(Narrado pela Clara)
Que horror! Como era possível de um momento para o outro ter ficado tão mal disposta, o Ruben que tinha vindo atrás de mim:
- Amor, deixa-me entrar, estou preocupado Clara!
- Não insistas, eu não quero que entres. Deixa-me sozinha… - dizia a chorar, a barriga estava a doer bastante e a má disposição a voltar…
Foi passado alguns minutos que eu resolvi sair, sentia-me um pouco melhor, porém ainda um pouco tonta.
- Então princesa? Já estás melhor? – disse a sorrir.
- Sim estou. E que sorriso é esse? É assim tão bom veres-me mal disposta?
- Clarinha não digas isso, achas mesmo? Só tive uma ideia a passar-me pela cabeça, mais nada. Estás mesmo melhor? Queres alguma coisa? Eu vou-te fazer um chá…
- Não quero nada, só dormir…
Deitámo-nos novamente e adormece-mos.
No dia seguinte acordei com o melhor despertador que podia ter, com os beijos da pessoa que se tornou o melhor parte da minha vida.
- Então minha linda já te sentes melhor? – perguntou-me.
- Tenho o estômago às voltas. Acho que isto não está muito bom…
- Vou preparar-te o pequeno almoço.
- Não vás… - pedi-lhe – Fica aqui comigo…
- Clarinha já pensas-te que pode vir aí uma surpresa?
- Ah?! – não estava a perceber o que ele queria dizer.
- Sim princesa. Essa má disposição toda…
- Devo ter comido alguma coisa que me fez mal. Nesta altura do Natal só se come coisas que fazem mal. E eu em casa da mamã já sabes… Abusei. Agora tenho que me aguentar.
- Se tu o dizes. – levantou-se num salto – Vou arranjar o pequeno almoço.
- Eu vou contigo. Já não aguento estar na cama…
Quando chegámos à cozinha já lá estava a Sara e a Carolina, o David e o Santiago estavam na sala a pôr a mesa.
- Bom dia. Então Clarinha, melhor? – perguntava a Carolina.
- Não sei, estou muito mal disposta.
- Acho que devias ir fazer análises, não sou médica mas dá para ver que não estás bem.
Preparámos o pequeno-almoço e comemos. A Sara e o David saíram mas não demoraram, pois mal saíram da porta do prédio na primeira papelaria encontraram logo as notícias que nos faziam voltar à realidade.
O almoço foi passado em silêncio, não havia disposição para brincadeiras.
Eles saíram e nós arranjamo-nos para sair também, tínhamos combinado com a Guigui ir ver o treino. O Ruben precisava do nosso apoio e nós não lhe faltávamos. Quando chegamos lá estavam imensos adeptos para assistir ao treino, vi alguns até com cartazes de apoio ao Ruben.
Ainda tivemos que esperar algum tempo até eles entrarem, quando o fizeram ouviu-se uma enorme salva de palmas.
Algumas pessoas já tinham identificado a Guigui e a Sara. Durante os exercícios de circulação de bola e quando o Ruben ficava perto das bancadas ouviam-se vária pessoas: “Acreditamos em ti Ruben!”, “Ruben és o maior!”, “És um de nós Ruben! Estamos contigo!”. Ele acenava como forma de agradecimento.
No final do treino esperámos por eles. O Santiago ficou fascinado com o ambiente, desde que me lembro dele que era apaixonado pelo futebol. Ele chegou a levar-nos, a mim e à Guigui, ao antigo Estádio da Luz. Depois de algum tempo de espera eles lá chegaram. Seguimos todos para casa e há hora do jantar falou-se da passagem de ano. Combinámos passá-la no bar da Guigui, como o bar estava fechado nestes dias ela resolveu sugeri-lo para o evento. O plantel do Benfica e respectivas mulheres, namoradas e familares, era presença praticamente confirmada, depois também iam alguns amigos deles.
Dia 31/12/2010
Acordei ao lado do Ruben, ele desde que eu estava doente não desgrudou. Agora já andava um pouco melhor, o Santiago tinha-me confirmado que as más disposições eram das goluseimas que se comem no Natal. Eu fiquei mais descansada, no entanto o Ruben teve uma atitude estranha, parece que estava à espera que fosse outra coisa. Embora em conversa com ele eu já me tivesse apercebido das suas suspeitas, nunca comentámos o assunto directamente. Era algo que me assustava, algo para que eu não estava ainda preparada.
Nesse dia os rapazes tiveram treino de manhã seguindo para o Seixal enquanto que nós ficámos no bar a arranjar as coisas para a noite. Criámos uma decoração clara mas alegre, era assim que pretendíamos iniciar 2011, de forma alegre e muito divertida. A Guigui sugeriu que usasse-mos o espaço exterior também, embora estivesse algum frio, de certeza que ia haver alguém a aproveitar esse espaço. Na praia pusemos uns puffs, com umas mesas no meio.
Os rapazes chegaram já passava da 13h, traziam comida para todos. Eles adoraram a decoração, o David disse que se sentia em casa, só faltava o calor. Almoçámos e durante o almoço tive outra má disposição. Eu já estava com medo, o Natal já tinha passado à tanto tempo e eu continuava a sentir-me mal. Eu estava na casa de banho e a Sara e a Guigui vieram ter comigo.
- Clarinha, tu não andas nada bem… - dizia a Sara.
- Sim, essas más disposições não são nada normais. Eu acho que devias tirar as dúvidas de uma vez por todas. – completava a Guigui.
- Deixem-me em paz. Dúvidas de quê? Não se passem…
- Clara! Vá lá, porque não fazes o teste? Todos já perceberam… - dizia a Sara.
- Mas que teste? Perceberam o quê? Metam na vossa cabeça que isto é das porcarias que eu andei a comer.
- Pelos vistos todos percebemos menos tu! Tens que fazer a m**da do teste de gravidez, isso não é só do Natal. É também de umas certas noites de muita energia entre ti e o menino Amorim.
- Pára com isso. Esquece Margarida, estou a ver que os filmes do Ruben já passaram para vocês. É impossível eu estar grávida, impossível! OUVIRAM BEM?! IMPOSSÍVEL!! – disse já a gritar. Saí da casa de banho e passei por todos a correr, quando já estava na rua sinto um braço a puxar o meu.
-Clara, onde vais? – perguntou-me.
- Não sei, só quero sair daqui. Emprestas-me o carro? – ele olhou para mim desconfiado – Por favor, eu preciso de pensar…
- Sabes que o carro é teu. Promete que ficas bem.
- Sim, prometo.
Ele deu-me a chave e eu saí dali. Parei perto de uma farmácia e fiquei a ganhar coragem para lá entrar. Mil e um pensamentos voaram da minha cabeça naquele momento. Era cedo demais, cedo demais para tudo, para estar grávida, para uma relação mais séria com o Ruben, para ser mãe… Ser mãe… Isso era realmente algo que me assustava muito, será que eu seria uma boa mãe? Saberia eu educar uma criança? Eu ainda sou tão nova… Mas como é que pode acontecer? Eu tomo a pílula, eu sou tão certinha… Seria mesmo possível?
Arranquei com o carro, não consegui ir até a farmácia, ainda por cima alguém me podia reconhecer, seria péssimo para o Ruben… Conduzi sem destino, estava nervosa e cheia de medo, quando dei por mim estava a chegar à rua do lar. Lógico que era lá que ia parar, que sítio seria o melhor para me encontrar que o lar. Sim, ali eu sentia-me segura. Entrei e vi que todos estavam no salão, uns a cantar outros a dançar, estavam todos animadíssimos. Cumprimentei e tive logo a minha pulguinha a saltar-me para o colo. Deu-me um abraço daqueles característicos dela e disse que ia brincar, pediu-me para eu antes de ir embora cantar uma música com ela, ao que eu lhe respondi afirmativamente. Fui ter com a Joana.
- Clarinha, então já andas melhor? – perguntou-me.
Ela sabia que eu andava adoentada, o Ruben, a Sara e o David tinham lá ido num dos dias anteriores e já lhe tinham contado.
- Mais ou menos Joana. Será que podemos falar? – pedi-lhe.
Ela era a única a quem pude recorrer, a única pessoa que me podia fazer entender a minha situação e a única que podia ajudar-me a clarificar a cabeça.
- Claro que sim. – dirigimo-nos para a sala dela - Que se passa Clarinha? – perguntou-me de forma ternurenta.
- Tenho andado mal disposta, vómitos, tonturas, enjoos, o corpo tem-me doído e por vezes perco as forças. O Ruben tem andado com certos pensamentos na cabeça e hoje ao almoço enjoei novamente. A Guigui e a Sara foram atrás de mim, disseram que eu tenho que fazer o teste de gravidez. É impossível eu estar grávida Joana, eu tomo a pílula certinha, nunca falho… - disse-lhe já a chorar – Tenho medo Joana, eu não tenho condições para ser mãe. Ainda por cima o Ruben foi apanhado no meio desta mentira, eu não posso estar grávida, não posso ser mais uma preocupação para ele…
- Calma Clara. Não é o fim do mundo, se estiveres grávida vais ser uma óptima mãe. Já viste como qualquer criança te adora, tu tens um dom natural, precisas de ter calma. Não penses já, faz o teste primeiro o que vier depois, pensas depois…
- Eu não consigo ir à farmácia, se alguém me reconhece? Todos os dias têm saído noticias sobre o Ruben nos jornais, eu agora ir comprar um teste de gravidez era a cereja no topo do bolo…
- Já te disse para te acalmares. Tudo se vai resolver Clara, tudo.
Entre conversas o tempo foi passando, quando eu estava mais calma a Joana disse-me que ia comprar ela o teste de gravidez para eu fazer. O Ruben ligou-me, estava preocupado disse que estavam todos prontos e só faltava eu. Pedi-lhe para irem indo para o bar que eu ia lá ter, ele como sempre foi um querido e fez-me a vontade. Quando a Joana regressou disse-me para ter calma e ir para casa fazer o teste e não me precipitar. Assim foi, fui para casa tinha que me arranjar que já era tardíssimo. Tomei um banho que me acalmou, tentei ganhar coragem para fazer o teste, mas não consegui. Vesti o vestido que o Ruben me tinha oferecido quando fomos às compras no dia anterior e maquilhei-me, pus o teste dentro da mala e meti-me no carro.
Quando cheguei já lá estava grande parte das pessoas, avistei o Ruben que estava acompanhado da Bela, do Mauro e da Inês. Cumprimentei todos:
- Bem Clara, cada dia que passa ficas mais bonita! – elogio-me o Mauro.
- Obrigado, mas não vale terminar o ano com mentiras. – disse-lhe – Mas a verdade é que tu estás muito elegante, acho que nunca te tinha visto assim.
- Obrigado cunhadinha. Estás a ver o cromo, até a tua miúda disse que estou elegante.
- E eu amor? Não há um elogio para mim?
- Para ti tenho todos os elogios do mundo. Estás lindo amor. Acho que hoje ainda fico sem namorado, com tantas meninas bonitas por aqui…
- Nunca princesa, eu sou teu, sempre teu. Sabes, aqui o cromo tem razão, estás linda…
- Pára com isso. Olha, linda está a tua mãe… - disse tentando tirar as atenções de mim.
- Sim, é verdade. Tu hoje também caprichaste mãe?! – disse o Ruben.
Tivemos algum tempo na conversa, até que o Ruben me puxou para a praia.
- Precisamos conversar Clara.
- Agora não, por favor… - pedi-lhe.
- Clara, estou preocupado contigo, desapareceste a tarde toda e agora quando chegas não consigo identificar um único sinal de alegria na tua cara.
- Amor por favor. Eu estou alegre, juro que estou, mas… - queria-lhe dizer o motivo, via nos seus olhos que ele também queria que eu dissesse aquilo que ambos pensávamos, mas não fui capaz – sabes que eu não tenho andado bem amor, tenho que ir mesmo ao médico estas más disposições já deixaram de ser normais.
- Sim, eu também acho… - disse desanimado – podes pôr uma cara mais alegre amor? Por favor…
- Claro que sim. Vamos para dentro?
- Sim princesa, vamos…
- Ruben? – ele virou-se imediatamente para mim – Tenho medo!
- Medo de quê princesa?
- Que me deixes!! – disse já com uma lágrima no canto do olho.
- Que se passa Clara? Tens alguma coisa para me contar?
- Não, só tenho medo… - ele limpou-me a lágrima que caiu do meu olho e de seguida abraçou-me.
- Eu não te vou deixar Clara, tu já és a parte mais importante da minha vida. Essas tuas inseguranças não têm razão de ser… - deu-me um beijo leve nos lábios, deu-me a mão e puxou-me para dentro do bar.
O jantar decorreu sempre entre brincadeiras, os enjoos voltaram e eu tive que me ausentar. Fui até a casa de banho, tinha o teste na mala só tinha de o fazer. Era impossível, só tinha de fazer o teste e confirmar aquilo que já sabia. Mais uma vez não consegui, quando já estava melhor voltei para a mesa.
Estavam todos bastante animados, já faltavam poucos minutos para a meia-noite, as garrafas de champanhe já se encontravam em cima das mesas.
Num acto irreflectido dirigi-me mais uma vez a casa de banho, fechei os olhos e respirei fundo. Finalmente fiz o teste, no entanto não tive coragem de ver o resultado. Meti-o dentro da mala e fui para o pé do Ruben, quando o avistei ele tinha a Inês mais uma vez com ele. Desta vez ela abraçava-o, pensei para mim mesma, “chega Clara, ele é teu, não podes deixar que ela esteja sempre entre vocês… ou será que queres acabar um ano assim, feita mosca morta, que permite tudo? É assim que queres terminar um ano e iniciar o próximo?!” Olhei para a televisão e vi que faltava pouco mais de dois minutos para a meia-noite. Cheguei perto deles e limitei-me a dizer:
- Inês, será que posso dar o último beijo do ano no meu namorado? Ou será que a namorada não tem esse direito?
Ele olhava para mim com aquele sorriso característico, aquele que me fazia derreter e ir à lua em menos de um segundo. Ele tinha gostado da minha iniciativa.
- Claro, ele é todo teu. – respondeu-me de forma seca, senti que ela não tinha gostado mas eu não estava nem um pouco preocupada, estava em causa o meu homem e eu não queria nem ia perdê-lo.
- Então queres o último beijo do ano é? – perguntou-me de forma atrevida – E é só o beijo que queres?
- Parvo, sim. Por enquanto quero só um beijo. Depois o resto vemos quando chegarmos a casa.
Ele sorriu, não disse mais nada, apenas me beijou. Um beijo apaixonado e repleto de amor, um beijo que transparecia desejo ao percorrer cada canto da minha boca. Terminamos aquele maravilhoso beijo e começámos a ouvir a contagem… 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1, …. Ouviram-se as rolhas das garrafas de champanhe a saltar, eu peguei em dois copos e agarrei-lhe na mão, saímos pela porta do bar em direcção à praia. Parei junto do sítio onde tínhamos começado a namorar.
- Eu já fiz… - disse-lhe.
- Já fizeste o quê? – perguntou-me confuso.
- Já fiz o teste de gravidez Ruben.
- E? – perguntou-me visivelmente curioso e feliz.
- Não sei amor, não consegui ver o resultado, tenho medo…
- Porquê Clara? Eu estou aqui, não planeámos nada, mas se acontecer eu vou ser o homem mais feliz do mundo… És tu que eu quero que seja a mãe dos meus filhos, por isso, vir um agora ou daqui a uns meses ou anos…
Aquelas palavras fizeram-me esquecer todos os medos, todas as dúvidas. Ele era meu, só meu e independentemente do resultado daquele teste, sabia que podia contar com ele. Foi naquele momento que me dei conta que ali estava mesmo o homem da minha vida, aquele com quem eu queria viver para sempre e amar todos os dias.
Tirei o teste da mala e dei-lhe…

so podem estar a gozar comigoooooo!!!!
ResponderEliminare o resto? quero saber se ficou gravida ou não!!!!!!!
beijos***
E agOra acabas assim!! E la' fiica a Diidii a mOrrer de curiiOsiidade maiis uns diias.. =(
ResponderEliminarMas prOntO cOmO sempre eu cOmpreendO e ca' fiicareii a espera.. =D
Ja sabes que adOrO.. =DD
BjnhOos
GostO muiitO de tii..^^
continua.... agora deixaste-me curiosa.
ResponderEliminarAiii o que me ri com este capítulo... só mesmo a Clara para andar a bincar ao gato e rato, ou seja, faz ou não faz o teste, qd o faz nao mostra!!! Pior qd finalmente vai para ver o resultado... ups o capítulo termina!!!
ResponderEliminarIsto não se faz :S
Continua.... sabes que adoro a vossa FIC
Beijocas
Está um máximo continua!
ResponderEliminarÓ menina Clara isto lé é forma de acabar o capitulo???
ResponderEliminarEu quero saber o resultado...
Isto não é justo...
Posta rápido
Beijinhos
Então????? Eu não acredito, depois de chorar com este capítulo (não me perguntem porque, mas emocionou-me) fico sem saber?!!
ResponderEliminarAí ninguém merece por favor publiquem logo!!!!!
Beijinho *