sábado, 26 de fevereiro de 2011

Capítulo 81 - Emoções fortes!



(narrado pela Catarina)

Depois do episódio com o Pablo na cozinha, nos anos do Javi, nós começámos a sair juntos algumas vezes.Fomos jantando juntos alguns dias e chegámos até a ir juntos aos anos do Roberto. Era domingo, dia de jogo e dia da festa do Luisão. A Sara e a minha prima tinham-me convidado a ir com elas ver o jogo para o camarote. Alinhei e diverti-me imenso, realmente o resto do pessoal era super simpático. Ganhámos o jogo por 3 - 0, com um golo do Pablo. Vi aquele sorriso envergonhado aparecer, super feliz pelo golo que tinha marcado. Fiquei feliz por ele, ao mesmo tempo que comecei a imaginar aquele homem, com aquele sorriso noutras situações.
- Priminha, podes tirar esse sorriso parvo da cara...
- Deixa de ser parva Guigui!
No final do jogo desci com elas até à sala de espera, onde aguardámos que eles se despachassem. O Pablo foi um dos primeiros a sair. Cumprimentou-nos e ficou junto de nós. O resto dos rapazes começaram também a sair, até que o grupo se completou.
- Priminha, vens connosco? Eu e o Javi ainda vamos passar por casa.
- Deves estar a brincar, não? Passam por casa, ficam a namorar e eu a segurar a vela, não? Vou antes ali com aqueles, - disse apontando para a Sara, o Ruben e o David - ao menos ali há um solteiro.
- Se quiseres podes ir comigo... - disse o Pablo com um sorriso envergonhado.
- Também pode ser. Assim largo os casalinhos que já ando farta deles! - pisquei-lhe o olho.
Assim fizemos, saí dali com ele, enquanto os restantes ainda lá ficaram. O Pablo perguntou-me se me importava que passássemos por causa dele, pois precisava de ir trocar de roupa. Disse que não me importava nada e saímos em direcção à sua casa. Ao chegarmos ele convidou-me logo para entrar. Assim que entrei, pude comprovar aquilo que já suspeitava: o Pablo era mesmo uma pessoa super simples, nada de extravagâncias. A sua casa tinha uma decoração super simples, nada que saltasse muito à vista ou chamasse à atenção, mas ainda assim tudo muito elegante. Enquanto ele foi trocar de roupa aproveitei para ir até à casa-de-banho. Assim que saí, e ao passar ao longo do corredor, o meu olhar prendeu-se nele, naquele tronco perfeitamente esculpido, que se via para lá da porta do seu quarto que estava escancarada. Nesse exacto momento ele voltou-se na direcção da porta, encaminhando-se para o roupeiro. Ao ver-me ali parada a olhá-lo, aquele sorriso maravilhoso voltou a aparecer.
- Precisas de alguma coisa?
Sorri-lhe a aproximei-me. A minha mão passou ao de leve desde o seu umbigo, subindo ao longo do tronco, acabando por pousar no seu ombro.
- Que vontade... - sussurrei-lhe ao ouvido.
Não tive tempo de terminar o que ía a dizer, as suas mãos colaram-se à minha cintura e suavemente encostou-me à parede. Beijou-me com desejo e senti a sua mão descer até ao meu joelho e voltar a subir por baixo da minha saia. Cuidadosamente elevou o meu corpo do chão e sentou-me sobre a cómoda. Estávamos em completo êxtase, quando fomos interrompidos pelo toque do meu telemóvel. O Pablo afastou-se eu sorri ao ver a sua cara.
- Parece que temos de ir andando fofinho. É melhor acabares de te vestir.
Saí em direcção à sala. Atendi o telemóvel e vi que era a Guigui, ao que parece eles já íam para o BBC, disse-lhe que também já estávamos a caminho. Desliguei o telemóvel e não demorou muito a que o Pablo entrasse na sala. Sorriu-me e pegou na minha mão assim que chegou perto de mim. Saímos em direcção ao BBC. A noite foi super divertida, apesar de passar grande parte da noite perto dele, ninguém desconfiou de nada. No final da noite ele acabou por me levar a casa, e combinámos de ele ir ter comigo no dia seguinte. Despedimo-nos e ele seguiu para casa, enquanto eu fiquei a pensar naquele homem de sorriso maravilhoso que, aos poucos, estava a entrar na minha vida. Subi e adormeci com aquele pensamento.
Acordei no dia seguinte super bem disposta, se bem que de uma forma algo agitada, devido aos acontecimentos naquela casa. Como ainda não tinha arranjado trabalho, aproveitei e passei o dia com o Pablo, fomos passear por Cascais. À tarde ele teve que ir para o treino e deixou-me em casa. Ficou de me ir buscar no final do treino para irmos jantar juntos. FIquei em casa com a Sara, uma vez que a Guigui continuava desaparecida e a Clara estava a trabalhar. Aproveitámos para ver um filme e pôr a conversa em dia. A Clara chegou ao fim da tarde e elas acabaram por se irem arranjar, a Sara ía jantar com o David e a Clara tinha também aceite o convite do Ruben para jantar- Não lhes contei do convite do Pablo, pois não queria que começassem a mandar bocas. Depois de elas saírem fui-me arranjar e esperei por ele. Ele chegou à hora combinada e saímos, ao chegarmos ao carro deu-me um ramo de rosas vermelhas o que me deixou encantada. Levou-me até sua casa, já tinha reparado que ele odiava que falassem da sua vida, pelo que a tornava o menos pública possível. Quando lá chegámos vi a mesa impecavelmente posta, e um cheiro maravilhoso sentia-se no ar. Ele levou o jantar para a mesa e, enquanto me servia de vinho, segredou-me ao ouvido.
- Espero que hoje não haja interrupções.
Ao terminar de falar deu-me um leve beijo na face, ao que eu lhe respondi com um sorriso. O jantar estava animado, os copos de vinho sucediam-se e o controlo era cada vez menos. No final do jantar ele levantou-se, colocou uma música ambiente e convidou-me para dançar. Aceitei e senti-o juntar os nossos corpos, um arrepio invadiu o meu corpo e o desejo de o ter mais perto de mim era cada vez maior. Ele começou a dar-me leves beijos no pescoço e, instintivamente, elevei as minhas mãos até ao seu pescoço, começando a desapertar-lhe os botões da camisa, um a um, deixando o seu tronco a descoberto. Ele não se fez rogado e puxou a minha camisola para cima, enquanto nos encaminhava para o sofá. A minha boca procurou a dele avidamente. As nossas mãos continuavam a libertar-se da roupa que tínhamos nos nossos corpos. O desejo estava a deixar-nos incontroláveis e os nossos corpos pediam por mais. Acabámos por cair no sofá, apenas com a roupa interior vestida, os beijos sucediam-se e era dificil o clima aquecer mais do que aquilo. Eu não estava minimamente interessada em ficar por ali, e notei que ele também não. As minhas mãos desceram até ao fundo do seu tronco e comecei a despir-lhe os boxers. Ele fez o mesmo com a única peça de roupa que ainda estava no meu corpo e não demorou muito a que o sentisse a querer entrar. Facilitei e os nossos corpos uniram-se. Começámos uma dança calma, mas completamente prazerosa. Inverti as posições e fiquei eu sobre ele. A dança continuava e o ritmo aumentava cada vez mais. O desejo consumia-nos e acabámos por atingir o orgasmo ao mesmo tempo e os nossos corpos caíram, lado a lado.
- Feliz dia dos namorados...
Ao ouvi-lo um sorriso parvo desenhou-se no meu rosto. Olhei-o e aquele maravilhoso sorriso dele chegou para compreender o que queria dizer. Aninhei-me no seu peito e ficámos assim.




(Narrado pelo Ruben)

Aquela noite tinha sido a melhor dos últimos dias, é certo que não tínhamos feito as pazes completamente, mas só o facto de pudermos matar todas as saudades já foi óptimo. Acordei naquela manhã no sofá com a Clara sobre mim, esbocei um sorriso, estava realmente feliz.

- Bom dia dorminhoca… - disse quando senti que ela se mexeu.

- Bom dia… - respondeu-me levantando a cabeça e dando-me de seguida um beijo nos lábios – Importas-te que tome um duche? Assim passava em casa só para mudar de roupa…

- Claro que não me importo… Mas será que eu podia fazer-te companhia?

Ela olhou para mim e eu não consegui decifrar o que estaria ela a pensar, será que estava a abusar da sorte?

- Desta vez eu deixo, até porque eu estou cheia de saudades dos nossos banhos… - disse trincando de seguida o seu lábio inferior. Confesso que aquilo me deixou louco.

- Clarinha, assim eu não aguento… A noite passada e agora essa provocação dão cabo de mim.

- Ok, então se calhar é melhor eu tomar banho sozinha… - disse levantando-se logo. Agarrei-a e voltei a pô-la sobre mim.

- Não vais não, se já deixaste agora não podes voltar atrás…

Levantámo-nos os dois e seguimos para a casa-de-banho. Tomámos um banho super demorado, entre carícias e beijos, ouvi-o dizer por várias vezes que me amava, o que me deixava confiante para o nosso futuro. A certa altura tivemos que nos despachar, ela já estava um pouco atrasada e por isso saímos do banho. Para não variar ela demorou mais tempo e enquanto ela acabava de se vestir, eu fui arranjar o pequeno-almoço, foi então que ouvi o seu telemóvel tocar, era som de mensagem.

- Clara? Recebeste uma mensagem… - disse-lhe.

- Deve ser a Bá, podes responder-lhe que eu vou chegar um bocadinho atrasada? – pediu-me.

- Sim.

Fui buscar o telemóvel dela e li a mensagem, não quis acreditar no que tinha acabado de ler… Não fiz nada, esperei apenas que ela descesse, o que não demorou muito…

- Então, mandas-te? – perguntou-me ao ver o telemóvel em cima da mesa.

- Não era a Bá.

- Não? Então?

- Era o teu querido Miguel, agora sim percebi essa urgência toda em ir ao Algarve. Vieste consoladinha, foi?

Ela não me respondeu, pegou no telemóvel e leu a mensagem. Quando acabou de a ler olhou-me e dirigiu-se a mim:

- Ruben, não é nada do que estás a pensar…

- Não?

- Não. É verdade que nos beijámos… Ou melhor, ele beijou-me, eu não estava à espera que ele fizesse aquilo, e quando me dei conta afastei-o logo… Ele tem namorada e eu gosto imenso dela, nunca a iria trair de propósito.

- Ai não? Então um beijo não é traição?

- Ruben, por favor, acredita em mim quando te digo que me afastei logo…

- Não sei Clara, não estava à espera que me fizesses uma coisa destas…

- Eu não fiz nada… Foi ele quem me beijou…

- E tu não me disseste nada porquê?

- Porque não tinha que dizer, porque nós já não namoramos e porque aquilo não significou nada…

- Tu tens razão, nós já não namoramos mesmo… Tens o pequeno-almoço arranjado, depois quando acabares bate só a porta. Eu vou para o treino…

- Ruben?! Ruben, por favor, acredita em mim!

- Acredito em ti? Como tu acreditas-te em mim?!

- Foram coisas diferentes…

- Não foram assim tão diferentes… Ambos nos deixámos levar por uma coisa que sabíamos que estava errada. Se pensares um bocadinho chegas à mesma conclusão que eu…

Saí de casa, senti que ela tinha entendido onde eu queria chegar e percebi também como ela se tinha sentido quando descobriu a história do carro. O caminho até ao Caixa foi feito com aquilo no pensamento, o facto de outra pessoa a ter beijado deixou-me louco de ciúmes… Ela era minha, só minha e senti-me culpado por aquele beijo ter acontecido. Se eu não a tivesse magoado daquela forma… Cheguei ao centro de estágio e fui logo para o balneário, já lá estava o David.

- E aí manz? – viu que eu não trazia boa cara e apressou-se a perguntar – Conta vai, ela não gostou da surpresa?

- Não é isso puto. Ela amou a surpresa e até passámos a noite juntos…

- Então? Que cara é essa?

- Hoje de manhã ela recebeu uma mensagem… Pediu-me para ver e isso acabou comigo…

- Ué? Que é que pode ser tão ruim assim?

- Era um amigo dela do Algarve, a dizer que adorou o beijo e que ela ainda ia se ia aperceber que eu era um engano e que não gostava tanto dela quanto ele…

- Pô, se isso fosse comigo eu ia no Algarve e dava um tapa nesse cara. Quem é ele para dizer o que você sente por ela?

- Eu não me interessa o que ele diz… Ele beijou-a… Ele beijou a minha Clara…

- Mas o que é que ela falou?

- Ela disse que aquilo não significou nada, que não se apercebeu de nada e que quando ele a beijou ela se afastou logo…

- E você acredita nela?

- Acredito, ela ama-me, disso eu não tenho a mínima dúvida.

- Então deixa isso p’ra lá cara… Curte a sua garota e esquece isso…

- Ela não quer voltar a namorar meu, ela não me perdoou…

- Não perdoou mais vai perdoar, vai com calma mano. Vá vamo para o treino senão o mister vem cá buscar a gente…

Saímos do balneário e lá fomos nós para o campo de treinos.


(Narrado pela Clara)

Depois da noite fantástica que tínhamos tido, aquela mensagem do Miguel tinha acabado com o meu dia. O Ruben tinha razão, eu sabia que não tinha culpa e a verdade é que a razão porque eu tinha acabado o namoro com ele, era muito parecida. Ambos os nossos amigos se tinham metido naquilo que não deviam e tinham estragado o que de mais bonito nós tínhamos, a nossa relação.
O dia passou, não tinha recebido nenhuma mensagem do Ruben, o que era mau sinal. Depois do trabalho, resolvi passar na faculdade, fui inscrever-me novamente no mestrado em gestão desportiva. Desporto sempre foi uma grande paixão e aquele mestrado era a junção das minhas paixões. Já o tinha iniciado, aliás, já tinha o primeiro semestre feito, mas quando foi o acidente do Marco parei. Foi uma altura muito difícil da minha vida, que eu pus de lado muitas das coisas que mais gostava. A inscrição foi rápida, deram-me o horário e fui para casa. Quando cheguei resolvi mandar uma mensagem ao Ruben.

“Precisamos de falar, sei que tens razão para estar chateado, mas peço-te só para acreditares em mim quando digo que aquilo não significou nada para mim… Nada! Beijo”

Não estava ninguém em casa, a Sara devia estar com o David, a Catarina passava o dia todo fora e a Guigui devia estar no bar. Vesti o meu pijama e fui arranjar uma salada para o jantar, sentei-me no sofá a ver o Criminal Minds, uma série que eu adorava mas que não acompanhava por falta de tempo. Fui por diversas vezes ver o telemóvel, mas não haviam novidades. A série acabou e também a vontade de comer já tinha passado, fui levar o prato à cozinha, arrumei as coisas e ia para o quarto, quando senti a porta a abrir.

- Então Clarinha já de pijama? – perguntava a Sara.

- Sim, o meu dia não correu muito bem, acho que vou dormir cedo.

- Amiga não sei se vais mesmo dormir, vem aí uma visita para ti…

- É o Ruben? – perguntei ansiosa.

- Sim, ele ficou com o David, foram estacionar o carro. Ele contou-me o que se passou de manhã…

- Pois… Não sei lá o que deu ao Miguel para me mandar mensagem, tinha-lhe dito que se era para ele continuar com estas cenas, era melhor esquecer que eu existo, mas não, resolveu dificultar-me ainda mais a vida…

- Calma amiga, o Ruben também quer falar contigo, não sejam casmurros e resolvam-se…

- Não sei como vai ser, eu ainda estou magoada com ele e aposto em como ele ainda está chateado comigo. Não sei como resolver isto, só queria que houvesse um botão em que se carregasse e apagava tudo…

- Eu sei amiga, mas isso não existe. Tens que ir com calma e resolverem as coisas, não podem continuar assim Clara.

Estávamos entretidas a falar, quando eles entraram.

- Oi Clarinha, tudo bom com você? – cumprimentou-me o David.

- Vai-se indo. E tu?

- Tudo em cima. Amor, não quer ir no seu quarto? Queria bater um papo com você… - pediu o David.

- Sim, anda, eu também tenho uma coisa para te mostrar… - continuava a Sara.

Ambos percebemos que o objectivo era deixarem-nos a sós, trocámos um olhar e eu falei.

- Desculpa, eu devia ter-te contado. Só não contei porque aquilo não significou mesmo nada. Por favor, acredita em mim Ruben… Por favor…

- Calma… É obvio que eu acredito em ti, eu exagerei é certo. Tu não tens que me dar justificações de nada, já não namoramos… Eu só tive aquela atitude porque fiquei doido ao saber que houve alguém a tocar-te, desculpa agir desta forma. Não tenho direito nenhum depois do que aconteceu, mas eu amo-te e só de imaginar tu a beijares alguém que não eu…

- Shui… Não digas nada… - cheguei-me a ele e abracei-o – Eu sou tua, posso estar magoada, mas não é isso que vai fazer com que eu deixe de te amar e enquanto eu sentir isto, não vou ser de mais ninguém a não ser tua…

Quando acabei de falar ele beijou-me – Eu também te amo Clara, tanto, tanto, que dói estar longe de ti… Vamos voltar fofinha, por favor…

- Não tenhas ideias, já falámos sobre isso ontem. Vamos com calma, para já amigos, depois logo se vê…

- Amigos Clara? Amigos que se beijam, vão para a cama e dizem coisas como “Amo-te”?

- Sim… Mas se ficas assim tão incomodado com isso, resolvemos já esse problema, deixamos de nos beijar, de ir para a cama e de dizer “Amo-te”. E passamos a fazer coisas de amigos, só amigos…

- Esquece que eu falei… Gosto muito de como estamos, aliás, não sei se ia aguentar estar perto de ti tanto tempo sem te puder dar uns beijinhos…

- Espertinho… Olha não é melhor chamarmos o David e a Sara? Eles saíram para nós conversarmos…

- Sim… Ó CARA DE CU? JÁ PODEM DESCER… - gritou ele, segundos depois vimos eles a saírem.

- Não ‘tou achando piada não, primeiro é a Guigui me chamando de Ovelha Choné e agora você me chamando esse negócio aí… ‘Tou vendo que tenho que botar nomes em vocês todos…

- Amor, pára lá com isso… Olha que o papel de vítima não te fica nada bem, até parece que tu não chamas nada a nenhum deles…

- Ué princesa, até você fica zoando com a minha cara?

- Porra puto, pareces um miúdo chorão…

Ficámos algum tempo na conversa e pouco depois chegou a Catarina…

- Ena pá… Hoje temos casa cheia! Deve ser para compensar o facto de ontem me terem deixado cá sozinha…

- Pelo que eu ouvi, não ficaste sozinha… - brincou a Sara.

- Vá menina Caty, conta lá o que se passou ontem. Estiveste com o Aimar? – perguntei curiosa.

-Aimar?! – perguntaram os três surpreendidos.

A Catarina olhou para mim e eu percebi na hora que tinha posto a pata na poça.

- Que negócio é esse? Cê ‘tá saindo com o Pablito? – metia-se o David.

- Sim, conta lá essa história…

- Aguentem lá a curiosidade, deixem a miúda em paz… - disse-lhes tentando remediar o mal que já tinha feito.

- Ué, cê tá brincando com a gente. Uma novidade dessa e você não partilha com a gente?

- Opa, mas vocês são uns coscuvilheiros… - ela fez uma pausa e continuou – Mas eu satisfaço-vos a curiosidade, é verdade sim. Aquele baixinho tem um sorriso e só vos digo uma coisa… Tem carinha de santo, mas olhem que de santo não tem nada…

- Hey, Catarina Maria, não penses que te vais embora… - dizia-lhe eu enquanto ela subia as escadas – Caty, agora tens que contar essa história… - pedia-lhe novamente, no entanto ela acenou com a mão e entrou no quarto.

- Clarinha, bem que podias contar-nos o que se passa. Visto que és a que sabe mais desta história… - pedia-me a Sara.

- Eu?! Eu não sei de nada, só os apanhei uma vez assim mais próximos… Mas pensei que já todos soubessem.

- Próximos como?! – insistia a Sara.

- Olha como, próximos… Assim bastante colados, não avançaram mais porque eu entrei e interrompi.

- Mas quando é que foi isso?

- Nos anos do Javi, eu tinha acabado de discutir aqui com este menino, – disse ao apontar para o Ruben – e entrei no sitio onde eles estavam e vi que estavam numa muito juntinhos. Já tinha interrompido, mas de qualquer maneira saí logo, agora o que aconteceu depois isso já não sei.

- Pois… Agora está tudo a fazer sentido…

- Estás a falar de quê?

- Naquele dia, eu também os interrompi, ia de tal maneira desvairado à tua procura que nem me apercebi deles… Mas agora que falaste, eu também os vi muito próximos. Será que aquilo vai dar molho? – perguntava o Ruben.

- Se vai dar? Manz pela cara dela e pelo papo, eu acho que já deu… - brincava o David.

Continuámos na brincadeira mais um tempo, até que eles resolveram ir embora, já estava a ficar tarde e por isso hora de descansar.

- Amanhã jantamos todos cá em casa? Eu só tenho aulas de manhã, posso fazer o jantar… - perguntava a Sara.

- Para mim não dá… - disse eu.

- Não? Então vais onde? – perguntava o Ruben.

- Acho que já estás a querer saber demais não? – disse eu – Mas eu esclareço já todos: amanhã tenho aulas…

- Aulas? – perguntava a Sara.

- Sim, fui hoje inscrever-me para retomar o meu mestrado. As aulas já começaram ontem, por isso não posso faltar. E como tenho aula amanhã…

- Sério que voltaste? Ainda bem, eu lembro-me que tu adoraste o primeiro semestre, mas depois com o acidente resolveste desistir de tudo… Até aquilo que te fazia feliz…

- Sim, mas eu agora não quero falar mais disso… Essa altura acabou e por muitas coisas que possam acontecer eu não me vou deixar ir abaixo novamente.

- Isso mesmo, é assim que eu gosto de te ouvir falar. Então jantamos só os três?

- Não, eu janto em casa…

- Pô manz, ‘tá brincando? Come com a gente, depois quando a Clarinha chegar você ainda dá um beijo nela.

- Sim Ruben, janta connosco…

- Amanhã logo se vê… Vamos indo puto?

- Sim.

Eles despediram-se e saíram, cada uma de nós também subiu em direcção ao seu quarto e fomos dormir. O dia seguinte passou normalmente, o Ruben tinha-me mandado uma mensagem de manhã e “deu-me folga” o resto do dia. Aquela nossa relação não era a ideal, mas era a única possível no momento. Aproveitei a hora do almoço para fazer algumas compras, tinha que comprar o material para as aulas. Ao fim do dia, quando chegou a hora de sair eu apressei-me, estava muito entusiasmada para recomeçar o meu mestrado. Conduzi até à faculdade e procurei a sala onde ia ter aula, quando a encontrei reparei que o professor já lá estava. Fiquei contente com o professor que me tinha calhado, tinha sido meu orientador de projecto de final de curso e era uma pessoa espectacular. Entrei e fui-me sentar num dos lugares mais à frente, como nos tempos de faculdade, mal o fiz ele deu pela minha presença.

- Parece que temos aqui uma nova apaixonada pela área. – disse ao olhar para mim – Vejo que ao fim de tanto tempo resolveu retomar o mestrado Clara.

Eu corei, detestava ser destacada de alguém, preferia mil vezes que ele não me tivesse reconhecido e que me tratasse como a todos os outros alunos.

- O professor soube porque parei, além disso sabe também que eu estava a adorar o curso e por isso agora resolvi voltar.

- Acho que fez bem, ainda por cima uma excelente aluna como a Clara tem mesmo que apostar na educação… - virou-se para os meus colegas e apresentou-me – Pessoal, está é a Clara! Se precisarem de uma ajudinha para estudar, ela é das marronas…

Eu não sabia em que buraco me ia enfiar, ele tinha mesmo acabado de dizer uma coisa daquelas? Todos os meus colegas se riram, o que fez com eu me virasse para trás.

– É um exagerado, não lhe liguem… - mais uma vez foi risota geral. Quando ia a virar novamente a cara para a frente o meu olhar cruzou-se com o de alguém. Ficámos estáticas a olhar uma para a outra sem conseguir dizer nada, ela estava na fila de trás, 3 lugares depois do meu.

10 comentários:

  1. Amei! +.+
    Quero mais, se fazem favor!
    Está lindo, lindo!
    Beijinhos ^^

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  2. Esta tão lindo :)
    Meus amores comento poucas vezes mas voces sabem que nao e por mal e que adoro a vossa fic!
    Mas isto e forma de acabar um capitulo?E a Clara que deixe de ser casmurra,coitadinho do Ru!
    Gosto muito de vocês princesas :)

    Beijinho

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  3. Sera' que e' quem eu estOu a pensar?? Hum talvez!!
    EstOu curiiOsa.. ;)

    COntiinua..

    BjnhOs

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  4. Quem é que ela viu? Ai :P
    Amei o capitulo!
    Beijinhos

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  5. Opá... isto está excelente... 1º porque finalmente não levaste aquela ideia maluca para a frente

    2º amei a parte da catarina lol

    3º parece que Rúben e Clara que a coisa se está a compor LOL

    4ª porque sei quem é que ela viu LOOL

    Bem podia passar aqui o resto da madrugada (sim porque fui sair, mas quando cheguei não resisti a passar por cá para ver as novidades :P) a escrever o quanto gosto desta história que mesmo assim não teria tempo e palavras que chegassem para dizer o quanto amo a vossa história!!

    Por isso Clara e Guigui, vejam lá o que fazem, sim!!!

    Clara especialmente para ti, deixa essas ideias de lado, sabes que adoro-te e por isso mesmo não concordei nem um pouco com o que querias fazes, felizmente e a muito custo tanto eu como a Guigui fizemos-te mudar de ideias!!!

    Agora quero e continuar a ler o desenrolar desta história, principalmente com a pessoa que a Clara vai ter como colega no mestrado :P

    Continuem... Beijocas adoro-vos ás duas

    Ah e logo lá estaremos juntas de novo para mais uns momentos de maluquices :P

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  6. Bem a Catarina e o Pablito isto promete mesmo!!! :) :) Muito bom.
    E o MIguel claro a fazer das suas... mas o engraçado é a "amizade" do Ruben e da Clara. Brutal...
    Quero mais, muito mais :):)
    Beijinhos lindas.

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  7. clarinha o capitulo como sempre e como já tinha te dito tá lindo adorei mesmo! gostei de saber que as coisas entre o ruben e a clara estao a ficar direitas , porque zangados nao tem piada! :P
    agora tou curiosa para saber quem é que ela viu, e só espero que nao venha a atrapalhar mais nada! :P

    estou à espera do proximo linda**

    beijinhos

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  8. Se a curiosidade matasse eu já tinha ido :P

    Adorei o capítulo e quero mesmo saber quem é que ela viu!

    Perfeito como sempre, começa a ser difícil de descrever tanto os teus capítulos como os da Guigui.

    Será que ESTUPENDO é pouco? Sem dúvida...

    Beijinhos meninas

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