sábado, 4 de dezembro de 2010

Capítulo 30 - "Boa Sorte!"

(narrado pela Clara)



O dia de terça-feira começou com um encontro totalmente inesperado. O Javi dormiu lá em casa, trocámos breves palavras de manhã e ele saiu. Fui-me arranjar e saí.
O resto do dia passou sem eu trocar qualquer palavra com a Bá, eu estava chateada com ela e tinha decidido que só voltava a falar com ela, se me pedisse desculpa. Ela podia ter razão, mas pelo menos devia dar o benefício da dúvida e, se é realmente minha amiga, teria de aceitar a minha decisão. Ao fim da tarde fui ao lar e a Sara foi comigo. Passámos um tempinho muito bom e divertido, jantámos lá e de seguida fomos ver um pequeno filme com as crianças. Durante o filme o Ruben não me saiu da cabeça, eu ainda não tinha estado com ele neste dia e estava a morrer de saudades. Quando saímos do lar já passava das 9.30h e a Sara ligou ao David, pois eles tinham combinado que ela dormia em casa dele.

- Sabes quem é que está lá em casa? – perguntou-me.

- Calculo…

- Esse sorriso parvo é porquê?

- Que sorriso parvo?

- Esse mesmo! Sabes o que eu acho?

- Eu dispenso o que tu achas…

- Mas eu digo-te na mesma. Eu acho que te estás a apaixonar… E nem sabes como é bom para mim voltar a ver-te assim.

- Vá, pára lá com isso! Não posso dizer que não sinto nada, porque se o dissesse estaria a mentir, ele mexeu comigo. Mas isso não quer dizer que esteja apaixonada. Neste momento o que te posso dizer é que, de dia para dia, ele se torna cada vez mais importante…

Entre confidências, lá chegámos a casa do David.

- Não queres subir? – perguntou ela.

- É melhor não.

- Anda lá, vais só dar-lhe um beijinho de boa sorte para amanhã…

- Parva…

- Vá, estaciona lá o carro.

- Vê lá o que dizes lá em cima. – avisei-a.

- Calma, sabes que podes confiar em mim!

Entrámos no prédio e pouco depois já estávamos à porta de casa. Ela meteu a chave à porta e quando entrámos estavam os dois no sofá a jogar playstation.

- Boa noite meninos… Deixem lá o jogo que eu trouxe-vos uma visita…

- Boa noite… - disse eu.

Eles olharam e vi logo um sorriso na cara do Ruben.

- Mané, termina o jogo. Ela não foge não. – dizia o David.

O Ruben nem disse nada, continuou a jogar. Como o jogo ainda demorava um bocado, eu e a Sara fomos até à cozinha.

- Se calhar não devia ter vindo.

- Estás parva?! Tu viste o sorriso que ele fez quando te viu?

- Oh, não sei…

- Então gata, cadê meu beijo? – dizia o David ao entrar na cozinha e aproximando-se da Sara.

- Fiquem à vontade… - disse e saí da cozinha, dirigindo-me à sala. – Ai, que susto! – assustei-me quando ele me aparece à frente sem eu contar.

- Calma, eu sei que sou feio mas também não é preciso tanto.

- Parvo, vinha agora ter contigo.

- Então, isso eram tudo saudades?

- Podes não acreditar, mas era.

- Nem sabes como é bom ouvir isso. Adorei a surpresa.

- Só disse a verdade. Ainda por cima amanhã tens jogo e eu pensei em vir desejar-te boa sorte pessoalmente.

- Adorei. – dizia enquanto se aproximava de mim – E a boa sorte vem acompanhada?

- Acompanhada?

- Sim, acompanhada de um beijo… – sussurrou-me ao ouvido

Já estávamos muito próximos, os nossos rostos estavam colados e muito próximos do referido beijo.

- Ups!! Desculpem! Continuem lá o que estavam a fazer… - interrompeu-nos a Sara.

- Não estávamos a fazer nada! Sara? – disse eu enquanto a seguia para a cozinha – Precisas de alguma coisa, é? – perguntei-lhe.

- Não, só vos ía perguntar se querem comer alguma coisa. Querem?

- Eu não obrigado. – respondi.

- Eu também não. – respondeu também o Ruben.

- Olha, eu vou é embora, vocês têm que descansar. Amanhã é dia de ganhar o jogo. – disse eu.

- Sim, eu também vou.

- Clara? – chamou a Sara.

- Sim?

- Não queres mudar de ideias e ir lá para o camarote para ao pé de mim?

- Ela vai sim Sara, não te preocupes. – disse o Ruben sem me deixar responder.

- Não lhe ligues. Eu amanhã telefono-te, ok? – perguntei-lhe.

- Sim.

Despedimo-nos dos dois e saímos. Já cá em baixo ao pé do carro ele toca no assunto.

- Amanhã depois do jogo desces com a Sara e esperas por mim, ok?

- Eu não acho boa ideia Ruben. Aquilo é para a vossa família.

- Não interessa. Vai para lá quem eu quiser que vá e eu quero-te lá…

- Vão lá estar as mulheres e namoradas dos outros jogadores e depois ‘tou lá eu, caída de pára-quedas…

- Não estás caída de pára-quedas, estás lá porque és a minha namorada.

- Outra vez essa conversa?! Não achas que merecia um pedido mais original?

Ele olhou para mim sem saber o que responder, pois viu que eu finalmente estava a deixar a nossa relação evoluir e sorriu simplesmente.

- Vá, não olhes para mim com essa cara de parvo.

- Desculpa, mas eu nem sei o que dizer. Primeiro tomas a iniciativa de vires ter comigo, depois não resistes tanto na história do camarote e agora não te chateias comigo por eu te ter chamado de namorada, aliás ainda dizes que mereces um pedido mais original…Eu estou a dormir e a sonhar…

Quando acabou de falar aproximei-me dele, fiz-lhe uma festinha na cara e beijei-o.

- Então e agora, já acordaste? – perguntei-lhe.

- Não. – respondeu-me e puxou-me de novo para ele beijando-me novamente – Eu acho que está difícil de acordar… - puxou-me novamente e deu-me mais um beijo, no fim do beijo dei-lhe um belisco no braço.

- Ai… - gritou ele.

- Pronto, agora já acordaste.

- Sim, já estou um bocadinho acordado, mas só mais um beijinho não fazia mal.

- Sim, mas agora já chega. Estás acordado e bem acordado. Sou eu mesma que estou aqui há tua frente.

- Então e isto quer dizer o quê? Que amanhã vais estar no camarote?

- Eu ainda acho que não é boa ideia, mas se é assim tão importante para ti… Eu apoio-te da mesma maneira no meu lugar!

- É mesmo importante para mim tu estares lá, assim eu sei onde estás sem ter que te procurar muito.

- Tontinho… Então está bem, eu vou para lá. Mas isso é só amanhã, agora eu vou embora e tu também.

- Clara?

- Sim…

- E quanto à história de seres minha namorada?

- Essa história é outra, ainda é muito cedo. Se algum dia formos namorados quero que seja na altura certa, nós ainda temos muito para aprender um sobre o outro. Eu sei o que sinto neste momento e este sentimento não vai desaparecer, só pode melhorar. Vamos com calma, ambos temos de ter certezas quando dermos o próximo passo e neste momento ainda existem muitas dúvidas.

- Ok, se preferes assim… Mas ainda te posso dar beijinhos, certo?

- Oh, tu não levas nada a sério… Sempre na brincadeira, não é?

Ele não respondeu, limitou-se a abraçar-me e ficámos ali algum tempo, só assim, abraçados.

- Acreditas que estava cheia de saudades deste abraço? - disse-lhe ao ouvido – Obrigado por teres aparecido na minha vida.

- Obrigado eu por tudo, por te ter conhecido e por hoje teres vindo ter comigo. É importante ouvir-te dizer que tiveste saudades minhas.

- Estás muito lamechas Ruben Amorim.

- Não gozes…

- O Ruben Amorim brincalhão e que dentro de campo se transforma em mauzão, afinal é um lamechas no que toca a assuntos do coração. Ena pá, até rimou e tudo.

- O Ruben Amorim mauzão e brincalhão, no que toca a isto é um lamechas porque está completamente apaixonado pela menina que agora está a gozar com ele.

- Oh… Agora estás tu a gozar comigo.

- Não estou a gozar! Primeiro eu só disse a verdade, depois ‘tou a pagar-te na mesma moeda. Não me deixaste ainda agora envergonhado? Eu fiz o mesmo contigo.

- Pois, mas isso não vale. Vamos embora, preciso mesmo de ir para a minha cama.

- Sim, vamos. Amanhã eu ligo-te, está bem?

- Está bem.

Avançou na minha direcção, olhou-me nos olhos, sorriu e deu-me um enorme e apertado abraço. De seguida pôs a sua mão no meu pescoço e puxou-me na sua direcção, foi um movimento suave que me levou até aos seus lábios. Terminámos aquele longo e apaixonado beijo.

- Boa sorte para amanhã. – desejei-lhe.

- Obrigado, tenho a certeza que agora vou ter um bom jogo. Se me deres mais um talvez até marque um golinho.

- Humm, então parece que vou ter que passar a noite toda a dar-te beijos, porque eu adoro goleadas…

- Adorei a proposta… - Disse enquanto me puxava novamente para ele. Deu-me mais um beijo seguido de pequeninos beijos – És especial, adoro-te.

- Eu também gosto muito de ti. Vá, agora é mesmo a sério, vamos embora.

- Ok, mas que fique registado que eu vou sob protesto. Por mim não saía mais do teu lado.

- Mas tem de ser, até amanhã. Boa sorte, tenho a certeza que vais fazer um grande jogo e que a vitória vai ser nossa. – disse enquanto lhe dava um último beijo.

- Obrigado fofinha, até amanhã. Adoro-te.

- Fofinha? – olhei para ele como que interrogando-o. – Até amanhã.

Ele não respondeu, apenas sorriu. Entrei no carro com um sorriso na cara e segui para casa. Quando lá cheguei o sorriso continuava na minha cara, eu parecia uma adolescente que se estava a apaixonar pela primeira vez… Ups! Mentira: eu não me estava a apaixonar, eu já estava apaixonada e era completamente. Lembrei-me de quando ele disse que estava a sonhar e comecei a rir-me sozinha. Ele tinha razão, tinha sido eu a ir ter com ele, assenti em ir ver o jogo para o camarote, não me tinha chateado por ele dizer que eu era namorada dele e mais importante que tudo: adorei ouvi-lo dizer que estava apaixonado. Adorei cada beijo que me deu e a forma como me tinha feito sentir. Era oficial e estava estampado na minha cara: eu estava completamente apaixonada…

4 comentários:

  1. Adorei!!! Tá lindo!

    Continuem...

    Bjs

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  2. Meu deus!Lindo.Esta mesmo muito bom,esta historia tem pernas par aandar.Adoro a historia e escrevem muitissimo bem meninas.
    E temos de combinar depois o jogo :)
    Desculpem nao poder comentar mais vezes,mas entre escrever ler e postar na da para comentar de todas!
    Beijinho

    E mais uma vez:Fantastico!

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  3. lindo...

    quero mais...

    posta mais hoje por favor...

    continua...

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  4. Uau....mesmo lindo o capitulo, adorei mesmo, está muito bem escrito e muito bem estruturado. Parabéns voçês escrevem muito bem, muito bem mesmo. Continuem assim, esta história vai ficar muito boa mesmo( aliás já é).

    Beijinhos e parabéns :)

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