(narrado pela Clara)
Quando saí pela porta corri para ele e abracei-o com todas as minhas forças.
- Isso é que são saudades? – perguntou-me sem me largar.
- Nem imaginas quantas. Tive tantas saudades tuas…
- Pois, e tens muito para me contar. Aqueles mails não me convencem Clara... – disse quando nos largámos.
- Oh, não sejas parvo. Então e tu? Como estás?
- Estou óptimo doida, ando é preocupado contigo. Ele é mesmo de confiança?
- Se o conhecesses nem fazias essa pergunta, ele é espectacular. Eu adoro-o.
- Sim, mas não foi isso que perguntei. Perguntei se ele é de confiança. Se ele te faz sofrer eu nem sei o que lhe faço…
O Miguel era super protector, ele tinha sido das primeiras pessoas que eu tinha conhecido aquando da minha repentina mudança para o Algarve e sempre foi um dos meus melhores amigos. Ajudou-me em tudo: ma adaptação à terra, à escola e tinha-me apresentado a uma série de amigos. Foi também o meu primeiro namorado e o primeiro homem para quem eu me entreguei. Era alguém muito especial na minha vida, que nunca devia ter deixado de ser exclusivamente amigo.
- Sim, eu sei. Mas podes estar descansado, quando o conheceres vais ver que não tens motivos para preocupações. Então mas conta lá, como têm corrido as coisas? A Mariana finalmente rendeu-se aos teus encantos?
- Sim, eu e ela estamos muito bem, ela ainda me fez suar... Aquela mulher dá comigo em doido!
Ele lá me contou as novidades, ficámos na conversa imenso tempo e quando demos por nós eram 3.30h da manhã. Despedimo-nos e eu fui novamente para casa. As nossas conversas eram assim, falávamos, falávamos, falávamos e nem dávamos pelo tempo. Quando cheguei ao quarto olhei para o telemóvel que tinha deixado em cima da mesa de cabeceira, tinha 5 chamadas não atendidas e 13 mensagens. Escusado será dizer de quem eram. Como já era tarde para lhe ligar mandei só uma mensagem.
“Amor, desculpa estive à conversa com um amigo e não levei o telemóvel. Não te queria deixar preocupado, amanhã ligo-te logo que acordar.
Amo-te”
Deitei-me e adormeci. Acordei no dia seguinte com o telemóvel a tocar.
- Estou? – respondi ainda de olhos fechados, sem saber quem ligava.
- Clara? Amor, ontem fiquei preocupado.
- Amor desculpa, eu vinha-me deitar quando te mandei mensagem, mas depois o Miguel apareceu aqui e estivemos a falar. Desculpa, não te queria deixar preocupado.
- Fogo Clara, não querias mas deixaste. Já agora, quem é esse Miguel?
- O Miguel é só uma das melhores pessoas com quem tive o prazer de me cruzar. Um grande amigo.
- Pois, um grande amigo por quem me deixaste.
- Vá, pára lá com os ciúmes, a esta hora da manhã não. Agora a sério, não tens qualquer razão para isso. Eu sou tua e já te dei provas disso mais que uma vez.
- Ok, tens razão, se calhar estou a exagerar um bocado. Só não gosto de estar tão longe de ti, já estou a morrer de saudades.
- Eu sei amor, eu também. Olha, agora tenho que me ir vestir e ir ajudar a minha mãe, hoje temos a casa cheia.
- Ok, já me estás a despachar, vai lá... Depois logo posso-te ligar?
- Claro que podes, essa pergunta nem tem razão de ser. E eu não te estou a despachar, tenho mesmo de ir. – fiz uma pequena pausa – Eu amo-te Ruben e sou só tua, nunca duvides.
- Eu sei princesa, desculpa os meus ciúmes parvos. Eu também te amo. Beijo princesa.
- Beijo amor. Até logo.
Desligámos e eu fui arranjar-me. O dia passou rápido, estive ocupada o dia todo, ora na cozinha junto das mulheres a fazer os tradicionais sonhos e coscorões, ora na sala a tomar conta do meu lindo sobrinho Guilherme e a brincar com os meus primos.
Embora a minha família não fosse do Algarve, desde a nossa mudança que os Natais passaram a passar-se lá, uma vez que a quinta era enorme e tinha espaço para toda a família.
À ceia comemos o bacalhau cozido e depois o peru. A hora dos doces foi a melhor, todos comeram que se fartaram. Ouvi algumas bocas por causa dos meus doces. Sempre tive bastante jeito para cozinhar, mas os doces eram o que me saía melhor. Tive que ouvir novamente o meu tio a meter-se comigo, dizia coisas como “Vê lá Clarinha, não podes fazer destas coisas para o Ruben, depois o rapaz não se aguenta a jogar!!”. Escusado será dizer que eu não respondia às provocações. Quando chegou a meia noite foi uma festa, os miúdos todos contentes à volta do Pai Natal (que era o meu cunhado), ele trazia vários prendas. Eu recebi várias coisas, dos meus tios recebi perfumes, malas, os meus pais ofereceram-me um relógio e a minha irmã uma lente para a máquina fotográfica. No final da noite senti-me mal, durante o dia tinha-me sentido cansada, mas pensei que fosse de não ter dormido bem, mas no final acentuou-se mais, o cansaço apoderou-se de mim e desmaiei. O meu pai levou-me para a minha cama, a minha mãe mediu-me a febre e deu-me um ben-u-ron para ver se a baixava.
Acordei no dia seguinte, continuava a sentir-me mal, continuava com febre e a minha mãe não descansou enquanto eu não fui ao médico. Eu estava preocupada, tinha combinado jantar em casa do Ruben e tinha uma viagem de 3 horas para fazer. O médico passou-me antibiótico e por volta das 15h resolvi meter-me à estrada, não avisei o Ruben que estava doente, já sabia que das duas uma: ou não me deixava ir para cima ou ia-me buscar e eu não queria nenhuma delas. Descansei a minha mãe e prometi-lhe que se me sentisse mal durante a viagem lhe ligava logo.
A viagem demorou um pouco mais, pois tive que ir a conduzir mais devagar para não acontecer nenhum imprevisto. Cheguei a casa do Ruben por volta das 19h, estava estoirada, liguei à minha mãe para adescansar e depois toquei à campainha. Abriram o portão e eu entrei.
- Amor finalmente! Demoraste... Aconteceu alguma coisa? – disse ao abraçar-me.
- Não está tudo bem. Vim um bocadinho mais devagar, só isso… - ele preparava-se para me beijar mas eu afastei-o.
- Que foi? Não tenho direito a um bejinho?
- Amor, estou cheia de vontade de te beijar, mas não posso. Estou doente e não te quero pegar.
- Deixa-te disso, anda cá.
- Ruben não. Pará lá, ontem deitei-me cheia de febre, não te posso mesmo pegar. Queres ficar de fora no próximo jogo?
- Amor não é um beijinho que me vai pôr doente. Quer dizer a falta dele é que pode pôr.
- Nem penses, tonto… Vá, vamos lá entrar.
- Primeiro quero outro abraço. Se não tenho direito a beijo, ao menos que tenha um abraço. – lá lhe dei um abraço e depois entrámos. Na sala já estava a Bela.
- Clarinha, então que tens? Estás com uma carinha esquisita.
- Só um pouco adoentada. Nada demais.
- Estás com ar de fraqueza Clara e aposto que com a viagem estás cansadíssima.
- Um bocadinho, mas tive mesmo que vir. A culpa é do seu filho, fico dois dias sem ele e parece uma eternidade.
- Com essa culpa não me importo de ficar. Mas porque é que não disseste que estavas doente? Podias vir de avião, ou então eu ia-te buscar…
- Pois, ires-me buscar estava fora de questão. E avião, Ruben? A sério?
- Claro, se não estavas em condições de conduzires vinhas de avião.
- Sim, pois, não sejas parvinho... E depois trazia o carro na mala? Bem sei que ele é pequenino, mas na mala não cabia…
- O carro ficava lá, também para que precisas daquela amostra?
- Mau, já começa… Já cá estou não estou? Então chega de conversa. Precisa de ajuda Bela?
- Não minha linda, preciso que vás para o sofá e descanses. Ruben, vai-lhe buscar o termómetro para ver a febre. Queres um cházinho ou alguma coisa?
- Não é necessário Bela, eu estou óptima.
- Amor a minha mãe manda, vai lá para o sofá que eu já volto com o termómetro. – dizia o Ruben visivelmente preocupado.
Eu lá fiz o que ele me mandou, cheguei à sala e estava o Mauro sentado a jogar PES.
- Então Clarinha já chegaste? Ali a melga já estava a ficar preocupada… Nem sabes quantas vezes ele falou mal da tua amostra de carro.
- Mau! Mas tu também? Deixem lá o meu carrinho em paz, é pequenino mas dá para estacionar em todo o lado e ainda por cima gasta pouco.
- Tens razão, mas tens que concordar que aquilo não é um carro. Acho que devias trocar, a namorada do Ruben Amorim tem que andar num carro de jeito…
- Mas tu estás parvo ou quê? A namorada do Ruben Amorim anda no seu carro, seja ele um Smart, um Audi, um Opel ou um BMW. Como eu tenho um Smart, ando no Smart, agora não vou trocar de carro porque o teu irmão não gosta do meu…
- Pois, está bem… Boa sorte então…
Neste momento o Ruben entrou na sala:
- Amor vá, vê lá a febre. – disse, dando-me o termómetro para a mão.
- Estás doente Clara? – perguntava o Mauro.
- Então mas não se vê logo que sim, basta olhares para a cara dela. – confirmava o Ruben.
- Pois, eu realmente vi que ela estava com má cara, pensei foi que fosse por ter que te vir aturar… - gozava ele com o irmão.
- Estás engraçado hoje… Vê lá se não te cai um dentinho com a piada.
- Parem lá com isso, sempre a implicarem um com o outro. O que vale é que eu sei que essa implicância é porque se adoram… - disse tentando serenar os ânimos.
Quando o termómetro apitou vi que já tinha mais febre novamente, combinámos que depois do jantar o Ruben me ia levar a casa. Jantámos os quatro e depois da sobremesa veio a altura de abrir as prendas. Para a Bela comprei uns brincos com umas pérolas, ao Mauro dei uns ténis da adidas e na altura do Ruben abrir a dele ninguém o aturava, parecia uma criança:
- Vá lá Clara, já posso abrir ou não?
- Sim… Vá… Abre lá…
Abriu e fez um enorme sorriso. Olhou bem para ela, como que a avaliá-la:
- Acho que falta aqui qualquer coisa! – disse-me.
- Falta?
- Sim. – tinha-lhe dado uma tela enorme desenhada à mão com vários momentos marcantes na vida dele, tipo banda-desenhada – Então vamos ver: aqui estou eu ao colo da minha mãe, aqui com uma bola nos pés e o meu pai ao lado, aqui com os meus irmãos, aqui com a camisola do Belém, aqui no baptizado do André, esta foi quando fui apresentado pelo Benfica, aqui quando fui campeão ao lado do David e esta no passeio que demos com as crianças do lar, quando fomos ver os golfinhos…
- Entao, mas falta alguma? Eu mando fazer outro…
- Pois, eu acho melhor. Falta aqui a imagem que mudou a minha vida. Faltas tu Clara, faltamos nós…
- Não falta nada, nós estamos aqui… - disse pondo a mão no seu coração.
- Eu sei disso, mas falta aqui no quadro.
- Ruben não falta nada. Eu não nos pus aí de propósito, eu sei que isto é uma prenda minha. Mas isto é algo que vais puder guardar sempre, para o resto da tua vida, são coisas que não vão mudar, aconteça o que acontecer…
- Outra vez com essa conversa Clara? Chega! Estou farto das tuas inseguranças, ainda bem que eu já tinha pensado numa maneira de tas tirar… – nisto estica-me um embrulho, não era grande, era uma caixa rectangular não muito alta.
Eu abri e senti que nos meus olhos se formavam pequenas lágrimas, era uma camisola do Benfica , junto do emblema estava uma dedicatória:
“ É com muito amor que te dou o meu sonho e a minha vida. Sou e serei sempre teu. No dia que usei esta camisola concretizei um sonho de criança, no dia que te pedir em casamento vou concretizar o sonho de um Ruben apaixonado. Amo-te Clara, nunca duvides…”
As lágrimas caiam cara abaixo, o meu coração quase me saltava pela boca e a minha voz escapava-me. Tirei a camisola da caixa e abri-a, nas costas tinha o número 5 e por cima escrito Ruben Amorim, estava assinada por todos os jogadores do plantel, da equipa técnica, bem como pelo Rui Costa e Presidente, conseguia ler no fundo, “Época 2009/2010 SLBenfica 2 – 1 Rio Ave, Benfica Campeão Nacional”
- Eu… Eu não posso aceitar… Eu não posso aceitar… - era tudo o que lhe conseguia dizer.
- Já é teu Clara… - a Bela e o Mauro saíram da sala pois viram que nós precisávamos de privacidade e deixaram-nos a sós.
- Ruben esta camisola é a prova da concretização do teu sonho, eu não posso ficar com ela… E se nós… - ele pôs-me a mão na boca, tapando-a.
- Tu não vais ficar com ela, ela vai ficar connosco. Todas as vezes que te disse que és a mulher da minha vida, disse a verdade e tenho a certeza disso. Por favor Clara, se não aceitares, então é porque não sentes o mesmo que eu…
- Tu sabes o que eu sinto, sabes perfeitamente que te amo. Mas isto é teu. Eu não posso aceitar algo que é tão importante para ti. Não é justo…
- Amor, olha para mim… - disse levantando-me a cabeça que estava baixa – Eu sou doido por ti e esta camisola é muito importante para mim, sim é verdade… Mas tu também és… Logo, se tu estiveres comigo, a camisola também está e eu estou feliz. Achas que se te perder é a camisola que me vai deixar feliz? – ele esperava uma resposta, mas eu não lha dei por isso continuou – O que eu conquistei com ela está gravado na minha memória, eu isso não perco. Agora se eu te perder a ti, perco parte da minha vida… Aceita Clara, por favor…
Eu ouvi atenta o seu discurso, as lágrimas não paravam de me cair, era impossível fazê-lo mudar de ideias por isso resignei-me – Fazemos assim, eu aceito, mas tenho uma condição.
- Diz…
- A camisola continua cá em casa, lá em baixo na sala que a tua mãe arranjou com as vossas coisas, no momento certo tiramo-la de lá…
- Pronto, está bem… Preferia que a levasses, mas se é a condição para a aceitares…
- Sim, é a condição.
- Ok. Então agora vem comigo, vamos ver a outra prenda.
- Outra?
- Sim, outra. No que depender de mim vais ter muitas prendas ao longo do ano.
Levantámo-nos do sofá e ele deu-me a mão. Fomos até uma porta que dava acesso à garagem. Quando ele acendeu a luz da garagem caiu-me tudo, se ele já me tinha surpreendido com a camisola, agora então…
- É teu.. – disse-me.
- Estás a gozar…
- Não estou não, já andava farto de te ver naquela miniatura…
Eu não queria acreditar, tinha à minha frente um BMW 120d cabriolet novinho, com um enorme laço em cima.
- Tu está louco e concerteza queres-me enlouquecer também… Mas tu achas que eu vou mesmo aceitar??
- Vá lá amor não sejas assim. Andas a precisar de um carro.
- Enganas-te, eu não preciso de carro nenhum e quando precisar sei muito bem escolher um e comprar. Não preciso nem que tu escolhas, nem que compres por mim.
- Clara, tu adoras este carro, porque é que eu não to posso oferecer?
- Esquece Ruben, a camisola aceitei… Agora o carro podes crer que não aceito mesmo. Podes ficar chateado à vontade, eu não vou mudar de ideias.
- Clarinha não sejas assim, ainda por cima é branquinho e descapotável… Aposto que ficas linda dentro dele…
- Já te disse o que tinha dizer… E agora eu vou para dentro, a tua mãe pode precisar de ajuda.
- Clara? – chamou-me mas eu não voltei atrás, ele tinha abusado, já me conhecia e sabia que eu nunca iria aceitar…
Cheguei à sala e o Mauro e a Bela estavam sentados a ver televisão, ele olhou logo para mim.
- Ui… Não gostaste Clara? – perguntou o Mauro.
- O carro é lindo, mas não é para mim.
- Clarinha ele tem razão, aquela amostra de carro já precisa de ser mudada.
- Olha outro… Mas vocês querem parar?! Eu mudo de carro quando eu quiser e quando puder. Não é quando o teu irmão decide, já para não falar que ele não tem que me dar um carro. Eu trabalho e tenho o meu ordenado, tenho que o gerir de forma a comprar o que preciso. Não é porque namoro com o teu irmão e ele por acaso ser jogador de futebol e ganhar bem que me vai comprar seja o que for.
- Se ele tem possibilidades e te quer dar, porque não aceitas?
- Porque uma coisa é pagar-me um jantar, ou dar-me uma pequena prenda de vez em quando, outra coisa é comprar-me um carro que não custa dois tostões.
- Estás a ser parva amor… - dizia o Ruben ao ouvir a nossa discussão.
- Filho eu avisei-te. – concluiu a Bela – Já devias conhecer a Clara… - disse ao mesmo tempo que me sorria.
- Tu é que sabes… Mas aviso-te já, o carro vai ficar ali até tu pegares nele… - avisou-me.
- O problema não é meu, eu já te disse que não vou ficar com ele… - disse-lhe, depois virei-me para a Bela – Bela eu vou indo, não se importa?
- Claro que não filha, estás cansada é normal. Não queres ficar cá? O Ruben ficou cá estes dias, tenho a certeza que não se importa de partilhar o quarto contigo.
- Óh mãe, mas que raio de pergunta essa? Mortinho por isso está ele… - gozava o Mauro – Auuuuuuu!! – gritou enquanto o Ruben lhe deu uma cotovelada.
- Ele até pode não se importar, mas eu é que não quero. Estou mesmo a precisar da minha caminha… - disse-lhe.
- Compreendo, mas já sabes, qualquer coisa que precises liga. – pediu-me ela.
- Sim, pode estar descansada. Muito obrigado por tudo e desculpe lá o trabalho que vim dar.
Despedimo-nos e dirigimo-nos para o carro. Eu fui ao meu meti-o na garagem de casa da Bela e tirei as coisas que precisava de levar para casa, o Ruben chegou perto de mim, para me ajudar com as coisas e depois fomos para o carro.
- Mas o que é que estás a fazer? – perguntei-lhe.
- A pôr as coisas dentro do carro…
- Sim, mas estás a pô-las no carro errado, eu já te disse que não vou ficar com esse carro.
- Pois, e eu ouvi o que disseste. E como tu não aceitaste o meu presente, o carro é meu. Logo posso conduzi-lo, como eu quero ir neste, vamos neste…
- Tu és lixado… Não vais conseguir…
- Eu já sei que não aceitas, mas pelo menos podes ir para casa nele, ou não?
Não lhe disse nada, entrei no carro. O carro era realmente lindo, tinha imensos extras e era a minha cara. “Pára com isso Clara, é óbvio que não podes aceitar, ele não é teu pai para te dar um carro! Nem tenhas ideias, ele está a fazer de propósito para aceitares, não podes ceder…” A minha cabeça estava num enorme dilema, não era correcto nem eu me sentia bem em aceitar, mas o carro era tão lindo.
Durante o caminho ele foi a provocar-me, elogiava o carro de tal forma que eu me estava a passar. A certa altura parou e eu entreguei-me ao cansaço.
- Amor? Clara? Já chegámos princesa.
- Desculpa amor, eu não devia ter adormecido. – disse enquanto esfregava os olhos.
- É normal, estás doentinha. Vá, anda lá, eu ajudo-te.
Subimos e ele levou-me para o quarto, enquanto eu troquei de roupa ele foi buscar o resto das coisas ao carro. Quando voltou já eu estava na cama.
- Então doentinha, já tomaste o antibiótico?
- Sim.
- Como te sentes?
- Estranha, dói-me o corpo todo.
- Vou-te aquecer um bocado de leite para beberes enquanto vestes o pijama, já venho para ao pé de ti.
Passados poucos minutos já estava novamente ao meu lado. Eu bebi o leite e deitei-me ao seu lado, aninhada no seu peito com ele a fazer-me festinhas na cabeça.
Acordei em sobressalto às 2h da manhã, o Ruben não estava ao meu lado, ouvia-o a falar alto e de forma alterada ao telefone no piso de baixo. De repetente apercebi-me que desligou. Levantei-me e saí do quarto, cheguei perto das escadas e vi-o sentado no sofá com os cotovelos em cima dos joelhos e a cabeça apoiada nas mãos. A preocupação invadiu-me, ele não era pessoa de se exaltar nem de ficar triste.
Mas porque lhe ligaram aquela hora? E porque tinha ele ficado assim?
Desci as escadas e sentei-me no chão em frente dele, ele estava a chorar… Quando deu pela minha presença agarrou-me e deu-me um forte abraço, um abraço como nunca antes tinha dado…

Oh Clara!!! Cm foste recusar um presente deste???? Se fosse eu ficava mas era com o carro :P LOOL
ResponderEliminarFogo, bem sei que são duas histórias numa só! Mas n consigo dizer qual das duas gosto mais... Para mim estão ambas fantásticas!!! Continuem...
Adoro mesmo o que fazem :D
Beijocas, desta doida e tarada lol
este capitulo está perfeitamente perfeito!!!
ResponderEliminartive uma combinação de emoções que Deus me livre :) Chorei com a primeira prenda, sorri com a ultima, tive um aperto no coração quando o Rúben a abraça, Ai!
beijos
porque sera que ele ta a chorar...
ResponderEliminaradorei...
quero mais...
continua...
Clara Maria isto é lá maneira de acabar o capitulo quero mais!
ResponderEliminarContinua!
Beijinhos :)
Oh Clariinha, iistO e' fOrma de acabar!! Queres que me de' um piiriipac (ataque)!!
ResponderEliminarAmeii...=D
BjnhOo
PS: NãO sOu interesseiira nem nada pareciidO, mas este carrO acho que nãO dava para recusar!! =P
e isto sao maneiras de acabar um capitulo destes?! agora vou ficar a ressecar até ao proximo! :P
ResponderEliminartá espectacular, como sempre!
tanto a tua como a da gugui! parabéns
beijinhos
Diana