domingo, 9 de janeiro de 2011

Capítulo 59 - Acreditas em mim?

(Narrado pela Clara)

- Amor, que se passa? – ele não respondia, chorava e abraçava-me ainda mais – Ruben, estou a ficar preocupada… Que se passa amor?

- Acreditas em mim Clara? – eu fiz uma cara de confusa – Confias em mim Clara? – perguntou-me com as lágrimas nos olhos e visivelmente transtornado.

- O que é que foi? Estou preocupada, nunca te vi assim…

- Confias em mim ou não? – perguntou impaciente.

- Eu amo-te! É obvio que confio em ti! O que é que aconteceu?!

- Amor, eu juro-te que é mentira. Eu preciso que acredites em mim.

- Ruben pára com os rodeios. O que foi? Estiveste com alguém?! Traíste-me?! – perguntei-lhe com os olhos já em água.

- Nunca princesa, eu sou e serei sempre teu… - voltou a abraçar-me.

- Então Ruben? Estou a desesperar, quero-te ajudar mas não consigo se tu não me disseres o que se passa.

- Amanhã vai sair uma coisa no jornal. Uma coisa que é mentira, mas que pode prejudicar a minha carreira.

- Mas o que é que pode prejudicar assim tanto a tua carreira?

- Dopping…

- Dopping?! Mas… - eu estava confusa, não sabia bem o que dizer.

- No último jogo, lembras-te que eu fui ao teste de dopping?

- Sim.

- Pronto, eles fizeram a análise e, não sei como, aquilo deu positivo.

- Mas, e agora? Já passou muito tempo, podes fazer outra análise? – perguntei confusa pois não sabia como aquelas coisas se processavam.

- Eu não posso, mas eles tinham que ter utilizado só uma parte da amostra para fazer o teste porque, caso houvesse um erro, podiam confirmar na outra parte da amostra. Mas agora não há como fazer a contra-análise.

- Mas o erro foi deles… Eles não te podem acusar de algo que não podem provar ser mesmo verdadeiro.

- As coisas não são assim Clara, eles têm a análise positiva.

- Então e como é que tu te defendes?!

- Pois, aí está o problema. O meu nome e a minha carreira vão ficar manchados amor. – disse ainda a chorar.

- Calma amor, não comeces já a fazer filmes. Eu acredito em ti, os teus pais, o teu irmão, os teus amigos, todos acreditam em ti… Vá, anda dormir, descansa essa cabeça. Eu estou aqui e vamos passar por isto juntos…

Consegui convencê-lo a ir dormir, deitámo-nos e adormecemos. Durante a noite senti-o várias vezes irrequieto, a última das quais cheguei-me para ele, que estava de costas para mim, e abracei-o. Ele virou-se e abraçou-me também, deu-me um beijo na testa e sussurrou-me “Amo-te”.
Acordámos no dia seguinte com a minha campainha a tocar repetidamente.

- Eu vou lá princesa. Descansa…

- Não, quem vai sou eu… Tu também precisas de descansar e suponho que não queiras ver ninguém.

- Obrigada amor.

Vesti uma sweat de capuz, umas calças de fato de treino e fui abrir.

- Clara desculpa, o meu irmão ficou contigo ontem?

- Sim.

- Podes ir chamá-lo, é grave…

Vi que ele tinha um jornal na mão.

- Posso ver? – perguntei ao esticar a mão para o jornal.

- É melhor não, não vais gostar.

- Deixa-me ver primeiro, eu não vou acordá-lo para lhe mostrar algo que é mentira.

Ele deu-me o jornal para a mão. Logo na manchete dizia “O Benfiquista Ruben Amorim apanhado no dopping”
Ele estranhou a minha cara, não tinha qualquer traço de surpresa.

- Já sabias disto? – perguntou.

- Sim, ontem à noite o teu irmão recebeu uma chamada do empresário a dizer que ia sair esta notícia.

- E ele não pensou em nos dizer nada?! A minha mãe está para morrer com isto Clara…

- Tens razão, mas se o visses ontem. A culpa foi minha, eu devia-o ter lembrado disso. Tu não imaginas como ele está… Duvido que ele tenha conseguido dormir alguma coisa.

- Imagino, a carreira dele pode acabar…

- Olha outro… Queres parar tu também? Mauro o teu irmão não fez nada, tudo se vai resolver, não façam filmes…

- Assim espero…

- A falarem de mim nas minhas costas?! – perguntava enquanto descia as escadas.

- Amor, ontem esquecemo-nos de ligar à tua mãe e ao Mauro, eles levaram com isto assim de surpresa.
- Pois, nem me lembrei. Deixa lá ver o que dizem. – pediu-me.

- Amor ver isto para quê? É mentira…

- Sim, mas deixa lá ver… Deixa lá Clara…

Eu dei-lhe o jornal para a mão e ele teve a reacção que nós menos esperávamos: desatou a rir.

- Olha, até escolheram uma foto em que fiquei bonitinho… Vá tirem lá essas caras, eu tenho razão, para sair na capa até fiquei bem…

Nós nem respondemos àquela afirmação descabida.

- Olhem, eu vou tomar um banho. Até já.

- Clarinha desculpa, nem te perguntei... Sentes-te melhor? – perguntava o Mauro.

- Sim, obrigado pela preocupação.

Subi as escadas e fui tomar banho.

(narrado pelo Ruben)

Quando ela saiu de perto de nós contei ao meu irmão o telefonema que tinha recebido no dia anterior, contei-lhe a história das amostras e também que estava suspenso provisoriamente.

- Isto é muito estranho… Então quer dizer, se te quiseres defender agora não podes?

- O Carlos diz que o advogado se vai mexer, que eu não vou ficar suspenso por muito tempo e que isto se vai resolver. Mas o meu nome já vai ficar na lama. Mas olha lá, não digas nada disto à Clara, ela não sabe que eu estou suspenso e por enquanto é melhor não saber.

- Não acho bem estares-lhe a esconder. Ela vai saber, os jornais vão dar essa notícia.

- Eu sei e eu vou-lhe contar, mas ontem já era muita coisa para ela pensar, não quis contar-lhe ainda mais isso.

- Ok. Então mas ela não te perguntou nada? Não pôs a hipótese de ser verdade?

- Não, ela foi logo super compreensiva e apoiou-me. Cada dia que passa tenho mais a certeza de que ela é a pessoa certa para estar ao meu lado.

- Ainda bem puto. Eu também acho que tens a pessoa ideal ao teu lado e olha que acho que com a mãe estás safo, a mãe adora-a. Nunca a vi tão feliz em relação a uma namorada minha ou tua…

- Ya, podes crer. – quando acabo de falar vejo a Clara a descer as escadas, a minha miúda era realmente linda, até num dia negro como era o de hoje ela fazia com que eu conseguisse sentir-me feliz.

- Amor, que cara é essa? – perguntou-me ela quando já estava pertinho de mim.

- A única que tenho, fofinha.

- Olha, já ligaram à vossa mãe? Ela precisa de uma explicação…

- É verdade puto, a mãe! Ela estava preocupadíssima, o telemóvel dela não parou de tocar por causa da notícia… - lembrava-se o meu irmão.

- Amor, não lhe queres dizer para vir almoçar connosco? Ela também precisa de espairecer. – perguntou-me, sempre preocupada com os outros.

- Eu até lhe dizia, mas tu também precisas de descansar, estás doente Clara.

- Deixa-te de coisas, precisas de falar com a tua mãe e precisas de um sítio sossegado. Nada melhor que aqui em casa.

- Só se tu não fores para a cozinha! – impus a minha condição.

- Amor, e quem faz o almoço?

- Mandamos vir. – sugeriu o Mauro.

- Isso mesmo.

- Mas isso não tem jeito nenhum… - ainda tentou resmungar.

- O que não tem jeito nenhum é tu estares doente e quereres fazer o almoço. Ainda ficamos todos doentes à tua custa. Senta-te aqui e descansa.

-Eu vou buscar a mãe e passo em qualquer lado para trazer a comida.

- Sim, está bem. Eu vou tomar um duche rápido. Até já mano.

Subi e fui tomar o meu banho.

(narrado pela Clara)

- Clarinha? – olhei para o Mauro que me chamava – Obrigada!

- Obrigada porquê? – perguntei-lhe confusa.

- Por estares ao lado dele. Vêm aí tempos complicados.

- Mauro, eu amo o teu irmão, não estou ao lado dele só porque ele precisa agora. Estou ao lado dele porque é lá o meu lugar e porque quero estar. Eu não quero estar com ele só quando está tudo bem, eu quero estar com ele sempre, independentemente do que acontecer.

- Obrigada na mesma. Adoro-te cunhadinha. – disse-me a rir.

- Também te adoro.

Despedimo-nos e ele saiu. Passado um bocado sinto a porta a abrir, era a Sara.

- Clarinha, eu vi a notícia... Como é que ele está? – perguntava-me preocupada.

- Chateado com esta história toda. – contei-lhe a história toda. O Ruben desceu pouco depois, cumprimentou-a e começámos na conversa.

- Olha lá, o David chega hoje não é? – perguntou-lhe o Ruben.

- Sim, vou buscá-lo agora, só passei aqui para ver como vocês estavam e se precisam de alguma coisa…

A porta abre mais uma vez. Desta vez era a Guigui, com o Javi e com alguém que eu não via há séculos. Saltei do sofá directamente para o seu colo.

- Santiago!!

- Então miúda como estás? Estás crescidinha…

- Mas o que é que estás aqui a fazer?! Tinha tantas saudades tuas…

- Eu também tive muitas saudades tuas Clara. Cresceste e ficaste ainda mais bonita.

- Não sejas parvo! Tu é que estás lindo, essa viagem fez-te bem rapaz…

- Meninos, não se esqueceram de nós, pois não? Clara, eu não recebo um abraço desses?! – perguntava a Guigui toda ciumenta.

- Claro meu amor. – respondi-lhe e abracei-a também, ao lado dela encontrava-se uma outra pessoa.

- Olá Clara, lembras-te de mim? – perguntou-me.

- Claro que sim, eu era mais nova, mas ainda me lembro. – abracei-a também. – Estás tão bonita Carolina…

- É, dizem que as mulheres quando estão em certos estados ficam ainda mais bonitas, assim com um brilho… - comentava a Guigui.

- Sim, mas dizem isso quando as mulheres estão grávidas… - reparei que se riram e perguntei – Estás grávida Carolina? – ela limitou-se a abanar a cabeça, eu abracei-a mais uma vez e dei-lhe os parabéns.

Quando acabei de cumprimentar o Javi, olhei para o Ruben que estava atrás dele e vi a cara que fazia. Deu para ver que não tinha gostado do que se tinha passado anteriormente e tinha a sua razão. Apresentámo-los, assim como à Sara, e sentámo-nos na conversa, a Sara teve que sair para ir buscar o David e como o Ruben estava acompanhado pediu-me para ir com ela e assim foi. Seguimos para o aeroporto e quando lá chegamos eu esperei por eles no carro.
A certa altura vejo-os ao longe, o David vinha com uma cara fechada, provavelmente do choque da notícia. Fomos o caminho todo a falar, eu repeti mais uma vez a história, pois assim não tinha que ser o Ruben a fazê-lo. Quando chegámos a casa já lá estava a Bela e o Mauro, vi o David ir ter com o Ruben e dar-lhe um forte abraço. A amizade que unia aqueles dois era enorme e via-se à distância que quando um não estava bem, o outro também não. A Bela veio ter comigo e também me abraçou, agradeceu-me o apoio que eu estava a dar ao Ruben. Almoçámos todos juntos, mas no final decidimos dar espaço para que o Ruben falasse com a mãe mais a sério. Saímos todos para ir tomar café e o Mauro ficou com eles. Na rua várias pessoas se dirigiam ao David e ao Javi a perguntar se aquilo era verdade… De repente o meu telemóvel toca, vi que era o Miguel e estranhei…

- Estou?

- Clarinha, está tudo bem contigo?

- Sim Miguel, porquê?

- Vi no jornal o que o teu namoradinho fez. Afinal tinhas tanta confiança nele…

- Tinha e tenho Miguel, aquilo é mentira. Mas depois falamos, não é assunto para eu discutir contigo agora.

- Tu acreditas no que quiseres Clara, mas já sabes que se ele te magoa eu desfaço-o.

- Pára com isso, essa conversa não tem sentido. Depois falamos. Beijinhos.

- Ok, beijinhos.

Quando chegámos a casa estava tudo muito silencioso, via-se que a Bela e o Mauro já se tinham ido embora. Eu dirigi-me ao meu quarto para ver se o Ruben lá estava. Quando entro vejo aquilo que os meus olhos não queriam ver…

9 comentários:

  1. Ups... o que será que viu a Clara????

    COntinua... começo a não ter palavras para dizer o quanto gosto da vossa FIC!!!

    Beijocas :S

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  2. Nao se acaba assim um capitulo Clara!
    Quero mais!
    xD
    Beijinho

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  3. Esta' O maxiimO O capiitulO!! =D

    E eu adiiviinheii.. =DD VOu pensar um bOcadiinhO pOde ser que também chegue la'!! LOL

    COntiinuem...

    BjnhOo

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  4. adorei...

    quero mais...

    o que se´rá que a Clara viu?

    continua...

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  5. adorei...
    esta muito bom
    continua
    **

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  6. Mais uma vez está optimo o capitulo :)
    Agr é saber o que a Clara viu.. Ui estou curiosa :P

    Beijo**

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  7. ui o que será que a clara viu?! boa coisa nao foi!
    posta rapido se puderes! ta viciante a vossa FIC !
    :)
    Adorei!:D

    beijinhos
    Diana

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  8. Dopping?! :o Se isso acontece-se com um dos nossos meninos credoo seria o escândalo mundial :o
    A Clarinha deu provas do seu amor pelo Ruben *-* mas o que será que ela viu?
    O meu pensamento foi logo para aquela criatura: a Inês -.-'

    Continuem beijinho *

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  9. Olá meninas:
    Já não comento a algum tempo, mas n perco um capitulo.
    Primeiro quero dizer que adoro a foto, uih k três... e tão jeitosos :) :) :)
    Segundo a vossa fic é uma caixinha de surpresas, mas o k será k a Clara vi???
    Terceiro quero mais :) :) :)

    Beijinhos

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