Nota: Apesar de haver personagens de nacionalidades diferentes, vamos escrever sempre em português.
(Narrado pela Guigui)
A minha semana tinha sido um reboliço. Tínhamos várias coisas para organizar para a semana seguinte e ainda tinha que levar com as lamentações da Maria sobre lampiões. A Clara também andava em baixo, ela dizia que não mas o afastamento do Ruben fez-lhe mal, embora negasse eu sabia que ele não lhe era indiferente e que todas aquelas atitudes da parte dele tinham mexido com ela.
Na Quinta-Feira ao fim da tarde ía haver treino aberto ao público. Falei com o Ico e pedi-lhe que ficasse no bar com a Maria, porque eu tinha um assunto para tratar. Ele assentiu e eu segui para o Caixa Futebol Campus. Assisti ao treino numa das filas da frente e notei quando o Ruben reparou na minha presença. No final do treino afastei-me um pouco dos restantes adeptos que assistiam ao treino e fiz sinal ao Ruben, pois queria falar com ele.
- Olá Guigui, tudo bem? – disse-me ele um pouco desanimado.
-Tudo bem Ruben. Tens tempo para eu te dar uma palavrinha? – ele acenou afirmativamente e nisto vejo o Javi aproximar-se dele. Aquele homem tirava-me do sério, mas eu não podia demonstrá-lo – Falamos agora ou queres ir tomar banho primeiro? – Ele reparou no meu nervosismo. Esboçou um pequeno sorriso e respondeu-me.
- Vou tomar banho primeiro, se não te importares. – dirige-se ao Javi que já nos olhava um tanto ou quanto confuso e prosseguiu – Javi, esta é a Guigui. É a dona do bar onde vi o vosso jogo da semana passada.
- Ola Guigui. Muito prazer! – sorri-lhe um pouco embasbacada enquanto ele olhava para mim curioso – Puto, temos que ir para dentro. O Mister já está à nossa espera. Adeus Guigui, pode ser que nos voltemos a encontrar. – mostrou-me um sorriso irresistível e deu-me dois beijos.
- Adeus Javi. O prazer foi todo meu! – correspondi-lhe e virei-me para o Ruben – Espero por ti lá fora?
- Se quiseres posso ir ter ao bar. Tenho mesmo que ir para a Costa… - respondeu-me eles.
- Combinado então. Vou trabalhar um bocadinho enquanto não chegas para o Ico não me chatear. – disse rindo-me – Fica com o meu número para se houver algum contratempo. Até já! – dei-lhe um papel com o meu número e virei costas.
Despedimo-nos e eu segui para o bar. Passado algum tempo ele chegou. Sentámo-nos e conversámos. Ele já sabia que o tema de conversa só podia ser um: Clara. Expliquei-lhe novamente o que se tinha passado e percebi que ele tinha acreditado, mas que não tinha procurado a Clara porque pensava que ela também não estava interessada, caso contrário teria tentado arranjar uma maneira de o contactar. Expliquei-lhe o porquê de ela não o fazer e os medos dela. Ele ouviu tudo sem me interromper e combinámos que ele falaria com ela na Segunda-Feira, assim eu teria tempo para falar com ela também no fim-de-semana. Despedimo-nos e ele foi embora, não sei antes me mandar uma boca sobre o Javi. Ele tinha-se apercebido do meu embaraço com a situação.
A noite de sexta-feira para não variar foi de enchente, o Glorioso jogou e ganhou, ainda por cima o meu Javi tinha marcado o primeiro golo, eu estava super feliz. No final do jogo o Ico fechou-me na cozinha, pois estava com medo que eu oferece-se outra rodada ao pessoal todo. Ele é boa pessoa, e até gosta de dar como eu, mas tem os pés bem mais assentes na terra que eu, e sabia que não nos podíamos dar ao luxo de fazer ofertas, ainda por cima nos dias em que lucrávamos mais. Já estava cá fora a atender o pessoal quando vejo a minha Clarinha a chegar, ela trazia um sorriso nos lábios e eu sabia porquê, se havia alguma coisa que a animava, era assistir ao jogo na catedral e sair de lá com a vitória do nosso Benfica.
- Então amiga, precisas de ajuda? – perguntou-me.
- Não, obrigada babe. O que queres beber?
- Pode ser uma caipiblack. – pediu-me sentando-se ao balcão. – Então e ainda falta arranjar muita coisa para Segunda-Feira?
- Olha falta ainda receber parte do equipamento. Nós temos o nosso, mas não chega… - continuámos na conversa as duas.
Eu andava super cansada, nunca pensei que desse tanto trabalho preparar aquela iniciativa, mas tinha a certeza que no final do dia toda a alegria a que iria assistir seria a maior recompensa que poderia receber. Entre clientes e recepção do material, passou-se o fim-de-semana. Tínhamos decidido que na Terça-Feira só abriríamos o bar a meio da tarde, precisávamos de algum tempo para descansar e pôr as coisas em ordem depois de toda a correria. No Domingo à tarde tive um bocadinho de tempo livre, pois já estava quase tudo tratado, e decidi telefonar à Clara para vir até ao bar para conversarmos um bocadinho. Quando ela chegou sentámo-nos na esplanada e eu iniciei a conversa.
- Minha querida, tenho um assunto sério para tratar contigo…
- Um assunto sério? Então que se passa?
- Sabes que eu só te quero ver feliz, certo?
- Claro que sei! Mas porquê essa conversa?
- Pronto, vou dizer de uma vez. Tens que perder esse medo que te persegue Clarinha, tens que o abandonar ou mandá-lo embora. Já não aguento ver-te afastar quem se quer aproximar de ti. Eu sei que tu nunca aproveitas o momento sem pensar no amanhã, mas tens que o fazer, pelo menos uma vez na vida, para saberes se valeu a pena fazê-lo ou não. Não sabes se nuca tentares…
Olhei para a Clara. Estava com um ar entre surpreendido e pensativo. Eu era extremamente impulsiva, dizia sempre o que queria quando queria, mas com ela não costumava ser assim e ela sabia-o. Com ela eu pensava bem antes de falar, dizia-lhe o que queria mas mais calmamente. Depois de se recompor da minha frontalidade respondeu-me.
- Guigui, tens razão, mas não o consigo fazer. Simplesmente não consigo, é mais forte que eu.
- O Ruben gosta de ti Clara, vê-se a milhas… Tens mesmo que lhe dar uma hipótese. Não te vais arrepender bebé.
- Mas como podes dizer isso assim? Estivemos juntos três vezes, e isso não é tempo para se conseguir tirar qualquer tipo de conclusões. Eu sei que tenho que falar com ele, não foi bonito eu ter faltado ao jantar e vou-lhe pedir desculpa. Mas só isso… Se daqui a algum tempo continuarmos a falar e surgir alguma coisa, juro-te que vou tentar não me esconder, eu quero ser feliz, mas não vou forçar nada Guigui.
- Eu não te estou a dizer que ele te ama, apenas que simpatizou contigo. Bastante até… Faz isso e faz um esforço por não fugires. Deixa-te levar, logo vês onde vai parar. Sabes que eu estou aqui para o que precisares.
- Obrigado por tudo amiga. Olha, e já sabes quem são os atletas que vão estar cá amanhã?
- Sei, mas não te vou dizer, como é lógico! Só a organização é que sabe. – deitei-lhe a língua de fora – Mas posso-te garantir que vai haver surpresas…
A Clara odiava ficar na ignorância dos acontecimentos, mas eu queria surpreender o máximo de pessoas possível. Entretanto o bar começou a encher, pedi desculpa à Clara e tive que atender os clientes. Estava a ser uma noite muito agitada e eu e o Ico decidimos fechar o bar à meia-noite, visto que o dia seguinte ía ser bastante longo. A Clara esperou que fechássemos e seguimos juntas para casa, enquanto o Ico foi levar a Maria.
(narrado pela Clara)
No sábado acordei, arranjei-me e decidi ir dar uma corrida até ao parque das nações, era uma coisa que eu gostava muito de fazer, mas que por vezes se tornava difícil. Parei e sentei-me em frente ao rio. Fez-me bem arejar as ideias, pôr a cabeça no lugar… Foi então que me lembrei do Marco… Aquela calma, o olhar sobre o rio, e a vontade enorme de falar com ele, de lhe dizer que estava cheia de saudades dele, de lhe pedir desculpa por aquele dia… Quando dei por mim, tinha uma lágrima no canto do olho… Respirei fundo e recompus-me… Levantei-me e voltei para casa.
A tarde de sábado foi passada no lar, assim como a manhã de domingo, os miúdos estavam super entusiasmados com o dia seguinte. Almocei no lar e de seguida fui até à Costa. A Guigui tinha-me ligado, queria falar comigo. Na altura deduzi o que ela me queria dizer, mas deixei-a falar. Tivemos uma conversa como à muito tempo não tínhamos. Ela sabia tudo da minha vida e não se coibiu de me falar de uma forma mais frontal. Eu sabia que ela tinha razão, no entanto tinha muito medo de me voltar a apaixonar para mais tarde voltar a ficar sozinha e com o Ruben era o que provavelmente iria acontecer. No final da nossa conversa fui para casa, e voltei a lembrar-me do seu sorriso, do abraço que me deu e forma como me tinha sentido quando estava na sua companhia. Sabia que no dia seguinte o ia reencontrar, que tinha que lhe pedir desculpa, sentia-me estranha, queria muito falar com ele outra vez, mas a minha cabeça mandava-me afastar-me, era uma mistura de sentimentos, mas de uma coisa eu tinha a certeza e não havia volta a dar: ele não me era indiferente…
Não se pode fugir do coração... :)
ResponderEliminarEstou a gostar muito.
Bjs
só descubri a tua fanfic hoje, mas estou a gostar muito mesmo :D
ResponderEliminaro capitulo que até agora mais gostei foi aquele em que o ruben amorim oferece o projetor, a tela, o sistema de som e o leitor de Dvd ao lar. ADOREI esse capítulo.
tens de publicar mais :b
não sei se sabes, mas eu também escrevo uma fanfic (do David) o link é: http://sofiarc.blogspot.com/ se quiseres, passa por lá e deixa um comentário com a tua opinião :)
beijinho
Gosto deta fic, acompanho a pouco tempo mas acho linda!
ResponderEliminarEstou a ver que o Javi vai entrar na história xD
Continua beijinhos! :D