(Narrado pela Clara)
Ele foi substituído e foi sentar-se no banco, eu estava numa pilha de nervos. Todos me diziam “Calma Clara, ele está bem…”, mas eu não conseguia acreditar. Se ele estivesse bem não precisava de ser substituído. Continuei nervosa até ao fim do jogo que tardava em chegar, o resultado não se alterou e ganhámos por 0-1. Vi todos os jogadores a dirigirem-se à bancada para agradecer o apoio dos adeptos, levou algum tempo até o Ruben me descobrir e quando o fez, vi que ele reparou na minha preocupação. Esboçou um sorriso para me descansar, coisa que não aconteceu. Quando saíamos do estádio o telemóvel tocou:
- Amor?!
- Linda eu estou bem, só fui substituído por precaução. Não te preocupes.
- Juras?
- Juro, está tudo bem comigo princesa. Vão já seguir para baixo?
- Não, vamos esperar por vocês e seguimos atrás. Assim chegamos lá ao mesmo tempo.
- Está bem. Beijinhos, amo-te. Vai com cuidado.
- Sim, vou. Eu também te amo. Até logo.
O caminho para baixo fez-se bem, fomos o tempo todo atrás do autocarro. Quando chegámos despedimo-nos de todos e fomos para o carro, a Sara e o David seguiram no carro dele que estava no Estádio.
- Amor, estás bem de certeza?
- Sim, não te preocupes.
Quando chegámos a casa dele, ele insistiu para eu dormir lá.
- Fica Clara.
- Não posso amor, amanhã quero ver se vou para a empresa mais cedo. Hoje não fiz nada do projecto e quero ver se amanhã o adianto.
- Não podes fazer isso na Terça-Feira? Fica comigo, vá lá…
- Ruben não insistas, eu não posso mesmo.
- Não é justo Clara. Hoje não tivemos tempo nenhum juntos, eu sinto a tua falta.
- Pára com isso, estás a ser infantil… Sabes perfeitamente que eu tenho feito de tudo para estar contigo, até ao lar eu vou com menos frequência…
- Tu é que sabes… Eu não vou insistir mais.
Despedimo-nos e eu segui para casa. O dia seguinte foi normal, o novo projecto ocupava-me grande parte do dia, até o almoço era à pressa. Estava bastante entusiasmada, era algo muito bom para a minha carreira e estava a dar-me muito gozo. Tanto gozo que eu esquecia-me do tempo. Foi o que aconteceu, tinha combinado jantar com o Ruben e esqueci-me completamente. Cheguei a casa já perto das 20h e ele estava fulo.
- Boa noite…
- Boa noite?! É só isso que tens para dizer?
- Ruben, calma…
- Mas tu está a brincar comigo?! Já estou à mais de uma hora à tua espera Clara, e tu agora chegas e dizes boa noite?!
- Amor não vi as horas, calma… Estive de volta do trabalho e esqueci-me das horas…
- Fogo Clara! Combinámos ir jantar, lembras-te?
- Sim, já pedi desculpa amor. Vou só mudar de roupa e já desço. Vamos jantar onde?
- Depois vês, despacha-te… Clara?
- Sim. – respondi-lhe já ia a meio da escada.
- E o meu beijo?
Desci a escada e abracei-o.
- O seu beijo está aqui Sr. Amorim… - disse-lhe beijando-o de seguida – Vá, agora vou-me vestir.
Não demorei muito tempo e quando voltei a descer saímos. Ele levou-me a jantar a um restaurante no Parque das Nações e comemos rodízio. Ele adorava e deliciou-se, eu ao fim do segundo pedaço de carne já estava cheia.
- Não comes mais?
- Não amor, não tenho vontade. Então, como correu o treino? Avaliaram-te? Estás mesmo bem?
- Sim, estou óptimo. Foi só um toquesinho, vou trabalhar limitado para já, depois logo se vê.
- Então não estás bem…
- Estou sim Clara, é só por precaução.
- Amor, de certeza?
- Sim, eu estou mesmo bem, não precisas de te preocupar.
- Ok, mas promete que se acontecer alguma coisa me dizes…
- Está prometido… - olhou para mim e riu-se…
- Que foi? Estás-te a rir de quê?
- Adoro ver a minha menina preocupada comigo. Deve ser para compensar ter-se esquecido de mim hoje.
- Não digas isso amor, não foi por mal, é que agora estou a fazer uma cena que gosto mesmo.
- Mas conta lá afinal que raio de trabalho é esse.
Eu lá lhe contei do trabalho, ele estava bastante interessado e ouvia com muita atenção tudo o que eu dizia. Acabámos de jantar, tomámos café e seguimos para casa.
- Amor, ficas lá em casa hoje? – perguntou-me.
- Não, amanhã sabes que trabalho e também ainda quero ir pegar no projecto.
- Mas agora é só trabalho Clara?
- Amor, eu agora trabalho a dobrar, tenho o projecto para fazer e ainda tenho que fazer todo o trabalho que fazia antes. Eu disse que isto me ia ocupar mesmo muito tempo.
- Pensei que tivesses algum tempo para mim, mas tu tens as tuas prioridades...
- Amor…
- Esquece Clara. - entretanto chegámos a casa – Até amanhã.
- Amor, pára lá…
- Esquece…
- Ruben, por favor não fiques assim.
- Já te disse para esqueceres, até amanhã.
- Até amanhã.
Saí do carro e vi-o seguir para sua casa. Ele tinha ficado chateado e acabava por ter alguma razão. Resolvi subir e ir fazer uma pequena mala, meti-me no carro e fui para casa dele.
- O que estás aqui a fazer?
- Vim ter contigo. Amor, não dificultes…
- Entra… Essa mala é para quê?
- Para que achas que é? Ruben…
Sorriu e puxou-me para o sofá. Ficámos a ver um filme e a namorar, no final do filme fomos dormir. Acho que tomei a decisão certa, soube-me muito bem dormir ao seu lado. De manhã acordei com o despertador, fui-me arranjar e ele ficou a dormir.
- Amor, vou embora, até logo. – dei-lhe um leve beijo, pois pensava que ele ainda dormia.
- Almoças comigo? Eu vou-te buscar. – perguntou ao puxar-me para ele.
- Não dá amor, eu provavelmente vou comer alguma coisa na empresa.
- E jantar?
- Ruben eu queria ir ao lar…
- Ok, depois de ires ao lar, eu peço qualquer coisa para comer e jantamos aqui…
- Sim, está bem. Até logo.
- Até logo, amo-te.
- Eu também.
Fui para o trabalho e depois da hora do almoço a Sara ligou-me:
- Oi amiga!
- Olá Clara, preciso de falar contigo…
- Então? Mas passa-se alguma coisa?
- Não, mas preciso de falar contigo… Achas que logo podemos jantar?
Demorei um pouco a responder, tinha o jantar combinado com o Ruben e não queria que ele ficasse chateado comigo – Amiga importas-te que te ligue daqui a 2 minutos? É que eu tinha o jantar combinado com o Ruben, mas estou a ver que precisas de falar…
- Clara deixa estar, falamos depois…
- Nem penses, vou ligar ao Ruben, tenho a certeza que ele vai compreender…
- Não Clara, eu também não queria que ele dissesse nada ao David… Não desmarques nada, falamos depois…
- Não te preocupes, vamos jantar sim. Eu vou só ligar ao Ruben e já te ligo a confirmar.
- Obrigada amiga.
- Não tens que agradecer. Até já…
Desligámos e de seguida liguei ao Ruben.
- Olá fofinha!
- Amor, preciso de te pedir uma coisa…
- Diz…
- Achas que podemos marcar o jantar para amanhã?
- Mas porquê Clara?
- Porque eu te estou a pedir… Vá lá amor, não faças perguntas, eu depois falo contigo.
- Amanhã? Queres marcar o jantar para amanhã?
- Sim… Não te importas?
- Claro que não, estou sempre ao teu dispor, não é?! Amanhã falamos…
- Beijo, logo eu ligo-te…
Desliguei e voltei a ligar à Sara, combinámos ir ao Colombo. A tarde passou e eu saí há hora, passei em casa para ir buscar a Sara e seguimos para o Colombo. Fomos jantar à Portugália e enquanto esperávamos pelo comer resolvi perguntar o que se passava.
- Então conta lá… Estás muito tristinha, que aconteceu?
- Estamos em Janeiro…
- Ok, já percebi. Época de transferências, mas já sabem de alguma coisa?
- Acho que ele já recebeu propostas… Boas propostas…
- Pois, calculo… Mas tem calma, não comeces já a stressar. Ele já falou contigo sobre a possibilidade de ir embora?
- Não, só me disse que havia propostas… Eu tenho medo de perguntar Clara, não quero que ele perceba as minhas inseguranças.
- Essas inseguranças são normais Sara, tem calma, não sofras por antecipação.
- Eu sei, mas não sei como hei-de agir com isto, não quero que ele saiba que tenho medo, mas também não quero que ele não evolua na carreira por minha causa! Estou um bocado perdida Clara.
- Dá tempo ao tempo amiga, como te disse, não sofras por antecipação…
Entretanto o jantar veio para a mesa e enquanto jantávamos a conversa continuou:
- Olha, outra coisa…
- Diz…
- O Ruben faz anos na próxima semana, queria fazer uma coisa especial mas não sei o quê…
- Porque não falas com a Bela? De certeza que se vocês prepararem alguma coisa ele vai adorar…
- Pois, acho que tens razão… Nem sei o que hei-de comprar para ele, tudo o que lhe possa dar vai parecer pouco, ele pode comprar o que quiser...
- E se lhe deres algo que ele não pode comprar…
- Pois, e o quê?
- Porque não o deixas fazer mesmo parte da tua vida…
- Mais?! Ele já faz parte da minha vida Sara…
- Sabes bem do que estou a falar… Porque não aceitas o pedido de casamento?
- Pára com isso, sabes bem que ainda é cedo…
- Achas mesmo? Não me parece Clara, ele ama-te e tu…
- Eu amo-o, é verdade… Mas não sei, acho que ainda é cedo.
- Imaginas outra pessoa ao teu lado?
- Não, ele completa-me em todos os sentidos.
- Então amiga, o que te impede de te entregares totalmente?!
- A Inês! Aquela amizade faz-me muita confusão, estou farta de a ter no meio de nós. Eu não me importava que ela fosse amiga dele se não tivesse nada contra mim, mas eu sei que ela não gosta de mim e que lhe mina a cabeça. Eu não posso fazê-lo escolher entre mim e ela, nem quero. Só queria que ela me desse tréguas, que compreendesse que eu gosto dele, gosto dele a sério…
- Eu compreendo amiga, mas vais ver que ela vai compreender, qualquer dia ainda vais ter uma surpresa…
- Assim espero. Mas percebes agora o porquê de não aceitar o pedido?
- Em parte sim, mas por outro lado acho que devias ficar com ele. Esquece a Inês, ela qualquer dia abre os olhos. Sê feliz com ele, Clara era a melhor prenda que lhe podias dar…
- Não sei, Sara… Tenho que pensar…
- Pois, acho que a minha amiga está prestes a mudar de ideias.
- Pára com isso parvinha… Olha, vamos indo?
- Sim…
Pagámos e fomos dar uma volta pelo centro comercial. A Sara fazia-me parar em todas a ourivesarias na tentativa de me mostrar o anel que o Ruben tinha comprado para mim.
- Anda só a esta, prometo que é a última…
- Tu és teimosa... Anda embora eu não quero ver o anel, só quando ele me pedir.
- Não sejas parva, anda lá. – disse agarrando-me na mão e puxando-me para dentro da ourivesaria.
- Sara…
- Olha! É parecido a este… Anda cá… - chamou-me – Eu sei que queres ver.
Aproximei-me e vi, era realmente lindo – Eu não acredito, mas é igual?
- Não, mas é parecido, o outro é bem mais bonito… Porque não pedimos para exprimentares? Tenho a certeza que mudas de ideias rapidamente…
- Não… Vamos embora já, não quero ver mais nada.
- Ai Clara, vá lá… Diz lá que não tens vontadinha nenhuma de o veres no teu dedo?!
- Sara, não me tentes… Por favor…
Ela sorriu e dirigiu-se à empregada, pediu o anel e pouco depois a empregada da loja trazia-o.
- Eu não acredito nisto…
- Cala-te e põe isso no dedo.
Fiz o que ela pediu, pus o anel no dedo…
- Amiga fica tão bem… Tens de aceitar Clara…
- Eu não acredito que tu me convenceste a fazer isto…
- Não te queixes… Diz lá que não ficaste com uma vontade enorme de casar?!
Olhei para o meu dedo, amei ver aquilo. A verdade é que a Sara tinha razão, entrei no “mundo dos sonhos” e deu-me uma vontade súbita de aceitar o pedido de casamento do Ruben.
- Sim… Se ele estivesse aqui agora, eu não tinha como negar…
- Não?! – perguntava uma voz atrás de mim.
Adorei, simplesmente adorei...
ResponderEliminarAgora quero ver a menina Clara aceita :)
Quero mais
Continua
Beijinhos :)
Clara, Clara, Clara como é que acabas assim o capitulo????
ResponderEliminarÉ o Ruben atras dela não é??? Melhor tem de ser...
Estou super curiosa, muito bom, mesmo muito bom.
Muito bom :)
Beijinhos
Será o rúben? será a Inês?
ResponderEliminarIsto é para exercitar a mente certo?
Vou chatear a guigui para ela postar rápido (;
Beijinho*
ta brutal
ResponderEliminarquero mais
continua
Olha Lá... ainda continuo á espera desta resposta... tá mal :P
ResponderEliminarContinua depressa.... isto de ficar sem saber não está com nada :D
Bjs
AHHHH!!! Eu não acredito!! :O
ResponderEliminarClara, eu quero maiss!! :'(
Agora estava tão interessante...
Espero por mais, por favor..:)
Beijinho