segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Capítulo 36 - A Verdade (Parte II)

(narrado pela Clara)

Eu sentia que ele queria tanto quanto eu. A certa altura senti o fecho a abrir e foi como que um clique na minha cabeça, afasteio-o e levantei-me da cama.

- Desculpa, pensei que querias. – disse-me baixando o olhar envergonhado.

- Não tens de pedir desculpa, a culpa foi minha. Fui eu quem parou. Desculpa, mas…

- Shiuu… Não há mas. – disse abraçando-me – Quando for a altura certa vai acontecer.

- Mas…

- Mas nada, eu adoro-te…

- Também te adoro. Obrigado pela compreensão.

- Não tens de agradecer.

- É melhor ir tirar o vestido, volto já.

- Amor? – chamou-me.

Olhei para trás e ri-me com o que ele me tinha acabado de chamar.

- Estás linda.

Fui trocar de roupa, voltei para o quarto e acabei de fazer a mala.

- Pronto, já está. – disse eu levando a mala para perto da porta do quarto.

- Então e agora podemos namorar um bocadinho ou queres ir já dormir?

- Hmm... ‘Tou cansada… E tu também deves estar.

- Ok, então eu vou indo.

- Não precisas de ir. – disse envergonhada, deitando-me ao seu lado.

- Não?

- Não! Se quiseres namorar mais um bocadinho, assim até amanhã de manhã…

- Sério? Não te importas? – disse enquanto me envolvia nos seus braços.

- Não só não me importo, como também quero. Afinal vamos passar três dias separados, tenho muitas saudades para matar antes de ir.

- E isso quer dizer que me deixas levar-te amanhã ao aeroporto?

- Não, nós já falámos sobre isso e concordámos que era melhor não ires.

- Vou só deixar-te lá, nem saio do carro.

- Ruben…

- Clara, ninguém vai ver. Como é que estás a pensar ir? Levas o carro?

- Não, chamo um táxi.

- Táxi, Clara?! Nem penses. Eu vou-te levar e nem há mais discussões.

- Não achas que estás muito mandão?

- Eu não estou a mandar. Estou-te só a dizer que te levo amanhã. Não vou deixar a minha namorada ir de táxi para o aeroporto, quando eu a posso levar.

- Amanhã logo se vê. – disse-lhe enquanto ele olhava para mim com aquele ar triunfal – Nem penses! Nem com esse sorriso lindo, maravilhoso e que me deixa completamente derretida eu vou ceder. Vá, agora vamos é dormir! Só não tenho um pijama para ti…

- Não te preocupes com isso! Importas-te que eu durma de boxers e t-shirt?

- Claro que não.

Lá no vestimos, quer dizer, eu vesti-me e ele despiu-se. Fui lavar os dentes à casa de banho e quando chego já estava ele deitado. Assim que entro lanço-lhe um sorriso.

- Estás-te a rir de quê? – perguntou-me.

- Nada em especial, só não estou habituada a ter alguém a dormir comigo.

- Mas se não quiseres eu posso ir embora.

- Nem penses nisso, fui eu que convidei, ainda por cima vai ser bom dormir abraçada a ti… - disse-lhe ao mesmo tempo que me deitava junto dele.

- Então vá, anda cá. – eu cheguei perto dele e ele envolveu-me nos seus braços. Tinha a minha cabeça sobre o seu peito e conseguia ouvir o seu coração a bater – Assim está bom?

- Não, acho que falta qualquer coisa… - disse enquanto levantava a cabeça e o olhava nos olhos.

- Hmm… Será isto que falta?! – disse enquanto chegava a sua boca perto da minha, beijando-me de uma forma doce e carinhosa.

- Acho que assim ficou bem melhor. – disse aninhando-me novamente no seu peito.

- Clarinha?

- Sim.

- Nem imaginas como me fizeste feliz hoje. Ou melhor, nem imaginas como me fazes feliz desde que te conheci.

- Posso imaginar… Tu fizeste o mesmo comigo.

- Eu já não me imagino sem ti. Estes dias vão custar tanto a passar.

- Não digas isso, amanhã é outro dia. O que interessa é o agora e agora estamos os dois juntos, felizes e apaixonados.

- Sabes que te adoro, não sabes?

- Sei sim, ainda por cima já me disseste isso várias vezes hoje, é impossível esquecer.

- Ainda bem. Prometes que não encontras lá nenhum espanhol?

- Tu páras com isso? Achas que eu quero mais alguém? Eu já te tenho a ti e não tenciono deixar de te ter.

- Ligas-me todos os dias?

- Claro que ligo. Mas olha lá, eu só vou estar três dias fora e mesmo assim, só não nos vamos ver durante dois.

- Dois?

- Sim, se amanhã vais acordar ao meu lado, o dia de amanhã não conta.

- Pois… E no sábado voltas a que horas?

- Acho que vimos no voo das 20h.

- Então posso-te ir buscar ao aeroporto.

- Não podes nada! No sábado tens de descansar, vais dormir cedo que eu quero o meu Benfica a entrar em campo no Domingo na máxima força.

- Mas se chegas cedo, eu posso muito bem ir-te buscar. Vais dizer que não vais ter vontade de matar as saudades logo no sábado? Aguentas esperar até domingo? Ainda por cima só nos podemos ver depois do jogo…

- Bem, tu és mesmo teimoso! Fazemos assim: dormes cá no Sábado e assim quando eu chegar matas todas as saudades, pode ser?

- E o teimoso sou eu?! Mas sim, pode ser assim, para dormir contigo eu faço tudo…

- Então já está resolvido. Vamos dormir?

- Sim. Até amanhã.

- Até amanhã.

Ele deu-me mais um beijo e fechei os olhos, comecei a recordar o meu dia, começando na surpresa da manhã (as flores e os chocolates), passando pelo jogo e a apresentação à D. Anabela, naquele pedido de namoro atribulado que recusei, a conversa difícil e por fim o verdadeiro pedido. Neste dia tinha afastado muitos fantasmas da minha vida, o fantasma do medo, o fantasma do sofrimento e o fantasma da suposta relação com o Marco. Quando estava quase a adormecer…

- Amor ainda tas acordada? – perguntou-me.

- Sim… Diz…

- Agora já não tens desculpa para não ir para o camarote, já és minha namorada…

- Engraçadinho! Parece que vou ter de dar o redpass a alguém… - lembrei-me que ainda não lhe tinha agradecido pessoalmente as flores – Amor?

- Sim…

- Obrigada por tudo, adorei o nosso dia hoje…

- Eu também fofinha, adorei que estivesses lá em cima a ver o jogo. Sabes que aquele golo foi para ti certo?

- Pensei que tinha sido para a tua mãe…

- Também foi, foi metade para cada uma…

- Tu às vezes tens com cada uma. E dormir não Sr. Amorim?

- Sim amor, desculpa. Mas está difícil adormecer.

- Porquê?

- Porque estás demasiado perto e ao mesmo tempo demasiado longe.

- O quê? – sabia exactamente ao que ele se referia, no entanto não desarmei.

- Queres que te faça um desenho?

- Se calhar é melhor, mas com pormenores.

Não me respondeu, levantou o seu tronco da cama, olhou para mim e abriu um enorme sorriso. Levou a sua mão aberta até a minha face, fechei os olhos, passou os seus dedos desde a minha testa, passando aos olhos, nariz e terminando na minha boca. Mantinha os olhos fechados e senti os seus lábios nos meus, beijou-me com paixão, mas ao mesmo tempo desejo. Pôs-se sobre mim, tinha uma mão na minha cintura que me apertava contra ele e a outra na nuca onde não deixava os nossos lábios se separarem. O meu coração começou a ficar acelerado, os beijos tornavam-se cada vez mais ofegantes e a vontade de avançar era evidente. Eu não podia parar, não desta vez, eu queria tanto quanto ele e já tínhamos esperado tempo demais. Num acto impensado tirei-lhe a t-shirt, ele percebeu que desta vez eu não ia parar. Tirou a mão da minha nuca e passou-a pelo meu corpo, senti-a directamente nas minhas costas, depois na minha barriga, arrepiei-me quando senti que ela estava finalmente no meu peito. Os beijos sucediam-se a um ritmo acelerado, ele tirou-me o top do pijama e a nossa pele tocou uma na outra. Deixou de me beijar os lábios descendo para o pescoço, a sua mão continuava a percorrer todo o meu corpo fazendo-me arrepiar…

Acordei nos braços dele sentindo os seus lábios nos meus.

- Bom dia meu amor. – disse-me.

- Eu não quero acordar…

- Por mim também preferia não acordar princesa.

- Como é que vou passar três dias sem ti?

- Não são três amor, o de hoje não conta, só amanhã é que não estamos juntos, porque no Sábado vou esperar por ti.

- Mesmo assim, é uma tortura sair daqui. Não agora que está tudo bem.

- Estou a ver que a menina é preguiçosa.

- Sou e ainda mais quando estou aqui, assim junto a ti.

- Tu és linda…

- Pára, não me olhes assim, não quando acabo de acordar. – disse-lhe enquanto me escondia por baixo do lençol.

- Sai daí de baixo. – dizia fazendo-me cócegas, eu teimava em não sair e ele continuava com as cócegas - Clara pareces uma criança! Anda lá, sai daí. – eu continuava sem sair e ele foi também para debaixo do lençol, as brincadeiras sucediam-se, assim como os beijos. A noite passada ainda estava presente na nossa cabeça e no nosso coração – És a mulher da minha vida! – disse-me.

- Vou tomar banho senão atraso-me. – disse eu evitando encará-lo enquanto dava um pulo da cama.

Ele não respondeu. Dirigi-me para a casa de banho e tomei um duche. Quando voltei ao quarto já não o encontrei. Vesti-me, arrumei o quarto e desci, reparei que a mala de viagem já não se encontrava à porta do quarto como a tinha deixado na noite anterior. Ele estava sentado no sofá a olhar não sei bem para onde.

- Não queres tomar banho? – perguntei-lhe.

- Não, tomo em casa.

- O que queres comer? Leite e cereais, fruta, torradas?

- Não quero nada, obrigada.

- De certeza? Bebe pelo menos um copo de leite. Olha que se fores de estômago vazio não te deixo levares-me ao aeroporto.

- Ok. – levantou-se e foi ter comigo a cozinha. Pediu-me um copo e agarrou no pacote do leite.

- Come qualquer coisa amor, isso não é nada.

- Não te preocupes, eu chego a casa e depois de um duche, como.

Acabei de comer, arrumei tudo e peguei nas coisas.

- Estás pronta?

- Sim, vamos.

Ele pôs o capuz na cabeça e saímos de casa. O caminho fez-se em silêncio, estava próximo o momento da despedida e o ambiente não era o melhor. Quando chegámos ele foi em direcção ao parque de estacionamento, estacionou e saímos do carro.

- Tu disseste que não saías.

- Não te vou deixar levar a mala sozinha.

- Nem penses que vais comigo até a porta de embarque. Tu ficas aqui, ouviste?

- Sim, não te preocupes. Ainda não te larguei e já estou cheio de saudades.

- Eu também, mas vai passar rápido. Sábado já estamos juntos outra vez.

- Sim.

Foi uma daquelas despedidas lamechas, cheias de beijos, de abraços e promessas…

- Quando aterrares liga-me logo.

- Sim, não te preocupes.

Demos um último beijo e peguei na mala, virei costas e ele puxou-me novamente.

- Obrigado pela noite de ontem, se a despedida foi assim nem quero imaginar quando voltares. – disse-me com o desejo espelhado na sua cara.

Beijou-me e virei novamente costas, ao mesmo tempo sinto uma palmada no rabo. Olhei como que interrogando-o e ele nada disse, deixando-se estar apenas sentado na frente do carro e deixando escapar aquele sorriso, num misto de malandrice com felicidade. Eu continuei o meu caminho, esperava-me uma viagem para Madrid na companhia da Bá, com quem estava ainda chateada.

6 comentários:

  1. Tenho uma reclamação a fazer! “…meu corpo fazendo-me arrepiar…” isto é lá forma de terminar???

    Agora a sério, adorei o capítulo!!

    Quero mais!!

    Ah e vês que não precisas-te de mim :P

    Bjs

    ResponderEliminar
  2. perfeito...

    quero mais...

    posta mais hoje, por favor...

    continua...

    tou muito curiosa/anciosa pelo proximo capitulo...

    ResponderEliminar
  3. Lindo, adoro esta fic!
    Parabens!
    Quero mais!!

    Castro

    ResponderEliminar
  4. Como disse já não perco um capitulo.
    Muito bom, mas já espero o próximo :)
    Continuem
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  5. UFA... já está!!! :)

    Bem Clarinha, tal como prometido já li tudinho da vossa fic... e estou simplesmente encantada! Adoro, adoro, adoro :)
    Gosto das personagens, da relação dificil que está a ficar cada vez mais linda entre a Clara e o Ruben, da relação descontraida mas mui sexy da Guigui com o Javi...
    E adoro o parvinho do David... só não engraço muito com a namorada dele :) Aliás nem percebo pk é que ela nao se chama outra coisa tipo... Ana?! LOLOLOLOLOLOL... brincadeirinha...

    Muitos parabens pela vossa fic. Continuação de boa escrita! E já sabem... têm aqui, a partir de agora, uma leitora assidua.

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  6. Esta lindo como sempre :)
    Ai estes dois,depois eu e que paro nas melhores partes.A menina faz o mesmo :p
    Ando a ver se te "apanho" no chat para te agradecer e dar a morada :P
    Beijinho

    ResponderEliminar