O jantar não tinha corrido da melhor forma, a amiga dos rapazes, que eu já me lembrava de onde a conhecia, não tinha sido muito simpática. A certa altura até foi desagradável, pelo menos comigo e com a Guigui. Tentei não dar grande importância, pois era amiga do Ruben e não queria confusões, até porque era normal estar desconfiada, afinal eles eram pessoas conhecidas e muita gente se aproximava deles por essa mesma razão. Decidi esquecer o assunto, eu tinha a consciência tranquila e mais tarde ou mais cedo ela ia perceber que eu não estava com ele por interesse.
Depois daquele jantar estranho, a Inês resolveu ir embora, despediu-se da Bela e deu um adeus geral aos restantes. Com a partida da Inês, o ambiente ficou bem melhor, a Bela veio sentar-se perto de mim e falámos sobre variadíssimos assuntos, terminando no assunto que mais me deixava a vontade e feliz, o lar. Ela pediu-me para ir comigo visitar o lar, ao que eu respondi afirmativamente. Durante toda a nossa conversa vi que o Ruben nos olhava, observava-nos com aquele olhar meigo e feliz. Foi então que eu saí na rifa, resolveram deixar-me envergonhada. Começou a Guigui e o Ruben e quando eu já estava totalmente envergonhada, finalizou o Javi, era incrível como eles adoravam deixar-me encavacada com os elogios…
Como estava a ficar tarde a Guigui, a Sara, o David e o Javi foram indo. Eu fiquei mais um bocado com o Ruben para ajudar a Bela. No entanto ela não deixou, mandou o Ruben fazer-me companhia e pediu ajuda ao Mauro.
O Ruben levou-me até à cave, numa das divisões estava uma pequena sala onde tinha várias recordações, coisas que a Bela tinha guardado ao longo de vários anos. Eram fotos, camisolas, botas, notícias de jornais, medalhas, taças e vários prémios, coisas não só do Ruben, mas também do Mauro.
- Tens uma mãe muito babada… - disse-lhe.
- Sim, é verdade. A minha mãe sempre nos apoiou em tudo. Quando fui dispensado do Benfica, fui-me um bocado a baixo, ainda era puto e terem-me dispensado fez-me pensar que se calhar o meu futuro não era aquele. Mas ela esteve sempre lá, fez-me ir bater a portas que eu nunca imaginaria bater, como por exemplo ao Sporting…
- Ao Sporting? ‘Tás a gozar?!
- O pior é que não estou mesmo, fui lá fazer um teste e mandaram-me ir lá treinar no dia seguinte. O dia seguinte é que não chegou, não consegui ir para o Sporting, isto de se ser benfiquista tem muito que se lhe diga…
- Não acredito que tu ponderaste ir para o Sporting… - disse enquanto me afastava dele.
- Ei, onde pensas que vais? – agarrou-me e puxou-me para ele novamente, enquanto sorria – Eu não ponderei nada, fiquei com raiva de ter sido dispensado e fui bater à porta do maior rival, era miúdo, é normal ter atitudes destas… Mas o que interessa é que não fui capaz de jogar no Sporting, não sou nenhum traidor.
- Acho bem. Até porque eu duvido que fosse capaz de namorar com um jogador do Sporting. – disse brincando com ele.
Ele sentiu a provocação e entrou na brincadeira – Então ainda bem que não sou jogador do Sporting, senão ia ter muito trabalho a conquistar-te. – beijou-me.
- Não amor, o teu trabalho ia ser impossível… - continuámos na troca de beijos e provocações.
- Humm, então quer dizer que namoras comigo por causa da camisola que visto?
- Não, mas a cor da camisola ajuda…
- Pois, eu sou um homem com muito bom gosto, vê-se bem pela namorada que escolhi. Consegui escolher a mais bonita… - quando acabou de o dizer lançou-se novamente à minha boca, beijou-me e o ambiente começou a aquecer, ele agarrou-me, puxou-me e caímos os dois em cima do sofá. Estávamos naquele clima quando com o movimento do sofá, este bate na mesa que estava perto e cai uma moldura ao chão. Aquele barulho conseguiu quebrar a intensidade do momento. Eu levantei-me atrapalhada e baixei-me para apanhar a moldura e gelei quando olhei para a fotografia. Era o Ruben e a Inês, ela dava-lhe um beijo na bochecha e ele fazia aquele sorriso maravilhoso. Senti um click na minha cabeça, tinha decidido não ligar ao que a Inês pensasse de mim, mas perante aquela imagem foi difícil. Ela era muito importante na vida dele e eu não queria meter-me no meio.
- Não devíamos… - disse ao pôr a moldura novamente em cima da mesa.
- Não digas nada. – puxou-me para ele – Anda cá, vamos continuar.
- Não, pára lá. A tua mãe e o teu irmão estão lá em cima.
- Estava tão bom... Anda para aqui, vá lá.
Eu não tirava os olhos de cima da fotografia. – Não, pára! – disse-lhe de forma mais brusca.
- Hey, tem calma! Também não é preciso tanto, só estava a brincar.
- Tu não estavas a brincar, estavas a ver se eu caía. Mas esquece, estamos em casa da tua mãe, não vai acontecer nada.
- Só porque não queres, bem que podias ser mais doida. Sabes que a adrenalina aumenta o desejo… - ele continuava a tentar, enquanto se aproximava outra vez de mim…
- Já te pedi para parares, não consegues respeitar?
Ele desistiu, tirou o sorriso malandro da cara e sentou-se no sofá – Desculpa?
- Estás desculpado…
- Vais-me dizer o que aconteceu? Porque é que ficaste assim?
- Não aconteceu nada, estou normal.
- Não estás nada, de repente ficaste estranha. – constatou.
- Não fiquei nada, simplesmente acordei e vi que não estou em casa. Estamos em casa da tua mãe e temos que a respeitar. Não acho correcto estarmos com estas intimidades aqui.
- Ok, ok. Se não te sentes confortável por mim está óptimo.
- Vamos indo? – pedi – Amanhã tenho de me levantar cedo.
- Sim, vamos lá.
Despedimo-nos da Bela e do Mauro e entrámos no carro em direcção a minha casa. O caminho foi feito em silêncio, eu tinha a cabeça com mil dúvidas e acho que ele percebeu que eu não estava bem e por isso não disse nada. Quando chegámos eu virei-me para ele e dei-lhe um beijo.
- Até amanhã! – disse-lhe
- Não me vais convidar para entrar? Ou para ir dormir contigo? – perguntou espantado com a forma como me despedi dele.
- Já é tarde, amanhã tenho trabalho e tenho de me levantar cedo, suponho que te levantes mais tarde, por isso é melhor não dormires cá.
- Ok. – disse desconsolado. – Até amanhã.
- Até amanhã. – beijei-o novamente e saí do carro. Ele esperou que eu entrasse no prédio e lhe dissesse adeus, seguindo de seguida para casa.
Quando entrei em casa já não se ouvia barulho, elas já dormiam. Eu fui fazer o mesmo, vesti o pijama, lavei os dentes e deitei-me à espera que o Ruben me mandasse mensagem. Mal a recebi, respondi e deitei-me, adormeci rapidamente entre lembranças do dia que agora tinha terminado.
Terça-feira (8.00h)
Já estava arranjada para sair, estava cheia de sono, pois era péssima para acordar. Era daquelas pessoas que gostava de dormir até mais tarde, ou de ficar a fazer ronha na cama. Mas as responsabilidades chamavam-me e o trabalho estava à minha espera. Mal saí de casa apanhei um acidente no caminho, eu tinha saído tão cedo para não chegar atrasada e afinal apanho um acidente que me troca os planos.
Cheguei à empresa já passava das 9.00h, segui para o meu gabinete e iniciei o meu trabalho. Tinha várias coisas pendentes, como no dia anterior não tinha lá estado já havia coisas para eu resolver. O Ruben ligou-me pouco depois das 12.00h, não foi uma conversa muito grande porque eu tinha coisas para fazer, ele ficou de me ligar à tarde, quando saísse do treino, para falarmos melhor.
Há hora do almoço apareceu o Tiago e a Bá a chamarem-me para almoçar, lá fui com eles. A Bá não abriu a boca uma única vez, senti que ela queria falar comigo mas que tinha medo da minha reacção.
Passado pouco tempo do almoço terminado, já estava eu novamente no gabinete, batem a porta:
- Posso Clarinha? – perguntava a Bá.
- Sim, diz…
- Eu queria falar contigo.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntei preocupada, a Bá não era pessoa de dar o braço a torcer com facilidade, a menos que tivesse a certeza que tinha agido mal.
- Aconteceu. – eu olhei preocupada – Estamos chateadas e eu não aguento mais, preciso da minha amiga.
- Achas que eu quero estar chateada contigo? – perguntei-lhe, não a deixei responder e continuei – Bá tu magoaste-me muito. Como já te disse, se achas que eu me estou a precipitar tens o dever de me avisar, mas também tens que me compreender, eu estou feliz. Por mais estranho que possa parecer o Ruben faz-me bem.
- Desculpa Clara, a vida é tua e tu tens que tomar as tuas decisões. Eu já falei contigo, sabes a minha opinião. O meu erro foi querer fazer-te ver uma coisa que não vês porque estás apaixonada, mas não vou cometê-lo novamente. Só reforço o que já te tinha dito, eu acho que vais sofrer com esta relação, mas aconteça o que acontecer, tu és minha amiga, és a minha melhor amiga e eu vou estar aqui sempre. Quer seja para ter ver chorar, ou rir… Eu só não quero que estejamos assim, chateadas…
- Eu também não Bá, tu és importante demais na minha vida. Nem sabes como me estava a custar estar assim contigo.
Estivemos imenso tempo as duas na conversa, pude contar-lhe tudo sobre o Ruben e senti que ela mudou um bocadinho a opinião em relação a nós. Não contei do meu medo em relação à Inês pois sabia que era por aí que ela ia começar a pegar quando quisesse implicar com a minha relação.
O resto da tarde passou normalmente, quando dei por mim eram horas de sair. Fui directa ao lar e quando ia a sair do carro recebo a chamada do Ruben.
- Estou?
- Oi princesa, saí agora do treino. Não queres ir jantar?
- Cheguei agora ao lar, queria ir dar um beijinho ao meninos.
- Também ainda é cedo, ias aí dar-lhes um beijinho e depois jantávamos, que dizes?
- Sim, pode ser. Eu quando sair daqui ligo-te.
- Ok, eu depois vou-te buscar a casa.
- Está bem, beijinhos
- Beijinhos
Assim foi, fui dar um beijinho aos meus meninos, perguntei-lhes se tinham gostado do passeio do dia anterior e fui embora. Conduzi até casa e quando lá cheguei já lá estava o Ruben, o David e a Sara.
Cumprimentei-os e pouco depois saímos. O Ruben levou-me a jantar a um restaurante nas docas, o sítio era reservado e acolhedor. Contei-lhe que tinha feito as pazes com a Bá, vi que ele ficou um pouco “de pé atrás”, pois não sabia se havia de ficar contente por mim, ou ficar com medo de que ela nos pudesse separar. Ele aproveitou para me contar o que se tinha passado entre o Javi e a Guigui e eu fiquei um pouco preocupada com ela.
Saímos do restaurante e ele levou-me a casa, seguindo em seguida para a dele. Quando entrei em casa, a Sara ainda estava acordada, falámos durante algum tempo e o assunto era aquele que me andava a fazer confusão nestes últimos dias, a Inês. Ela contou-me como foi quando se conheceram, das coisas desagradáveis que esta lhe dizia constantemente e até das vezes que ela se tinha intrometido no seu namoro. Mandou-me ter cuidado, mas acima de tudo não esquecer nunca o que eu sentia pelo Ruben, porque só assim nós íamos conseguir ser felizes juntos. Depois daquela conversa fomos dormir, estávamos as duas cansadas, no entanto demorei mais que o normal a adormecer. Aquelas dúvidas e inseguranças em relação à Inês não me saíam da cabeça. Ela era super amiga dele, conheciam-se desde pequenos e deviam confiar muito um no outro. Qual seria o meu papel ali no meio? Será que eu ía realmente ter oportunidade para ser feliz com o Ruben, ou ía ter alguém a fazer-me a vida negra. Lembrei as palavras da Sara ao dizer-me para nunca me esquecer do que sentia pelo Ruben e sinceramente foi ao lembrar-me dele e do seu significado na minha vida que consegui finalmente adormecer…
Aiai essas dúvidas todas!!! Cá para mim ainda vão dar que falar :P
ResponderEliminarContinua, adoro mesmo a vossa fic
Beijao (L)
Tão lindo!!
ResponderEliminarpara variar ...
Quero mias
Beijinho minhas lindas :)
quero mais...
ResponderEliminarcontinua...
Ca' para miim essa Inês aiinda vaii dar muiito que falar.. =P
ResponderEliminarQuerO maiis...
BjnhOo
Huum esta Inês n me cheira bem, mas isso será ultrapassado, espero...
ResponderEliminarAdoro
Estou à espera de mais :) :) :)
Beijinhos
Como é que é possível que eu cada vez goste mais desta história? A verdade é que gosto! :D
ResponderEliminarEstou ansiosa pelo próximo capítulo :)
Adorei o capitulo!!!
ResponderEliminarVisita a minha novaa fic :)
http://lisa-fairytale.blogspot.com/
beijinho