sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo

Olá, antes demais quero pedir desculpa, sei que devia ter postado ontem ou hoje um capítulo, mas não deu mesmo.
Quero agradecer a todos os que perdem um bocadinho do seu tempo a ler a nossa fic. Agradeço também às meninas que comentam, é óptimo chegar e ver que temos um comentário ao capítulo que publicámos.
Quero agradecer também, às meninas com quem falo quase diariamente, (podia escrever aqui os vossos nomes, mas sinceramente tenho medo de me esquecer de algum), adoro-vos a todas, são óptimos os nossos momentos de brincadeira no chat.

UM BOM ANO A TODAS, MUITA FELICIDADE, ALEGRIA, PAZ, SAÚDE E AMOR.

Muitos beijinhos

Clara

PS - A Guigui não teve tempo de escrever nenhuma mensagem, mas claro que concorda com tudo o que eu disse. Pediu para vos desejar em nome dela, Um Bom Ano, que se divirtam muito e façam muitas maluquices.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Capítulo 52 - Depois da tempestade vem a bonança

(narrado pela Guigui)
 
- Princesa, tens que te acalmar. Já passou. - apesar de mo pedir eu sabia que nem ele conseguia estar calmo.

- Desculpa amor. Eu juro que estou a tentar, mas não consigo. Fiquei com tanto medo de te perder…

- Não digas disparates. Eu amo-te. A Elena já não faz da minha vida, não tens de ter medo.
 
- Mas então o que é que ela estava cá a fazer?! Porque é que ela veio cá Javi?
 
- Não sei, possivelmente para me chatear. Mas eu não quero perder tempo a pensar nela, eu amo-te e quero estar contigo. Tenho a certeza disso.
 
- Achas mesmo que ela nos vai deixar em paz assim tão facilmente? Não vai amor. Se ela veio para cá atrás de ti não vai desistir.
 
- Não penses nisso amor. Já te disse, a Elena é passado. Não te preocupes.
 
- Como é que podes afirmar tão convictamente que é passado se nem és capaz de me dizer o que se passou entre vocês? Bolas Javi, eu amo-te e confio plenamente em ti, mas tens que perceber que esta situação não é de todo fácil para mim. Por muito que eu acredite que quando te sentires preparado me vais explicar, não vejo esse dia chegar!
 
- É assim tão importante saber o que se passou?
 
- Sim, é muito importante. Preciso de saber contra quem estou a lutar, percebes?!
 
- Não, não percebo, porque tu não tens que lutar contra ninguém. Eu amo-te, já te disse. A Elena já não faz parte da minha vida. Mas se é assim tão importante saberes eu conto-te. - fez uma pausa e respirou fundo antes de prosseguir - No final da época passada eu regressei logo a casa, porque o meu avô estava internado já há uns dias e as previsões não eram as melhores. A Elena ficou cá, ainda tinha uns trabalhos pendentes e tinha combinado com umas amigas irem passar uma semana de férias ao Algarve antes de regressar a Espanha. Eu não me contrapus, como é lógico. Ela tinha passado o ano a trabalhar e mesmo assim tinha-me apoiado em grande parte dos jogos, mesmo os que eram fora. Eu não tinha qualquer moral para lhe pedir para voltar comigo ou para abdicar das férias dela e então segui directamente para Espanha. Quando lá cheguei apercebi-me da realidade do estado do meu avô e no final da segunda semana de lá estar ele acabou por falecer. - nesse momento segurei a sua mão, sabia que não estava a ser fácil para ele contar-me aquilo - Claro que a primeira pessoa para quem quis ligar foi para ela. Falei com ela e contei-lhe o que se tinha passado, ela já estava mais ao menos ao corrente da situação e não me pareceu ficar assim tão chocada. Perguntou-me se eu queria que ela voltasse mais cedo, uma vez que o funeral seria no dia seguinte. Como é lógico não seria eu que lhe ía pedir, disse-lhe que fizesse como quisesse e ela acabou por me dizer: "Amor, as minhas férias também já acabam daqui a três dias e eu precisava de descansar mais um pouco. Depois vou logo para aí.". Tenho que admitir que aquela resposta me deixou perplexo. Eu não conseguia compreender como é que a pessoa com quem eu achava que podia contar para o que quer que fosse tinha tido aquela atitude. Logo a seguir liguei para o Savi, tenho uma enorme amizade com ele, ele ainda estava em Portugal e disse que ía tratar do voo para apanhar o primeiro avião que conseguisse. Ao final do dia ele já lá estava e foi a pessoa que mais me apoiou na altura. Contei-lhe o que se tinha passado e pedi-lhe que não contasse nada à Romi, já sabia que ela ía dizer à Elena que eu não tinha gostado da atitude dela e eu queria que ela se apercebesse sozinha disso. Três dias depois ela regressou e teve uma atitude que parecia que nada se tinha passado. Apareceu super bem-disposta e não se limitou sequer a dar apoio aos meus pais. Chegou a dizer que umas amigas a tinham convidado para ir para Tenerife e dois dias depois partiu. Se eu já tinha achado a reacção anterior estranha, aquela achei completamente ridícula. No tempo que ela esteve de férias mal falámos e, duas semanas depois, ela regressou. Eu não estava a aguentar a situação e acabei tudo com ela. Disse-lhe que voltasse a Portugal e levasse tudo o que lhe pertencia de minha casa. Ela ainda tentou que eu voltasse atrás, mas não havia volta a dar. Ela acabou por vir buscar as coisas. Quando regressei a Portugal, em Julho, ela ainda foi lá a casa tentar convencer-me a voltar atrás com o que tinha decidido, mas eu não conseguia estar com ela e pensar que ela não tinha prescindido de coisas supérfulas para estar ao meu lado quando eu mais precisei. Entretanto não a vi mais... Até hoje.
 
Eu tinha-me mantido em silêncio enquanto ele falava. Estava estupefacta com aquela história. Estava à espera de qualquer coisa menos daquilo.
 
- Desculpa amor, eu não sabia... - disse puxando-o para mim
 
- Eu já devia ter-te contado, mas é difícil recordar tudo isto. Mas podes ter a certeza que eu te amo Guigui, não duvides disso.
 
- Eu sei amor. Amo-te preciosidade. - ficámos abraçados um pouco até que me lembrei que não tínhamos jantado - Amor, deves estar cheio de fome! Não comes nada desde o almoço.
 
- Sim, tenho alguma fome. Podemos mandar vir uma pizza ou assim...
 
- É que nem penses! Vou arranjar jantar. - disse enquanto me levantava. Ele seguiu-me e foi comigo até à cozinha. A única coisa que tínhamos em casa para desenrascar era carne. Fiz arroz e grelhei uns bifes enquanto ele punha a mesa. Jantámos e regressámos à sala depois de eu arrumar a cozinha. Pusemos um filme a dar, ele sentou-se num dos cantos do sofá e eu sentei-me entre as suas pernas. As suas mãos estavam colocadas sobre a minha barriga e eu entrelacei os meus dedos nos dele. Já sabia que aquela noite ía ser assim, carregada de silêncio.
 
- Amor, já arranjaste a mala?
 
- Que mala?
 
- Amor, a mala de viagem, ficaste de voltar amanhã, lembras-te?
 
- Ah, pois foi... Vou só na Segunda-Feira, não quero correr o risco de ter companhias indesejadas.
 
O que ele disse voltou a fazer-me recordar o que ela tinha dito. Ela concerteza sabia em que voo ele ía para casa. Eu confiava nele mas não me agradava a ideia de ela ir no mesmo voo que ele, o que me levou a não insistir com ele.
 
- Ok...
 
- Tens a certeza que não queres ir comigo?
 
- Não posso amor... Sabes que não tenho estado com os meus pais e o Natal é a festa da família. Além disso sabes que a minha família está no Porto e em Coimbra e os meus pais já combinaram de irmos passar a consoada a Coimbra e irmos dia 25 para o Porto.
 
- E quando voltas para baixo?
 
- Ainda não sei amor, ou dia 25 ou só 26, porquê?
 
- Hmm... Estava a pensar apanhar o avião para cá ainda dia 25. Assim ainda partilhávamos um bocadinho do dia de Natal...
 
- A sério?! - inevitavelmente um sorriso desenhou-se no meu rosto e voltei-me para ele. Ao ver o meu sorriso não se conteve e sorriu-me também - Estás a falar a sério?
 
- Claro princesa, também és parte da minha família... - antes de ele terminar o que estava a dizer os meus lábios colaram-se aos dele num beijo cheio de amor e felicidade.
 
- Não sabes como fico feliz por ouvir-te dizer isso. Então eu saio do Porto logo a seguir ao almoço. Dá perfeitamente tempo de estar com toda a gente e ainda chego cá a horas de preparar o nosso jantar de Natal.
 
- Tolinha! Empresta-me o teu computador então para eu marcar já os voos de ida e volta.
 
Levantei-me e fui buscar o portátil. Ele fez a marcação dos voos, e conseguiu um que chegava a Portugal dia 25 às 19h. Ficámos o resto da noite assim, abraçados a ver um filme. Quando o filme terminou fomo-nos deitar, o Javi estava super cansado do jogão que tinha feito e eu ainda tinha o assunto Elena a atormentar-me a cabeça. Deitámo-nos e eu fiquei a vê-lo adormecer. Na minha cabeça continuava o mesmo filme. Porque é que ela tinha vindo atrás dele agora? Será que a Romanella tinha alguma coisa a ver com isso? Como é que o Saviola não a tinha impedido?! Se calhar não sabia... Sim, só podia ser isso. O Saviola e o Javi eram super amigos desde os tempos do Real, ele nunca iria fazer uma coisa destas ao Javi. Fiquei imenso tempo a pensar em tudo aquilo sem conseguir dormir. A última vez que olhei para o relógio este marcava 4.17h. O cansaço finalmente venceu-me e adormeci sem dar conta.
 
Acordei no dia seguinte e olhei para o Javi que olhava perdido para o tecto, mantendo o seu braço a rodear o meu corpo.
 
- Bom dia amor. Já 'tás acordado há muito tempo?
 
- Bom dia princesa. Acordei há um bocado, mas fiquei aqui na ronha... Isso é que foi dormir... - só quando ele falou é que me apercebi que se calhar não era assim tão cedo. Olhei para o relógio que já marcava 12.36h.
 
- Desculpa... - disse algo envergonhada.
 
- Desculpo o quê? A tua preguiça? - disse enquanto me piscava o olho e me sorria. Pelo menos o ambiente já não estava tão pesado como na noite anterior.
 
- Pois, isso também...
 
- Vamos tomar uma banhoca e almoçar?
 
- Sim, vamos lá.
 
Tomámos um duche e vestimos uma roupa prática. 
 
O nosso namoro era já conhecido pela comunicação social, o que nos permitia sair à rua sem nos preocuparmos com fotógrafos, eles já se tinham deixado disso. Quando nos estávamos a dirigir ao carro do Javi passámos pela papelaria e vi aquilo que os meus olhos não queríam de todo ver naquele dia: "Elena Gomez, está de volta! Será que o namoro de Javi Garcia vai sobreviver a este regresso?". Fiquei estática a olhar para aquilo. Não bastava o título, vinha ainda uma foto do "reencontro" a acompanhar, uma foto que só podia ter sido tirada por alguém que estivesse naquela sala. Só havia 2 hipóteses: Romanella ou Inês. A raiva que tinha desaparecido depois da conversa com o Javi voltou. Os meus olhos voltaram a encher-se de lágrimas e o que ía acontecer a seguir era inevitável.

- Perdi a fome, vou voltar para casa. - disse enquanto me preparava para virar costas. O Javi ainda não se tinha apercebido da notícia que estava escarrapachada na primeira página do jornal.
 
- O que se passou amor? - não lhe consegui responder, limitei-me a apontar. Vi os seus olhos rodarem na direcção do jornal e também ele deixou transparecer a irritação que aquilo lhe provocou, no entanto voltou-se para mim e segurou o meu rosto com as duas mãos - Vamos almoçar princesa. Se nos escondermos só vamos dar razão para que falem mais e continuem a inventar mentiras. Se nos virem juntos pelo menos sabem que ela não nos incomoda.
 
- Mas ela incomoda-me Javi! Não percebes isso? Eu gostava muito que não, mas a verdade é que me incomoda!
 
- Eu sei amor, a mim também, não gosto de saber que ela anda por perto, mas nós amamo-nos e não é ela que nos vai separar. Vamos almoçar, por favor...
 
Enterrei o meu rosto no seu peito tentando acalmar-me e senti os seus braços envolverem-me enquanto a sua cabeça pousava sobre a minha. Ele sabia bem como me conseguia acalmar. Voltei a erguer a cabeça, limpei as lágrimas que se tinham apoderado de mim e olhei-o.
 
- Vamos almoçar amor.
 
- Esta é a minha princesa! - disse sorrindo, no entanto não percebi se me estava a dar coragem a mim ou a ele próprio.
 
Seguimos abraçados até ao carro e dirigimo-nos às Docas. Almoçámos num dos restaurantes de lá e depois de almoço ligámos ao resto do pessoal para saber se queríam ir tomar um café. Fomos até Belém, pois tínhamos ficado de nos encontrar lá com eles. O Roberto e a Marta foram os primeiros a chegar e trazíam a Belise com eles. Cumprimentámo-los e sentei-me com a Marta enquanto eles ficaram a falar na rua. Eu sabia que o Javi havia de estar a falar com o Roberto sobre o que se tinha passado na noite anterior. A Belise veio para o meu colo e estava entretida a brincar com o meu porta-chaves enquanto eu e a Marta conversávamos.
 
- Então Guigui, mais animada hoje?
 
- Tenho que estar querida... Mas não é fácil. Parece que isto é um pesadelo.
 
- Pois, eu percebo. Não quero imaginar se fosse comigo. Mas acho que a Elena já voltou hoje para Espanha, a Romi ligou-me há pouco e comentou comigo...
 
- Pelo menos isso, ao menos já não corro o risco de me cruzar com ela nem de o Javi viajar com ela.
 
- Sabes que eu sou muito vossa amiga, mas também sou amiga da Romi... Espero que não te chateies por isso.
 
- Martinha, nem te preocupes com isso, por amor de Deus. Tu tornaste-te uma grande amiga, não o posso negar, e como é lógico eu não quero que deixes de te dar com quem quer que seja. Eu não tenha nada contra a Romanella também, ela é que pelos vistos tem qualquer coisa contra mim.
 
- Eu digo-te o que é. Tu és melhor que nós, é por isso que ela não gosta de ti.
 
- O que é isso Marta? Eu não sou melhor que ninguém!
 
- Eu explico-te. Tu chegaste onde chegaste por ti, não por seres famosa ou ligada a esse mundo. Tu eras uma pessoa comum, tiraste um curso, trabalhas e conheceste uma pessoa que te ama. Nós sempre estivemos ligadas a este mundo, de alguma forma. Somos modelos, temos que admitir que as hipóteses do nosso mundo se cruzar com o deles eram bem maiores que as tuas. O mesmo acontece com a Clarinha e a Sara. Elas têm inveja, é o que é...
 
- Não digas disparates...
 
- Não é nenhum disparates querida, acredita. Com o tempo vais-te aperceber disso. E ao olhares à volta vais também vê-lo....
 
- Olá lindas! - diziam a Clara e a Sara aproximando-se.
 
- Boa tarde meninas. - cumprimentámo-las.
 
- Então e como estás Guigui? - perguntou-me a Sara.
 
- Mais animada... Desculpem lá, mas vocês já viram os jornais? - perguntei eu lembrando-me. A Clara e a Sara olharam-se com cara de caso - Podem responder, eu já vi.
 
- Sim linda, passei à pouco na papelaria e vi... Não podes ligar ao que os jornais dizem.
 
- O que é que têm os jornais? - perguntava a Marta sem perceber. Levantei-me e dirigi-me ao balcão para ir buscar o jornal. Peguei nele e regressei à mesa passando-o à Marta. Por muito que me custasse tinha que começar a aprender a lidar com aquelas imagens - Não acredito! Mas quem é que conseguiu tirar estas fotos? Não estava lá mais ninguém além de nós...
 
- Da Inês e da Romanella. - finalizou a Sara.Os rapazes entraram nesse momento e nós terminámos a conversa por ali.
 
Eu e a Marta levantámo-nos e cumprimentámos o David e o Ruben. Sentámo-nos todos juntos à conversa, que se prolongou até ao fim da tarde. Estivemos a falar sobre onde cada um de nós ía passar o Natal: David ía para o Brasil na Quarta-Feira, a Sara ficava pelo Barreiro com a família, o Ruben passava com a Bela e o Mauro na Costa da Caparica, a Clarinha ía para o Algarve passar com os pais, eu ía passar ao Porto e Coimbra, o Javi ía no dia seguinte para Mula passar com a família e o Roberto e a Marta íam para Madrid na Terça-Feira passar com a família também. Ao fim da tarde dirigimo-nos a nossa casa para nos arranjarmos, enquanto a Marta e o Roberto foram também a casa para se arranjarem e deixarem a Belise com a ama. Quando chegámos a casa os rapazes ficaram-se pela sala a jogar playstation enquanto nós nos fomos arranjar. Depois de tomar banho e ao entrar no quarto vi o Javi sentado na minha cama, sentado, como se estivesse à minha espera. Olhei para ele e ergui a sobrancelha:
 
- Que foi amor?
 
- Nada. - disse sorrindo-me enquanto se esticava para me alcançar. Facilitei e dei-lhe a mão que ele puxou imediatamente. Caí sobre a cama e os seus lábios alcançaram imediatamente os meus, ao mesmo que deitava o seu corpo sobre o meu.
 
- Amor... - tentava falar entre beijos - Tenho que me arranjar... Olha o jantar...
 
- Já vais. Não temos pressa... - aqueles beijos estavam-me a saber demasiado bem e não os quis interromper. Ficamos assim um bom bocado, só a namorar, precisávamos mesmo daquilo. A noite anterior tinha-nos feito ter saudades um do outro.
 
"Toc-toc"
 
Guigui? - ouvi a voz da Clara do outro lado e afastei o meu rosto do do Javi.
 
- Sim querida?
 
- Já estás pronta?
 
- Não, mas desço num instante.
 
Não é preciso teres pressa. Eu e o Ruben vamos andando. A Sara e o David estão lá em baixo à vossa espera.
 
- Ah... Ok. Até já então.
 
Até já.
 
- Posso-me arranjar agora, amor?
 
- Só se tiver mesmo de ser.
 
- Daqui a pouco vamo-nos atrasar...
 
- Achas que eles não querem namorar também? Além disso eu tenho que aproveitar já que amanhã já vou embora...
 
- És muito esperto tu! Mas amor, tenho mesmo que me arranjar...
 
- Pronto, pronto, vai lá... Mas logo ficas lá em casa, nem penses que me deixas sozinho.
 
- Só te deixo sozinho se não tiver outra hipótese amor... E mesmo assim não sei!
 
Acabei de me arranjar e descemos. 




A Sara e o David estavam na sala a namorar. Saímos os quatro de casa e seguimos até ao restaurante. Quando lá chegámos já la estava grande parte dos jogadores e respectivas mulheres ou namoradas. A Clara e o Ruben já tinham chegado e trazíam a Inês com eles. Fomos cumprimentando o pessoal até que chegámos perto do Saviola e da Romanella. Cumprimentei o Saviola e ía para cumprimentar a Romanella quando ela vira costas e vai à casa-de-banho. O Saviola apercebeu-se da situação e dirigiu-se a mim enquanto eu via o Javi dirigir-se para ao pé da casa-benho.
 
- Desculpa Guigui. Se ela soubesse da verdadeira história não tinha esta implicância contigo, mas o Javi não me deixou contar-lhe. Pode ser que o faça agora...
 
- Não tens que me pedir desculpa Savi. Tenho que aguentar, não é? Ninguém me disse que ía ser fácil namorar com o Javi, não sei porque é que pensei o contrário... - nesse momento vi a Romanella a sair da casa-de-banho e o Javi a ir ter com ela, dirigindo-se os dois depois para a rua.
 
- Anima-te! Não te quero ver assim e tenho a certeza que o Javi também não. Vamos até junto do pessoal enquanto eles não voltam. - disse ele também apercebendo-se da ida deles para o exterior.
 
Fomos até junto do pessoal e ficámos todos a conversar e brincar um pouco. O Saviola era impecável comigo e eu não conseguia compreender como é que era possível a Romanella ter aquela atitude comigo, sabendo que o namorado e o Javi eram super amigos. Pouco depois o Javi e a Romanella entraram e vi no rosto dele que a conversa não havia de ter corrido muito bem. Ele aproximou-se de mim e colocou a mão na minha cintura. Virei o meu rosto para ele e vi que o seu rosto tentava transmitir-me serenidade.
 
- Contaste-lhe?
 
- Não, nem vale a pena. Ela é teimosa, vai continuar a insistir em defender a Elena. Não 'tou para isto.
 
- Amor, eu não quero que se chateiem por minha causa... Já volto. - disse enquanto me virava. Ele não hesitou e segurou a minha mão puxando-me de novo para ele - Amor, deixa-me falar com ela...
 
- Para quê princesa? Ela não te vai ligar...
 
- Eu sei que confias em mim, deixa-me falar com ela se faz favor. Eu não lhe vou contar nada, só quero falar com ela.
 
- Amo-te. - disse enquanto me dava um leve beijo na testa.
 
- Eu também meu amor. Mais que tudo. - dei-lhe um leve beijo nos lábios e dirigi-me à Romanella que estava já junto ao Saviola - Desculpem interromper. Romanella, podemos falar?
 
- Não tenho nada para falar! - respondeu prontamente.
 
- Romanella, se faz favor. Eu preciso mesmo de falar contigo.
 
- Romi, fala com a Guigui se faz favor. Facilita, não queiras ser assim tão teimosa. - perante o pedido do Saviola ela acabou por ceder e seguimos as duas para o exterior.
 
- O que é que queres afinal?
 
- Eu sei que não vais facilitar e que não vais aceitar o meu namoro com o Javi, só te peço que penses na amizade que há entre o Javi e o Saviola. Eu não percebo o porquê dessa tua implicância comigo, mas já decidi que não vou insistir a tentar perceber. Não gostas de mim, estás no teu direito, acho é que não tens o direito de estragar a amizade deles. Acredita que se eu vir que o meu namoro com o Javi está a estragar a amizade deles me afasto, há-de me custar muito, mas pelo amor que sinto por ele faço-o.
 
- Que bonito! - disse ironicamente - Quase me deixas emocionada...
 
- Eu não vou continuar a tentar convercer-te de uma coisa que tu própria devias conseguir ver sozinha. Eles estiveram lá um para o outro quando precisaram, se achas que essa tua implicância comigo é mais importante, então força! Continua e vê no que dá. Só espero que nunca te venhas a arrepender da tua atitude.
 
- Já terminaste?
 
- Sim, já. - mal acabo de lhe responder ela dá meia volta e vai novamente para dentro para junto do Saviola. Vi ele perguntar-lhe qualquer coisa e fazer depois uma cara chateada. O Javi tinha-se apercebido que ela tinha voltado para dentro e veio ter comigo.
 
- Como correu? - perguntou enquanto se aproximava de mim.
 
- Mal. Tens razão, ela é teimosa como tudo.
 
- Esquece-a. Ela fica com a dela e nós com a nossa. Vamos para dentro que os comilões querem comer. - disse contendo um sorriso.
 
- Fazes parte desse grupo portanto... - disse olhando-o enquanto ríamos os dois.
 
Quando chegámos a maior parte do pessoal já estava sentado. Eu sentei-me entre a Marta e a Clara com o Javi à minha frente. O jantar correu bem, dentro do possível. A Romanella e a Inês limitaram-se a não dirigir a palavra  a mim, à Clara e à Sara, claro que de vez em quando lá vinha uma boca dirigida a uma de nós. Tentámos não ligar e eu vi o Javi por várias vezes lançar olhares de censura à Romanella. A Marta mantinha-se no meio, ora falava connosco, ora com elas. Notei que a Romanella a começava a pôr de parte em algumas conversas, o que me deixava um pouco trsite, pois não queria que a Marta ficasse prejudicada por nossa causa. Ela pareceu aperceber-se disso, no entanto não deu grande importância. No final do jantar e depois do Javi beber uns copos a mais, decidimos ir para casa.
 
- Sim, já. - mal acabo de lhe responder ela dá meia volta e vai novamente para dentro para junto do Saviola. Vi ele perguntar-lhe qualquer coisa e fazer depois uma cara chateada. O Javi tinha-se apercebido que ela tinha voltado para dentro e veio ter comigo.

- Como correu? - perguntou enquanto se aproximava de mim.

- Mal. Tens razão, ela é teimosa como tudo.

- Esquece-a. Ela fica com a dela e nós com a nossa. Vamos para dentro que os comilões querem comer. - disse contendo um sorriso.

- Fazes parte desse grupo portanto... - disse olhando-o enquanto ríamos os dois.
Quando chegámos a maior parte do pessoal já estava sentado. Eu sentei-me entre a Marta e a Clara com o Javi à minha frente. O jantar correu bem, dentro do possível. A Romanella e a Inês limitaram-se a não dirigir a palavra  a mim, à Clara e à Sara, claro que de vez em quando lá vinha uma boca dirigida a uma de nós. Tentámos não ligar e eu vi o Javi por várias vezes lançar olhares de censura à Romanella. A Marta mantinha-se no meio, ora falava connosco, ora com elas. Notei que a Romanella a começava a pôr de parte em algumas conversas, o que me deixava um pouco trsite, pois não queria que a Marta ficasse prejudicada por nossa causa. Ela pareceu aperceber-se disso, no entanto não deu grande importância. No final do jantar e depois do Javi beber uns copos a mais, decidimos ir para casa. Como o Javi tinha bebido um pouco de mais eu levei o carro e o caminho de regresso a casa foi feito entre muita risota.
 
- Margarida, te amo!
 
- Amor!
 
- Que foi?
 
- Olha lá bem para ti... 'Tou a ver que tenho de ter cuidado contigo. Tu és bom para jogar futebol, agora no que toca à bebida és um fraquinho...
 
- Hey! Então?!
 
- Então o quê? É verdade...
 
- Queres que te lembre do estado em que estavas no dia antes de começarmos a namorar?
 
- Até parece que estava muito mal...
 
- É melhor não te relembrar se não ficas decepcionada contigo própria...
 
- Amor!
 
- Amor o quê? É verdade!
 
- Se calhar foi por isso que aceitei o pedido de namoro... Ainda estava bêbeda!
 
- Agora começo a ficar ofendido! - disse enquanto fazia uma cara de amuado.
 
- 'Tou a brincar amor... Naõ foi por isso que aceitei. - vi-o virar-se para mim já sem a cara de amuado - Foi pela originalidade do pedido. - desmanchei-me a rir enquanto ele fazia aquele sorriso que eu sabia que trazia água no bico.
 
- Agradece por estares a conduzir Maria Margarida, porque quando saíres desse lugar estás bem tramada.
 
- Ui, deve ser isso...
 
- Depois não te queixes.
 
Fomos o resto do caminho a conversar. Quando chegámos a casa dele pus o carro na garagem e, quando entrámos no elevador, ele aproximou-se de mim e começou a beijar-me. Eu estava a deixar-me levar e saltei para o seu colo, colocando as minhas pernas em volta do seu tronco, quando sinto as suas mãos subirem pelas minhas costelas e me começa a fazer cócegas. O riso que soltei foi incontrolável. Ele ria-se comigo e eu contorcia-me de cócegas enquanto o ouvia sussurrar-me:
 
- Eu disse-te que estavas bem tramada.
 
- Que vingativo que tu és Francisco Javier! - dizia eu entre gargalhadas. Nesse momento o elevador abriu-se e eu mantinha-me no seu colo, tentando encolher-me. Continuávamos a rir que nem uns perdidos quando ouvimos alguém a tossir. A minha reacção foi enterrar o meu rosto no pescoço do Javi enquanto ele olhava à volta.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Capítulo 51 - O Futuro

(narrado pela Clara)

Os dias foram passando, tal como as semanas. Eu e o Ruben continuávamos super apaixonados. Tínhamos estado com a Inês mais algumas vezes. Ela passou a ser companhia assídua nos jogos e com o passar do tempo passei a perceber o que a Sara me quis dizer naquele dia.
Por diversas vezes, durante os jogos, ela mandava bocas, sempre sem a Bela por perto, pois ela sabia que a Bela gostava de mim, por isso não queria dar bandeira.
O Natal estava bastante próximo e com a sua chegada, vinha também a altura de compras e decisões. Embora eu e o Ruben estivéssemos juntos há pouco tempo, eu e a Bela já tínhamos uma relação bastante cúmplice. Ela era espectacular comigo e desde que passámos a ir ao lar juntas a nossa relação foi ficando cada vez mais sólida. Por essa mesma razão ela disse ao Ruben para me convidar para passar o natal com eles. Quando ele veio com essa conversa eu nem soube o que dizer. Fiquei tão surpresa com o convite que fiquei sem palavras, disse-lhe que era difícil, tinha os meus pais e passar o Natal sem eles era complicado. Ele pediu-me para pensar no convite e para responder depois, fiquei numa situação complicada, encarava aquele convite como uma prova não só de amor do Ruben, mas de confiança da parte da Bela. Não queria parecer mal agradecida, mas era muito cedo para isso, nós não estávamos juntos há tanto tempo assim e não era correcto.
Neste Sábado levantei-me cedo da cama, o acordar não foi tão difícil pois não estava sozinha. Como os rapazes tinham jogo nesse dia resolvi ir até à padaria buscar pão e croissants. Quando cheguei novamente a casa ainda não se ouvia barulho. Preparei o pequeno-almoço, pus o pão na mesa, o leite, iogurtes, fruta, fiz sumo de laranja e ovos mexidos. Comecei a ouvir barulho, o primeiro a sair do quarto foi o Ruben, disse que sentiu a minha falta e não conseguiu dormir mais. Pouco depois desceu a Sara seguida do David e a Guigui e o Javi foram os últimos. Enquanto tomávamos o pequeno-almoço a campainha tocou, a Guigui foi abrir e quando regressou vinha acompanhada do Roberto e da Marta que trazia no seu colo a pequenina Belise. Mal a vi abri logo um sorriso, fui ter com eles e peguei nela ao colo. A Marta e o Roberto já faziam parte do nosso círculo de amigos e por isso a Belise já não me estranhava. Mal peguei nela começámos logo a brincar e ainda arrancámos uns quantos sorrisos da cara do pessoal. Entretanto os rapazes saíram, tinham de estar cedo no estádio. Nós saímos um pouco mais tarde, resolvemos ir até à Baixa fazer as compras de Natal, o dia passou bastante rápido, aliás, quando se está a fazer algo de que se gosta o tempo passa a correr. Consegui comprar a maior parte das minhas prendas, tal como o resto das meninas. Resolvemos almoçar na baixa.

- Então Clara, já resolveste onde vais passar o Natal? – perguntava a Marta.

- Isso é uma pergunta complicada… Eu acho que é cedo para passar com a família do Ruben, ainda por cima os meus pais estão à minha espera, mas não quero que nem o Ruben, nem a Bela fiquem chateados comigo…

- Estás numa situação difícil, mas duvido que quer o Ruben, quer a Bela se chateiem. Eles compreendem… - sossegou-me a Sara.

- Pois assim espero. – disse novamente.

- Eu estou é parva por te terem convidado! Quanto a mim também é muito cedo, bem sei que vocês são lindos juntos e que a D. Anabela te adora, mas vocês namoram à pouquíssimo tempo. Se ele te convidou é porque te ama mesmo e porque és muito importante na vida dele. Podes crer minha amiga, para ele tu não és uma aventura, és a mulher que ele quer ao seu lado. – dizia a Guigui.

- Eu não duvido que ele goste de mim, mas tenho muito medo. Há certas coisas que me fazem confusão, nomeadamente aquela amizade com a Inês e o que ela pensa de mim. Eu sei que ela lhe mina a cabeça contra mim e eu faço o que a Sarinha me aconselhou, mas é difícil saber que ela lhe fala mal de mim e não lhe dizer nada, não o confrontar.

- Sim, se queres que te diga ainda não percebi a posição dele em relação a ela. Aquela cena de ela ir com vocês no carro a seguir ao jogos, sentar-se à frente e ele não se impor também me faz confusão. – constatava a Guigui.

- O jogo dela é simples: serve-se da amizade de anos que tem com ele, diz-lhe que só quer ter a certeza que ele é feliz e vai-se safando. O Ruben adora-a, por isso é que eu te disse para te lembrares sempre do quanto gostas dele. – interrompia a Sara – Não lhe ligues.

A conversa continuou em volta da Inês, do Ruben e de mim. Quando demos por nós eram horas de ir para o estádio.
Tivemos uma surpresa à chegada, a Elena, a ex-namorada do Javi estava lá, acompanhada da Romanella e da Inês, que entretanto também tinha chegado.
A Guigui estava passada e tinha razão para isso, ninguém conseguiu compreender o porquê da sua presença ali. Eu tive o jogo todo entretida com a pequena Belise, por várias vezes tive de ouvir bocas não só da Inês, como também das outras. Quando, a certa altura, estava na casa de banho dei pela presença de alguém. A princípio não liguei, mas depois apercebi-me de quem era.

- Ela não tem qualquer hipótese, já me viste bem ao pé dela? Aquela criatura não me chega nem ao calcanhares. – dizia a Elena.

- Ela não tem sequer categoria para estar no mesmo espaço que tu! Não sei como é que o Javi conseguiu olhar para aquilo… - concordava a Romanella.

- O Javi olhou para aquilo, da mesma maneira que o Ruben olhou para a outra e que o David olhou para a pita. A menina Clarinha Miss Perfeita é voluntária num lar de criancinhas! Sabes como eles são loucos por crianças. Como as meninas estão ligadas a iniciativas com orfãozinhos eles babaram. Os homens são parvos e elas levaram-nos de beicinho. – completava a Inês.

- Sim, mas o Javi é meu e no que depender de mim aquela criatura não me vai roubar o namorado. Eles nem sabem o que as espera. – dizia novamente a Elena.

- Não te preocupes, aquelas três mais tarde ou mais cedo bazam. – sossegava-a a Inês.

Pouco depois saíram, eu estava petrificada perante aquela conversa. Elas tinham-me feito sentir pequenina ao pé delas, o medo de perder a pessoa que já era uma das mais importantes na minha vida apareceu novamente. O que será que elas andavam a tramar? A Guigui tinha razão para estar preocupada, aliás, todas nós estávamos ali a prazo, perante os planos delas. Voltei para a bancada, tentei não fazer transparecer o transtorno com que estava, pois o pior que podia fazer era dar a entender à Guigui o que tinha acabado de ouvir. Não demorou muito para o jogo acabar. Dirigimo-nos para a sala perto dos balneários e esperamos por eles. Para não variar, foram os últimos a sair, e foi aí que a cena azedou. A Guigui entrou em stress quando viu a Elena saltar para o pescoço do Javi. O assunto lá se resolveu e decidimos ir para casa. Como o Javi e a Guigui estavam sem carro, seguiram no carro do David e da Sara, demorei mais a despedi-me delas pois tínhamos decidido dormir em casas diferentes. Quando chego perto do carro do Ruben vejo o lugar da frente já ocupado, a Inês que já tinha pedido boleia ao Ruben, já lá estava sentada. Respirei fundo e pus um sorriso na cara, não ia deixar que ela acabasse com aquilo que eu tinha de mais bonito na minha vida. Quando já estava dentro do carro, ela ainda teve a lata de pedir desculpa por se ter sentado naquele sítio, disse que não se lembrava que eu também ia embora… Que fingida! Eu não disse nada, engoli mais uma vez em seco. Deixámo-la em casa e fomos para casa dele.
Quando entrei em casa dele fiquei maravilhada, haviam flores por todo o lado, e pétalas de rosas espalhadas pelo chão. Reparei na mesa posta, com velas para acendermos. Ele pediu para eu me sentar e foi até à cozinha. Veio de lá com uma travessa de carne assada no forno com batatas, pousou-a na mesa e abriu o vinho.
O jantar estava divino e o ambiente fantástico, quando acabámos levantámo-nos.

- Onde pensas que vais Clarinha? – perguntou-me.

- Vou levantar a mesa. É rápido.

- Não vais não. Tu vens comigo, esta noite hoje é nossa. Somos só nós os dois. Da mesa trata-se amanhã… - nisto estendeu-me a mão e agarrou-me, num movimento só os nossos corpos juntaram-se. Ficámos ali juntinhos a dançar ao som da música ambiente. Eu sentia a sua respiração junto ao meu ouvido e as suas mãos a passearem nas minhas costas. Arrepiava-me cada vez que ele me beijava o pescoço.

- Eu amo-te. – sussurrei-lhe ao ouvido.

- Também te amo Clarinha, era capaz de viver eternamente ao teu lado… - respondeu-me também baixinho perto do ouvido que de seguida mordeu.

- Amor assim não… Assim não consigo… - ele não me deixou acabar de falar, juntou os seus lábios aos meus e saboreou cada beijo. As suas mãos dividiram-se pela minha face e pelo meu tronco. Fizemos amor e foi lindo, o sentimento estava ali à flor da pele, apenas tivemos que deixar as coisas acontecerem de forma natural.
Acordámos no dia seguinte ao mesmo tempo e ambos tínhamos um sorriso nos lábios, beijámo-nos e ele deu-me um forte abraço.

- Amor já decidiste como é no Natal? – perguntou.

- Sabes como é complicado dar-te uma resposta positiva não sabes? Os meus pais estão à minha espera…

- Eu sei, mas é o nosso primeiro ano juntos. Podias passar aqui, comigo…

- Amor, eu não estou com os meus pais à tanto tempo e esta época é a altura da família se reunir. Nós estamos juntos há tão pouco tempo, ainda é cedo para dar este passo. Por favor Ruben, não fiques chateado comigo… - pedi-lhe.

- Desculpa a insistência, é claro que eu compreendo e óbvio que não posso ficar chateado. Mas no próximo Natal não me escapas… - disse-me já convencido da minha decisão.

- Ui, o próximo. Sabes lá se estamos juntos até ao próximo Natal…

- Claro que sei, és tu que eu quero ao meu lado, é a ti que quero pedir em casamento e é contigo que quero ter filhos.

- Pois, ‘tá bem. Vê lá se tem juízo.

- Já te disse quais são os meus planos e podes crer que qualquer dia te peço em casamento…

Eu comecei a rir às gargalhadas, ao que ele não achou grande piada. Eu não podia levar aquela afirmação a sério, era cedo demais para todas aquelas certezas que ele dizia ter.
Começamos na brincadeira, ele dizia que se era para eu me rir, ia rir-me com razão e desatou a fazer-me cócegas. Já me estava a faltar o ar de tanto rir e ele percebeu, por isso parou. Quando reparou já me estava a rir novamente e continuou a fazer-me cócegas. Eu torcia-me de tanto rir, mas a certa altura ele pára e fica a olhar para mim com ar sério.

- Hoje já te disse que te amo? – perguntou-me.

- Humm? Hoje acho que não…

Não tirou os olhos de mim, abriu um lindo sorriso e disse. – Eu amo-te minha linda.

- Eu também te amo muito, mas mesmo muito. – respondi-lhe retribuindo-lhe o sorriso.

- Eu não estava a brincar há bocado quando disse que qualquer dia te peço em casamento. É serio, eu tenho a certeza absoluta que é contigo que eu quero ficar para o resto da minha vida.

Eu levantei-me da cama e nem lhe respondi.

- Clara onde vais? Volta lá para aqui.

- Não, já é tarde.

- Para ti nunca é tarde, tu adoras ficar na cama… Vais dispensar esta companhia?

- Vou, levanta-te…

- Clara? Anda cá, por favor. – pediu-me levantando-se e sentando-se na beira da cama.

- Ruben pára com isso, temos que nos levantar.

Ele foi para perto de mim e puxou-me, levou-me para a cama e sentámo-nos os dois.

- Pára com essa insegurança, tu foges cada vez que falamos no futuro. Eu tenho a certeza do que sinto por ti, tu não tens?

- Isto não é conversa para termos agora.

- É conversa para termos sim, tu não sabes que eu te amo?

- Sei…

- Então porquê tanto medo do futuro?

- Porque o futuro está lá longe e no futuro podemos não estar juntos. Tu teimas em dizer coisas como: “És a mulher da minha vida!”, “Qualquer dia peço-te em casamento!” ou “ Quero ter filhos contigo!”, mas esqueces-te que estamos juntos há poucos meses, que temos muito ainda para conhecer um do outro. É demasiado cedo para este tipo de afirmações, queres o quê, que eu acredite nelas? Daqui a uns meses quando o sonho terminar agarro-me a quê? Tu conheces-me, eu não gosto de planos a longo prazo, eu detesto que me encham de elogios, porque quando a ficha cai levo um choque de realidade e demoro a levantar-me. Eu não duvido, nem nunca duvidei do que sentes por mim, aliás, por ter a certeza que me amas é que estou contigo. Agora não me peças para fazer outro tipo de planos, vamos com calma, um dia de cada vez…

Ele percebeu-me, não disse nada, limitou-se a abraçar-me.

- Desculpa princesa. Prometo que vou parar de dizer estas coisas, mas também te prometo outra coisa. O sonho não vai acabar e nós vamos fazer planos. Nada do que possa acontecer vai estragar o que existe entre nós… Acreditas em mim?

- Acredito que não queres que nada estrague o que nós temos…

Ele não respondeu, sorriu e deu-me um beijo. O momento foi interrompido pelo som da campainha, ele apressou-se a levantar-se e a ir abrir. Eu fiquei no quarto, fui tomar um duche para depois me juntar a ele. Enquanto me arranjava ouvi uma voz feminina na sala, ela falava alto, eu tentei despachar-me pois não estava a gostar do que ouvia…

Capítulo 50 - Problemas no Paraíso

(narrado pela Guigui)

18 de Dezembro

Estávamos quase no Natal, os últimos tempos tinham corrido bem e eu e o Javi estávamos super bem. Esta época não estava a correr tão bem como a anterior, mas a equipa estava a conseguir recuperar. A Romanella continuava a não querer conhecer-me, por outro lado a Marta já passava mais tempo comigo, com a Sara e com a Clara, pois o Javi e o Roberto estavam a dar-se super bem. Hoje é o dia do último jogo antes do Natal e tinha combinado com a Clara, a Sara e a Marta irmos fazer ainda algumas compras de Natal enquanto não chegava a hora do jogo. Como os rapazes tinham dormido em nossa casa, tínhamos combinado com a Marta e o Roberto de irem lá ter de manhã para eles seguirem juntos e nós irmos também juntas. Já estávamos todos prontos a tomar o pequeno-almoço quando ouvimos a porta tocar.


- Eu vou lá! – disse levantando-me. Abri a porta e esperei que eles subissem – Bom dia família feliz! Tudo bem? – disse cumprimentando a Marta ao vê-la com a Belise ao colo.

- Bom dia linda. Está tudo bem. Desculpem o atraso, mas a ama da Belise não pode vir e tive que a arranjar para a trazer connosco. Espero que não se importem.

- Claro que não. Até vais ganhar uma ama mal chegues com ela ali à cozinha! Entrem. Bom dia grandalhão! – disse cumprimentando o Roberto.

- Bom dia miniatura, tudo bem? – disse sorrindo-me.

Eles entraram e mal chegam à cozinha vi a Clara a levantar-se num ápice, com aquele seu brilho tão característico e a encaminhar-se na direcção da Marta.

- Bom dia pessoal. – cumprimentou-os – Bom dia princesa, estás boa? – disse sorrindo para a Belise enquanto lhe esticava os braços. O Ruben apreciava a cena completamente derretido – Queres vir aqui ao meu colinho?

- Bom dia! – disseram os restantes.

- Eu não te disse? – disse eu à Marta enquanto passava por elas.

- Disseste o quê? - interrompeu-me a Clara.

- Nada, nada Clarinha. Bem, toca a despachar que aqui os rapazes têm que se despachar. Já tomaram o pequeno-almoço? – eles acenaram que sim – Bem, de qualquer maneira podem sentar-se a fazer companhia. Grandalhão, se quiseres come mais qualquer coisinha, com esse tamanho todo tens que te alimentar bem…

Sentámo-nos à mesa e terminámos o pequeno-almoço. Os rapazes saíram e nós ficamos a arrumar a cozinha enquanto a Clara se perdia em brincadeiras com a Belise. Quando terminámos saímos e fomos em direcção ao Chiado. Elas já sabiam como eu me sentia claustrofóbica em centro comerciais, e como não chovia fizeram-me a vontade. Estivemos o resto da manhã nas compras de Natal, e a Marta acabou mesmo por comprar presentes tradicionalmente portugueses para levar para a família. Como não podia deixar de ser eu fiz a maior parte das minhas compras no Bairro Alto, nas lojinhas que tanto estimava e que a Clara tanto estranhava. Como o jogo era cedo decidimos almoçar tarde de forma a irmos em seguida para o estádio. A caminho decidi cumprir o meu ritual e enviei uma mensagem ao Javi:

“Amor, estou agora a caminho do estádio. Boa sorte campeão. Amo-te! Beijo”

Recebi a resposta logo a seguir:

“Eu já cá cheguei princesa. Obrigado. Até logo. Amo-te. Beijão”

Quando chegámos ao estádio subimos e já estavam lá algumas pessoas, incluindo a Romanella com uma amiga. Não prestei grande atenção, mas quando ouvi a Romanella apresentar a amiga à Marta congelei.

- Guigui, o que foi? – perguntou-me a Clara apercebendo-se da minha reacção, o que despertou também a atenção da Sara que percebeu imediatamente o que se passava.

- Calma Guigui. Não penses no que não deves. De certeza que foi a Romanella que a convidou, não te preocupes. – disse tentando acalmar-me. Nesse momento vejo a Inês chegar e juntar-se a elas. Senti os olhos postos em mim e quando me voltei vi a Marta a dirigir-se à casa-de-banho com a Belise e as restantes cochichavam enquanto nos olhavam.

- Querem-me explicar o que se passa? – perguntava a Clara continuando sem perceber.

- Não a reconheces? - perguntava-lhe a Sara espantada. A Clara voltou-se com mais atenção e notei que finalmente a tinha reconhecido.

- Eu não acredito! O que é que ela está aqui a fazer?

- Meninas, eu não vou conseguir ver o jogo aqui. Eu tenho que ir para outro sítio. Clara, tens o teu redpass? – a Clara ía responder-me mas foi interrompida pela Sara.

- Não Guigui, ela é que está aqui a mais. Tu tens o teu namorado a jogar lá em baixo. Vais fazer de conta que ela não está ali e vais erguer essa cabeça, ouviste bem?

- Sara, é a Elena, como queres que eu finja que ela não está ali?! O que é que ela está ali a fazer? Isto não pode ser verdade… - nesse momento chegou a D. Anabela que se aproximou de nós.

- Boa tarde Bela! – disseram as duas.

- Boa tarde meninas, como estão? – ela já as tinha cumprimentado e depois de ver a minha cara aproximou-se de mim e segurou o meu rosto enquanto me falava convictamente – Minha querida, já sei o que tens. Ergue o rosto e sorri, o Javi precisa do teu apoio. Ele também não vai estar à espera disto quando sair, acredita. – notei que ela sabia o que se tinha passado entre o Javi e a Elena, mas optei por não lhe fazer perguntas. O Javi contar-me-ía quando se sentisse preparado.

- Obrigado D. Anabela. – sorri-lhe enquanto ela me deu um abraço. Era uma pessoa realmente extraordinária, e ultimamente acho que já se tinha tornado uma mãe para todas nós.

- Não tens de agradecer. Tens é de deixar o Dona e tratar-me só por Bela, pode ser?

- Já sabe que não me ajeito muito bem… Mas vou fazer um esforço Bela.

- Isso mesmo! E agora sorri. Meninas, nada de a deixar ir-se abaixo!

- Acho que agora ela já fica um pouco mais animada! – disse a Clara sorrindo-me carinhosamente.

O jogo correu bem dentro das quatro linhas e acabámos por ganhar 5 – 2, com golos dos argentinos (2 golos do Saviola, 2 do Salvio e 1 do Aimar). No camarote o ambiente tinha sido de muita tensão, a Romanella tinha feito questão de não nos cumprimentar sequer e a Inês tinha-nos cumprimentado apenas por respeito à Bela. As três tinham-se mantido afastadas do resto das pessoas e a Marta acabava por andar de um lado para o outro, pois a Belise estava encantada com a Clara. No final do jogo descemos para os balneários para os esperar. Eu estava super nervosa, pois elas tinham-se instalado nos sofás mais perto da saída, de forma a que o Javi a visse logo que saísse do balneário. A Clara, a Sara e a Bela mantinham-se junto a mim tentando acalmar-me e até a Marta se mantinha junto a nós. Os jogadores iam saindo e nós íamo-los felicitando pelo jogo, no entanto eu estava a ficar cada vez mais nervosa. Quando o Saviola saiu veio-nos cumprimentar e nós demos-lhe os parabéns pelos golos que tinha marcado. Ele agradeceu e dirigiu-se para junto delas. Apercebi-me do olhar que lançou à Romanella, provavelmente por causa da presença da Elena. Ele e o javi eram super amigos e eu tinha a certeza de aquilo o incomodava. Já só faltavam sair os quatro: Javi, Roberto, Ruben e David. Vi a porta abrir-se e saiu o Ruben e o David que vieram na nossa direcção. Ao passarem por elas o David reconheceu a Elena e eles foram-lhe falar encaminhando-se de seguida para nós.

- Ué, que é que ela ‘tá fazendo aqui? – perguntou-nos curioso. No olhar do Ruben via-se a mesma surpresa.

- Ora aí está uma pergunta para a qual eu gostaria de ter resposta David! – disse-lhe de forma seca enquanto continuava como uma barata tonta a andar de um lado para o outro – Desculpem lá, mas vocês são capazes de ir dizer ao Javi para se despachar? Eu só quero sair daqui, por favor… - o David parou-me enquanto me segurou nos braços obrigando-me a olhá-lo.

- Guigui, não se preocupa. Cê sabe que o Javi te ama. – o meu olhar não conseguia transmitir outra coisa se não angústia. Os olhos delas mantinham-se pregados em mim – ‘Tá bom, eu vou chamar ele. Respira fundo, ‘tá?

- David, hoje não é mesmo um bom dia para me pedirem calma. Por favor despacha-te a ir chamá-lo, pode ser?

- ‘Tou indo.

Ele voltou-se e quando se estava a aproximar da porta do balneário a porta abriu-se e ele saiu. Vinha na brincadeira com o Roberto e não deu pela presença dela até que viu o olhar do David e percebeu que algo se passava. Nesse exacto momento ouvi-a.

- Querido, que saudades! – ela correu na sua direcção e o seu rosto manteve-se estático a olhar para ela que nesta altura já estava a alcançá-lo.

Senti uma raiva enorme apoderar-se de mim e as lágrimas ameaçavam cada vez mais cair. O meu olhar mantinha-se cravado no Javi, esperando por uma reacção dele. Ela estava já junto a ele e os seus preparavam-se para o abraçar quando o vi finalmente afastar-se impedindo o abraço.

- O que é que estás aqui a fazer Elena?!

- Vim-te ver querido, estava cheia de saudades! Além disso presumi que talvez gostasses de companhia para o regresso a casa…

- Mas tu ‘tás-te a passar?! Saudades minhas?

- Sim. Queria fazer-te uma surpresa, mas vou-te dizer já. Estava a pensar ir passar o Natal contigo a casa!

Cada palavra dela fazia aumentar a minha raiva, as lágrimas já me tinham vencido e eu já não conseguia segurá-las. O meu corpo teimava em ceder e a fraqueza apoderava-se de mim. A Bela estava junto a mim e segurava a minha mão tentando acalmar-me. O David tinha voltado para junto de nós e mantinha-se ao meu lado, com uma mão em volta dos meus ombros. Apesar de passarmos a vida a discutir, tínhamos criado uma amizade fortíssima.

- Desculpa lá, mas tu não podes estar bem! De repente decidiste que queres fazer parte da minha vida, que abdicas das coisas para estar comigo e com a minha família? Essa oportunidade já passou Elena!

- Não dramatizes querido. Sabes que me amas! – ela voltava a tentar aproximar-se dele. O Roberto e a Marta olhavam para toda a situação sem perceber o que se passava. O meu coração batia cada vez mais descompassado.

- Elena, eu não te amo! Eu ultrapassei-te, esqueci-te e continuei com a minha vida. Eu estou bem agora, tenho alguém que amo e que tenho a certeza que me ama. E mais importante que tudo, respeita-me!

- Aquela ali?! – disse apontando para mim. A raiva apoderava-se de mim cada vez mais e apenas o facto do David me segurar fazia com que eu me mantivesse no mesmo sítio – Até parece que é mulher para ti!

- Não voltas a repetir isso. É a minha namorada e eu não te admito. E agora faz-me o favor de me desaparecer da frente que eu já perdi demasiado tempo contigo. – ao dizer isto desviou-a e dirigiu-se na minha direcção.

Assim que estava suficientemente perto senti o David largar-me enquanto ele me abraçava. Aninhei-me no seu abraço e apenas lhe consegui sussurrar:

- Tira-me daqui, por favor.

Como eles tinham vindo nos carros do David e do Ruben de manhã e nós tínhamos vindo no do Roberto à tarde tivemos que ir novamente com eles. A Clara, o Ruben, o Roberto e a Marta foram nos respectivos carros, enquanto eu e o Javi fomos com o David e a Sara. O caminho de regresso foi feito em silêncio. Ninguém conseguia pronunciar uma palavra que fosse. Eu apenas conseguia chorar enquanto o Javi me mantinha presa num abraço e olhava para a janela tentando esquecer o que se tinha passado. Quando chegámos a casa eles perceberam que nós precisávamos de estar sozinhos. A Clara dormiu em casa do Ruben e a Sara na do David. Quando eles saíram nós mantínhamo-nos no sofá. Toda aquela cena continuava a repetir-se incessantemente na minha cabeça.