(narrado pela Clara)
Acordei com o despertador do telemóvel, desliguei-o logo para não acordar o Ruben e levantei-me. Arranjei-me para ir trabalhar e antes de sair fui despedir-me dele. Ao sentir o meu beijo, ele despertou.
- Já vais amor?
- Sim. Logo sempre vais almoçar connosco?
- Não sei amor, não me quero meter no que não me diz respeito.
- Tens a certeza que não tem problema?
- Já te disse que não.
- Então está bem. Queres que te vá buscar a algum lado?
- Eu levo o carro, estou em Lisboa não tem sentido vires cá buscar-me. Eu é que posso passar no centro de estágios para te ir buscar.
- Fica combinado assim.
- Até logo amor da minha vida.
- Até logo princesa. Amo-te...
- Também te amo.
Ruben a sair acompanhado do David, do Roberto e do Javi, vinham bastante animados como era hábito naqueles 4.
- Olá meninos, essa animação toda é porquê?
- Ué, cê é que devia saber o que faz para esse cara aí. Hoje ainda não tirou esse sorriso e não parou de falar besteira...
- Não lhe ligues amor, é tudo ciúmes da minha boa disposição. Ele queria ter tido uma noite como a nossa, mas a Sarinha fez greve...
Aqueles dois com as sua picardias eram um máximo, conseguiam pôr toda a gente que estivesse ao lado a rir.
- Amor, conseguiste tirar a tarde?
- Sim, o Tiago disse que não tinha problema.
- 'Tou vendo que o cara de tarde vem ainda mais insuportável.
- Cala-te meu, andas um chato. Tenho que ter uma conversinha com a Sara, ela não anda a tratar de ti e depois sou eu que te aturo...
- Vá meninos parem lá com isso. Amor, vamos indo?
- Sim. Até logo pessoal.
Eles despediram-se de mim e nós saímos.
- Amor, vamos no meu.
- Mas porquê?
- Porque se decidirmos ir tomar café a algum sitio podemos levar os teus pais e no teu carro não dá.
- Ok. Onde é que está o carro?
- Ali. - disse ao apontar para um carro branco.
- Eu não acredito Ruben.
- Amorzinho não stresses. Eu tinha os dois carros na garagem e hoje apeteceu-me trazer este...
- Quem não te conheça que te compre Sr. Amorim, o que tu queres sei eu bem o que é...
- Já estás a pensar mal de mim.
- Não estou a pensar mal, só te conheço bem e percebi a tua intenção ao trazeres este carro. Digo-te já que não vai resultar...
- Levas? Eu estou cansado do treino não me apetece conduzir... - disse com aquele sorriso matreiro.
Conduzi até à Costa, quando estávamos a estacionar o carro vimos os meus pais que estavam a chegar ao hotel.
- Olá meus queridos.
- Olá mãe...
- Então Ruben, foi este o motivo da vossa chatice?
- Foi sim, Sr. Raul. Eu já lhe disse que o carro é dela, mas ela diz que não quer.
- Filha bem que tu podias ser menos teimosa, não? Andares com aquela miniatura não é nada.
- Mas Clarinha, ficas tão bem dentro deste carrinho...
- Mãe, vamos entrando? Esta conversa não tem sentido nenhum...
- Vamos lá filha...
A minha mãe deu-me o braço e entrámos as duas no hotel.
(narrado pelo Ruben)
Vi a Clara a afastar-se com a mãe, mas o pai dela continuava cá fora, sem fazer tensões de ir para dentro.
- Então e aqui a máquina, porta-se bem?
- Sim, é um óptimo carro, eu ando mais com o meu, só uso este quando saio com a Clara, para ver se ela muda de ideias...
- Pois, eu também já lhe tentei fazer ver que o carro não é seguro, mas ela não quer este nem por nada...
- Acredito, ela é de ideias fixas. E agora vem aí um dos meus grandes problemas...
- Se eu puder ajudar...
- Se me permite a intromissão, o problema da Clara é falta de confiança em si própria, ela tem medo de ser ela a tomar as decisões.
- Ela sempre foi assim, já em miúda era insegura.
- Eu acho que ela precisa que lhe mostrem que confiam nela.
- Tenho que ver a melhor maneira, para mim ela é a única que pode gerir o hotel, é a única pessoa em quem confio a 100%.
- Acredito, ela é sua filha, para além de ser uma pessoa super responsável.
- Exactamente. Bem vamos indo para dentro porque senão elas ficam furiosas com o tempo que demoramos.
Entrámos e dirigimos-nos para o restaurante. Elas já estavam sentadas na mesa onde tínhamos jantado no dia anterior.
- Demoraram... - constatou a D. Fátima.
- Sim, estivemos a ver o carro que o Ruben deu à tua filha.
- Mau, não vão os dois começar, pois não?
- Não é uma questão de começar, mas tu já viste que não aceitaste a prenda que o teu namorado te deu?
- Sim filha, mas a confusão já foi resolvida, agora bem que podias ficar com ele. Sabes bem que o teu carro já está a precisar de ir para a reforma...
- Reforma, eu dou-lhe a reforma. O meu carro está óptimo, nós já falamos sobre isto e eu não quero voltar a esse assunto.
- Filha sabes bem que quando vieres gerir o hotel não podes andar com aquela amostra...
- Bem, o pai ainda não saiu duma para se meter noutra... Não acha que está a falar de coisas a mais? Eu vou mas é à casa de banho lavar as mãos que aqui não se aprende nada...
Ela saiu da mesa e a nossa conversa continuou.
- Não comeces tu também Fátima, sabes tão bem quanto eu que a tua filha precisa de um carro novo e sabes também que se comprámos este hotel era para ela vir para aqui. Se eu soubesse que ela não vinha nunca o teria comprado.
- Tem.
- Então eu acho melhor passarmos uns tempos cá em cima. Ela vem para cá, tem-te aqui todos os dias para lhe dar uma ajudinha e quando ela estiver mais à vontade, voltamos para baixo...
- Sim, também acho que é o melhor neste momento.
- E aqui é o escritório da presidência. Depois podes pôr tudo a teu gosto Clara, podes mudar a decoração e tudo o que quiseres, quero é que te sintas bem no sítio onde trabalhas.
- Não sei para que me está a dizer isso pai, este é o seu escritório, o pai é que tem que o decorar ao seu gosto.
- Pai, eu não estou à altura daquilo que me estão a pedir, eu ainda tenho tanto para aprender...
- Acho que não é boa ideia mãe... Eu não percebo muito disto, eu percebo aquilo que acompanhava quando estava de férias lá em baixo, tenho tanto para aprender.
Os pais dela tentavam convencê-la e apercebi-me que aos poucos ela se deixava levar.
- O Sr. Marques mandou-me chamar? - perguntava o rapaz.
- Então são esses os seus filhos?
- Sim, quer dizer, esta é a minha filha Clara. E este é o namorado dela, o Ruben.
- Seu rosto não me é estranho moço. - constatava ele virando-se para mim.
- Pois claro que não é, ele joga no Benfica. - respondeu-lhe o Sr. Raul.
- Pai - chamava-o à atenção a Clara - Não acha que já está a falar demais? Ele não tem nada a ver com isso... - ficámos todos espantados com a forma como a Clara tinha falado, nem parecia dela.
- Não tem problema. - intervi.
- Menina, quando decidir o que quer fazer no gabinete por favor me avisa, para eu mandar chamar o cara que faz a obra.
O rapaz foi embora e a D. Fátima resolveu tirar a história a limpo.
- Clara, o que é que se passou? Tu não costumas tratar assim as pessoas?
- Amor, não exageres. O rapaz só fez uma pergunta, que não tem nada de mal.
- Ah, agora compreendi o teu problema... Tu não gostaste foi que ele dissesse que eram irmãos...
- Nada disso mãe, não gostei da insolência, do à vontade para fazer perguntas que não lhe dizem respeito.
Aquela atitude não era mesmo dela, o que foi bastante estranho. Terminámos a visita e ela foi levar-me ao Caixa e seguiu com os pais para dar um passeio.
(narrado pela Clara)
- Estou...
- Olá amor. Olha, onde andam vocês? Cheguei agora a casa, mas não está cá ninguém.
- Longa história princesa, eles tiveram um assunto para tratar e eu vim jantar com o pessoal. Estamos no restaurante do costume, vens cá ter?
- Sim. Até já...
- Até já. Beijo...
Desliguei e fui com a Inês até ao restaurante. Quando lá chegámos vi que faltava a Guigui, o Javi, a Sara, o David e a Catarina e que todos nos olhavam desconfiados.
- O que se passa? - perguntei assustada ao Ruben.
- Amor, o pessoal ainda não sabia que tu e a Inês se estavam a dar bem. Depois do stress dos meu anos ficaram todos a pensar que tu e ela nunca se iam entender.
- Ah, ok... Até pensei que tivesse acontecido alguma coisa. Como também não vi a Guigui, o resto das meninas e os rapazes, pensei que andassem a tramar alguma.
- Não amor, eles não estarem cá não tem nada a ver... Acho que a Guigui e a Catarina andaram a fazer das delas em Alvalade.
- Como assim Ruben? - perguntava a Inês.
O Ruben lá nos contou o que se tinha passado e fui logo telefonar para a Guigui. Não consegui falar com ela nem com a Catarina e liguei então à Sara que me disse que já estava tudo bem e que como já era tarde decidiram ir todos para casa.
- Então amor, já puseste juízo na cabeça da Guigui? - perguntava o Ruben.
- Xiiii, juizo na cabeça daquela doida? Aquela miúda é uma força da natureza... - comentava o Alan.
- Mesmo! O Javi tem que se pôr a pau ou ela ainda passa aquela doidice toda para ele. - reforçava o Fábio.
- Não sejam assim meninos. Quer dizer, elas foram lá apoiar-vos, gritar por vocês e vocês retribuem o apoio assim?...
- Clarinha, sabes que eles estão a brincar. Mas elas bem que podiam ter visto o jogo em casa e não se terem metido naquelas confusões. - continuava o Aimar.
- Pablo, tu já conheces aquelas duas, sabes bem que elas fazem o que querem.
- Sim amor, mas o que o Pablo quer dizer é que isto pode ser mau para o Javi. Não é bom ter a namorada na capa de jornal a dizer que foi presa porque estava metida numa confusão no estádio de Alvalade.
- Claro que não é bom, mas também vocês não sabem se foram elas que tiveram a culpa do que aconteceu. Deixem-se de especulações e comam, porque a fome afecta-vos o juízo.
Depois do jantar também nós fomos para casa, deixei a Inês em casa e depois de ir buscar as minhas coisas, fui para casa do Ruben.
O dia seguinte passou normalmente, o pai do Tiago pediu para falar comigo e teve uma atitude bastante dignificante, ofereceu-me um contrato melhor e disse-me que compreendia a minha posição, gostava muito que eu continuasse a trabalhar lá, mas que se fosse ele também gostaria de meter as mãos em outro projecto. Pôs-me à vontade para eu tomar a decisão que fosse melhor para mim. Ao fim do dia e enquanto o Ruben estava no treino, fui ter com os meus pais ao hotel. Estivemos algum tempo na conversa e eles convidaram-me para eu jantar lá, disse-lhe que já tinha combinado com o pessoal jantarmos todos juntos e os meus pais sugeriram que jantássemos todos lá, assim eles até podiam conhecer o hotel. Liguei-lhes e eles não disseram que não, as meninas iam lá ter todas e os rapazes quando saíssem do treino faziam o mesmo. Os meus pais entretanto subiram para se arranjarem e eu fiquei no bar, estava entretida a ler um livro quando sou surpreendida com o empregado do bar que me trazia um pratinho com dois brigadeiros, uma flôr e um cartão. Eu disse-lhe que não tinha pedido nada, ao que ele me respondeu que lhe tinham pedido para me entregar, que era um mimo apenas. Não sabia o que havia de pensar, mas quem é que me teria mandado aquilo? Será que devia aceitar? Aqueles brigadeiros estavam mesmo com bom aspecto e eu adorava brigadeiros, tentei resistir mas foi difícil. Que mal teria? Agarrei num dos brigadeiros e dei-lhe uma dentada. Soube-me tão bem, resolvi ver o que dizia o cartão.
"Para lhe adoçar um pouco a boca e não ser tão azeda..."
Não estava a espera de uma coisa daquelas, olhei em frente e vi que alguém me observava e se ria. Larguei o cartão e levantei-me do sofá, eu ia desvairada, como é que ele tinha tido coragem para uma coisa daquelas e ainda por cima estava a gozar...
LOOL... cá para mim esta história do brigadeiro ainda vai dar que falar :P
ResponderEliminarQuero mais... cheira-me que vem aí momentos engraçados
Adoro-vos :D
Beijocas
maravilhoso...
ResponderEliminarquero mais...
continua...
Ah adoro! :)
ResponderEliminarJá nem sei bem o que dizer, todos dizem que é maravilhoso, viciante, para mim é muito mais do que isso!
Fico à espera do próximo, beijinhos ^^
Adorei! Ta tao lindo! A Clara e mesmo teimosa xD
ResponderEliminarQuero mais!
Beijinhos
O capitulo está lindo :D
ResponderEliminarAquela historia ali dos brigadeiros deixou-me bastante curiosa!
Sim realmente a Clara é mesmo teimosa +__+
Adorei agora quero mais sim?
Beijinhos Inês**
Ui Ui, iistO aiinda vaii dar cOnfusãO.. xD
ResponderEliminarQuerO maiis, rapiidiinhO, siim? x)
BjnhOs
GOstO muiitO de vOcês.. :)
Mais um lindo capitulo... já estava com saudades...
ResponderEliminarBem mais este final deixou-me muito intrigada... o que será que vem por aí???
Muito bom, mesmo muito bom ;)
Beijinhos para as minhas meninas.
ahahah, que comédia xD
ResponderEliminaradorei!
more, more! :)
beijinho*
Ahahah muito boa essa dos brigadeiros xDD
ResponderEliminarClarinha minha linda o capitulo tá lindo, adorei... Agora ela é que devia deixar de ser teimosa e de se sentir insegura e aceitar a gerência do hotel ihih x)
Quero mais, shim?? :b
Beijão**
JúCaa*