terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Capítulo 64 - Quantos riscos tem?



(Narrado pela Clara)

- Amor, se tiver um risco o que é que quer dizer?

- Que não estou grávida. – disse – Só tem um risco? – perguntei impaciente.

- Então, se tiver dois riscos quer dizer que estás? – perguntou.

- Sim. Quantos riscos tem? – perguntei novamente – Ruben?! – fiquei estática sem saber o que pensar, ele não me respondia e eu estava a desesperar.

- Amor, acho que vamos ter de ir ao médico. Ou isto não está a funcionar ou então vem aí um Amorinzinho… - disse-me com um sorriso, ao mesmo tempo que pegava em mim e me beijava.

Eu estava paralisada, não sabia como reagir, agora não havia volta a dar, eu estava mesmo grávida e não tinha como negar a existência daquele pequenino ser que se estava a formar na minha barriga. Ele abraçou-me, era curioso na nossa relação, mas nós tínhamos a perfeita noção de como o outro se sentia mesmo sem ser preciso falar. Senti o seu abraço, foi forte e confortante, senti-me protegida, o medo desapareceu e deu lugar a uma enorme alegria. Pus as minhas mãos na sua cara e beijei-o, ali, naquele momento eu beijava não só o homem que amava, mas também o homem da minha vida, beijava o pai do filho que eu tinha na minha barriga. Quando nos separámos ele sentou-se virado para o mar e pediu-me para eu me sentar no meio das suas pernas, assim fiz. Ele pôs um pouco de champanhe nos copos e deu-me um. Quando íamos brindar lembrou-se:

- Amor, não podes beber…

- É só para brindar amor, só molho os lábios.

Assim foi, brindámos ao novo ano, à nova vida que se avizinhava e deixámo-nos ficar a contemplar o mar. Estava calmo, sereno, tal como nós… Ele passava a sua mão na minha barriga e dizia-me “Amo-te” repetidamente ao ouvido. A certa altura arrepei-me e ele deu conta.

- Vamos para dentro Clarinha, não te podes constipar. – levantou-se e deu-me a mão, ajudando-me também a levantar.

Enquanto nos dirigíamos para o bar lembrei-me - Amor? – ele olhou para trás – Não contes nada por enquanto, pode ser?

Ele aproximou-se e deu-me uma suave beijo nos lábios – Sim, para já este segredo é só nosso. Não te preocupes.

Quando nos dirigíamos para o bar, reparámos que dos balneários saía a Guigui, o Javi, o Ico, o Saca, a Maria, o David e a Sara. Estavam todos com os fatos de surf vestidos e as pranchas na mão, rimo-nos os dois e seguimos o nosso caminho. Eu adorava vê-los a surfar, mas estava uma noite fria e o meu vestido era fresco demais para aquele tempo.Entrámos no bar e o ambiente era de festa, a Bela veio ter connosco.

- Bom 2011 meus amores. – dizia ela dando um beijo em cada um.

- Bom ano. – respondemos os dois ao mesmo tempo.

Estivemos algum tempo na conversa com ela e depois veio o Mauro. Pouco depois começaram algumas pessoas a ir embora. A festa não se ia prolongar durante muito mais tempo, o Mister tinha marcado treino para o dia seguinte de manhã, logo a comemoração não podia ir até tarde. Naquele rodopio de pessoas a sair vejo uma cara conhecida, mas não bem-vinda, a entrar. Cumprimentou de forma animada os jogadores e familiares que ainda de encontravam no bar e juntou-se num dos grupos.

- Clara onde vais? – perguntou-me o Ruben.

- Pôr alguém na rua, antes que a Guigui chegue.

- Não vais não. Tu vais ficar aqui ao pé de nós.

- Ruben eu tenho que lá ir, a Guigui não vai gostar nada de chegar e ver que tem visitas que não são bem-vindas.

- Clara fica aqui, a Guigui quando chegar resolve. Não te metas.

Eu não lhe liguei, quando estava a dirigir-me à pessoa vejo a Guigui a entrar no bar com o resto do pessoal, ela ficou estática. Eu fui imediatamente ter com ela e encaminhei-a para a cozinha.

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O caminho até casa do Ruben foi rápido, ele já fazia imensos planos e eu ria-me com a situação. Entrámos em casa agarrados e aos beijos, o clima era quente, desejávamo-nos mutuamente.

- Amor? – chamou-me – Se fizermos amor não vamos magoar o bebé?

Eu ri-me com aquele disparate – Não, o bebé não vai sentir nada amor, apenas o quanto os pais se amam…

- Eu amo-te, sabias?

- Sim e pela quantidade de vezes que tu me dizes isso por dia é impossível eu esquecer tonto…

Ele riu-se e beijou-me novamente. Pegou em mim ao colo e levou-me para o quarto, pousou-me de forma cuidadosa em cima da cama e deitou-se de seguida ao meu lado. Beijou-me de forma apaixonada e tirou-me o vestido com a maior calma do mundo. Percorreu o meu corpo com pequenos beijos, fazia festinhas na minha barriga e beijava-a. Eu tirei a sua roupa: primeiro a t-shirt, de seguida as calças e beijei o seu peito percorrendo cada traço. Nós amávamo-nos sem pressas. Ele tirou o meu sutien e beijou-me o peito, a cada beijo eu estremecia, aquele homem fazia-me sentir desejada, única e completa na sua companhia. Aquela troca de beijos estava a tornar-se insuficiente para o desejo que sentíamos no momento, foi então que ele me tirou o que ainda restava da minha roupa, fazendo eu o mesmo com a dele. Ele, com a sua mão aberta, percorreu cada canto da minha face, beijando-me em seguida. Posicionou-se em cima de mim e senti-o entrar em mim, os seus movimentos eram lentos, estávamos a usufruir de cada momento de prazer. Aquele movimento lento era como uma chama que percorria todo o meu corpo, quer eu quer ele não tínhamos qualquer pressa. Atrevo-me a dizer que foi a primeira vez que conseguimos fazer amor, somente amor existia naquele acto. Foi desta forma que ambos gritámos de prazer, um grito genuíno, sem ser contido, um grito como nunca tínhamos dado. Adormecemos, tinha acabado de amar o homem da minha vida e tinha sido a melhor coisa do mundo.

Quando acordei no dia seguinte ele já não estava em casa, já passava das 10h e ele já devia estar no treino. Fui até à cozinha e encontrei um bilhete seu.

“Amor, em cima da bancada está leite e iogurtes. Tens também fruta na bancada e bolachas no armário. Ainda saí para comprar pão, mas como é dia de Ano Novo não está nada aberto. Volto à hora do almoço, temos que comemorar… Amo-te”

Tomei o pequeno-almoço e fui tomar um duche. Como não tina roupa minha, vesti umas calças de fato de treino dele e uma sweat. Deitei-me no sofá com a televisão ligada, não ligava nenhuma ao que se passava, apenas pensava no que me estava a acontecer. Todas as mulheres diziam maravilhas da gravidez, em como se sentiam diferentes. Comigo não acontecia nada disso, eu estava perfeitamente normal, pensei que podia ser de estar muito no início. Os meus pensamentos foram interrompidos pelo toque da campainha, fui abrir e era a Sara.

- Bom dia dorminhoca! Feliz 2011!

- Bom dia Sarinha.

- Então Clarinha, hoje já não estás chateada comigo?

- Eu nunca estive chateada. Só não estava preparada para a situação que vocês teimavam em lembrar.

- Ok, eu sei que tens razão, eu nem sei se fosse comigo… Mas amiga, precisas mesmo tirar essas dúvidas.

- E quem te disse que eu não as tirei já?

- Já fizeste o teste? – perguntou admirada.

- Já… - não adiantei muito.

- Clara, vais-me dizer qual foi o resultado ou tenho que fazer pedido por escrito?

- Deu positivo…

Quando eu respondi senti que foi como um balde de água fria para a Sara. Ela levou algum tempo para processar aquela informação.

- Tira essa cara Sarinha, vais ser titia. – disse-lhe a sorrir.

- Como estás? Eu sei que não era isso que querias...

- Sim, mas ontem falei com o Ruben, confesso que a alegria dele me contagiou. Olha, seja o que Deus quiser…

Neste momento a porta abriu. Era ele, vinha acompanhado do David. Ele veio ter comigo e cumprimentou-me com um beijo na testa, cumprimentando a Sara em seguida. O David fez o contrário, cumprimentou a Sara e depois a mim. Vi pela sua cara que o Ruben já lhe tinha contado.

- Afinal não foste capaz… - disse-lhe.

- Tu também não… - completou.

- Sim, eu já contei à Sara.

- Pois, eu também contei ao David.

- Clarinha Parabéns!! Vê se cuida bem do meu sobrinho… - disse a abraçar-me logo.

- Podes ficar descansado, o teu sobrinho vai ser tratado como um príncipe.

- Amiga tens de ir ao médico, tens que ver se está tudo bem. – dizia a Sara – Ahh, parabéns ao papá!! – disse dando um beijinho ao Ruben.

- Sim, tenho que marcar consulta, mas com calma, ainda tenho que organizar a minha cabeça. Vocês não podem abrir a boca, eu não quero que mais ninguém saiba até ver se está tudo bem com o bebé… - pedi-lhes.

- Não vais contar à Guigui? – perguntou a Sara.

- Não devia, ela tirou-me do sério com esta possibilidade… Mas como é óbvio vou ter de contar, se ela sonha que eu já fiz o teste e que não lhe disse nada…

- Pois, ela passava-se.

Pouco tempo depois saímos, passámos em casa para eu vestir uma roupa minha e fomos almoçar a um restaurante onde costumávamos ir. O Ruben já andava mais bem disposto, a comunicação social já andava mais calma e ele já tinha perspectivas de resolver o problema do dopping.

- Já volto… - disse ao levantar-me da cadeira.

- Outro enjoo amor?

- Sim… - corri para a casa de banho. Desta vez foi forte, cheguei à casa de banho e vomitei tudo o que tinha ingerido minutos antes. Sentia-me mal, a cabeça andava à roda e acabei por me sentar no chão com medo de cair.

- Clara? – chamava a Sara ao entrar na casa de banho sem me ver. Quando olhou com atenção e me viu sentada no chão entrou em pânico – Então Clarinha, que tens? Isso não é só enjoo, pois não?

- Não, deitei o almoço todo fora e quando vinha lavar as mãos senti-me tonta, comecei a ver tudo a andar à roda…

- Eu vou chamar o Ruben.

- NÃO! Deixa-me ficar aqui só mais um bocadinho.

Assim foi, ela ficou comigo mais uns minutos e quando eu já me sentia melhor saímos. Eles estavam sentados na mesa e vi que o Ruben ficou mais descansado quando me viu. Levantou-se logo e veio ter comigo:

- Então Clara, foi forte? – perguntou-me preocupado.

- Foi o pior até agora. Mas já estou a ficar melhor. Pede só um chá para mim, pode ser?

- Claro amor.

No fim do almoço resolvemos ir para casa, tinha que contar à Guigui e ao Santiago. Tinha também de marcar consulta no médico, para ver se estava tudo bem e me dar algumas indicações de como minimizar estas más disposições. Quando lá chegámos nem a Guigui nem o Javi estavam em casa. Fui logo ligar para o Hospital da Luz para marcar uma consulta. Só tinham vaga para o final da semana seguinte, mas quando souberam o que se tratava, mandaram-me fazer análises no dia seguinte. A Guigui chegou entretanto e quando ouviu a notícia da minha gravidez a reacção dela foi a esperada. Ficou contente e abraçou-nos logo, a excitação dela contagiou toda a gente. A Guigui, sem dúvida, era a melhor pessoa que alguma vez tinha cruzado a minha vida. Aquela miúda começou logo a fazer filmes, a dizer que tínhamos que ir às compras, que tínhamos que escolher o nome do bebé, arranjar-lhe um quanrto…

O Domingo foi um dia difícil. Havia jogo e o Ruben não podia jogar. Ele ainda tentou disfarçar a tristeza, dizendo que assim podia tomar conta de mim, no entanto, à hora do jogo quando estávamos no camarote, vi a tristeza nos seus olhos. Acredito que foi tão mau para mim vê-lo ali, como foi mau para ele não poder ajudar a equipa em campo. No fim do jogo ele deixou-me em casa, tinha que descansar pois no dia seguinte tinha trabalho e antes disso tinha as análises para fazer.

No dia seguinte levantei-me cedo para ir ao hospital, já tinha avisado na empresa que ia chegar um pouco mais tarde. Depois de fazer as análises, fui para a empresa. Tive que contar todas as novidades à Bá, ela era terrível de tão curiosa que era. Decidi que era melhor esconder-lhe a gravidez, pelo menos até ter certeza e o resto dos nossos familiares ficarem a saber. O resto do dia foi normal, achei engraçada a quantidade de vezes que o Ruben ligou para saber como eu estava. Dizia-lhe a verdade, alguns enjoos, mas de resto tudo bem. No final do trabalho fui ao lar, queria muito estar algum tempo com aquelas pequeninas pessoas que me faziam tão bem. Quando cheguei a casa tinha o Ruben à minha espera.

- Até que enfim que você chega Clarinha. Esse cara aí estava difícil de aturar.

- Onde andaste Clara?

- Ei calma… Onde andei? Olha andei no sítio que me consegue pôr um sorriso nos lábios depois de um dia de trabalho.

- Nem precisas de dizer mais nada… - comentava a Sara.

- Porque é que não avisas-te? – insistia o Ruben.

- Mas tu estás-te a passar? Sabes perfeitamente que quando não venho logo para casa é porque fui lá. Quer dizer, nunca precisei de dar satisfações a ninguém e agora tenho que te dar a ti?! – ele não me respondeu.

- Clara, da próxima vez que lá fores tens de me levar, pode ser? – pedia-me a Carolina.

- Claro que sim.

Pouco depois a Carolina e o Santiago saíram, iam jantar com a Guigui e o Javi. Nós ficámos em casa e jantámos por lá. O serão foi calmo, eu fui-me deitar cedo e o Ruben foi embora.

(narrado pelo Ruben)

A noticia da gravidez foi das melhores que eu tinha recebido nos últimos tempos, com a polémica do teste de dopping positivo, haviam poucas coisas que me faziam ficar bem-disposto. Sem dúvida nenhuma que ter ao meu lado uma mulher como a Clara e saber que ela estava à espera de um filho meu, tinha sido uma lufada de ar fresco na minha vida. Iniciei bem o ano, com a certeza que podia acontecer de tudo na minha vida, mas se eu tivesse aquela mulher do meu lado eu ia ter força para aguentar o que quer que acontecesse. Passaram vários dias, custava-me ver as más disposições da Clara. Sabia que muitas delas ela nem me contava para não me preocupar. O meu saldo do telemóvel diminuiu e muito, passei a ligar-lhe mais de 4 vezes por dia. Agora ela era a minha maior preocupação. Eu continuava suspenso, não tinha podido jogar no dia 2, nem na semana seguinte. Custou-me bastante não poder fazer aquilo que mais gostava, mas tive ao meu lado a mulher que conseguiu minimizar todos os estragos. Era incrível, a Clara estava sempre lá, era reconfortante e compreensiva.
Hoje, dia 12 tínhamos jogo mas eu não podia jogar novamente. O dia estava a ser péssimo, ainda por cima com a Clara a trabalhar. Por volta das 15.30h recebo um telefonema, nem queria acreditar no que os meus ouvidos ouviam. Desliguei o telefone incrédulo e de seguida marquei o número da Clara.

- Amor está tudo bem, ainda há 10 minutos me ligaste Ruben…

- Princesa, nem vais acreditar em quem me ligou agora...

- Quem? – perguntei curiosa.

- O Carlos…

- O teu empresário?

- Sim… Não vais acreditar…



Comentem ** :P

8 comentários:

  1. Yeahhhh!! Tenho a certeza que é uma óptima notícia! Tá grávida, agora vamos ter um Amorinzinho para chatearnos a cabeça. Aí, aí! :b
    Beijinhos*

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  2. Ai, o que dizer do capítulo... não sei... estou sem palavras :P

    COntinua estou mesmo a amar a vossa FIC!!!

    Beijocas

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  3. Oh agora estou curiosa :p
    Está fantástica, continua.
    Posta logo, beijinho!

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  4. Parabéns Clarinha, vais ser "mamã"!!! Muahahah #D
    Vá agora fora de brincadeiras, este capitulo foi tão fofii +.+
    Opah agora deixaste-nos curiosas :$
    Queremos mais.. e depressa ! :DD

    Beijocas
    Jucaa e Inês :P

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  5. opah tá lindoooo! :)
    parabéns pelo Amorinzinhoo! :):)

    continua, e tenta postar o proximo capitulo rápido! :D

    beijinhos

    Diana

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  6. Então vamos ter Rubenzinhos, muito bom, mesmo muito bom.
    Assim eu vou ser tia, ah ah ah ah
    Adoro a vossa fic, muito boa mesmo, mas estou curiosa... será k ele vai voltar a jogar??? :) :) :)
    Continua...
    Beijinhos lindas

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  7. Nem palavras tenho.. Esta mesmo lindooooooo

    Mais

    Beijinho*

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