(Narrado pela Clara)
Na Quarta-feira levantei-me da cama super bem disposta, arranjei-me rapidamente e saí de casa. Já estava no escritório quando recebi um telefonema:
- Estou?
- Clara? – era a Joana, a secretária.
- Sim Joana…
- Vieram aqui entregar uma coisa para si, posso levar aí?
- Claro, mas é de quem?
- Não sei, tem um cartão, mas acho melhor ser a Clara a ler.
- Ok, então traz lá.
Quando ela entrou, trazia um ramo de flores acompanhado de um saco. As flores eram rosas cor de champanhe, no saco vinha uma caixa com pequenos chocolates e um envelope com um cartão escrito e um outro cartão todo vermelho com o Emblema do Benfica.
“Fofinha, hoje acordei bastante bem-disposto e com a certeza de que logo vamos ganhar. Envio-te um cartão para entrares para o camarote, é teu. A Sara tem um igual. Obrigado por estares comigo. És especial, adoro-te. Bj.”
Mal acabei de ler o cartão peguei no telemóvel para lhe ligar. Chamou, chamou, chamou e ninguém atendeu. Olhei para o relógio e vi que ele devia estar no treino, não insisti mais. Passado algum tempo o telemóvel começou a tocar, apressei-me a pegar nele. Era a Sara, atendi:
- Estou?
- Olá minha linda, então dormiste bem?
- Se há alguém que devia fazer essa pergunta era eu. Mas eu prefiro abordar o assunto de outra maneira. O David está em condições de jogar ou está muito cansado? – comecei a rir mal acabei de falar.
- Tão engraçadinha que tu és…
- Às vezes nem eu sei de onde vem a graça.
- Bem, ontem vocês gostaram bastante da privacidade que a rua do David oferece.
- O quê?
- Sim, depois de saírem lá de casa foram namorar para a rua…
- Oh… Pusemo-nos a conversar e nem demos pelo tempo passar.
- Pois, essa conversa conheço eu bem. Então e os medos já se foram?
- Isso não é conversa para termos ao telemóvel, logo falamos.
- Sempre vais para o camarote?
- Sim, ‘tá descansada que vais ter que aturar aqui a melga.
- Fixe. Precisas de um cartão para entrar, o Ruben já te deu?
- Sim, recebi-o há um bocado.
- Recebeste?
- Sim, vinha na companhia de um ramos de flores e uma caixa de chocolates.
- Humm, grandes progressos… Já vi que tens muito para me contar logo. Olha, logo vou-te buscar a casa?
- Não queres que eu leve o meu carro?
- Não, eu fiquei com o carro do David, que ele foi de boleia com o Ruben.
- Então está bem. Eu saio daqui logo às 18h, apanhas-me às 18.30h?
- Combinado. Beijinhos.
- Beijinhos.
Desliguei e meti outra vez a cabeça no trabalho, não demorou muito até o telemóvel tocar novamente.
- Estou?
- Bom dia Clarinha.
- Bom dia.
- Desculpa não ter atendido há bocado.
- Não faz mal, ‘tavas no treino certo?
- Sim.
- Obrigado…
- Já recebeste, foi?
- Sim, por isso é que te liguei.
- Não podes perder o cartão, a partir de agora é teu e sempre que houver jogos no estádio tens de o levar. Olha, logo não leves o carro, eu estou com o meu e trouxe o David, ou seja, a Sara ficou com o carro dele. Podias vir com ela…
- Não te preocupes, eu e ela já combinámos tudo. Tens é que logo me levar a casa.
- Não tem problema, será um prazer. Agora tenho de ir, estamos a chegar ao hotel e tenho de desligar o telemóvel.
- Ok, então boa sorte. Estou confiante num bom resultado.
- Eu também! Obrigado linda. Um beijo enorme.
- Para ti também. Adoro-te.
- Também te adoro.
O resto do dia foi passado normalmente, entre papéis. Fiz apenas uma pausa para almoçar com o Tiago e a Bá. A minha relação com ela estava péssima, falávamos apenas o essencial sem as habituais brincadeiras e confidências. O Tiago deu-me uma notícia que eu não estava à espera, ía haver um congresso em Madrid e o pai dele tinha sugerido o nosso nome para comparecer. Íamos os três no dia seguinte e só voltaríamos no sábado à noite. Ou seja, mais uma vez o meu jantar com o Ruben ficaria adiado.
Quando eram 18h fui para casa, pois não queria que a Sara ficasse a minha espera. Entrei em casa, fui trocar de roupa e buscar o meu cachecol. Passado pouco tempo tinha a Sara a ligar-me.
- Oi.
- Olá, Clarinha já cá estou em baixo.
- Ok, já vou descer.
- Ok.
Desci e seguimos para o estádio. Estacionámos o carro no parque dos jogadores e fomos para o camarote. Quando lá chegámos deparei-me com um panorama que nunca tinha visto: o serviço e as condições nos camarotes eram completamente diferentes. Vi várias mesas com imensa comida e empregados no bar. Já estavam algumas pessoas, que a Sara cumprimentou e fez questão de me apresentar. Já perto da hora do jogo, chegou o Mauro na companhia de uma senhora. Dirigem-se à Sara para a cumprimentar e o Mauro reconhece-me:
- Olá Clara. – disse ele, chamando à atenção da senhora.
- Então Mauro, tudo bem?
- Sim. Já vi que o meu irmão sempre te conseguiu convencer a vir para aqui. – disse-me – Desculpa, nem vos apresentei. Mãe, esta é a Clara, quer dizer Clarinha. Clara, esta é a minha mãe, Anabela.
- Olá, prazer… - fui invadida por um nervosismo que não era normal em mim. Pelo vistos a mãe do Ruben já tinha conhecimento de mim e ainda por cima chamavam-me Clarinha.
- Olá minha querida! Então tu é que és a namorada do meu filho? – dizia ela logo depois de me dar dois beijinhos – Finalmente tenho o prazer de te conhecer.
- Namorada não, neste momento somos só amigos. Temos um enorme carinho um pelo outro, mas ainda não chegou o momento. – disse isto com um certo desconforto e ela notou.
- Sim, há tempo para tudo e vocês ainda são jovens.
Continuámos na conversa até o jogo começar, a D. Anabela era muito simpática e demo-nos muito bem.
Durante o jogo houve várias oportunidades de golo e o Ruben tinha tido algumas. Estávamos a 86 minutos de jogo e já ganhávamos por 4 – 0. Parecia que o jogo estava decidido, o Benfica com esta vitória ascendia ao 1º lugar do grupo da Liga do Campeões. Numa jogada de entendimento entre o Ruben e o Maxi, este último vai à linha para cruzar para a área mas vê o Ruben mais atrás completamente liberto e passa-lhe a bola, este de primeira remata e marca…
- GOLOOOOOOOO.
Gritava eu em conjunto com toda a gente no estádio. O meu sentimento era especial, tinha sido o Ruben a marcar e eu estava completamente eufórica. No camarote toda a gente festejou, vi um brilho especial nos olhos da D. Anabela que festejava abraçada ao Mauro.
Dentro de campo o Ruben festejava como se fosse uma criança, veio perto dos camarotes apontou para lá e mandou dois beijos. O jogo acabou pouco tempo depois, nós descemos para uma pequena sala perto dos balneários.
Aguardámos lá até que começaram a sair alguns jogadores, nomeadamente aqueles que não tinham jogado, entre eles o Moreira que chegou perto de nós, cumprimentou a D. Anabela, a Sara e o Mauro. Olhou para mim surpreso por eu ali estar e esboçou um sorriso.
- Olá Clara. – cumprimentou-me e continuou – Agora percebi porque é que os dois atrasados do plantel hoje estão quase prontos.
Vi a D. Anabela e o Mauro a trocarem um olhar e um sorriso.
-Vocês conhecem-se? – perguntou-me a Sara.
- Sim, no dia do surf… - respondi.
- Exactamente. – confirmou ele – Foi muito giro, havia de se repetir a iniciativa.
- Pois, podia-se repetir o convívio, mas a actividade não que agora começa a ficar frio para as crianças.
- Sim, tens razão. Desculpem, mas tenho de ir indo. Gostei muito de te ver Clara. Adeus pessoal… - ele despediu-se e foi embora.
Outros jogadores foram saindo e cumprimentando sempre a Sara, o Mauro e a D. Anabela e eles apresentavam-me. Pouco depois, sai o Ruben e mais atrás o David, eles cumprimentaram os familiares que ainda lá estavam e vieram ter connosco. O David abraçou logo a Sara, enquanto o Ruben foi ter com a mãe e abraçou-a, depois cumprimentou o irmão e quando chegou a minha vez limitou-se a dar-me um beijo na testa e de seguida um abraço.
- Ué, é assim que cê comemora o golo? Beija logo ela, ou o que cê disse lá dentro era mentirinha? – dizia o David metendo-se connosco.
- O que é que ele disse lá dentro? – perguntava o Mauro.
- Mas vocês os dois não têm vida? Têm que se meter na minha? – tentava o Ruben acabar com aquela conversa, ele sabia que eu ficava desconfortável com aquilo.
- Sim, ele tem razão. Vá meninos, deixem-no em paz. – dizia a D. Anabela. – Deixas-me em casa filho? – perguntou ao Mauro
- Sim, vamos indo então.
- Então até amanhã meninos. – despediu-se da Sara, do David e dirigiu-se a mim. – Clarinha gostei muito de te conhecer, espero que qualquer dia possas ir jantar connosco. – deu-me um beijinho e chegou-se ao Ruben, abraçou-o e deu-lhe também um beijinho. – Até amanhã filho.
- Adeus mãe.
Foram-se embora e ficámos nós os quatro. Entretanto o Javi veio ter connosco.
- Olá meninas.
- Parabéns Javi… Já sei da novidade, fico muito contente por vocês. Agora vê lá como tratas a minha amiga. – disse-lhe.
- Podes estar descansada. Eu adoro a tua amiga. – tranquilizou-me.
- Viu bem Ruben, até esse mané já passou na sua frente. – gozava o David dando um calduço ao Javi.
- Ó caracol, vai lá ao campo a ver se eu ainda lá estou.
- ‘Tá-me chamando de caracol, caracol é você anda aí enrolando a menina, beijinho aqui, beijinho ali. ‘Tá cheio de vontade de pedir ela em namoro e nada, na hora fica com medo. Fraquinho… Ainda há pouco no vestiário queria vir rápido, nem me deixou arranjar direito porque queria dar um beijo na gata. Depois chega aqui e dá um beijinho na testa, devia ‘tar com medo da mamãe… Você é muito mané mesmo…
Quando o David acabou de falar estavam todos a rir menos o Ruben, que tentava manter-se sério. Até eu que estava um pouco envergonhada com aquela situação, tive vontade de rir por causa da maneira como o David tinha falado.
- Mete-te na tua vida e vai mas é chamar mané a outro, sim?
- Pessoal, querem vir ter com a Guigui ao bar? – perguntava o Javi mudando de assunto.
- Sim, vamos. – dizia a Sara.
- A gata ‘tá mandando.
- Vamos Clara? – Perguntou-me o Ruben.
- Pode ser…
Entrámos nos carros e fomos até à Costa. No caminho tive que puxar o assunto Madrid.
- Ruben, precisamos falar. – disse-lhe.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntou-me preocupado.
- Sim, mas não é nada de grave. – sosseguei-o – É só para te dizer que amanhã não podemos jantar.
- Mas porquê? Não fujas de mim outra vez Clara… – pediu-me.
- Não estou a fugir, juro-te. Só que não posso mesmo. Amanhã vou para Madrid.
- Madrid? Mas porquê?
- Há um congresso Quinta, Sexta e Sábado, e o pai do Tiago quer que nós vamos.
- Nós quem? Tu e o Tiago?
- Não. Quer dizer sim, nós os dois e a Bá. Porquê? Se fosse só eu e ele ficavas com ciúmes era?
- Não, eu não tenho ciúmes.
- Pois, pois. – brincava com ele.
- Então não vens ao jogo no Domingo?
- Venho, eu vou amanhã de manhã, mas volto no Sábado à noite.
- Ok, se tem mesmo de ser…
- Sim, tem mesmo de ser e depois também são só 3 dias. Passa rápido.
- Vai parecer uma eternidade. Ainda por cima temos tão pouco tempo para estarmos juntos. Se eu soubesse antes não vinha com eles, ficávamos só os dois agarradinhos a matar saudades.
- Não sejas parvo. Já viste que qualquer dia somos os anti-sociais? Fora o dia que fomos ter com eles ao restaurante não tivemos mais os 6 juntos.
- Sim, tens razão. Mas olha lá, podíamos chegar um bocadinho mais tarde. ‘Tou louco para te dar um beijo.
- Ruben comporta-te, parecemos mais namorados que outra coisa. Aliás, a tua mãe virou-se para mim a perguntar se eu era a tua namorada!
Ele riu-se.
- Não tem piada, eu para além de ter caído ali de pára-quedas, ainda apanhei uma crise de nervos porque não estava à espera de conhecer a tua mãe. Nem sequer me preparei minimamente.
- Mas preparar para quê? Ela adorou-te.
- Podias era ter-me avisado antes que eu a ia conhecer. Eu não estava nada à espera.
- Eu nem me lembrei disso. Mas tenho a certeza que vocês se vão dar muito bem. É impossível alguém não gostar de ti…
- Não digas isso.
Pouco tempo depois chegámos ao bar. Saímos do carro e ele deu-me a mão puxando-me para perto dele. Deu-me um abraço e fomos interrompidos.
- Fraquinho, cê vai entrar ou quer que te leve no colo? – brincava o David.
- Vão indo, nós entramos já de seguida. – respondeu o Ruben. – Agora nós, - disse voltando-se para mim – tira essa cara, tenho a certeza que a minha mãe te adorou. Eu já lhe expliquei como te tornaste importante na minha vida. Eu adoro-te Clara e só de pensar que vou ficar 3 dias sem estar contigo, está a dar comigo em doido. Apetece-me meter-me no carro contigo e sairmos daqui.
- Ui e isso é uma atitude muito adulta não é?
- Não, mas parece que não temos tempo para estarmos juntos, só os dois entendes?
- Eu sei o que queres dizer.
- Por favor Clarinha, diz que aceitas ser minha namorada…
- Tu ‘tás a gozar comigo, certo? – disse-lhe chateada.
- Porque é que dizes isso?
- Tu queres começar desta forma uma relação? Achas que isto é um pedido de namoro, aqui à porta do bar?
- O que é que queres? Estava a pensar pedir amanhã, mas se não podemos ir jantar… Já reparaste que o tempo que estamos sozinhos é sempre assim, ou na rua do lar, ou na rua do David, ou à porta da tua casa ou agora aqui? Ou preferes que te peça enquanto conduzo?
- Não sejas assim…
- É verdade Clara.
- E tens de pedir agora? Não podes esperar que eu volte de Madrid? – nem o deixei responder, virei costas e entrei no bar. Eles já estavam sentados, fui ter com eles e o Ruben veio mais atrás.
- Então que tal os camarotes? Só gente fina? – perguntava a Guigui.
- Foi giro, o pessoal é fixe. – respondi-lhe.
Estivemos a contar à Guigui o que ela tinha perdido e pouco depois levantei-me e fui até ao balcão.
- Olá Maria. Desculpa à bocado, nem te cumprimentei.
- Não faz mal Clara. Estou a ver que agora as vedetas da lampionagem vão passar a frequentar aqui o sítio. – resmungava ela.
- Oh Maria, não digas isso. Eles são muito porreiros.
- Eu sei, ainda por cima agora tenho patrãozinho novo. - ri-me das palavras dela.
- O Javi é 5 estrelas, vais gostar muito dele.
- Eu estou é admirada! Nunca lhe conheci nenhum namorado e agora conhece este há umas semanas e já namoram.
- Sabes como ela é, refilona e gosta muito de ser livre, mas quando se apaixona…
- Então e tu? Ali o “cara de puto com o brinquinho piroso” já conseguiu conquistar esse coração fechado?
- Preferia não tocar nesse assunto.
- Estou a ver que não. Posso-te dar um conselho?
- Diz lá…
- Não percas mais tempo Clara! Não sei se acreditas, mas pela primeira vez desde que te conheço, eu vejo na tua cara um sorriso realmente feliz. Não percas esta oportunidade…
- É complicado Maria.
- Não Clara, tu é que as complicas. Sabes que eu tenho razão.
- Não quero falar disso. Vou até à praia. Até já.
- Até já.
Saí do bar em direcção à praia, gostava bastante de olhar o mar. Trazia-me uma calma inexplicável e clareava-me as ideias.
Hey... quero mais...
ResponderEliminarCada vez gosto mais da vossa história!!
Bjs
tá perfeito...
ResponderEliminarquero mais...
posta mais hoje, por favor...
cada vez mais gosto da tua fan fic...
continua...
complicações :)
ResponderEliminarquero mais!!!
beijos***
aquilo é lá maneira de se pedir alguém em namoro, ai menino ruben, toca a fazer uma coisita romantica, a clarinha merece...
ResponderEliminarbjs
Adorei...
ResponderEliminarQuando é que esses dois se entendem de vez?! xD
Continua
Tá lindo, lindo, lindo.lindo!!!
ResponderEliminarAdorei agora quero mais!
Bjs