domingo, 16 de janeiro de 2011

Capítulo 63 - As feridas da alma são curadas com carinho, atenção e paz

(narrado pela Guigui)

- Isto só pode ser uma piada… De muito mau gosto por sinal. – consegui finalmente proferir.

- Calma princesa… Eu resolvo isto. – disse-me o Javi ao mesmo tempo que soltava a minha mão da dele, me dava um beijo na testa e se encaminhava para a outra ponta do bar.

- Aquela é…? – começava o Ico a perguntar, tendo sido interrompido pelo David.

- Sim cara, essa mesmo. Guigui, vem com a gente lá para fora. Deixa o Javi resolver isso. – disse o David tentando minimizar a situação.

Imediatamente senti a Clara e a Sara encaminharem-me para a esplanada. Do interior via vários olhos postos em mim. Não conseguia ver o Javi o que me deixava ainda mais alarmada. Aquilo não podia estar a acontecer, não hoje, não outra vez. Nesse momento vejo a Romanella e a Inês a saírem do bar e a sentarem-se num dos puffs na esplanada.

- Acho que finalmente eles se vão reconciliar. – dizia a Romanella.

- Sim, espero bem que sim. Eles gostam tanto um do outro, não sei porque é que não se resolvem de uma vez…

- Não sabes? Eu sei, por causa de certos problemas de percurso.

Eu ouvia aquela conversa sem querer acreditar que elas tinham a lata de a estar a ter ao meu lado. A Clara e a Sara olhavam-me tentando confortar-me, no entanto eu mantinha-me super nervosa.

- Desculpem lá, mas nós não temos que aguentar isto! – disse a Clara enquanto se levantava.

- Onde é que vais Clara?

- Vou falar com elas. Alguém tem que as chamar à realidade Sara…

- Clarinha, deixa que eu vou lá. Cê fica aí sentada junto da Guigui que eu já volto. – disse o David enquanto se levantava e se dirigia aos puffs – Pô Inês, pega leve… Qual é a vossa de se meterem na vida deles.

- Dadá, sabes bem que a Elena e o Javi se amam, só queremos poupar sofrimento a quem esteja no meio desta história.

- Pára de falar besteira. Se fizesse um esforço para conhecer elas cê ía ver que elas são boa onda. Cê sabe que eu gosto muito de você, mas ‘tá ficando difícil tolerar essas situações. Vê se pensa no que te falei. – disse antes de regressar novamente para perto de nós. Eu continuava sem ver o Javi o que me estava a deixar cada vez mais irritada.

- Desculpem lá, mas eu não aguento mais isto! – disse enquanto me levantava.

- Onde vais Guigui? – perguntava-me o Ico.

- Tenho que ir ver o que se está a passar, não aguento estar aqui sem saber de nada.

- Tu vais é ficar aqui sossegada.

- Ico, eu não aguento estar aqui, não percebes? Não sei o que se está a passar lá fora, não sei se ela está a dar em cima do Javi e ainda tenho que levar com aquelas a mandarem bocas. Desculpa lá, mas eu não sou de ferro…

- Linda, tu agora tens é que te manter calma.

- Calma Tiago?! Como é que é possível eu conseguir manter-me calma? Não me chateiem, deixem-me ir ver o que se passa! – dirigi-me à rua e senti alguém vir atrás de mim. Não falei, por muito que me estivesse a fazer de forte fazia-me falta alguém perto de mim e sabia que aqueles eram os meus amigos, as pessoas com quem podia contar.

- Mana, ‘tou aqui contigo. – disse o Santiago enquanto me segurava a mão.

Atravessei o bar e quando saí novamente continuei sem ver o Javi. O parque de estacionamento estava mais vago, já muita gente tinha ido embora. O meu olhar percorreu o parque à procura do carro dele.

- Porra, mas aqueles gajos tinham todos que ter carros brancos? Aquele é o do Pablo, aquele o do David e aquele o do Roberto…

- ‘Tás-te a passar?! – o Santiago olhava para mim sem perceber.

- Não Santiago, ‘tou a ver qual dos carros brancos é o do Javi…

- Estás-te a esquecer que vocês vieram no BMW?

- Pois foi. M**da! És mesmo estúpida Margarida… Vê se vês o BMW dele então…

- Não me parece que aqui esteja…

- Eu juro que não estou a acreditar nisto!

Voltei ao bar e fui procurar o meu telemóvel. Quando o alcancei liguei imediatamente para o Javi.

- Vá lá bebé, atende… - continuava a dar sinal de chamar – Vá lá… Que coisa!

- Princesa?

- Javi, onde é que estás?

- Calma amor, já estou a ir para aí…

- Por amor de Deus, não me peças para ter calma…

- Sim, eu sei, desculpa. Já ‘tou a chegar. 5 minutos e estou aí.

- Ok. Despacha-te por favor…

- Amo-te princesa.

- Eu também amor, despacha-te.

- Então?

- Está a vir para cá.

- Vem lá para dentro então, aqui ainda te constipas.

- Que chato!

- Só não levo a mal porque sei que estás irritada.

- Desculpa Santiago, mas não estou mesmo nada com cabeça…

Voltámos para dentro, a Clara, a Sara, a Carol e a Marta vieram logo para junto de mim. O Ico e o Saca andavam de um lado para o outro. Para eles eu era como uma irmã mais nova. Como eles sabiam a história do Santiago sempre me tinham protegido, eram os meus irmão, não de sangue, mas de corpo e alma. Conheciam-me como ninguém e sentiam-se na obrigação de me proteger.

- Vocês são capazes de parar?! Se eu não ‘tou aí tipo barata tonta não estejam vocês também.

- Desculpa miúda. – disse o Saca puxando uma cadeira – Só sei que se ele te magoa ‘tá feito comigo!

- Ó maninho, calma lá, sim?! Não me irrites mais do que aquilo que já estou se não daqui a nada ‘tás a levar uma lamparina a ver se te acalmas!

- O que vale é que mesmo irritada cê é engraçada.

- David, a sério, hoje não…

- Desculpa Guigui, ‘tava só tentando distrair você…

- Eu sei, mas hoje não… Desculpa. – nesse momento vi umas luzes no parque e corri até lá – Javi?! – gritei quando o vi a sair do carro ao mesmo tempo que vejo a Elena a sair do lado do pendura. Voltei a congelar enquanto o Javi vinha na minha direcção. Vi-a dirigir-se a um dos carros e entrar.

- Ela já não nos chateia mais amor. Já falei com ela, acho que desta vez ela já percebeu…

- Finalmente… - disse enquanto o abraçava - Agora tens que explicar isso às duas que se mantêm lá dentro, parece que o passatempo favorito delas é tentar empurrar-te de novo para ela.

- Amor, isso não me interessa. A Elena que fale com elas, não me vou preocupar mais com ela. Só me interessas tu.

- Não sabes como me deixas feliz. Vá, vamos mandar o pessoal para casa que vocês amanhã têm treino de manhã e já está a ficar tarde.

Entrámos e vi nas caras da Romanella e da Inês que tinham ficado decepcionadas por mais uma vez os desejos delas não se concretizarem. O pessoal começou a ir embora, assim como nós. O caminho até casa foi rápido. Quando lá chegámos deitámo-nos e adormecemos.



(narrado pelo Javi)

Vi a Guigui parar e não percebi o que se tinha passado. Assim que segui o seu olhar percebi. Como é que era possível que a Elena tivesse voltado? Disse à Guigui que ía resolver aquilo e encaminhei-me na direcção da Elena. Pedi-lhe que fosse comigo até à rua e quando lá chegámos dirigi-me ao meu carro. Sabia que se tivesse aquela conversa ali mais cedo ou mais tarde ia ser interrompido e não era isso que precisava naquele momento.

- O que é que estás aqui a fazer outra vez Elena? – disse enquanto ligava o carro e arrancava.

- Vim ter contigo amor. –pousou a sua mão sobre a minha.

- Pára! – afastei a minha mão – Elena, eu já não te amo, chega dessa mania.

- Javi, eu amo-te e sei que ainda não me esqueceste. Dá-nos mais uma oportunidade.

- Elena, eu amo a Margarida, já não sinto nada por ti, quando é que vais perceber isso? – parei finalmente o carro.

- Guapo, sabes tão bem quanto eu que a nossa história não pode acabar assim. Eu sei que agi mal, desculpa. De certeza que conseguimos ultrapassar isto. Eu amo-te. – nessa altura começou a aproximar o seu rosto do meu, acabando por me beijar.

- Elena, já chega! – afastei-me dela.

- ‘Tás a ver, é difícil resistires-me amor.

- Elena, olha para mim e ouve o que te digo! Eu não te amo. Inicialmente eu só estava irritado com a tua atitude, não estiveste lá quando eu mais precisei, mas entretanto conheci a Margarida. É ela que eu amo! Faz um favor a ti própria, não te rebaixes assim tanto. Percebe de uma vez por todas que eu já não te amo.

- Como é que podes esquecer o que se passou entre nós?! Tu sabes o que eu deixei para vir contigo para Portugal! Não me podes fazer isto. – nessa altura começou a chorar.

- Sim, sei Elena. Dei-te todo o valor por isso, sabes perfeitamente que sim. Admirei a tua dedicação e o teu amor por mim no último ano, sei bem que abdicaste de muita coisa para vires comigo, mas também sabes que me magoaste muito e isso eu não vou conseguir esquecer. Já te perdoei, mas não é isso que vai fazer com que te volte a amar. Eu estou bem agora, percebe isso. Tu mereces ser feliz Elena, mas já não é comigo. – ficámos em silêncio até que o meu telemóvel tocou. Era a Guigui, notava pela sua voz que estava super alarmada com toda aquela situação. Descansei-a e disse-lhe que já estava a voltar para o bar – Vamos embora, amanhã eu tenho treino de manhã.

Ela não proferiu uma única palavra e seguimos em silêncio o caminho de regresso ao bar. Quando chegámos via dirigir-se ao seu carro enquanto vi o alívio no olhar da Guigui. Entrámos e enquanto ela foi para junto das raparigas o David aproximou-se de mim.

- E aí cara, como que ficaram as coisas com a Elena, tudo resolvido?

- Sim, acho que agora sim.

- Mas ela aceitou tudo assim, de ânimo leve?

- Epah… Ela beijou-me, mas afastei-me logo e acho que finalmente ela percebeu as coisas.

- Ela beijou você?

- Fala baixo meu, não quero que a Guigui saiba…

- Pô cara, cê tem que contar p’rá ela… A Romi e a Inês não tão facilitando e a Elena vai concerteza contar p’rá elas… Se cê não conta já ela vai ficar sabendo depois por elas e assim vai ser pior…

- Eu sei, mas eu não lhe posso contar isso agora… Deixa esta história acalmar e depois logo penso nisso.

- Cê que sabe, mas eu acho que devia contar p’rá ela.

Aquelas palavras do David ficaram a matutar na minha cabeça. Já tinha ido toda a gente embora e também nós fomos para casa. Quando chegámos deitámo-nos. Deixei a Guigui adormecer, sabia que concerteza ela estaria ainda algo nervosa com o que se tinha passado e queria certificar-me que ela adormecia. A conversa do David manteve-se presente na minha memória. Eu sabia que ele tinha razão, mas tinha medo da reacção dela. Depois de a sentir adormecer acabei por ser também dominado pelo cansaço e adormeci também, com os meus braços a envolverem o seu corpo. 

4 comentários:

  1. Ohh, fiicO sempre triiste nO fiim!! QuerO maiis!! Please..

    COntiinua...

    BjnhOo

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  2. ahahah eu tinha razão, afinal era a Elena :P

    Hum... ou o rapaz conta rápido que a outra o beijou ou a Guigui vai ficar a saber pelas outras duas :P

    COntinua... adoro a história

    Beijocas

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  3. Aí Javi... Segue os conselhos do David. Quem te avisa teu amigo é!
    Beijinhos meninas*

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