A noite custou imenso a passar e o dia seguinte não foi muito diferente da noite. Enquanto almoçava recebi um telefonema dos meus pais.
- Estou?
- Olá filhota.
- Olá pai. Então, já tiveram a reunião?
- Sim.
- E então? Correu tudo bem?
- Sim, vamos assinar o contrato agora à tarde.
- Que bom, ainda bem!
- Filha, logo estamos à tua espera para jantar lá no hotel.
- Está bem.
- Leva o Ruben, quero conhecer melhor o rapaz.
- Ó pai não comece, não vai andar com as tretas de pai protector, pois não?
- Não filha, só quero passar algum tempo com vocês.
- Está bem, eu vou ver se ele pode, mas não prometo nada.
- Ok, então até logo. A tua mãe manda-te beijinhos.
- Para ela também, até logo.
Desliguei e retomei o meu almoço, no fim deste, voltei para a empresa. Durante a tarde liguei ao Ruben, pedi para falarmos e disse que os meus pais nos tinham convidado para jantar com eles. Ele disse que passava lá em casa para falarmos e que o jantar dependia da nossa conversa, sentia-o um pouco distante, era evidente que estava magoado e eu tinha mesmo que me desculpar. Era verdade que detestava falar da minha vida, ainda para mais no que dizia respeito às posses dos meus pais. Embora fosse verdade que ele não tinha nada a ver com isso também era verdade que nós já tínhamos uma relação bastante séria e eu já devia ter contado.
A tarde passou de forma bastante lenta, mas quando chegou à minha hora saí. Quando estava a sair do carro para entrar em casa, vi o carro do Ruben a chegar, esperei que ele estacionasse para entrarmos juntos.
- Olá - disse ao dirigir-me a ele para o cumprimentar.
- Oi - respondeu-me de forma seca dirigindo-se para a porta, sem nunca se chegar a mim.
Entrámos no prédio e de seguida no elevador, ele não olhava para mim e eu estava sem coragem de falar com ele. Quando chegámos ao meu andar, entrámos em casa e não estava ninguém.
- Nem me vais dar um beijo? - perguntei-lhe.
Ele veio na minha direcção e deu-me um leve beijo, ou melhor, juntou os seus lábios aos meus num movimento rápido sem me dar tempo para retribuir o beijo.
- Já nem um beijo em condições me dás?
- Clara, pára com isso. O que é que tens para falar comigo?
- Fogo, também podias facilitar um bocadinho, não?
- Estás a gozar comigo?! Vou facilitar tal como tu facilitaste quando foi ao contrário? Lembras-te como discutiste comigo? Como não me deste qualquer hipotese e terminaste tudo?
- Eu sei, desculpa... Vamos falar, sim? - fiz uma pequena pausa, respirei fundo e iniciei o meu pedido de desculpas - Desculpa, eu sei que já devia ter contado, mas acredita que não foi mesmo por mal. Eu nunca quis saber das possibilidades dos meus pais, aquilo que eles têm ou não nunca me interessou.
- Magoaste-me, não confiaste em mim...
- Ruben, juro que não foi uma questão de confiança. É como te digo, nunca me interessou, nem nunca me serviu de nada as posses dos meus pais, eu sei o que eles lutaram para ter o que têm, nós tivemos que nos mudar para o Algarve. Tive que largar todos os meus amigos, a minha escola, tudo e na altura foi por uma possibilidade, uma experiência que deu certo e agora eles têm tudo o que fizeram por merecer, mas também podia dar errado... Foi uma indefinição, foi péssimo para eles, passaram mesmo por muito e ainda tiveram que levar comigo e com a minha irmã, que não queríamos sair de Lisboa por nada. Juro-te que se não disse nada, não foi por não confiar em ti, mas sim porque aquilo que eles têm para mim nunca importou... Por favor, acredita em mim...
- Ok, eu acredito... Mas será que há mais alguma coisa que eu tenho que saber? Não vou ter mais surpresas Clara?
Respirei fundo, havia uma coisa sim, um assunto delicado e que eu não sabia como contar.
- Sim, mais uma coisa, mas por favor acredita em cada palavra que sair da minha boca.
- O que é que se passa Clara?
- Promete que me deixas falar até ao fim e que vais acreditar em mim.
- Fala...
- Promete!
- Diz o que é?
- Promete Ruben!
- Eu prometo, agora diz de uma vez...
- Tem a ver com o Miguel.
- O Miguel? O gajo do Algarve que te beijou?
- Sim...
- Foste para a cama com ele foi isso?
- Deixas-me contar ou vais continuar com suposições?
- Conta...
- Ok, então é assim... O Miguel foi das primeiras pessoas que eu conheci quando cheguei ao Algarve, era aquele amigo que esteve sempre comigo. Que me apresentou aos seus amigos, que me ajudou nos primeiros dias de escola, aquele amigo que estava sempre lá quando eu precisava. Sempre fomos muito cúmplices, sempre passámos muito tempo juntos e éramos o apoio um do outro. O tempo foi passando e a nossa amizade crescendo, até que começámos a ter outros pensamentos na nossa cabeça. Novas experiências, novos pensamentos, ou seja, chegámos à idade da parvoíce, aquela idade que fazemos coisas sem pensar e sem nexo nenhum.
- Vocês...? - perguntou-me.
- Sim, nós envolvêmo-nos. Foi a nossa primeira vez, foi a pior decisão que tomei na vida. Não só porque não foi o que esperava, mas também porque foi com a pessoa errada, nós misturámos as coisas, apressámos algo que tem um momento certo de acontecer.
- Mas foi só dessa vez ou já teve continuação...
- Foi só dessa vez, se estás a supor que quando houve o beijo, houve também algo mais estás enganado. Foi mesmo só o beijo e espero que acredites em mim, porque se te contei isto é porque não quero mais fantasmas entre nós. Ultimamente tivemos algumas coisas que nos afastaram, mas da minha parte não tenho mais revelações, sou um livro aberto... Já sabes tudo da minha vida e o que ainda tiveres dúvidas pergunta que eu respondo...
- Chega de segredos Clara?
- Sim...
- Não sentes nada por esse Miguel?
- Já te respondi a isso, claro que não sinto, o meu coração é teu... Sabes que não digo isto da boca para fora, se o digo é porque o sinto...
Vi-o finalmente aproximar-se de mim e já trazia aquele sorriso no rosto, pousou a sua mão na minha cara e puxou-me para ele, colou os seus lábios aos meus e beijou-me. Um beijo bem diferente do que me tinha dado anteriormente, um beijo carregado de amor, confiança e entrega. Finalmente tínhamos-nos reconciliado e estávamos a comemorar da melhor forma, até ao momento eram apenas beijos, mas depressa passou a algo mais, a respiração ficou ofegante e as mãos passeavam pelo corpo um do outro. O ambiente estava bastante entusiasmante até que fomos interrompidos pelo som do telemóvel, era o meu que estava a tocar:
- Estou?
- Filha, não te esqueceste do jantar pois não?
- Não mãe, esteja descansada. Vou só mudar de roupa e vamos já.
- Trazes o Ruben, não trazes?
- Sim mãe, ele vai comigo.
- Então até já filha, venham com cuidado.
- Não se preocupe, até já.
Desliguei o telemovel e o Ruben agarrou-me novamente.
- Amor pára, tenho que me ir despachar, os meus pais já estão à nossa espera.
- Clarinha?
- Diz...
- Tenho mesmo que ir?
- Não queres ir jantar com os meus pais?
- Não é isso Clara, só não sei se é a altura certa...
- Ruben?! Estás a gozar comigo?
- Amor, como é que os teus pais reagiram quando acabámos? De certeza que eles não gostaram que eu te fizesse sofrer...
- Inseguranças Ruben? Se queres mesmo saber, eles ficaram tristes por nós acabarmos sim, mas acredita que eles te defenderam. Compreenderam a tua atitude, não me vais dizer que agora estás com medo deles...
- Já estás a gozar comigo...
- Eu, a gozar contigo? Achas?! - disse eu com ar de gozo.
- Não acho nada, tenho mesmo a certeza... Clarinha, tens mesmo a certeza?
- Tenho, não te preocupes, está tudo tranquilo. Eles viram a minha felicidade no Natal quando estávamos bem e a minha tristeza quando os fui visitar desta última vez. Não acredito que eles se oponham à nossa relação... Ainda para mais é impossível não gostar de ti... - confidenciei-lhe ao aproximar-me dele, ele percebeu a minha directa e entrou na brincadeira.
- Ai sim? Então é melhor teres cuidado, com tanta a gente a gostar de mim, o melhor mesmo é não desgrudares.
- Pois, também acho melhor. Se não me cuido, ainda me roubam o namorado.
- Pois, sendo assim, para não correres esse risco, que tal pores no dedo o anel de noivado e marcarmos a data do casamento...?
- Eiiii... Tem lá calminha, sim? Temos tempo...
- Sempre a fugir Clara...
- Não estou a fugir, só acho que temos tempo para tudo. Embora isso não invalide que eu tenha que deixar de cuidar do meu homem, não marcar a data, não quer dizer que te deixe andar à solta. Nem penses que te livras de mim...
- Nem eu quero, não sei o que seria de mim sem ti. Bem dita lesão que me fez falhar aquele jogo na Madeira, se eu tivesse ido nunca na vida me tinha cruzado contigo.
- Cala-te com isso, com lesões não se brinca Ruben. Livra-te de voltares a dizer isso... - disse eu irritada.
- Pronto, calma...
- Calma nada, se te oiço dizer isso outra vez nem sei o que te faço...
- Amor, calma, foi na brincadeira, não precisas de ficar assim. - disse-me preocupado.
- Preciso sim, isso não se diz nem na brincadeira. Eu sei bem como tu sofres por não jogar e está-me a irritar tu dizeres isso...
Ele aproximou-se de mim e voltou a abraçar-me - Não pensei no que disse, desculpa.
- Mas tens que começar a pensar, não podes dizer todas as baboseiras que vêm a essa cabeça. Enquanto pensas naquilo que disseste eu vou-me vestir, temos que sair...
Ele riu-se e eu subi as escadas para me ir vestir. Tomei um duche rápido e vesti um vestido cinzento com decote em bico e meia manga, na cintura tinha uma faixa que fazia um laço do lado esquerdo, tinha vestido uns collants e sapatos pretos. Sequei o cabelo apenas com o secador e penteei-o normalmente. Peguei na mala e saí do quarto.
- Wow! - disse ele ao ver-me descer as escadas - Parece que não és só tu que tens que ter cuidado comigo, estou a ver que também tenho que tomar conta de ti.
- Parvo! Vamos embora, sim?
- Parvo nada, já olhaste bem para ti? Estás linda...
- Pára com isso amor. - pedi-lhe ao sentir um calor enorme localizar-se nas bochechas.
- Não precisas de corar amor, eu só disse a verdade.
- Vamos embora, estás a deixar-me envergonhada.
Saímos de casa e fomos no carro dele até à Costa da Caparica, onde era o hotel. Quando lá chegámos, ele estacionou o carro e entrámos, dirigindo-nos à recepção onde perguntei pelos meus pais. Esperámos um pouco nos sofás e pouco depois vimo-los a sair do elevador.
- Filha! - dizia a minha mãe.
- Olá mãe, pai...
- Boa noite, cumprimentava também o Ruben.
- Boa noite! - respondeu o meu pai esticando a mão para o cumprimentar, enquanto a minha mãe me dava um beijinho.
- Olá Ruben! - dizia a minha mãe cumprimentando-o de seguida com dois beijinhos.
- Sr. Marques, a sua mesa está pronta. - dizia um dos empregados do hotel.
- Obrigado. - respondeu-lhe - Vamos entrando?
- Sim. - respondemos todos ao mesmo tempo.
Entrámos no restaurante e o empregado indicou-nos a nossa mesa, era uma mesa junto à janela num dos cantos da sala. Os homens puxaram as nossas cadeiras e depois de nos sentarmos, sentaram-se eles. Eu estava sentada com o Ruben de um lado, a minha mãe do outro e à minha frente o meu pai.
- Então meninos já vi que fizeram as pazes. - começou a minha mãe.
- Sim, ontem decidimos começar outra vez. Mas depois que os pais chegaram chateámos-nos outra vez.
- Porquê filha? - perguntou o meu pai.
- Por culpa da praia, do mar e da lua. - respondi trocando um olhar cúmplice com o Ruben.
- Como assim filha?
- Estava a brincar. Chateámos-nos porque eu nunca contei ao Ruben que os pais eram donos do hotel.
- Sempre a mesma Clara, mas eu não acredito que não contaste nada ao Ruben filha.
- Ó mãe, sabe perfeitamente que não gosto de falar de mim. - olhei para o Ruben que também me olhava - Mas agora já está tudo esclarecido, estamos bem e não há mais motivos para chatices.
- Sim, todos erramos, antes fui eu e agora foi a Clara, mas o importante é que resolvemos as coisas e estamos bem. Queria aproveitar para lhes pedir desculpa por ter feito sofrer a vossa filha, mas como lhe expliquei a ela, agi sem pensar.
- Não tens que nos explicar nada Ruben, o que interessa é que vocês gostem um do outro e se respeitem...
- Sim, isso pode ficar descansada, eu amo a vossa filha. O tempo que estivemos separados foi das piores alturas da minha vida.
- Vá parem lá com essa conversa, vocês estão muito lamechas para o meu gosto. Mudando do assunto, pai afinal sempre assinou o contrato de compra do hotel?
- Sim, assinámos esta tarde. E eu queria falar contigo sobre isso, filha preciso que venhas gerir o hotel...
- Nem pense nisso pai, eu tenho o meu trabalho na empresa e não posso sair de lá assim...
- Filha, o teu pai precisa da tua ajuda. Com o do Algarve nós compreendemos que não quisesses ir para lá, mas agora com dois tens que dar uma ajuda...
- Mãe por favor, eu tenho o meu trabalho, não posso abandonar o barco agora. Vocês sabem que eu adoro o meu trabalho e ainda por cima agora com o projecto...
- Amanhã vens almoçar connosco, tenta tirar a tarde para vires conhecer o hotel e depois decidimos.
- Não se ponha com ideias pai, isso não é assunto para falarmos agora.
- Sim Raul, depois falamos.
A conversa sobre o hotel ficou por ali, o resto do jantar foi super animado, os meus pais e o Ruben estavam a dar-se muito bem. Combinámos no dia seguinte ir almoçar com eles novamente, os meus pais fizeram questão que o Ruben também fosse.
Quando íamos no carro o Ruben abordou o assunto do jantar.
- Amor?
- Sim...
- Porque não queres ir gerir o hotel dos teus pais?
- Porque não quero, porque aquilo não me diz nada.
- Mas ali não tinhas ninguém a mandar em ti, eras tu a mandar nos outros... - disse-me a rir-se.
- Parvinho...
- Vá, conta lá o verdadeiro motivo para não quereres aceitar...
- Tenho medo...
- Medo de quê princesa?
- Ruben, eu na empresa tenho as minhas responsabilidades, tomo as minhas decisões, mas também tenho sempre alguém acima de mim que me orienta e me ajuda em algumas decisões. Não é só minha a responsabilidade, há trabalho de equipa. Se eu fosse para o hotel não, acima de mim só ia ter o meu pai, se eu fizer borrada como vai ser?
- Amor, mas aí está o desafio.
- Desafio? Isto não é desafio, é mesmo suicídio profissional.
- Sempre exagerada Clara...
- Exagerada nada, só estou a dizer a verdade.
Aquela conversa ficou por ali e o resto do caminho foi feito em silêncio. Quando chegamos a casa fui buscar um saco com roupa, ele tinha-me pedido para dormir em casa dele e eu acedi ao pedido, as saudades já eram muitas.

Sou obrigada a concordar com o Ruben... "sempre exagerada Clara"
ResponderEliminarpois que temos aqui um capitulo fantástico :) lindo, como sempre.
adorei o facto de eles se terem entendido... adorei a conversa. o bom de discutir é fazer as pazes....hihihihi
agora, que esta situação do hotel vem baralhar a história, ai isso vem... :P fico à espera da continuação :)
beijinho e continuação de boa escrita
Opa, a mãe tinha mesmo de ligar naquele momento??? Tá mal :S LOOL
ResponderEliminarJá sabes o que acho, adoro a vossa FIC!!!
Quero mais e estou à espera para ver como vai ser esta noite, depois das pazes tem que ser em grande... ah e eles que desliguem os telemóveis para não serem interrompidos :P
Beijinhos :D
Adoro que eles façam as pazes *.*
ResponderEliminarE adorei o capítulo ihih
Queremos o próximo capítulo! :b
Beijinho*
Tou viciada nisto!
ResponderEliminarAmei o capitulo!
Quero mais depressa!
Beijinhos
Que lindo!
ResponderEliminarAmo a vossa fic!
Publiquem depressa!
Beijo
Ai está tãaao lindo! Amo a vossa fic, acho a história totalmente envolvente, a escrita cativante e todo o enredo maravilhoso! Já não sabia passar sem ler um capitulo pelo menos uma vez por semana! :)
ResponderEliminarFico ansiosa á espera do próximo! Beijinhos ^^
os telemoveis sao muito uteis na nossa vidinha, mas às vezes tavam tao bem longe!! LOL
ResponderEliminartá lindo o capitulo e adorei como sempre! :) agora fico à espera do proximo clarinha!
beijinhos linda**
Fantástico, pois tá claro xDD
ResponderEliminarbeijinho e continuem
Joana
Ai como eu gosto deste capitulos de reconciliações... :) :) :) Muito bom.
ResponderEliminarVocês já sabem não perco um e só quero mais :) :) :)
Adoro a vossa fic.
Beijinhos minhas lindas.
Ohh qe capiitulO bOm, fiinalmente tudO bem, va' aO menOs pOr enquanto, mas querO acrediitar qe vaii cOntiinuar assiim.. ;)
ResponderEliminarJa' sabem qe adOrO...
BjnhOs pas duas
Bem, e como o povo diz... depois da tempestade vem a bonança! E finalmente a tão esperada reconciliação chegou *-*
ResponderEliminarTão bom que é uma discussão só para de seguida haver uma boa dose de carinhos e afectos impostos pelas pazes entre os dois (; eheheh
Adorei o capitulo Clarinha, tá lindo como sempre :DD agora resta-me pedir mais, sim? :b
Beijão minha linda**
JúCaa**