámos aquela troca de beijos até que ela pára e se aninha nos meus braços. Não fui capaz de ir embora e a verdade é que estava eufórico por ela me querer ao seu lado.
(Narrado pela Clara)
Tinha dormido descansada como há muito não dormia, sentia-me novamente tranquila e feliz e não percebia porquê, talvez a visita ao Algarve tivesse feito milagres. Quando dou por mim, tinha uns braços em volta do meu corpo, virei-me para trás e quando dou conta tinha o Ruben ao meu lado, num único salto levanto-me da cama.
- Tu és louco? Como é que tens coragem de vir para a minha cama?
- Calma amor…
- CALMA? QUER DIZER, VENS-TE METER NA MINHA CAMA E AINDA TENS A CORAGEM DE ME PEDIR PARA TER CALMA?
- Clarinha desculpa, eu não queria abusar, mas ontem estavas tão querida a dormir no sofá que eu fiquei contigo.
- Sai daqui, veste-te e põe-te na rua… Eu pedi-te tempo e tu metes-te na minha cama?!
- Amor desculpa… Eu sei que não o devia ter feito, mas eu tenho tantas saudades tuas…
- Vai-te embora Ruben…
- Clara…
Abri a porta do quarto e mandei-o embora mais uma vez – Sai daqui e não me voltes a aparecer à frente.
- Clara, por favor… Tu beijaste-me, pensei que…
- Sai daqui Ruben, por favor sai…
Ele saiu e quando dei por isso a Sara estava com a Catarina à porta do quarto, tinham acabado de assistir àquela cena…
- Nem vale a pena… Ele não tinha o direito… - virei costas sem esperar que elas dissessem alguma coisa.
Tomei um duche e arranjei-me para trabalhar. A manhã foi normal e a surpresa veio quando cheguei do almoço.
- Clara, tens uma surpresa no teu gabinete… - dizia a Joana.
- Que surpresa? – perguntei.
- Entra e vê… Ah, tens uma coisa na tua secretária.
Quando entrei o meu coração parou – Eu não acredito… - tinha o gabinete cheio de flores, vários ramos espalhados por toda a sala, na cadeira da secretária estava um enorme peluche, super fofinho e quando me aproximei da secretária estava lá um envelope.
“Clara, sei que deves continuar chateada comigo mas acredita que não fiz por mal. As saudades que tenho tuas são enormes e ontem o meu objectivo era apenas estar um pouco contigo, mesmo que estivesses a dormir. Desculpa, nunca foi minha intenção aproveitar-me, apenas como já te disse, passar algum tempo na tua companhia, nem que fosse só a olhar para ti.
Como sabes hoje é dia dos namorados, bem sei que disseste que já não o somos, mas a verdade é que tu és a única pessoa que eu quero do meu lado hoje. Eu amo-te e quero ficar contigo para o resto da minha vida.
Fiz tudo isto para te convidar a jantares comigo hoje, juro que não será um jantar de namorados, será um jantar de amigo apenas. Aceita por favor…
Espero por ti em minha casa às 20h…
Gosto muito de ti, um beijo,
Ruben”
As dúvidas assombravam-me mais uma vez, continuava chateada com ele, mas também o compreendia. Se eu própria estava com tantas saudades dele, tinha que o perdoar, e sejamos sinceros, ele tinha-se esmerado naquela surpresa. Amei o peluche e cada rosa que estava naquele gabinete, a tarde custou imenso a passar, mas quando finalmente chegou a hora de sair, meti-me no carro e conduzi até casa. Quando lá cheguei tinha as meninas todas na sala a conversarem de forma animada.
- Boa noite meninas. – cumprimentei-as quando cheguei a casa – Wow… Estou a ver que alguém ganhou surpresas hoje… - disse ao ver também a nossa casa cheia de flores, na altura pensei que eles tivessem todos combinado fazer a mesma surpresa, “que falta de originalidade”, pensei.
- Tu vens muito bem-disposta, que é que se passou Clarinha? – perguntava a Sara.
- Não vos interessa… Vá, agora digam-me lá. Para quem são todas estas rosas?
Elas entreolharam-se e responderam ao mesmo tempo – Para ti…
- O quê? – perguntei surpreendida.
- Sim Clarinha, parece que o senhor Amorim se esmerou hoje e olha que a surpresa não acaba aqui. Lá em cima está o resto… - dizia a Catarina.
- Pois, parece que ele se esmerou mesmo, o que fez aqui fez no meu gabinete hoje…
- Não posso! Estás a gozar?! – perguntava a Sara.
- Estou a falar a sério. Mas não é tudo. – voltei para a porta e fui buscar o peluche.
- Ahah! Esmerou-se mesmo… O Ruben quer-te de volta Clarinha e cá entre nós, não achas que já o devias perdoar? Ela anda tão triste…
- Não Sara, eu não o consigo perdoar, é difícil e se ele volta a fazer algo parecido?
- Não penses nisso.
- A Guigui? Ainda não voltou?
- Não, diz que precisa de tempo.
- Pois, eu também falei com ela de manhã e disse-me o mesmo, mas pensei que tivesse mudado de ideias. Olhem, eu vou-me arranjar, tenho um jantar de amigos para ir…
- Jantar de amigos?! Pois, pois…
Subi e quando entrei no quarto fiquei mais uma vez maravilhada, pois também o quarto estava cheio de rosas. Em cima da cama estava uma caixa que eu rapidamente fui abrir… Era um vestido bastante simples, tal como eu gostava.
Eram 19.45h e eu saí de casa, não demorei muito a chegar a casa dele e assim que subo no elevador vi-o à porta com mais um ramo de rosas…
- Tu não existes mesmo…
- Se tu existes, então eu também tenho que existir. – disse dando-me de seguida um beijo na cara.
- Obrigada… - disse enquanto me dirigi a ele e lhe dei um abraço.
- Não tens que agradecer, tudo aquilo foi feito com amor… Calma, não me interpretes mal, fiz tudo aquilo porque mereces e porque eu fui um otário e fiz-te sofrer. Desculpa…
- Não quero falar disso hoje. Disseste que era um jantar de amigos e foi para isso que vim.
- Ok… Vamos jantar?
- Sim.
Dirigimo-nos para a mesa e jantámos, falámos de várias coisas, o meu trabalho, o dele e eu disse-lhe que estava a pensar retomar o mestrado que tinha parado quando foi o acidente do Marco. Ele apoiou-me e pela primeira vez desde que nos tínhamos chateado estávamos a conversar de forma calma e a divertirmo-nos. Já tínhamos bebido demais e a verdade é que já estávamos muito animados, o Ruben foi pôr a tocar uma música que ambos adorávamos, http://www.youtube.com/watch? v=Hz9cQJFZetI , agarrou na minha mão e dançámos ao som daquela música… No fim, ele foi à cozinha buscar a nossa sobremesa, quando voltou trazia morangos, duas taças e uma garrafa de champanhe. Sentámo-nos no chão, à frente do sofá, ele abriu o champanhe e deu-me uma das taças.
- Clara, obrigada por estares aqui…
- Shiuu… Não me agradeças, não existe sítio nem companhia melhor…
Ele abriu aquele enorme sorriso e eu não aguentei mais, a vontade de o beijar aumentou e num acto impulsivo juntei os meus lábios aos dele e selámos aquele momento com um beijo.
- Amo-te Clara…
- Também te amo tonto…
- Então como ainda não brindámos, sugiro um brinde a nós. Um brinde ao nosso amor…
- Um brinde ao nosso amor… - disse ao juntar o meu copo ao dele, depois bebemos um pouco de champanhe, peguei num morango e dei-lho à boca. Ele fez o mesmo, pegou num e deu-mo a mim.
O ambiente estava quente e o desejo era enorme, ele pousou os nossos copos na mesa e avançou na minha direcção, a sua mão pousou na minha face e os seus lábios colaram-se aos meus. Depois daquele beijo seguiram-se outros, as suas mãos passeavam no meu corpo enquanto que as minhas permaneciam na sua cara. As saudades eram muitas e por isso mesmo os nossos corpos não desolavam, ele retirou-me o vestido e eu a sua camisa. Apressei-me a tirar-lhe também as calças e em poucos minutos os nossos corpos ficaram completamente despidos, não havendo aí nenhum impedimento de nos tornarmos um só.
Aquele momento foi passado ali em plena sala de estar, quando atingimos o auge do prazer, o meu corpo ficou sobre o dele.
- Clara, o que é que isto quer dizer? Perdoaste-me? Vamos voltar a ficar juntos?
Olhei-o e respondi-lhe – Não. Estou a adorar este momento e estava cheia de saudades de ti, de nós… Mas não vamos apressar as coisas, eu ainda estou muito magoada contigo e não é pelas surpresas e pela noite maravilhosa que estamos a ter que vai fazer com que eu esqueça o que fizeste.
- Mas Clara…
- Mas nada, vamos com calma… O namoro acabou, vamos ser amigos e apostar a sério nesta amizade, eu quero voltar a confiar em ti. Mas tem que ser aos poucos…
- Ok, se é assim que queres… Mas anda cá outra vez que eu ainda não matei as saudades todas.
Deitei-me novamente sobre ele e namorámos mais um pouco… Brindámos mais umas quantas vezes e envolvemo-nos novamente. Quando nos entregámos ao cansaço já era tarde, não vi as horas, mas concerteza que pelo tempo que estivemos entretidos, as horas foram passando.
Um obrigado muito grande pelos comentários,
pois cada um deles é especial e serve
para nos dar motivação para continuar
esta história.
Um pedido de desculpa por não publicarmos
todos os dias, como costumávamos fazer,
mas infelizmente o tempo não tem sido muito.
Mts bjs para todas,
Clara


Adorei *.*
ResponderEliminarComo sempre aliás ;$
Beijinhos*
GMDV (L)
Adoro a historia!
ResponderEliminarO capitulo está tão fofinho *.*
Adorei a parte das flores e do ursinho +__+
Quero mais!
E continuem está mt giro :D
Beijinhos Inês**
maravilhoso...
ResponderEliminarquero mais...
continuem...
GOsteii muiitO dO capiitulO, meniina Clariinha!! =D
ResponderEliminarAdOrO este generO de amizades, "amiigOs que as vezes se vãO encOntrandO na cama.." muahahahah
COntiinua, liinda!!
BjnhOs
Lindo *.*
ResponderEliminarVinha eu toda lançada, decidida a deixar a preguiça de lado e comentar o capítulo fantástico da Guigui e... pimba! Dou-me com este!!! Surpresa booooooooooooaaaaaaaaaaaa!!! :)
ResponderEliminarPrimeiro, Sô Dona Guigui, tenho a dar-lhe os parabéns pelo capítulo. Gostei muito da nossa Ovelha Choné ficar connosco! Não gostei foi de teres acabado na melhor parte... Fogo! Fica aqui a malta a roer-se de curiosidade!!! ;)
Agora nós, Sô Dona Clara... oh pá, a modos que até fiquei de lagrimita no canto do olho!!! Fico toda "fónhónhó" com o sofrimento destes dois... Cum caraças!!! ADOREI a surpresa! :)
Vocês são geniais! Mesmo! Adoro a vossa escrita, as histórias... TUDO!!! E é óbvio que compreendo que o vosso tempo nem sempre permita publicações diárias, mas cá por mim continuo a vir diariamente cuscar... ;)
Beijinhos às duas
Olha ADOREI o capítulo, está qualquer coisa de fantástico :P
ResponderEliminarAgora vê se metes eles a ter uma amizade, assim BEM COLORIDA, sim!!!
Mas houve algo que me deixou com a "pulga atrás da orelha", mas porque raio quer a guigui espaço???? Hum.... fico á espera para ver... :P
Continuem está muito bom!
Beijocas, adoro-vos! :D
Adoreii *.*
ResponderEliminarAgora quero mais né ? fogo :c
Beijinhos*
Amei!
ResponderEliminarOH eu quero que eles voltem a namorar :P
Quero mais!
Beijinhos
Bem tenho a dizer que amei este capitulo, bem e grandinho que ele é... muito bom.
ResponderEliminarMas aquele Miguel espero que não traga problemas...
Amei tudo até o ursinho, foi romantico, lindo, fantástico.
Mas como a Caty também reparei que a se passa algo com a Guigui... acho que não vem aí bons ventos... já diz o ditado de Espanha nem bons ventos nem bons casamentos... será que o nosso Deus espanhol inventou...
Muito bom!!!
Ah e já vou na segunda leitura deste capitulo... :)
Beijinhos lindas.
clarinha eu começo a ficar sem palavras para descrever esta história! este capitulo tá lindo e os promenores do envolvimento do ruben com a clara taoo demais! agora fico à espera do proximo muito ansiosa claro!
ResponderEliminarbeijinhos linda *