(narrado pela Guigui)
- Mena, não te vens despedir dos teus filhos? - o meu pai não estava a perceber a atitude da minha mãe. Vi-a aproximar-se cabisbaixa. Deu um beijo ao Santiago, outro a mim.
- Um dia vais-me perceber querida.
- Foste tu que escolheste assim mãe! Adeus pai, adoro-te. - a raiva apoderou-se do meu irmão. Deu um forte abraço ao meu pai e deu a mão à Carol - Vamos?
O Javi olhava-nos confuso. Vi no rosto da Carol que tinha percebido o porquê daquela reacção do meu irmão. Aquela atitude da minha mãe tinha sido para mim como um soco no estômago, nos meus olhos começavam a aparecer algumas lágrimas e a minha voz teimava em não se manifestar. Aproximei-me do meu pai e abracei-o, ao que ele me correspondeu com um forte abraço, reconfortante até, dado o momento.
- Adoro-te filha. - ouvi-o sussurrar-me antes de me afastar e me sorrir.
O Javi despediu-se dos meus pais. Mais uma vez a minha mãe fez questão de mostrar o seu desagrado relativamente a ele. Saímos de seguida e dirigimo-nos ao estádio. O jogo não correu muito bem, os nossos jogadores passaram todo o jogo a escorregar, no entanto conseguimos trazer uma vitória. No final do jogo esperámos todos juntos pela equipa e seguimos até Lisboa atrás do autocarro. A Clara estava super preocupada com o Ruben, no entanto todos nós tentávamos descansá-la. O caminho até Lisboa foi rápido, fomos levar o Santiago e a Carol a minha casa e seguimos para casa do Javi. A conversa da minha mãe mantinha-se na minha memória, o que me deixou algo distante durante toda a viagem. O Javi tinha notado e, embora durante a tarde tivesse tentado perceber o que se passava, tentei sempre desviar a conversa. Na viagem de regresso a casa ía perdida nos meus pensamentos quando despertei com a sua voz.
- Princesa, vais-me dizer agora o que se passa? Estás-me a deixar preocupado...
- Desculpa amor, 'tava distraída. Não se passa nada.
- Já percebi que alguma coisa se passa, mas gostava de perceber o quê linda... Passaste todo o dia assim.
- Parvoíces minhas, não ligues. Amanhã tens treino a que horas amor?
- Às 17h, porquê?
- Para saber só. Assim posso-te ir ver. - sorri-lhe enquanto colocava a minha mão sobre a dele.
Rapidamente chegámos a casa. Como estávamos os dois super cansados fomo-nos deitar. O Javi ainda tentou mais algumas vezes perceber o que se passava, se bem que eu tentei sempre fugir ao assunto. No dia seguinte acordei super cedo novamente. A questão da viagem e da minha mãe atormentavam-me a cabeça e impediam-me de dormir. Levantei-me cuidadosamente de forma a não acordar o Javi e dirigi-me à sala. Sentei-me no sofá e senti o Buba vir para perto de mim.
- Pois é Buba, isto está complicado… - ele saltou para o meu colo e lambeu-me a cara – Ó seu tolinho, também gosto muito de ti. Queres ir à rua, não é? – ele respondeu abanando a cauda – Vamos lá então.
Voltei ao quarto e vesti o fato de treino, peguei num casaco bem quente, no telemóvel, nas chaves e saí com o Buba atrás de mim. Comecei a caminhar e sem dar por isso estava já na marginal. Caminhei ao longo do passadiço e desci para a praia. Sentei-me na areia enquanto via o Buba correr pela praia. No mar estavam alguns surfistas. Fiquei a olhá-los enquanto pensava. Pensei nos prós e contras da viagem que o Tiago me tinha oferecido, pensei no que a minha mãe me dizia, nas palavras do Santiago… A última coisa que queria era que eles deixassem de se falar novamente. Estava perdida nos meus pensamentos quando despertei ao ouvir o telemóvel a tocar. Olhei para o visor e vi que era o Javi.
- Bom dia amor, já acordaste?
- Bom dia guapa. Sim, senti a tua falta. Onde andas?
- Vim passear o Buba e entretanto perdi a noção do tempo. – nesse momento começo a sentir uns pingos a caírem sobre o meu rosto – Ó que raio de sorte!
- Que foi princesa?
- Nada de especial, começou a chover. Vai-te arranjando que eu vou já para casa. Daqui a 20 minutos estou aí.
- 20 minutos?! Mas onde é que tu estás Margarida?!
- Que horror, não me chames Margarida! ‘Tou na marginal mas vou já para aí.
- Princesa, protege-te da chuva que vou-te já buscar.
- Não é preciso amor, ‘tou mesmo perto.
- Margarida, suponho que não queiras ficar doente. Protege-te da chuva que vou-te já buscar. – senti-o sobressaltado.
- Amor…
- Nem amor nem meio amor. Vai-te proteger antes que me chateie contigo. Até já.
- Ok chefe. Fico à tua espera ao pé do jardim. Até já. – ouvi-o desligar o telefone e desliguei também eu de seguida. Com a chuva o Buba tinha-se aproximado de mim, também ele queria voltar para casa – Vamos embora Buba, o teu dono vai-se zangar comigo…
Saí da praia e dirigi-me para o local combinado. Quando estava a chegar vi o carro do Javi já lá parado. Abri a porta de trás para o Buba entrar e entrei de seguida para o local do pendura. Tinha já o cabelo um pouco molhado, pelo que o puxei para o lado de forma a que o Javi não se apercebesse.
- Obrigado amor. – disse olhando para ele. Vi-o desviar o olhar de novo para a estrada e arrancar em seguida. Não proferiu uma única palavra até chegarmos a casa. Mal entrámos dirigiu-se ao quarto, sempre em silêncio e eu segui-o.
- Javi, vais continuar sem falar comigo? – coloquei-me à sua frente de forma a obrigá-lo a olhar-me.
- Margarida, estás há dias estranha, não falas comigo, não me explicas o que se passa. Ontem ainda estavas mais estranha. Eu tento falar contigo, tento que me expliques o que se passa, tu não o fazes, porque é que hei-de falar contigo agora?
- Amor, não sejas assim. Já te disse que não é nada… - tentei aproximar-me dele, no entanto ele não deixou.
- Quem é que queres convencer disso Margarida, a ti ou a mim?
- Amor, desculpa… - encostei-me à parede e deixei-me escorregar acabando por me sentar no chão, cruzei os braços sobre os joelhos e apoiei a cabeça. Senti o Buba aproximar-se de mim e vi o seu focinho aparecer de baixo dos meus braços. Do meu rosto começavam a cair algumas lágrimas.
- Margarida, estou a começar a ficar preocupado. Vejo-te distante, acordas todos os dias super cedo e ou ficas perdida em pensamentos ou agarras-te ao projecto, não falas comigo… Mereço uma explicação. Tenho-te dado espaço, pensava que era disso que precisavas, mas vejo que nem isso está a funcionar. – senti a sua mão levantar o meu rosto e obrigar-me a olhá-lo, enquanto a outra limpava as lágrimas que escorriam – Preciso que fales comigo princesa, não te posso ajudar se não souber o que se passa…
- Amor, confias em mim?
- Sabes que sim Margarida…
- Então dá-me só mais uns dias. Eu prometo que depois te explico tudo. Dá-me só mais uns dias, não te peço mais que isso.
Ele assentiu e abraçou-me. Um abraço firme e reconfortante, que me deu a força que precisava naquele momento. Correspondi àquele abraço e dei-lhe um beijo suave na testa, um beijo de respeito. O Javi levantou-se e puxou-me com ele até à casa-de-banho. Tomámos um banho rápido, vestimo-nos e saímos de casa. Almoçámos juntos e à tarde dirigimo-nos ao centro de estágios. O treino não era aberto ao público e, como nenhum jogador tinha trazido companhia para o treino, eu era a única pessoa externa ao plantel e equipa técnica a assistir ao treino. Estava a encaminhar-me para as bancadas quando ouvi alguém chamar-me.
- Guigui?
- Sim? – disse voltando-me para trás – Desculpe, não vi que era o Mister… Precisa de alguma coisa?
- Ía só perguntar-lhe se não quer assistir ao treino aqui em baixo? Afinal não tem companhia e aqui sempre se distraia mais. Já vi que hoje está a precisar disso.
- Estou mesmo… Mas não há problema de ficar aqui? Não quero atrapalhar… - neste momento começavam os jogadores a sair do balneário.
- Claro que não. Até gosto de a ver aqui em baixo, os rapazes até se portam melhor.
Sorri-lhe e sentei-me no banco de suplentes. O treino correu normalmente, o Ruben não tinha aparecido em campo uma vez que estava a ser avaliado. No final do treino a maior parte dos jogadores dirigiram-se aos balneários, no entanto vi que o David, o Fábio, o Júlio César e o Roberto permaneciam em campo. Achei estranho e aproximei-me do Mister. Antes de ter tempo de lhe perguntar alguma coisa ele esclareceu-me.
- Apostas, menina… Este rapazes são sempre a mesma coisa…
Olhei para ele e ele riu-se. Como o Javi ainda ía demorar a sair, ficámos ali a observar a brincadeira daqueles quatro. Enquanto o Fábio e o David se divertiam, via que o Roberto e o Júlio já estavam fartos daqueles dois. A certa altura fartaram-se e acabaram por ir embora. Vi o Júlio, o Roberto e o Fábio encaminharem-se para os balneários enquanto o David se dirigia na minha direcção.
- E aí garota, que é que se ‘tá passando?
- Oi?
- Cê ‘tá aí com a cabeça na lua… Quer falar?
- Nota-se assim tanto?
- Pô, além de notar o Javi já falou p’rá gente que cê anda estranha… Eu até tenho quase a certeza que sei o que ‘tá passando. – olhei-o surpresa – É por causa da viagem, né?
- Como é que sabes?
- Eu já vou conhecendo você Guigui… Cê sabe que eu adoro implicar, mas só faço isso porque simpatizo com você.
- Eu também gosto muito de ti David. – disse deitando-lhe a língua de fora – Bolas, mas não estava nada à espera que te apercebesses do que se passa…
- Cê quer falar?
- Isto está a dar comigo em doida David… Eu quero imenso fazer esta viagem, mas não me quero afastar do Javi, não agora…
- Cê tem que se decidir…
- Pois, eu sei… E tenho que falar com o Javi também.
- Cê já decidiu?
- Acho que sim…
- O Javi ama você, independentemente da sua decisão, não se preocupa não… Se precisar eu ‘tou aqui, eu sei que você tem muita gente com quem falar, mas aacho que nunca é demais saber quem ‘tá aqui p’ra te apoiar.
- Obrigado ovelhinha… - sorri-lhe.
- Até eu sendo simpático, cê fica zoando comigo… Cê não resiste!
- Não resisto mesmo. Obrigado David, a sério. Como tu dizes, obrigado, de coração. E fica sabendo que também estou aqui se precisares, ‘tá bom?
- ‘Tá sim! Agora vamos embora que senão seu namorado daqui a pouco ‘tá com ciúmes…
- Ui, deve ser isso. Vamos lá.
Seguimos até ao interior do edifício. O Javi já tinha saído e estava à conversa com o Roberto que estava também já arranjado. O David encaminhou-se para o balneário enquanto eu fui ter com eles.
- Onde andavas princesa?
- Desculpa amor, ‘tava na conversa com o David… Despacharam-se rápido!
- Eu sou mais despachado que eles… - disse o Roberto piscando-me o olho – Você não querem vir jantar comigo e com a Marta?
- Por mim…
- Amor, se não te importares e se não levarem a mal, eu gostava de jantar só contigo hoje… Importas-te Roberto? – disse virando-me agora para ele.
- Claro que não. Fica para amanhã ou assim. Vou andando então. Adeus. – despediu-se de nós e saiu.
- E nós, vamos embora também?
- Sim.
Dirigimo-nos ao carro e seguimos para casa. Quando chegámos eu encomendei o jantar e pus a mesa enquanto esperávamos. O jantar chegou e sentámo-nos a comer.
- Princesa, querias jantar só comigo. Alguma razão especial?
- Sim amor, preciso de falar contigo.
- Passa-se alguma coisa? – o seu rosto transparecia preocupação.
- Nada de grave, espero. Relaxa…
- Já decidiste se vais aceitar a viagem?
- Já…
- E então?

Opá mas isto é assim???? Onde anda o resto????
ResponderEliminarQuero mais, sim!!!
Adoro mesmo a vossa FIC
BEijocas
A resposta? Isto é assim?
ResponderEliminarQuero mais e rapidnho sim?
Beijinho*
Ohh, querO maiis!! =D
ResponderEliminarNãO deviias ter termiindadO assiim!! =P
COntiinua..
BjnhOs
Esta viagem já me tá a dar nos nervos e ainda não é desta k fico a saber...
ResponderEliminarMargarida, Margarida... és muito má...
Mas p quem estava a faltar palavras ficou mt bom.
Mesmo muito bom.
Beijinhos