terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Capítulo 60 - Por muito comprida que seja a noite, o amanhecer chegará...



(Narrado pela Clara)

- Já chegaram amor? – perguntava ele enquanto levantava a cabeça do colo da Inês.

- Sim, chegámos agora. – respondi-lhe.

- Olá Clara. – cumprimentou-me a Inês.

- Olá Inês, tudo bem?

- Sim, quer dizer, mais ou menos. Esta história não nos deixa bem. Sabes que pode acabar com a carreira dele…

- Sim, eu sei… - respondi-lhe de forma seca, encaminhando-me para a porta.

- Clara, vais-te embora? – perguntou o Ruben.

- Sim, deves querer estar com a Inês, podem ficar à vontade. – eu saí sem lhe dar hipótese de falar, desci e estavam todos na sala. Resolvi dar uma desculpa que tinha que comprar qualquer coisa para sair daquele ambiente.

Não me tinha deixado nada confortável o facto de encontrar a Inês sentada na minha cama, com a cabeça do Ruben no seu colo. Apeteceu-me falar e dizer que não tinha gostado, tal como me apeteceu dizer-lhe tudo aquilo que me deixava desconfortável e que ele nem reparava. Cheguei ao elevador e as lágrimas caiam cara abaixo, eu não podia dizer nada, não agora, ele tinha muita coisa com que se preocupar. Senti-me mal e culpada, eu estava a ser parva, sabia que ele gostava de mim e continuava com aquelas inseguranças. Por outro lado, nenhuma namorada gosta de aturar este tipo de situações… Eu estava enervada, sufocava com as minhas próprias lágrimas. Vagueei por Lisboa e quando dei por mim estava no parque das nações, cheia de frio e sentia-me cansada. Tentei recompor-me e voltar para casa, não podia ser uma preocupação neste momento. Passei numa pastelaria, tinha que comer e beber qualquer coisa quente, só assim conseguiria voltar. Assim foi. Passei também no supermercado para fazer algumas compras, afinal tinha saído com essa desculpa.

- Clara?! – chama e dirige-se para a porta o Ruben mal a ouve abrir – Onde estiveste?

- Fui fazer umas compras, temos que arranjar jantar para todos…

- Clarinha deixou a gente preocupado, cê demorou p'rá caramba… - dizia o David.

- Pois, preocupados. Até parece que vocês se apercebem de alguma coisa enquanto jogam PES. – respondi.

- Eles não, mas nós sim… - reforçava a Sara – Estás com uma cara estranha, que se passa?

Aquela pergunta fez-me gelar, eu não queria dizer o que se passava, não podia… Mas estaria assim tão evidente na minha cara? Optei por ocultar parte da razão.

- Nada de especial, só esta maldita gripe que não me larga. – ela viu que não era só isso, também a Guigui percebeu que eu escondia alguma coisa, mas não insistiram.

- Vamos preparar o jantar? – perguntei.

- Tu não, precisas de descansar. – respondeu a Sara - Eu e a Guigui fazemos o jantar.

- E eu também ajudo. – dizia a Carolina.

- Isso não tem jeito nenhum, já não me deixaram fazer o almoço, eu tenho que fazer alguma coisa… - resmunguei eu.

- Clarinha, tens que ficar quietinha… Pela tua cara vê-se bem que não estás bem. Estás a tomar antibiótico? – perguntava o Santiago.

- Sim. Mas acho que não está a fazer grande efeito…

- Tens febre? Doi-te o corpo?

- Febre não sei, tenho tido, agora não sei. Quanto ao corpo, as dores nas costas estão a matar-me.

O Santiago viu o antibiótico que eu estava a tomar, aconselhou-me a tomar um banho quente e meter-me na cama. Foi o que aconteceu e eu também não insisti muito, aquele dia estava a ser difícil e eu não me sentia nas melhores condições. Depois do banho a Sara bateu-me à porta.

- Posso amiga? – perguntou.

- Claro, entra.

- Que se passa Clara? Tu não estavas assim, foi por causa da Inês não foi?

- É melhor não falarmos disso Sara.

- Como é que tu aguentas Clara? Sei que te disse para não dares muita importância, mas isto é demais…

As lágrimas mais uma vez começaram a cair – Eu não posso fazer nada Sara, agora não posso. Ele já tem problemas a mais, não posso criar outro.

- Ó amiga, mas tu estás a sofrer, a sofrer duplamente Clara…

- Isto passa, eu tenho que pensar menos nela e concentrar-me em ajudá-lo. O Ruben precisa de mim agora, eu ainda não falei bem com ele mas provavelmente ele não vai poder jogar nos próximos jogos, o que vai ser difícil. Eu tenho que estar bem e a 100%, de modo a apoiá-lo.

- É incrível, estás a sofrer mas ainda assim pões-te de parte e pensas é nele. Não imaginas o orgulho que tenho em te ter como amiga.

- Oh… Pára lá com os exageros, tenho mesmo que pensar nele. Eu amo aquele homem. Ele completa-me de todas as maneiras…

- Love is in the air… - cantarolou a Sara.

- Parva, até parece que não sentes o mesmo em relação ao David.

- Sim, tens razão. É óptimo ver que o Ruben te faz tão bem.

- Faz mesmo, aquele homem entrou na minha vida e ela começou a fazer sentido.

- Outra coisa… E que história é aquela de não quereres o carro? Amiga tens de aceitar…

- Olha outra! Nem vale a pena insistires. Sinceramente, conhecendo-me como me conheces achas que eu me ia sentir bem a aceitar um presente daqueles?

- Sou-te sincera, quer eu, quer a Guigui, avisámos o Ruben que tu não ias aceitar. Mas ele é tão teimoso… Nós pensámos que ele te ia conseguir convencer, ele estava tão confiante…

- Então vocês sabiam…

- Claro! E não é para te sentires mal, mas ele estava tão feliz. Ele andava completamente nas nuvens com o presente que tinha para ti. Acho mesmo que o devias aceitar.

- Não sei Sara, um carro é muito caro. Já viste o que vão pensar de mim? As revistas já dizem os que dizem e nem sabem ao certo se sou mesmo a namorada dele, quando tiverem a certeza e ainda por cima souberem que ele me deu o carro, vou ser bombardeada de acusações. Eu não estou para isto, eu não estou para arriscar o nosso namoro por causa de um carro.

- Linda, acho que estás a dar demasiada importância a isto. Aceita e não ligues ao que os outros pensam…

Nisto batem à porta.

(narrado pelo Ruben)

A Clarinha tinha ido tomar banho e enquanto isso a Guigui fez-lhe uma canja. Quando ficou pronta voluntariei-me logo para ir levá-la. Cheguei à porta do quarto, que estava entreaberta e apercebi-me da conversa delas. A Sara dizia-lhe que não entendia como ela, estando a sofrer ainda conseguia pensar primeiro nos outros, deduzi que fosse por causa da minha situação. Ouvi também a minha princesa dizer que me amava e como se sentia completa comigo. Confesso que amei cada palavra, eu sentia precisamente o mesmo em relação a ela, gozaram uma com a outra e por fim falaram do meu presente. Consegui finalmente entender a razão de ela não o ter aceite, no entanto não achei que tivesse razão. Resolvi bater à porta, afinal não era correcto da minha parte ouvir a conversa das duas.

- Amor, a tua linda Guigui fez-te uma canja.

- Vou deixar o casalinho namorar à vontade.

- Obrigada amiga… - agradeceu a Clara.

Ela saiu e a Clara começou a comer a sopa.

- Bem, isso é que é fome…

- Não gozes… Amor, como estás? – perguntou-me.

- Estou melhor. A Inês é espectacular, conseguiu logo deixar-me mais animado.

- Ai sim?! Olha que bem! E então começares a namorar com ela? Se ela consegue fazer aquilo que eu não consigo…

- A minha linda está com ciúmes, é? Sabias que ficas ainda mais bonita quando estás com ciúmes?

- Parvo, não são ciúmes… Só não gostei muito de chegar e ver-te assim com ela.

- Princesa sabes que te amo, a Inês é linda e maravilhosa, mas é só minha amiga. É a ti que eu amo sua tonta…

- Pois, está bem. Olha e agora pores o tabuleiro aí em cima da mesa e vires para aqui, não? – pediu-me com uma cara tão fofinha que não fui capaz de dizer que não.

- Achas que eu era capaz de negar um pedido desses? Princesa, eu estou louco para ficarmos juntinhos… - disse enquanto me deitava junto dela e a começava a agarrar.

- Pronto, tinham que vir as segundas intenções. Lindinho tira o cavalinho da chuva…

- Sim, já parei… Olha sabes o que me ia fazer o homem mais feliz do mundo?

- O quê? – perguntou-me ela.

- Adormecer contigo todas as noites e acordar e beijar essa linda boca todas as manhãs…

- Tu és mesmo tonto, mas eu amo-te. – disse-me enquanto sorria, dando-me depois um beijo na testa.

- Também te amo tontinha.

Não dissemos mais nada e pouco depois reparei que já dormia. Levantei-me e fui ter com o resto do pessoal. As mulheres estavam na cozinha e os homens na sala. Passámos o serão na conversa, o Santiago falou comigo por causa da história do dopping. Ele deu-me alguns conselhos e disse que eu ainda tinha algumas possibilidades de me safar. Disse-me para falar logo com o médico no dia seguinte e para fazer análises. Levei uma chapada de luva branca, eu que não tinha gostado nada dele, depois daquele cumprimento dele com a Clara, confesso que me surpreendeu. O Santiago e a Carolina ficaram lá a dormir, tal como a Sara e o David. Combinámos no dia seguinte almoçar e de seguida sairmos juntos e passar em casa de cada um para depois irmos para o treino. Embora estivesse suspenso tinha que me apresentar na mesma no seixal. Deitei-me do lado da Clara, abracei-a e sei que o meu último pensamento foi o desejo para que tudo se resolvesse rapidamente. Eu não podia ficar sem jogar, o que eu ia fazer da minha vida se a minha carreira acabasse?

- Amor, pára com esses pensamentos, vai tudo correr bem… - como ela já me conhecia tão bem.

- Shiuuu… Dorme princesa, já corre tudo bem, senão corresse não estávamos juntos. Eu amo-te minha Clarinha.

- Também te amo Ruben.

Adormecemos os dois… Senti a Clara, a meio da noite a levantar-se e correr para a casa de banho. Fui atrás dela mas quando cheguei perto da porta ela mandou-me sair. Estava cada vez mais preocupado com ela. Febre, dores no corpo, por vezes tonturas e agora os vómitos… Será que..? Não!
Estava plantado à porta da casa de banho, com um sorriso estúpido na cara… Seria mesmo possível?



Agradeço mais uma vez os comentários, não são muitos mas vale a pena cada palavra deles... 
Por isso meninas toca a comentar, que tal como vocês gostam de ler, nós também gostamos de saber a vossa opinião, assim se tiverem um tempinho...

10 comentários:

  1. Hum… grávida não me parece que seja isso… LOOL

    Mas lá que estou curiosa para saber o que é, lá isso estou :P Já sabes logo vais ter que me aturar :P

    Adoro o que vocês escrevem :D

    Mas adoro ainda mais quem o escreve :D

    Beijocas

    Ah e até logo :P

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  2. Por norma não comento pq sou preguiçosa e nunca me apetece muito escrever, para além de não saber mto bem o que dizer... :P

    Mas, pronto, hoje não resisti... Adoro mesmo! Esta história tem várias histórias dentro dela, o que a torna super interessante. Além disso, vocês constroem muito bem os capítulos. Parabéns! Mesmo! :)

    Bjs*

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  3. grávida? :o
    gostei muito (: estava mais que ansiosa para ler este capítulo, mas já suspeitava da inês.
    agora estou ansiosa pelo próximo.
    beijinho

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  4. gravida?

    adorei...

    quero mais...

    continua...

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  5. Clara Maria mas o capítulo acabasse assim?

    Gravida? :O vem ai um Amorinzinho :)

    Adora-mos :D e queremos mais !!!

    Beijinhos Inês e Jucaa

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  6. Isto é maneira de acabar ... deixar o suspense no ar?? Mau...
    :-)

    Adoro a tua fic e agora fiquei super curiosa para saber o que se passará a seguir.

    Bjs grandes

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  7. Está espetacular, continua eu estou a adorar...
    Posta logo :p

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  8. Eu não disse que era aquela criatura da Inês?! Epah não falho xD Aserio quem lhe mandasse um sopro e a fizesse voar era o meu heroi!!!

    Bem adiante, não se acaba assim um capítulo! Uma pessoa desespera de curiosidade...
    Grávida? Humm não me cheira ainda para mais com as inseguranças todas que ela tem duvido que se tenha "descuidado"...mas tudo é possível!!!

    Parabéns capítulo fantástico (como sempre)!!!!!
    Beijinho*

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  9. Para cOmeçar adOrO, mas iissO vOcês estãO fartas de saber!! =P

    E agOra quem tiinha razãO, quem era!! Muahahahaha... =D
    Afiinal a Ines sempre estava a serviir de "almOfada".. Ah pOiis e'!!!

    Graviida?? Desta nãO estava a espera, mas achO a Clara demasiiadO Organiizada para deiixar iissO acOntecer, mas va' nunca se sabe.. ;)

    BjnhOs para as duas!! =D

    PS: Ganda capiitulO, jazus!! LOL

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  10. espectacular!!! :) tá lindo o capitulo! :)
    será que vem aí um amorim junior?! hum... =D

    beijinhos

    Diana

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