quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Capítulo 69 - A vida só se dá para quem se deu

(narrado pela Guigui)

Com todos nós a olhar, a Clara acabou por dizer que não estava grávida. O teste estava errado e o médico tinha confirmado que ela não estava grávida. Eu sabia perfeitamente que ela estava destroçada com aquilo. Por muito que aquela "gravidez" não tivesse chegado de forma esperada, era já muito desejada. A Clara adorava crianças e sabia perfeitamente que ela ía amar aquela criança incondicionalmente. A notícia caiu como um balde de água fria. A Clara acabou por ir para o quarto, alegando que precisava de descansar. Decidimos dar-lhe espaço e, depois de muito insistirmos, o Ruben acabou por jantar connosco. Tentámos distrai-lo, mas em vão. Depois de jantar, e de conversarmos um pouco, a Sara foi ver como ela estava. Disse-nos que ela estava a descansar e decidimos ir embora. O David e o Ruben foram connosco. O Ruben continuava cabisbaixo.

- Ó Ruben, anima-te lá. Eu sei que esta notícia caiu mesmo como uma bomba, mas sabes perfeitamente que a Clara também está de rastos, por isso mesmo é que teve aquela reacção.

- Eu sei Guigui, mas eu também estou aqui, também já me tinha habituado à ideia de ser pai. O mínimo que ela podia fazer era deixar-me ficar junto dela, e não afastar-me.

- A Clara já sofreu muito e criou uma protecção que não é a melhor: isolar-se. Tu tens razão e julgo que falo por todos nós quando digo que estamos aqui para o que for preciso, mas relativamente à Clara não posso fazer nada. É a maneira de ser dela.

Vi que ele tinha ficado mesmo revoltado com aquela reacção da Clara. Eu compreendia-o, mas conhecia suficientemente bem a Clara para saber que perante uma notícia destas, aquela seria a reacção dela. Despedimo-nos e cada um seguiu para sua casa. Quando entrámos no carro o Javi notou a minha preocupação.

- Princesa, estás bem?

- Sim amor, estou só preocupada com a Clara. - senti a mão dele pousar no meu colo e procurar a minha, entrelaçando os seus dedos nos meus.

- Se calhar não era o momento certo amor... Isto vai passar, vais ver.

- Eu sei amor, mas não deixo de ficar preocupada. Eu sei que a Clara estava com medo, mas também já estava a habituar-se à ideia. Ainda por cima o Ruben ía pedi-la em casamento...

- Guigui, o Ruben ama-a, não era só por ela estar grávida...

- Não duvido disso, mas tenho medo que eles se afastem por causa disto, quando deveria acontecer exactamente o contrário.

- Amor, dá-lhes espaço. Deixa a poeira assentar, tudo se vai resolver, vais ver.

- Espero que sim...

Fizemos o resto do caminho em silêncio. O meu olhar ficou preso no rio ao longo de todo o caminho. Quando chegámos o Javi pôs o carro na garagem e abriu-me a porta. Colocou-se atrás de mim e abraçou-me. Caminhámos abraçados até chegarmos ao quarto. Despimo-nos e deitámo-nos abraçados. Acordei com os primeiro raios de sol. Pasava pouco das 7h da manhã. Tinha pensado na Clara toda a noite. Levantei-me, vesti as calças de fato de treino do Javi e uma sweat quente, peguei no ipod, nas chaves de casa e na carteira, chamei o Buba e saí. Estava um frio tremendo na rua. Dei um passeio com ele e a seguir dirigi-me à padaria. Comprei o pão e regressei novamente a casa com o Buba. O Javi ainda dormia e decidi ir-me sentar um pouco na varanda a observar o mar. A vista de casa do Javi era relaxante. Comecei a pensar, não apenas nesta questão da Clara, mas também na viagem que se aproximava e sobre a qual eu tinha que tomar uma decisão. Estar a olhar para o mar facilitava a decisão no sentido contrário ao da minha cabeça. Aquela viagem era quase como uma oportunidade única, eu sabia que não iria ter muitas mais assim. O Tiago era realmente a pessoa certa para ser a minha companhia naquela viagem. Ele conhecia o mar como ninguém e sei que me iria fazer aproveitar a viagem ao máximo, mas eu sabia o que ele sentia por mim, por muito que ele tentasse disfarçar e dizer que tinha sido uma cena passageira, eu notava que ele ainda gostava de mim, e percebia perfeitamente a parte do Javi. Eu também não gostaria de o ver a fazer uma viagem com a Elena, fosse por que motivos fosse. Estava naquela guerra interior quando ouço o barulho da porta a abrir, barulho esse que me desperta.

- Bom dia guapa! Andas muito madrugadora... - disse enquanto se ajoelhava à minha frente.

- Bom dia giraço. Não conseguia dormir mais. - debrucei-me para a frente e beijei-o - Olha, já fui comprar pão. Aproveitei para passar na padaria enquanto fui passear o Buba.

- Podias-me ter acordado que ía contigo.

- 'Tavas a dormir tão bem, não te quis acordar. - reparei que ele me olhava atento - Que foi amor?

- Não sei, 'tás estranha. Passa-se alguma coisa?

- É só isto da Clara e do Ruben, não te preocupes.

- De certeza, princesa? Sinto que não é só isso.

- Sim amor, tenho a certeza. - não o queria preocupar com aquilo - Vamos tomar o pequeno-almoço?

- Vamos lá. - ele levantou-se e colocou a sua mão em volta da minha cintura assim que me levantei também.

Dirigimo-nos à cozinha, preparámos o pequeno-almoço e sentámo-nos a comê-lo. Quando terminámos fomos tomar banho e arranjarmo-nos. O Javi acabou por me ir levar ao bar e seguir depois para o treino, ficando de ir ter comigo para almoçarmos. A manhã no bar estava calma, com o frio os clientes eram cada vez menos. O Ico não tinha aulas marcadas e estava no armazém de volta das pranchas e a Maria estava de folga, uma vez que a minha seria no Domingo. Estava entretida a fazer uns esboços quando o meu telemóvel tocou. Atendi sem ver quem era.

- 'Tou?

- Bom dia Guigui!

- Bom dia Nininha! Que saudades bebé! Está tudo bem?

- Tudo em ordem miúda e contigo?

- Também...

- Essa vozinha não me engana priminha... O que se passa? Problemas com o bonzão do espanhol?

- Hey! Vê lá como é que falas, sim? O Bonzão do espanhol é meu namorado, não te estiques! - rimo-nos as duas - Não, nada disso. Umas coisas sem importância. Então e novidades, não há?

- Têm importância suficiente para ficares assim pelo menos... Novidades não há. 'Tava-te era a ligar para saber se vens no Domingo ver o teu espanhol a jogar...

- Ó miúda, o meu espanhol não joga no Domingo, 'tá castigado. Mas sim, devemos ir aí acima. Porquê?

- Já sabes como é a tua tia, sabendo que tens um namorado jogador do Benfica e vendo que o Benfica vem jogar cá quer logo saber se cá vens para te mimar um bocado.

- E eu agradeço o mimo!

- E claro, eu também quero rever o Santiago!

- Ah pois, o Santiago. Em princípio eu, o Javi, o Santiago e a Carol vamos. Não sei ainda se a Clara e a Sara também vão... Mas se calhar depois marcavas aí restaurante para todos. Assim a família conhecia já o Javi...

- Mas tu achas mesmo que a tua tia me deixava marcar restaurante? Até parece que não a conheces. Passo a informar então que está almoço marcado para Domingo, na casa do costume, às 13h, combinado?

- Não vale de nada eu dizer que não, pois não?

- Ainda bem que já sabes a resposta. Beijão priminha, até Domingo! Adoro-te!

- Eu também linda! Beijinhos para ti e para a tia.

Desligámos e eu voltei aos meus esboços. Aproveitei para ligar à Clara para saber como ela estava. Notei que estava a fazer um esforço para não se ir abaixo, mas ainda não tinha conseguido falar com o Ruben e isso incomodava-a. Tentei animá-la mas acabámos por desligar, pois ela estava cheia de trabalho. O Javi chegou eram quase 13h. O David vinha com ele e estranhei o Ruben não vir também.

- Boa tarde giraços!

- Ué, cê hoje 'tá simpática? Não vem coisa boa não...

- Mas 'tás-te a fazer ao brasuca mesmo nas minhas barbas?

- Amor, deixa de ser parvinho. - cumprimentei-o e dirigi-me ao David - E tu não comeces a embirrar comigo que ainda é cedo para isso. O Ruben, não veio com vocês?

- Quer ver que ele pulou p'ró meu bolso e eu não dei conta? - tentou manter-se sério e começou a espreitar para o bolso - O cara é pequeno, mas acho que não 'tá aqui não... - eu e o Javi olhámos para a figura dele e começámo-nos a rir - Ele não veio com a gente não. A Inês foi ver nosso treino e ele saiu com ela.

- Ah, 'tá... Ele e a Clara, já falaram?

- Pô, isso eu não sei não... Mas eles têm mesmo que se acertar.

Sentámo-nos os três a almoçar, enquanto conversávamos. Eles foram embora a seguir ao almoço, pois tinham combinado de se encontrar com o pessoal. Como eu estava sem carro, o Javi regressou com o David, ficando eu com o seu carro. Passei o resto da tarde no bar. O Ico esteve grande parte da tarde comigo, uma vez que não tinha aulas marcadas. Às 19h fechámos o bar e eu dirigia-me a casa quando decidi fazer um pequeno desvio.

- Olá Savi, tudo bem?

- Tudo em ordem, e contigo? - fez-me sinal para entrar.

- Também. A Romi, não está?

- Não, foi até casa do Salvio. Parece que a Magali precisava da ajuda dela para qualquer coisa. Querias falar com ela?

- Não, por acaso era mesmo contigo.

- Mas passa-se alguma coisa?

- Nada de preocupante, descansa. - sentámo-nos e eu decidi falar - Tenho uma decisão a tomar mas preciso da opinião de alguém.  - ele olhava-me confuso, pelo que decidi prosseguir - Como tu sabes o Saca, aquele meu amigo, ofereceu-me uma Surftrip à Indonésia. Aquela viagem é uma óptima oportunidade para eu realizar um dos meus sonhos, mas não quero perder o Javi e não quero que ele se chateie por causa disso.

- Tu é que sabes o que deves fazer Guigui...

- Tu conheces o Javi, achas que ele poderá levar a mal se eu aceitar a viagem?

- Guigui, como é lógico ele vai sentir a tua falta. Pelo que eu percebi essa viagem dura cerca de 2 semanas, talvez mais. Mas nós também viajamos, fazemos estágios fora, somos transferidos algumas vezes ao longo da nossa carreira, e vocês acompanham-nos na maior parte dos casos. Se é algo que queres mesmo fazer ele vai compreender e vai ficar feliz por ti. Ele ama-te, disso eu tenho a certeza. - sorri ao ouvi-lo dizer isto - Eu acompanhei a relação dele com a Elena desde o início e acredita que nunca vi entre eles o que vejo entre vocês. Vocês amam-se e isso vê-se a léguas. És tu que vais tomar a decisão e eu acho que a deves tomar tendo em conta, não só a opinião do Javi, mas também a tua vontade.

- Obrigado Savi. O Javi tem muita sorte em ter-te como amigo. - nesta altura a porta abriu-se e vi a Romi a entrar - Olá Romi, tudo bem?

- Olá Guigui. - dirigiu-se a nós. Cumprimentou-me a mim primeiro e ao Savi a seguir - Tudo bem, e contigo?

- Também. Bem, eu vou embora, não quero incomodar.

- Não incomodas nada. Não queres ficar para jantar?

- Obrigado Savi, mas não dá. O Javi já deve estar à minha espera, não o avisei que ía passar por cá. Boa sorte para o jogo! Já não nos devemos ver antes, mas nós vamos estar lá em cima a torcer por vocês.

- Obrigado miúda.

- Não tens que agradecer. Ah, é verdade... - voltei-me para a Romi - Romi, queres ir connosco até Coimbra no Domingo?

- Obrigado pelo convite Guigui, mas já combinei com a Magali de ficarmos cá em baixo.

- Ah, ok. Então pronto, não incomodo mais. Adeus. - despedi-me dos dois - Obrigado pela ajuda Savi.

Sorri-lhes e saí. Quando entro no carro ouço o telemóvel a tocar. Olhei para o visor e vi que era a Sara, fiquei um pouco preocupada.

- Olá querida, passa-se alguma coisa?

- Olá Guigui. Por acaso sabes da Clarinha? Ela está contigo?

- Não. Falei com ela hoje de manhã, mas depois disso não soube mais nada dela. Ela ainda não está em casa?

- Não. O Ruben veio até cá à procura dela. Ela passou por casa dele, mas depois de sair já não soubemos nada dela.

- E já lhe ligaste?

- Já, não atende. Também já liguei para a Joana a saber se ela estava no lar, mas nada... Estou a ficar preocupada Guigui...

- Ela deve querer estar sozinha, já sabes como ela é Sarinha. Dá-lhe um tempinho para pensar. Se daqui por umas horas ela não tiver chegado avisa-me. - embora este desaparecimento da Clara mee deixasse um pouco preocupada, eu conhecia-a bem e sabia que concerteza tinha ido para algum sítio pensar. Tentei não transparecer a minha preocupação para a Sara.

- Sim, deve ser isso. Se entretanto souberes de alguma coisa avisa, ok?

- Fica descansada querida. Beijinhos.

Desliguei e segui para casa. Quando lá cheguei vi o Javi na cozinha e fui ter com ele. Ele estava a preparar o jantar, ajudei-o e jantámos. Passámos a noite a ver um filme enquanto namorávamos. Antes de nos irmos deitar mandei uma mensagem à Sara a perguntar se havia notícias da Clara, recebendo quase de seguida a resposta de que ela estava com o Ruben. Fiquei mais descansada e acabei por adormecer quase de seguida. O sábado correu normalmente, aproveitámos para passear e namorar, com a companhia do Roberto, da Marta, da Belise, do Santiago e da Carol. Ao fim da tarde fomos com a Marta levar o Roberto ao estádio e ela acabou por jantar connosco depois. No Domingo acordámos e partimos cedo em direcção a Coimbra, não sem antes passarmos por minha casa para apanharmos o Santiago e a Carol e seguirmos juntamente com a Sara e a Clara. A viagem até Coimbra correu bem, quando lá chegámos fomos logo para a casa grande onde já estava grande parte da família. Os meus pais estavam também lá, tinha dito ao meu pai que ía a Coimbra e o Santiago e o Javi iam comigo, pelo que ele disse que iriam almoçar connosco também. Toda a minha família ficou super feliz de rever o meu irmão, inclusive a minha mãe que se fartou de chorar assim que o viu. Almoçámos todos juntos e no final do almoço a Clara e a Sara foram saindo para o estádio. Nós ficámos ainda com os meus pais. Notei que a minha mãe mantinha a mesma opinião relativamente ao meu namoro com o Javi, uma vez que fez questão de o demonstrar ao não ter o mínimo interesse em tentar conhecer o Javi. Essa situação começava-me a irritar e a certa altura chamei-a à parte.


- Mãe, preciso de falar contigo, pode ser?

- Claro. – dirigi-me à cozinha e vi que ela vinha atrás de mim – Diz filha.

- Mãe, gosto muito de ti, mas sinceramente esta tua atitude está-me a começar a irritar. Porque é que não tentas conhecer o Javi? Faz um esforço, pelo menos tenta formar uma opinião e não imaginares as coisas.

- Margarida, já te disse o que tinha a dizer relativamente a isso. Se te queres magoar a ti própria é uma decisão tua, mas eu não vou assistir a tudo com boa cara. Já te disse que não concordo com esse namoro.

- Como é que queres que eu perceba isso? Mãe, eu amo-o e sei que ele me ama a mim. Porque é que não queres acreditar nisso?

- Porque infelizmente a mãe não quer acreditar na nossa felicidade. – o Santiago tinha acabado de entrar e percebi que tinha ouvido pelo menos parte da conversa.

- Santiago, eu só vos quero proteger.

- Não mãe, tu queres controlar a nossa vida. Queres fazer com a Guigui o que tentaste fazer comigo e não conseguiste. A Guigui e o Javi amam-se, se não consegues ver isso e se não fazes um esforço por tentar conhecê-lo acredita que eu vou-me embora e não me voltas a ver. Garanto-te isso. – quando terminou de falar dirigiu-se a mim e abraçou-me – Vamos Guigui, temos que ir para o estádio.

Saímos da cozinha e dirigimo-nos à sala para nos despedirmos do meu pai. Estávamos a despedirmo-nos dele quando vimos a minha mãe regressar à sala, ficando parada à porta a olhar-nos.

5 comentários:

  1. Esta muiitO liinda!!

    COntiinua..

    BjnhOs

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  2. Bem neste capitulo gostei em particular da roupinha da Guigui, acho k a sapatilha é a cara dela p ir ao estádio cidade Coimbra... :) :) :)
    Surftrip é uma viagem k me causa alguma inquietude... não sei não... o k será k nos reservas?
    Muito bom, adoro a vossa fic.
    Beijinhos

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  3. Opá, quero que ela vá nessa viagem, sim!!! Lá por namorar não tem que deixar de viver :P

    E esta mãe, já abria os olhos não?

    COntinua beijocas

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  4. Olá meninas o que podemos dizer deste capítulo, mais uma vez fenomenal estamos completamente viciadas ;b isso mesmo Guigui faz frente à tua mãe kakaka
    Aproveitamos também para divulgar o nosso blog http://sao-bidas.bolgspot.com esperamos que visitem e que deixem a vossa opinião.
    Beijinho Rita e Ana*****
    (PS - Parabéns Ruben!!!!!)

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  5. Olá

    Bem, eu aodrei este capitulo como adoro todos ;b

    Que quero é ver se a mãe dela vai mudar de opiniao ...

    Também aproveito para deixar os parabens ao "teu" Rúben clarinha (;

    E guigui, hoje devolvo-te o Javi (a)

    Beijinho*

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