(narrado pela Guigui)
Sentia-me a explodir de alegria. Havia pouca coisa que podia exprimir o amor que sentíamos, mas sem dúvida que isto o exprimia na sua totalidade, não só o amor mas a confiança, a dedicação e demonstrava o quão bem ele me conhecia. Virei-me de novo para ele e abracei-o, um abraço forte. Imediatamente senti lágrimas a escorrerem-me pelo rosto, não eram lágrimas de tristeza, mas sim lágrimas de uma alegria imensa que eu não conseguia impedir de demonstrar.
- Tontinha, estás a chorar porquê?
- Não me chames tonta! E estou a chorar por culpa tua.
- Bem, se calhar é melhor amanhã ir-te comprar outra prenda então... - ao ver a minha cara começou-se a rir e prosseguiu - 'Tou a brincar princesa. É esta a tua prenda, aceitas?
- Amor, não podia recusar uma prenda destas. - disse antes de o beijar.
A prenda do Javi era pura e simplesmente um gabinete de projecto, um gabinete para a nossa casa, a casa que ele queria que eu projectasse. O escritório recebia iluminação artificial e era amplo. Estava agora decorado por um estirador, um Mac suficientemente grande para facilitar o trabalho de projecto, todo o material de desenho que eu poderia precisar e uma estante recheada de livros dos melhores projectos de Arquitectura e Engenharia do mundo. Ele sabia as razões pelas quais eu não trabalhava na minha área: a primeira porque era demasiado orgulhosa e autónoma para trabalhar sob o controlo de alguém, a segunda porque não era pessoa para ficar feliz a fazer todos os dias a mesma coisa. O bar dava-me autonomia suficiente para poder variar um pouco todos os dias, poder interagir com as pessoas, conhecê-las. Já várias vezes tínhamos falado no assunto e ele sabia perfeitamente que o meu sonho era poder um dia projectar a minha própria casa, poder acompanhar a sua construção desde o primeiro dia. Não era uma casa para já, para amanhã, era uma casa para nós, para a nossa vida, para um dia. Um dia que chegaria na altura certa. O beijo que lhe dava não era apenas um beijo de agradecimento, era de amor, de gratidão e de felicidade.
- Nunca te vou conseguir agradecer o suficiente por isto.
- Amor, não quero que me agradeças, quero que sejas feliz e quero ser feliz contigo. É este o teu sonho. Eu já tive sonhos cumpridos e sei qual é a sensação, quero que saibas também qual é.
Voltei a beijá-lo, mais intensamente, com mais amor e desejo. Saltei para o seu colo e rodeei o seu tronco com as minhas pernas. Senti-o dirigir-se ao estirador e sentar-me lá, enquanto as suas mãos começavam a percorrer o meu corpo, a acariciar cada centímetro e a despir cada peça de roupa que lá permanecia. Os seus lábios começavam a descer da minha boca para o meu peito. Com as minhas mãos comecei a puxar-lhe a camisola, que rapidamente ele despiu. Os nossos troncos estavam despidos, pele contra pele, enquanto o resto da roupa permanecia no nosso corpo. Comecei a desapertar-lhe o cinto e as calças, que escorregaram com uma pequena ajuda das minhas mãos. Sorri-lhe enquanto ele voltava a percorrer o meu tronco de beijos. Ao chegar à minha cintura deu-me uma pequena dentada e senti as suas mãos começarem a desapertar as minhas calças e a puxá-las. Voltei a escorregar para o seu colo e senti a sua erecção que me deixou ainda mais excitada. Ele notou e sorriu-me enquanto me sussurrava repetidamente "Amo-te". O desejo que nos consumia era incontrolável e num ápice despimos as peças de roupa que ainda permaneciam no nosso corpo. Rapidamente senti-o entrar em mim e iniciar os movimentos de forma lenta, enquanto a sua mão descia e me acariciava. Gemi, inicialmente um gemido contido e envergonhado, que se soltava à medida que os nossos corpos se satisfaziam. Gritámos enquanto atingíamos o orgasmo. Ele pegou novamente em mim e levou-me para o quarto. Deitámo-nos e adormecemos, nus e abraçados, sentindo a pele um do outro.
(narrado pelo Javi)
Acordei com os raios de sol que passavam através das cortinas. Os meus braços procuraram-na na cama, mas sem sucesso. Abri os olhos e procurei-a, continuando sem a ver. Levantei-me a fim de a procurar. Ao chegar à porta do escritório vi-a, sentada de frente para o estirador, apenas de lençol enrolado à volta do corpo e com um lápis a prender-lhe o cabelo. Como adorava a simplicidade daquela mulher. Não deu pela minha presença, o que me fez aproximar-me cuidadosamente dela. Beijei-lhe suavemente o pescoço, o que a fez estremecer ao aperceber-se da minha presença.
- Bom dia amor. Já acordado? – disse ao mesmo tempo que se virava para mim e colocava os seus braços à volta do meu pescoço.
- Bom dia princesa. Sim, senti a tua falta na cama.
- Desculpa. Tive um momento de súbita inspiração e decidi aproveitá-lo. – lentamente aproximou os seus lábios dos meus e beijou-me – Que horas são?
- Já passa das 10h.
- Das 10h? O Ico vai-me matar! Amor, vou ter que me despachar para ir para o bar…
- Calma princesa. Vamos tomar banho.
Dirigimo-nos à casa-de-banho e tomámos banho, entre muitas brincadeiras. Quando terminámos ela arranjou-se rapidamente e preparava-se para sair quando a interrompi.
- Não ‘tás a pensar sair sem tomar o pequeno-almoço, pois não?
- Amor, não tenho tempo, já estou atrasadíssima… Como depois no bar.
- Nem penses Margarida! – vi-a rir-se por a ter chamado pelo nome - Vamos comer e depois vais para o bar.
- Às suas ordens Francisco!
- Deixa de ser tolinha princesa… Vá, vamos comer. – sentámo-nos a comer, em silêncio, quando decidi perguntar-lhe algo que me estava a incomodar – Princesa, posso-te fazer uma pergunta?
- Claro amor, diz.
- Em relação à prenda do Saca, já tomaste alguma decisão?
- Ainda não amor. – notei que ela estava um pouco reticente em relação ao que havia de responder – Ele conhece-me bem, e sei que só me ofereceu aquela viagem porque sabe que eu ando há anos para a programar. Se por um lado eu tenho uma vontade tremenda de ir por outro não tenho coragem para ficar afastada de ti, mesmo que seja só por 15 dias.
- Princesa, independentemente do que tu decidas sabes bem que eu vou estar aqui quando voltares, seja um dia, 15 ou um mês… Se é algo que gostavas mesmo de fazer, vai.
- Só que a viagem é já no final do mês amor…
- Tu é que sabes princesa. Eu vou estar aqui. Vá, agora vai-te lá embora.
- Olha-me o espanhol a despachar-me… Deves ‘tar à espera de outra, não?
- Que parvinha… Até logo princesa. Amo-te.
- Até logo bebé. Amo-te. – ela dirigiu-se à entrada, pegou na mala e ía pegar nas chaves quando se dirigiu novamente para mim – Amor, levo qual? O BMW ou o Audi?
- O que quiseres princesa. – sorri com aquela pergunta.
- Levo o Audi então. Não é tanto do tunning… - deitou-me a língua de fora e riu. Pegou na chave do carro e saiu, não sem antes ouvir a minha resposta.
- Vê lá se começas a andar a pé. Queixas-te mas gostas.
Ela saiu e eu liguei para o Roberto. Como ele tinha já combinado umas coisas com a Marta, liguei para o David e fiquei de ir com ele e o Ruben almoçar.
(narrado pela Guigui)
Saí de casa dele e fui para o bar. Quando lá cheguei o Ico já estava na praia a dar a segunda aula.
- Olha lá, ontem é que fizeste anos. Hoje era suposto trabalhares…
- Bom dia também para ti Maria. Tu não achas que te estás a esticar?
- ‘Tou a brincar miúda. Então mas conta-me lá que eu fiquei sem saber… O que é que o espanhol te deu de prenda de anos?
- Nem vais acreditar… A melhor prenda que eu podia ter recebido… Ah, é verdade, agora vais-te começar a queixar cada vez mais de eu passar menos tempo no bar, porque estou com um projecto em mãos…
- Ahn?! Conta lá isso melhor…
- Tu sabes as razões pelas quais eu não trabalho na minha área.
- Sim, fartavas-te de ficar fechada num gabinete a projectar o dia inteiro. Mas tu vais fazendo umas coisas… Os projectos de alterações daqui do bar foste tu que fizeste…
- Sim, fui eu. E agora estou com um novo projecto que me vai dar imenso prazer fazer.
- E vais dizer de uma vez qual é ou vou ter que ficar a morrer de curiosidade. – ri-me da curiosidade da Maria e acabei por lhe contar.
- O projecto da minha casa. Quer dizer, minha e do Javi… - ela não me deixou continuar e interrompeu-me.
- Ahn?! O que é que disseste? Tua casa e do Javi? What?!
- Hey miúda, vais-te acalmar ou quê? – vi que estava mais calma e continuei – A prenda do Javi foi dar-me a oportunidade de fazer o projecto da nossa casa.
- Da vossa casa? Mas vocês vão casar?
- Deixas de ser parva? Que coisa… Se queres saber das coisas deixa-me falar e pára de me interromper.
- Desculpa, mas isto é muita informação de uma vez só… Mas vá, conta lá…
- Não, nós não nos vamos casar, pelo menos para já. E a casa também não é para ser construída para já. É para um dia em que decidamos que é hora disso. Mas pronto, basicamente ele transformou o escritório num gabinete de projecto, com tudo o que preciso e deu-me a oportunidade de concretizar um dos meus sonhos.
- Opah, que querido. O raio do espanhol gosta mesmo de ti, ‘tá visto. Então e olha lá, como é que vais fazer com a Surftrip?
- Olha-me outra… Já o Javi me perguntou a mesma coisa hoje de manhã. Muito sinceramente não sei querida… Sabes perfeitamente que era o meu sonho, mas nesta altura não me quero separar do Javi. Esta cena da Elena ainda está muito recente e ainda por cima o Saca também vai à viagem. Ele sabe que eu amo o Javi, mas não quero que o Javi se chateie comigo. Hoje de manhã ele disse-me que respeita a minha decisão, seja ela qual for, mas como é lógico ele não se vai sentir confortável com isto.
- Guigui, o Javi ama-te e o Saca já percebeu perfeitamente que vocês estão juntos e bem. Muito sinceramente eu acho que devias aceitar a prenda do Saca. É um sonho teu e o Javi vai compreender. Além disso ele próprio viaja várias vezes por causa da profissão dele. – nessa altura entraram alguns clientes, pelo que terminámos a conversa por ali – Já sabes a minha opinião, acho que não devias desperdiçar uma oportunidade destas…
A Maria foi atender os clientes enquanto eu fui para a cozinha adiantar as coisas para os almoços. A manhã já ía bem adiantada e o Ico regressou perto do meio dia. Contei-lhe da prenda do Javi, o que o deixou bastante feliz por mim, e falámos da prenda do Saca. Ele era também da opinião que eu deveria aceitar. Como era lógico, não esperava outra opinião da parte dele. Aquela dúvida permanecia na minha cabeça, eu sabia que era uma questão de dias até eu ter que decidir, pois o Saca tinha que confirmar a viagem. Continuava perdida naqueles pensamentos quando vejo o Javi, o David e o Ruben entrarem no bar. Fui ter com eles, que me contaram a novidade que me deixou felicíssima. Fiquei responsável por fazer o jantar de comemoração para essa noite. Eles almoçaram lá no bar e seguiram depois para o treino. A meio da tarde liguei para a Clara que me informou que a Sara não podia ir com ela. Ainda a tentei convencer a ligar à Joana para que fosse com ela, no entanto ela disse que não era necessário. A Maria teve a tarde livre, como tal fiquei sozinha no bar, uma vez que o Ico tinha aulas marcadas. Fechámos o bar eram 19h. Eu fui fazer as compras para o jantar, quando recebi uma chamada da Sara.
- Boa noite Sarinha, vou já para casa tratar do jantar.
- Olá querida. Desculpa estar-te a ligar, mas não é por isso… Tu por acaso sabes da Clara?
- Não querida. Falei com ela à tarde quando estava a caminho do Hospital e depois já não falei mais, porquê?
- É que ela ainda não chegou e o telemóvel está desligado…
- Se calhar a consulta atrasou-se e ela está sem bateria no telemóvel ou assim…
- Pois, se calhar foi isso. Mas o Ruben está aqui todo nervoso… Bem, vamos tentar distrai-lo enquanto ela não chega.
- Ok. Eu também já vou para casa. Daqui a 15 minutos já estou aí. Até já baby.
- Até já querida.
Desliguei e dirigi-me à caixa do supermercado para pagar. Segui depois para casa. Quando lá cheguei a Clara ainda não tinha chegado. O Ruben andava tipo barata tonta de um lado para o outro. Dirigi-me à cozinha para começar a preparar o jantar. A Sara veio-me ajudar quando ouvimos a porta a fechar. Dirigimo-nos à sala e vi a Clara, junto à entrada, de cara fechada. Alguma coisa tinha acontecido, mas não conseguia descodificar o quê. Notei que ela tinha estado a chorar, tentei falar mas o Ruben interrompeu-me. Mal a Clara o viu a tirar a caixa do bolso vi a expressão que fazia quando estava incomodada com algo, tentou fugir e encaminhou-se na direcção do quarto. Entreolhámo-nos sem perceber o que se tinha passado, e vi no rosto do Ruben uma tristeza enorme. Será que ela tinha sofrido um aborto espontâneo? Não queria acreditar nisso, mas era a única ideia que me surgia…

Aí nao pode ser, eu ja estava a adorar a ideia de ele ser pai.
ResponderEliminarHum, espero por mais...
Beijinho*
O que sera' que se passOu??
ResponderEliminarEstOu cada vez mais curiiOsa..
COntiinuem...
BjnhOss
quero mais...
ResponderEliminarta excelente...
continua...
Bem a prenda do Javi foi mesmo uma surpresa...
ResponderEliminarMuito bom, mesmo muito bom... agora aquela viagem, não sei não..
Muito bom
Beijinhos
Opá, vocês deixam-me sempre agarrada á vossa FIC!!!
ResponderEliminarQuero essa viagem da Guigui, acho que deve aceitar!
E com a clara, será que é mesmo isso??? Quero a resposta rapidamente!!
Beijocas
:( Estou contente pela brilhante ideia de Javi mas estou tão triste por causa da Clarinho :'(
ResponderEliminarBeijinhos*