terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Capítulo 54 - A vida tornaria-se insuportável, se não nos proporcionasse mudanças

(narrado pela Guigui)


- Mãe? Pai? O que é que estão aqui a fazer?! - ao ouvir esta pergunta do Javi simplesmente congelei. Senti que ele me tentava colocar no chão, mas eu estava demasiado em choque para conseguir reagir - Amor... - segredou-me. Finalmente consegui reagir.

- Boa noite querido. Viemos fazer-te uma visita e aproveitar para te acompanhar na viagem de regresso. - dizia a D.Ginesa enquanto o abraçava. Eu mantinha-me imóvel ao seu lado.

- Boa noite filho. Como estás? - perguntava o Sr. José aproximando-se.

- Estou bem. Apresento-vos a Margarida, de quem já muito vos falei. - disse enquanto me sorria - Guigui, estes são os meus pais Ginesa e José.

- Boa noite. É um prazer conhecê-los. - eu estava super embaraçada com aquela situação.

- Finalmente temos o prazer de a conhecer. - dizia a D. Ginesa enquanto me cumprimentava - Já ouvimos falar maravilhas, falta saber se corresponde tudo à verdade!

- Mãe!

- Já sabes como é a tua mãe, não lhe ligues. Mas concordo com ela, é um prazer conhecer-te. - disse o Sr. José cumprimentando-me.

- O prazer é todo meu, peço é desculpa pela situação. - dizia eu ainda envergonhada.

- Vamos entrar ou ficamos aqui todos à porta? - dizia o Javi enquanto abria a porta. Os pais dele entraram e nós estávamos ainda cá fora.

- Amor, se calhar vou para casa...

- Porquê princesa?

- Oh amor, estão aí os teus pais. É um bocado má onda eu ficar cá.

- Porquê?!

- Porque é que haveria de ser? A situação já foi bastante constrangedora, não vale a pena torná-la ainda mais.

- Queridos, não entram? - perguntava a D. Ginesa lá de dentro.

- Vamos já mãe. - voltou a olhar para mim - Eu quero que fiques cá. Não namoramos propriamente há uma semana para que os meus pais achassem estranho tu cá ficares. Mas como é lógico, tu é que sabes o que queres fazer. Se não quiseres cá ficar vou-te levar a casa.

- Amo-te meu essencial! - disse olhando-o, enquanto me colocava em bicos de pés e o beijava suavemente.

Ele correspondeu ao meu beijo e quando nos separámos entrámos de mãos dadas. Os pais dele estavam ambos na sala, o pai sentado no sofá e a mãe permanecia em pé a apreciar o mural que estava já bem recheado de fotos nossas. Vi-a sorrir enquanto nos olhava.

- Realmente são um casal muito bonito. E vê-se a cumplicidade que existe entre vocês. - dizia a D. Ginesa. Sorrimos e o Javi colocou o seu braço envolta dos meus ombros.

- Obrigado D. Ginesa. Não querem um café ou um chá? - perguntei a tentar desviar a conversa.

- Eu aceito um chá. - disse o Sr. José.

- Eu também. Vamos querida, eu ajudo-te.

- Não é necessário. Eu vou e volto num instante. - disse dirigindo-me à cozinha. Finalmente ía poder acalmar-me, estavam a ser demasiadas emoções para uma noite só.



(narrado pelo Javi)


Notei que ela ainda estava envergonhada com a situação, por isso fiz sinal à minha mãe para que não insistisse. Vi-a dirigir-se à cozinha e acabei por me explicar.

- A Margarida não é nada envergonhada, mas aquela situação deixou-a um pouco constrangida. Ela já volta mais faladora.

- Nós devíamos ter avisado filho...

- Não se preocupem com isso.

- Filho, desculpa mas temos que te fazer uma pergunta. Em parte foi isso que nos fez vir cá. - olhei para eles confuso - A Elena voltou?

- Parece que sim. - mais tarde ou mais cedo teria que lhes contar do regresso da Elena - Ela acha que eu ainda gosto dela.

- E gostas?

- Claro que não mãe. Eu amo a Margarida. Eu não posso negar que a Elena foi muito importante para mim, mas faz parte do passado.

- Então quer dizer que gostas mesmo da Margarida? - o meu pai parecia ainda não muito convencido.

- Vocês quando a começarem a conhecer vão perceber. A Margarida é a pessoa mais verdadeira que conheço. A sua maneira de ser, a espontaniedade, a sinceridade apaixonam qualquer um. Vocês vão ver.

- Estou a ver que é mesmo amor. E ela sabe da situação toda da Elena?

- É mesmo mãe, acredita. Agora sabe. Com este regresso súbito da Elena eu tive que lhe contar. Ela ontem estava completamente arrasada com tudo isto.

- Não é para menos. Um fantasma do passado assusta sempre...

- Pois, eu sei. Mas agora já passou. Se não se importam eu vou ver se ela precisa de ajuda lá dentro.

- Não queres que eu vá querido?

- Não é preciso mãe. Obrigado. - dirigi-me à cozinha e mal entrei a porta vi-a sorri-me.

- O que é que aqui estás a fazer?

- Vim-te ajudar e matar um bocadinho as saudades. - os meus braços envolveram a sua cintura enquanto as minhas mãos pousavam na sua barriga.

- Tolinho. Eu trato disto, vai fazer companhia aos teus pais...

- Já estive com eles, agora estou um bocadinho contigo. - Voltei-a para mim - Eles estão preocupados por causa da Elena. - senti-a estremecer - Devem ter visto os jornais... Mas eu já lhes disse que tu sabes de tudo e que a Elena faz parte do passado. - ela mantinha-se calada. Dei-lhe um abraço forte e segredei-lhe - Eles ficaram felizes por nós. - senti-a sorrir e sorri também - Podes sorrir à vontade meu anjo. É mesmo assim que eu gosto de te ver

- O que eu te amo! - disse enquanto me abraçava fortemente.

Nesse momento ouvimos o barulho da água a ferver. Ela colocou a água no bule, com o chá, e caminhámos até à sala. Ela levava uns biscoitos enquanto eu levava o tabueiro com o bule e as chávenas. Sentámo-nos a tomar o chá enquanto conversávamos. Os meus pais fartavam-se de fazer perguntas à Guigui, estavam super curiosos por conhecê-la melhor. Nos seus rostos vi que estavam a gostar dela. Era impossível não gostar. A Guigui respondia-lhes a tudo com um sorriso no rosto, um daqueles sorrisos sinceros em cada pormenor. Ela estava mais à vontade e a conversa fluía cada vez com maior facilidade. Estava a ficar tarde, os meus pais estavam super cansados da viagem e nós também. Fomo-nos deitar. Os meus pais ficaram no quarto de hóspedes e nós fomos para o meu quarto. Deitei-me enquanto a Guigui tirava uma camisola minha para vestir e se deitava junto a mim. Os meus braços envolveram-na enquanto a beijava. Coloquei as minhas mãos por dentro da camisola que ela tinha vestido quando a senti afastar-se subitamente.

- É que nem penses! Os teus pais estão em tua casa, lembras-te?

- Amor, o quarto é do outro lado da casa. Além disso é impossível resistir-te.

- Não quero saber! Hoje não há nada para ninguém. Se não queres assim eu vou-me embora e assim já me resistes. - eu percebia a parte dela, mas adorava provocá-la. Apertei-a mais contra mim enquanto a beijava novamente - Javi!

- Que chatinha... - disse enquanto lhe sorria.

- Olha a lata! Chato és tu. Amor, já te disse que não me sinto confortável, que coisa. - disse enquanto se sentava na cama.

- Eu sei amor. Estava-te a picar, mas já vi que é melhor parar... Vá, vamos dormir. - puxei-a novamente para o meu peito.

- Mas é para dormir mesmo Francisco Javier! - virou-se para mim e beijou-me suavemente - Dorme bem meu essencial. Amo-te.

- Também te amo princesa, dorme bem. - Ela deitou a sua cabeça sobre o meu peito e senti-a adormecer quase de seguida. Estava a senti-la serena e adormeci pouco depois.


(narrado pela Guigui)



Acordei sobressaltada. Olhei para o relógio que marcava 5.37h. O Javi mantinha-se deitado ao meu lado a dormir serenamente. Fiz um esforço por voltar a adormecer enquanto o pesadelo que me tinha feito acordar permanecia na minha cabeça. Com algum custo consegui voltar a adormecer e quando acordei novamente eram quase 10h. Levantei-me cuidadosamente para não o acordar, fui tomar um duche rápido e vesti-me. Quando regressei ao quarto ele ainda dormia. Dei-lhe um leve beijo na testa e peguei nas suas chaves de casa. Fui comprar pão fresco e regressei a casa. Dirigi-me à cozinha e comecei a preparar o pequeno-almoço, quando sinto alguém a entrar na cozinha.



- Bom dia D. Ginesa. Se calhar acordei-a...

- Bom dia minha querida. Nada disso. Já estava na hora de eu me levantar também e assim ajudo-te.

- Não é preciso. Já está quase tudo tratado.

- Vou pôr a mesa então.

- Mas eu posso tratar disso. - disse enquanto me dirigia à mesa.

- Minha querida, tratas do pequeno-almoço e eu da mesa, combinado?

- Combinado. Se calhar vou é já acordar o Javi para ele se ir arranjando.

- Faz isso enquanto eu ponho a mesa e eu a seguir já vou acordar o José.

Fui até ao quarto e debrucei-me na cama do lado dele. Ele ainda dormia serenamente. Dei-lhe vários beijos no rosto enquanto ele se ía mexendo.

- Bom dia amor meu.

- Bom dia princesa. - disse enquanto me puxava para mais perto dele.

- Amor, tens que te levantar. Eu e a tua mãe estamos a tratar do pequeno-almoço.

- Vocês mulheres são umas madrugadoras. Eu a pensar que só ía sofrer quando chegasse a casa dos meus pais mas pelos vistos enganei-me.

- Não és tu que passas a vida a chamar-me dorminhoca? Estou a ver que o dorminhoco és tu, além de fraquinho...

- Vais sofrer Margarida. - dizia ele puxando-me mais para ele.

- Nem penses Javi! - ele começava a fazer-me cócegas - Francisco Javier, pára!

- É preciso lata! Primeiro provocas-me e depois queres que pare? É preciso muita lata mesmo!

- Amor, pára!

Eu ria-me descontroladamente e ele continuava a fazer-me cócegas. Era impossível conter-me até que subitamente ele pára e desmancha-se a rir. Quando me volto percebo a razão.

- Francisco Fernández, não tens vergonha? - a mãe dele estava à porta do quarto a tentar manter-se séria, mas não conseguindo esconder um pequeno sorriso - Ó filha, bem sei o que tu sofres...

- Peço desculpa D. Ginesa. - disse ao mesmo tempo que me levantava. À semelhança da noite anterior, estava novamente super envergonhada.

- Não tens nada que pedir desculpa, tens é que meter esse rapaz na linha se não estás tramada. - ela sorria-me - e não precisas de ficar assim que eu já sei bem do que a casa gasta.

- Este menino parece estar a fazer os possíveis por me fazer passar vergonha à sua frente.

- Até parece princesa! Bem, eu vou tomar banho. - levantou-se um ápice e dirigiu-se à casa-de-banho, não sem antes me dar um leve beijo na bochecha.

- Vê se te despachas. - disse enquanto ele fechava a porta - D. X, peço imensa desculpa.

- Ó filha, eu conheço essa peste há 23 anos, nada do que ele faz é novidade para mim. - disse enquanto se aproximava de mim e me segurava a mão - Mas eu vejo que ele é feliz ao teu lado e tu ao lado dele, portanto fico ainda mais feliz por poder ver as vossas brincadeiras e assistir ao vosso amor a crescer.

- Obrigado. - disse já super envergonhada.

- E não digo isto para te deixar envergonhada. Quero que te sintas bem connosco, bem sei que isso leva tempo, mas quero que saibas que podes contar connosco para o que quiseres. O Javi tinha razão quando nos falou de ti e nos disse que se via a verdade nos teus olhos. Portanto não tenhas vergonha de o chamar à atenção quando ele te estiver a envergonhar, mesmo que seja à nossa frente.

- Fico muito feliz e agradeço por me pôr tão à vontade. É muito importante para mim saber que posso contar consigo.

- Querida, se o Javi te escolheu, para mim já fazes parte da família. Agora vamos tratar do resto do pequeno-almoço se não daqui a pouco já são é horas de almoçar.

Dirigimo-nos novamente à cozinha e eu fiz um sumo de laranja enquanto a D. Ginesa fazia uns ovos mexidos. Pouco depois entrou o Javi que cumprimentou a mãe e veio para junto de mim e pouco depois entra o Sr. José.

- Ora muito bom dia. Estou a ver que hoje temos aqui um banquete para o pequeno-almoço.

Sorrimos-lhe e sentámo-nos todos à mesa a tomar o pequeno-almoço. Quando terminámos levantámos a mesa, arrumámos a cozinha e saímos para passear. Os pais do Javi combinaram de irem os três embora na Terça-Feira e assim ainda passaríamos o dia de hoje juntos. Levámo-los a passear pela Baixa, Chiado e Bairro Alto. Fomos até à Tease comer os melhores Cupcakes da cidade e como não podia deixar de ser descemos até ao Santini's e, apesar do frio, comemos um delicioso gelado. Eu estava feliz a mostrar-lhes a minha cidade e o Javi mostrava-se feliz por estarmos todos a conviver. A D. Ginesa aproveitou para fazer algumas compras de Natal e eu aproveitei também para comprar as prendas da Clara, da Sara, da Marta e da pequena Belise. Ao fim do dia regressámos a casa, pois eles precisavam de descansar antes da viagem. Os pais do Javi ficaram em casa e nós acabámos por ir os dois jantar fora. Fomos até Carcavelos, comer sushi a um dos melhores restaurantes japoneses da zona. O jantar foi animado e quando saímos do restaurante acabámos por estacionar o carro numa zona sossegada com vista para o mar e ficámos assim a admirar o mar e o céu. O céu estava carregado de nuvens, ouvia-se a trovoada e o mar estava super agitado, mas o facto de estar ao pé do Javi transmitia-me uma calma inexplicável. O Javi veio para o meu banco, inclinámo-lo para trás, eu sentei-me no seu colo e ficámos assim, juntos e abraçados a apreciar aquela revolta da natureza à nossa volta.

- Que saudades que vou ter tuas amor. A sorte é que o bar vai estar fechado, se não era o desespero total.

- Porquê?

- Olha, porque se assim fosse ía desesperar todos os dias pela hora do final do treino para te ver entrar e finalmente estar contigo. Assim ao menos vou andar entretida com a Sara e a Clara e depois vou ter com a minha criançada toda.

- Criançada?

- Os meus primos. Quero é ver quando é que o menino vai conhecer a minha família...

- Quando quiseres! Mas a questão é que vou ser mesmo só eu a conhecê-los, porque eles a mim já me devem conhecer. - disse todo convencido.

- Amorzinho, lamento decepcionar-te, mas se fosses o David talvez fosse mais fácil reconhecerem-te, assim é um bocadinho mais difícil.

- Tanta implicância com o David e agora dizes-me isso? 'Tou a ver que tenho de ter cuidado... - tentava fazer-se de amuado.

- Amor, até parece que tenho algum interesse naquela ovelha... Só tenho olhos para ti minha beleza. Além disso mesmo que quisesse olhar para outro lado o meu coração não me deixava.

- Sabes o que te digo? Com a verdade me enganas é o que é! - disse piscando-me o olho.

- É que nem brinques com isso!

- És mesmo tolinha tu...

- Tolinha e doidinha, mas é por ti. Agora não achas que é melhor ires para casa? Amanhã partes cedo e a viagem é longa...

- Se calhar é. De certeza que não queres dormir lá?

- Amor, amanhã depois ainda ías perder tempo a ir-me levar a casa, além disso eu ía ter que me levantar super cedo. Eu já me despedi dos teus pais, portanto podes-me deixar em casa e, como eles devem estar lá, despedes-te já deles também.

- E se eu dormisse em tua casa? A minha mala já está feita e amanhã saía de tua casa e já ntinha tudo pronto.

- E os teus pais não se importam?

- Amor, eles sabem que eu estou contigo, porque é que haveríam de se importar?

- Sei lá! Por passares pouco tempo com eles, que tal? Mas se assim é eu prefiro, sempre posso matar mais um pouco as saudades.

Fomos até minha casa. Quando lá chegámos estava a algazarra do costume. Clara, Ruben, Sara e David, tudo de volta da Playstation, até elas já se tinham rendido aos jogos de rapazes. Ficamos um pouco à conversa mas acabámos por nos deitar cedo, visto que o Javi tinha que se levantar cedo no dia seguinte. Adormecemos e acordámos nos braços um do outro. A noite passou a correr. O Javi levantou-se, tomou um duche, vestiu-se e veio perto de mim para se despedir.

- Princesa, vou ter que ir embora.

- Já? - disse puxando-o mais para mim. Eu sabia que sim, mas custava-me só a ideia de estar 5 dias sem ele - Fica cá comigo bebé...

- Isso é tudo do sono princesa? - disse enquanto soltava uma gargalhada. Olhei para ele confusa - Amor, já falámos sobre isto. Domingo já cá estou. Vai passar num instante.

- Mas eu não quero amor!

- Amo-te princesa. - ao ouvi-lo um sorriso apareceu no meu rosto - Aviso-te quando chegar. Agora dorme que o teu mal é sono.

- Também te amo meu príncipe. Avisa quando chegares a casa, quando saíres, quando estiveres a sair de Portugal e quando chegares a casa, ok?

- Mais alguma coisa?

- Sim! - levantei-me e beijei-o - Amo-te meu essencial. A tua prenda de Natal está à tua espera quando voltares. Boa viagem.

- Obrigado. Amo-te guapa.

Vi-o levantar-se e sair do meu quarto. Levantei-me quase de seguida e corri para junto dele que já estava ao fundo das escadas. Saltei para o seu colo e abracei-o com todas as minhas forças. Era aquele abraço que iria permanecer na minha memória durante os próximos dias, que me iria reconfortar quando as saudades me estivessem a matar. Senti os meus olhos a encherem-se de lágrimas e respirei fundo tentando aguentá-las. Permanecemos abraçados por um bom bocado e quando saltei novamente para o chão apenas lhe consegui dar um leve beijo, enquanto o ouvia sussurrar um sincero "Amo-te" que me aquecia o coração mas não me deixava falar. Ele sorriu-me e saiu. Subi para o quarto e deitei-me desejando que o tempo passasse rápido. Ainda li a sua mensagem a dizer que tinha chegado a casa e pouco depois voltei a adormecer.

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