sábado, 18 de dezembro de 2010

Capítulo 41 - A desilusão

Meninas o espanhol não é o meu forte, por isso em vez de me aventurar a mandar alguma calinada na gramática espanhola, escrevo todas as falas em português. Desculpem…


(narrado pela Clara)


O jantar estava a correr normalmente, grande parte dos presentes eram espanhóis e como sempre quando os homens predominam em determinado espaço, predomina também o assunto que mais os une por um lado e os separa por outro, o futebol. Como é óbvio eu tive que me meter ao barulho, era um assunto que gostava bastante de debater e ainda gostava ainda mais pelo facto de ser mulher e os deixar estupefactos com o meu entendimento na matéria. Os clubes de que se falava eram dois, o Real Madrid e o Barcelona, os grandes rivais espanhóis. Eu estava numa “discussão” bastante civilizada com um adepto do Barcelona até que este chama alguém…

- Sr. Presidente tenho alguém que gostaria de lhe apresentar. – Disse. O homem chegou perto e olhou para mim. – Esta é a Clara Marques, e é uma grande adepta do seu Real…

- Muito prazer Clara. – Cumprimentou-me.

- Prazer Sr. Presidente. – Eu nem estava a acreditar, tinha sido apresentada ao Presidente do Real Madrid e ele estava ali mesmo a minha frente.

- Muito bonita a menina, então quer dizer que é adepta do Real? – Perguntou

- Bom, posso dizer que de Espanha é o clube com que simpatizo. Porque adepta só mesmo do melhor clube português e de um dos melhores do mundo.

- Então presumo que sejas do Benfica?

- Certo.

- Grande clube sim, com grandes jogadores.

- Sim, grandes jogadores que são nossos, já nos foi buscar o Di, nem pense em nos tirar outro.

- Não sei, temos alguns bastante bem referenciados.

- Pois, mas que nos fazem falta. Não se atreva a ir buscar algum agora em Janeiro, se quiser algum, espere pelo mercado de Verão. Eles primeiro têm de ser campeões.

- Pode ser que possamos chegar a um entendimento, também temos alguns jogadores que podem vos fazer jeito.

- Sim, mas o entendimento tem de ser vantajoso para os dois lados e não me parece que isso seja possível.

- Estou a ver que temos aqui uma grande adepta de futebol.

- Posso dizer que percebo qualquer coisita.

- Já viu o Real Madrid ao vivo?

- Não, ainda não tive esse prazer.

- Então e que me diz de amanhã assistir ao jogo no camarote presidencial?

Eu fiquei incrédula com a pergunta, não estava a espera de ser convidada para assistir ao jogo e muito menos para assistir no camarote presidencial. – Muito obrigada pelo convite, com muita pena minha vou ter que recusar, volto amanhã para Portugal.

- Mas no Domingo há mais voos, tenho um enorme gosto que vá assistir ao jogo. – Disse tentando convencer-me.

- Como disse, muito obrigado mas não posso mesmo. No Domingo já tenho que estar em Portugal. O meu namorado é jogador de futebol e tem jogo no Domingo. Tenho mesmo que ir assistir.

- Compreendo, haverá outras oportunidades. Então e o seu namorado joga em que clube?

- No melhor.

- Benfica? – eu afirmei com a cabeça. – Ah, e como se chama?

- Ruben Amorim, joga a médio.

- Sei perfeitamente, é um jogador que pode fazer várias posições sem comprometer. Posso-lhe dizer que estamos atentos a ele, o mister Mourinho gosta de jogadores como ele.

- Sim, o Ruben é realmente bom jogador, podia ser melhor se se concentrasse apenas numa posição. A sua polivalência é óptima para um treinador, mas para ele acaba por prejudicar pois impede-o de evoluir numa só posição.

- Verdade. Mas acredite que jogadores como ele são essenciais num plantel.

- Sim, no banco de suplentes são óptimos.

- A menina percebe mesmo, afinal parece que os homens andam enganados, as mulheres ainda por cima bonitas, também percebem de futebol.

- Sim, sempre subestimaram as mulheres, nuns assuntos já somos incluídas, no entanto, no que diz respeito ao futebol ainda somos descriminadas.

- Tem razão… Mas futebol é mesmo assunto de homem.

Continuámos na conversa e começamo-nos a aperceber que as pessoas começavam a ir embora. O Tiago e a Bá também já estavam numa de ir embora e foi o que fizemos, despedimo-nos, agradeci mais uma vez ao Presidente do Real Madrid o convite e despedi-me dele.
Durante o caminho fui a contar ao Tiago a minha conversa com o Presidente do Real, ele ouvia-me atentamente assim como a Bá.

- ‘Tás com sorte, se o teu jogador da bola vier para Madrid as viagens não são assim tão longas. – meteu-se ela.

- Pois, parece que vais deixar de ter pretextos para implicar com ele.

- Fica mais perto, mas uma relação a distância não funciona, já devias saber disso. Ainda por cima, sabes que sendo jogador do Real vai ter muitas mulheres à volta, achas mesmo que ele continuará contigo?

Eu fiquei chocada com a pergunta, como era possível ela que me conhecia e era minha amiga ser tão cruel. Eu limitei-me a abanar a cabeça como que lhe dizendo “Nem vale a pena responder…”. Quando chegámos ao hotel, ela continuou, deu para ver que ela não ia desistir de me chatear em relação ao Ruben.

- Clara tu não podes andar a enganar-te desta forma, ele não é para ti. Anda a gozar com a tua cara e depois vai-te deixar, vais sofrer outra vez… Porque é que achas que não falaram hoje? Ele tem mais do que fazer, do que perder tempo a falar contigo ao telefone.

- Chega Bárbara, já te disse para não te meteres na minha vida. Se sofrer sofri, mas pelo menos tentei ser feliz. Tu és minha amiga, és das pessoas que melhor me conhece, sabes que preciso de pelo menos tentar ser feliz.

- Eu não vou assistir ao teu sofrimento outra vez…

- Mas porquê sofrimento? Tu não estás feliz com o Tiago? Porque é que te custa ver que eu estou bem com o Ruben? Tu estiveste ao meu lado quando eu mais precisei e eu nunca vou esquecer isso. Mas esse sofrimento já passou, teve que passar e o Ruben está a fazer com que eu volte a amar…

- AMAR?? Como é que tu podes comparar o que sentias pelo Marco com o que pensas sentir pelo Ruben?

- Chega Bárbara, deixa estar a Clara. Eu tenho-me calado mas agora chega, ela tem o direito de ser feliz tal como qualquer outra pessoa. Lembraste as vezes que comentaste comigo como gostavas que ela encontrasse alguém que a fizesse feliz. Ela agora encontrou, querias que ela viesse connosco para lhe abrires os olhos, mas ela não precisa. Ela sabe o que quer e tu não tens que te meter mais. Ou queres perder o que resta da vossa amizade? – meteu-se o Tiago já irritado com a conversa.

- Ela quis que eu viesse convosco? Que história é essa?

- Nada Clara, coisas nossas…

- Coisas vossas não, isso quer dizer que o teu pai não sugeriu que eu viesse?

- A principio não, mas depois quando falei com ele disse que sim, que era uma boa ideia.

- Qual era o objectivo de eu vir Bá? Afastares-me do Ruben? Passares estes dias todos a mandar bocas para aumentar as minhas inseguranças?

- Sim, queria afastar-te dele. Mas para te abrir os olhos. Mas pelos vistos estás completamente cega…

- Quem me dera estar cega, porque assim não acreditava que me fizesses uma coisa destas. Para mim chega Bá, eu hei-de te estar grata para o resto da minha vida, foste minha amiga enquanto eu mais precisei e eu nunca vou esquecer isso. Mas na minha relação com o Ruben já não tens o direito de interferir, eu estou feliz com ele e isso devia ser suficiente para estares feliz por mim. Se não estás problema teu. Parece que não resta muito desta amizade Tiago…

Virei costas e fui para o quarto, não queria acreditar que a minha grande amiga me tinha feito uma coisa daquelas, ela pelo menos tinha que ficar feliz por mim, mas não fez pior, tentou acabar com ela. Aquela discussão deixou-me desfeita, é horrível perder alguém que é tão importante na nossa vida. Já era tarde, apeteceu-me apanhar o primeiro avião para Lisboa mas no dia seguinte ainda tinha o congresso de manhã. Resolvi ir à recepção e perguntar que voos haviam para Lisboa no dia seguinte. O recepcionista viu e disse-me que havia um às 13.30h e o outro em que eu era para ir às 20h. Como o Congresso era só de manhã resolvi pedir para me marcar a passagem para o voo da 13.30h, a última coisa que queria era passar uma hora com a Bá num avião. Fui para o quarto, vesti o pijama, fiz a higiene e deitei-me, deu-me uma enorme vontade de falar com o Ruben mas já era tão tarde… Resolvi mandar-lhe uma mensagem, as palavras da Bá ainda estavam na minha cabeça e por mais que eu não quisesse as dúvidas iam surgindo, estávamos separados e eu não tinha conseguido falar com ele o dia todo.

“Olá, parece que andamos desencontrados… Cheguei agora do jantar, estou super cansada e cheia de saudades tuas. Quando acordares provavelmente já estou no congresso por isso falamos ao almoço… Estou a morrer longe de ti… Adoro-te, beijo J.”

Deitei-me e só acordei no dia seguinte com o som do despertador do telemóvel. Como eu gostaria que o meu acordar fosse diferente… Mas era impossível, pelo menos hoje, amanha de certeza que ia ser muito melhor. Vesti-me e arranjei a mala, sabia que logo que saísse do congresso tinha de ir direita para o aeroporto por isso tinha de ter tudo arranjado. O congresso demorou tanto a passar, eu estava a desesperar. Quando finalmente terminou despedi-me do Tiago e fui para o aeroporto, no caminho decidi ligar à Sara e à Guigui para as avisar do meu regresso.

- Estou? – atendeu a Guigui.

- Alô lindona…

- Então Madrid como está?

- Está bem, uma cidade lindíssima. E como estão as coisas por ai?

- Tudo na maior, a Sara está a fazer a mudança, levou-me o espanhol. Ficou com o teu tuga, e com o brazuca…

- Então ela está bem guardada…

- Sim, não te preocupes.

- Olha sabes a que horas é o treino deles hoje?

- É às 17h, porquê?

- Porque eu estou agora a chegar ao aeroporto, vou mais cedo e queria ver se tu ou a Sara me iam buscar? E aproveitava fazia uma surpresa ao Ruben.

- Fofinha sabes que adorava ir-te buscar mas ‘tou sozinha com o Ico no bar, ele vai dar aulas e alguém tem que ficar aqui.

- Sim, eu ligo a Sara. Só não queria que o Ruben soubesse, ainda por cima se estão juntos.

- Faz assim, eu ligo à Sara e combino com ela. A que horas chegas?

- Então vou sair daqui à 13.30h, por isso devo chegar por volta das 15h, quer dizer 14h aí…

- Então não te preocupes, eu falo com ela e ela vai-te buscar…

- Obrigada, até logo.

- Até logo.

Desliguei e liguei ao Ruben.

- Finalmente amor…

- Tens razão, já estava a ficar maluca de não conseguir falar contigo. Então que andas a fazer?

- Estou em tua casa, a Sara requisitou-nos para as mudanças…

- Ahh, está bem. Logo sempre dormes aí?

- Se não te importares, sabes que eu também não… Então como foi ontem o jantar? Correu tudo bem?

- Sim, foi agradável… Conheci algumas pessoas.

- Devo ficar preocupado?

- Claro que não, eu adoro-te.

- Eu também, e adorei a mensagem que mandaste… Logo a que horas chegas?

- Lá para as 21h… - menti-lhe para era por uma boa causa. – Podes passar à Sara, por favor?

- Ela agora está ao telefone.

- Ok, então vá, até logo. Adoro-te.

- Também eu. Beijo.

Desligámos, fiz o check in e quando fizeram a chamada para o voo, entrei no avião. Mais uma vez o tempo custou a passar, encostei a cabeça no banco a olhar para a janela. Devo ter adormecido, porque quando dou por mim oiço o comandante a anunciar que estávamos a chegar a Lisboa. Quando chego cá fora não foi preciso ligar à Sara, ela já lá estava à minha espera.

- Clarinha!

- Então amiga? Como te safaste dos rapazes?

- Disse-lhes que ia buscar almoço.

- Opá o Ruben à bocado perguntou-me a que horas eu vinha, custou-me tanto mentir-lhe…

- Não te preocupes, foi por uma boa causa. Então e como foi Madrid? A viagem correu bem?

Pelo caminho lá lhe contei as peripécias da minha viagem, as discussões com a Bá, a pequena volta que demos pela cidade, o jantar do dia anterior.
Passamos no super mercado para comprar qualquer coisa para fazer para o almoço e fomos para casa. Chegamos a porta de casa a Sara entrou e eu fiquei lá a espera:

- Ruben? Podes dar ali uma ajuda, ainda ficaram coisas lá fora. – Pediu-lhe a Sara.

- Deixa o Ruben amor, eu te ajudo. – Ofereceu-se logo o David.

- Não que preciso da tua ajuda aqui. – Dizia ela.


(Narrado pelo Ruben)

Acordei de manhã e fui ao telemóvel para tentar falar com a Clara, vejo que tinha uma mensagem e leio-a. Foi óptimo ler que ela estava cheia de saudades, porque eu também as tinha. Pressenti que a nossa relação não corria risco, porque se assim fosse provavelmente nem tinha recebido qualquer mensagem. Estava ansioso que ela chegasse e o tempo custava a passar. Como estava combinado fui ter a casa da Clara, a Sara ia fazer a mudança e nós tínhamos nos disponibilizado para ajudá-la. A manhã passou rápido e quando dei por mim eram 11h, e tinha o telemóvel a tocar. Era a minha Clarinha, finalmente consegui falar com ela. Não deu para matar todas as saudades mas pelo menos foi melhor que no dia anterior. Estava perto da hora do almoço quando a Sara saiu para ir fazer compras para o almoço. Ela regressou mais de uma hora depois e pediu-me ajuda com as compras, achei estranho não pedir ao David mas lá fui eu. Quando cheguei lá, em vez de sacos tinha alguém com um sorriso nos lábios a olhar para mim.

- SURPRESAAAAA! – disse ela enquanto largava as coisas e me abraçava.

Abracei-a com todas as minhas forças, estava cheio de saudades e a avaliar pela forma como ela me abraçou eu não era o único com saudades. Demos um enorme beijo super apaixonado.

- Aconteceu alguma coisa para vires mais cedo? – Perguntei-lhe.

- Só saudades tuas…

- E eu tuas. Foi uma tortura estar separado de ti. – Disse enquanto a abraçava novamente. Os abraços e beijos não paravam, eu tinha tido tantas saudades dela, que era normal toda aquela manifestação.

4 comentários:

  1. Cucu, passei por cá só para reforçar o quanto gostei do capítulo!!!

    Sabes bem o que penso em relação a vocês, adoro-vos, são pessoas fantásticas cada vez tenho mais certeza disso!!!

    Continuem a publicar, mas acima de tudo a serem as amigas que são!!!

    Beijinhos

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  2. magnifico...

    quero mais...

    posta mais hoje, por favor...

    continua...

    fico á espera muito anciosa pelo proximo...

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  3. Olá:
    Como vocês já sabem não perco um. :)
    Muito bom, gosto muito deste casalinho :), estou com vontade é de ler mais...
    Beijinhos meninas.

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