sábado, 27 de novembro de 2010

Capítulo 23 - Trimmm!

(narrado pela Guigui)


Trimmm! A Clara que vá lá, deve ser para ela… Não tocou mais? Era mesmo para ela então. Voltei a adormecer. Trimmm! Ai, eu não acredito nisto!

- Claraaaa! Olha a porta! – ninguém respondia e entretanto ouvi umas vozes vindas da sala. Saí do quarto e quando chego a sala depara-mo com aquele aparato – Então pessoal, já não posso dormir sossegada na minha própria casa? – tentei fazer uma cara zangada.

- Garota, cê passa a vida reclamando com a gente! Bom dia para você também! – o David sorriu.

- Bom dia Guigui! Desculpa lá o barulho… - o Ruben desculpou-se.

- Maria Margarida, que saudades! – a Sara correu até mim. Não nos víamos há imenso tempo.

- Sarinha, ‘tás tão crescida! – sorri-lhe – E com pouca sorte nos namorados, já ouvi dizer… - pisquei-lhe o olho.

- Ei, mas o que é que vem a ser isto? Pensava que as crianças estavam no lar, mas parece que não precisei de lá ir para as encontrar. – antes de o David ter tempo de reclamar a Clara descia as escadas e juntava-se a nós – Guigui, vens connosco?

- Não, tenho de ir para o bar. Vão onde?

- Vamos ao lar.

- Ok. Então divirtam-se.

- Ahh… Guigui? – a Clara voltou a chamar-me.

- Diz…

- Olha, finalmente vamos ter companheira de casa.

- Aí é… Então? Vê lá quem é que metes cá em casa... – avisei-a. Por muito que gostasse de ter mais alguém connosco às vezes também era muito esquisita com as pessoas.

- Aqui a Sara vem viver connosco. – mal a Clara me disse aquilo fiquei espantada a olhar para elas.

- A sério? Que fixe… Eu sabia que os meus conselhos te íam servir na busca pela companheira ideal… - pisquei-lhes o olho.

- Parvinha… - disse-me deitando a língua de fora.

- Cê vai tratar bem a minha menina, combinado Guigui?

- Achas que eu sou capaz de tratar mal alguém David? – soltei uma gargalhada.

De repente a campainha toca.

- ‘Tás a espera de alguém Guigui?

- Mas que horas são? – perguntei meio desorientada.

- 10.30h. – disse-me a Clara dirigindo-se à porta.

- Ele é mesmo pontual. – disse baixinho.

- Quem é que é mesmo pontual Maria Margarida? Não me digas que é quem eu estou a pensar…

- Sim Clarinha, é quem estás a pensar… – respondi-lhe enquanto abria a porta – Bom dia giraço! – aproximei-me dele e cumprimentei-o.

- Ué, que é que cê ‘tá fazendo aqui moleque? Cê anda aturando essa garota? Haja paciência… - mais uma vez o David brincava comigo.

- Ó Ovelha Choné, vocês não têm que ir andando?

- Que é que cê me chamou garota?

- Bom dia para vocês também… – o Javi continuava à porta sem perceber muito bem o que é que se estava a passar ali.

- Não ligues David. A Guigui bate mal da tola…. – dizia a Clara com um sorriso – Vamos embora?

Todos assentiram e despediram-se de nós. Combinámos de eles irem até ao bar à tarde.

- Vou-me arranjar. 15 minutos e desço, ok?

- 15 minutos? Não acredito muito, mas ‘tá bem.

- Não? Começa a contar então. – dei-lhe um beijo na cara e corri para as escadas.

Tomei banho em menos de 10 minutos, vesti uma roupa prática (afinal ía passar o dia a trabalhar), escovei o cabelo, lavei os dentes e desci.

- Pronta! Já tomaste o pequeno-almoço?

- Já? – ele olhava para mim espantado com a minha rapidez – Ainda não.

- Não me chamo Javi Garcia... – sorri-lhe e dirigi-me à cozinha.

- ‘Tás-te a queixar de alguma coisa? – sussurrou ao meu ouvido.

- Se for para te ter cheiroso não me queixo de nada. – virei-me para ele encostada à bancada, mas não me tinha apercebido da distância inexistente entre nós – Torradas?

- Não era bem isso que me apetecia… -ele não desarmava e pousou as mãos na bancada enquanto aproximava a sua cara da minha.

- Não? Então? Bolachas, tostas, iogurte, cereais, fruta? – tentava continuar a falar e ele continuava a olhar para mim como que à espera de alguma coisa – Javi?

- Sim, princesa?

- Vais dizer alguma coisa? – eu não costumava desconversar nestas situações, mas porque normalmente não havia sentimentos envolvidos. Mas  neste caso havia e eu não sabia muito bem como reagir. Ele continuava a olhar fixamente nos meus olhos e sem dizer uma palavra – Javi?!

Ele esboçou um sorriso e aproximou a sua cara ainda mais da minha. Deu-me um beijo no pescoço e foi subindo. Arrepiei-me. Mais um beijo no maxilar, outro na bochecha e foi-se aproximando da minha boca. Deu-me um beijo no canto da boca e olhou com mais um daqueles sorrisos irresistíveis para mim. Nesta altura eu estava já completamente petrificada e sem reacção. Os seus lábios aproximaram-se dos meus e só aí consegui ter alguma reacção.

“We got the afternoon, You got this room for two, One thing I've left to do, Discover me, Discovering you…”

- Javi, o meu telemóvel está a tocar… - a custo ele desviou-se. – Estou? Sim Maria, já vou sair de casa. Desculpa, acabei por me atrasar um pouco. Daqui a meia hora estou aí. Até já.

- Vamos lá…

- Javi? – ele olhou para mim um pouco triste – Desculpa. – voltou a aproximar-se de mim. Abracei-me a ele.

- Desculpo o quê?

- Logo queres-me fazer companhia ao jantar?

- Claro que sim. – deu-me um beijo na testa – Vamos embora se não daqui a nada és despedida. – sorriu-me.

Peguei na mala, nas chaves de casa e dirigi-me à porta.

- Vamos?

Ele aproximou-se novamente de mim, segurou o meu rosto com as suas mãos e beijou-me. Estava um pouco tensa, mas acabei por ceder e deixar-me levar. As minhas mãos subiram até às suas costas e abracei-o. Foi um beijo longo, intenso e cheio de sentimento. Aquele beijo terminou e ele envolveu-me nos seus braços enquanto eu me aninhei no seu corpo.

- Adoro-te princesa. – segredou ao meu ouvido e deu-me um beijo na testa. Tentei reagir mas ainda não o conseguia fazer muito bem.

- Também te adoro Javi. – olhei para ele um pouco envergonhada.

Ele manteve um braço envolta da minha cintura e dirigimo-nos à porta. Seguimos até ao carro e só nos soltámos quando entrei no carro. Mal ele entrou segurou a minha mão e seguimos assim até ao bar. Mal chegámos dei-lhe um leve beijo e saí do carro.

- Vem cá ter ao fim da tarde, ok?

- 19h?

- Sim! Até logo bebé.

- Até logo princesa.

Entrei no bar com um sorriso de orelha a orelha.

- A minha patroazinha agora anda sempre muito alegre. Alegre e baldas também.

- Bom dia Maria. – cheguei junto a ela e dei-lhe um beijo – Desculpa lá o atraso, mas estava sem carro e tive que vir de boleia.

- Pois, já reparei. E que boleia!


- Ui, já não ligamos ao clube das pessoas?

- Nem comeces Guigui!

Soltei uma gargalhada e fui até à esplanada atender alguns clientes. Ao longe vi o Ico já com alguns miúdos no mar. Lembrei-me do dia em que ele me propôs abrirmos um bar na praia. O Ico nunca gostou de estudar e no final do 1º ano no curso de Gestão Hoteleira, decidiu que não era aquilo que queria fazer. Andou uns tempos perdido. Andava com o Saca, passava os dias a surfar e acabava até por fazer várias viagens pelo Mundo fora só para surfar. Entretanto os pais começaram a cortar no dinheiro que lhe davam e ele teve que começar a trabalhar. Como a paixão dele já nessa altura era o Surf, acabou por começar a dar aulas. Num certo dia, já depois de eu acabar o curso e quando estava quase a terminar o estágio para a Ordem, fomos lanchar e ele falou-me da ideia que tinha dito. Imediatamente eu alinhei na ideia dele e acabámos por encontrar aquele bar que estava para arrendar. Ficámos logo com ele e metemos mãos à obra. Os primeiros tempos foram de imenso trabalho, mas quando encontrámos a Maria soubemos logo que era a pessoa certa para ficar connosco ali.

- Guigui, ‘tás a dormir?

- Desculpa Maria, estava aqui a pensar…

- Na morte da bezerra?

- Que engraçadinha… Por acaso estava a pensar em ti e no Ico, na sorte que tenho em vos conhecer.

- ‘Tás muito lamechas, tu…

- Não pode uma pessoa ser simpática!

Encaminhei-me para dentro e fui atender alguns clientes. Entretanto lembrei-me de ir enviar uma mensagem ao Javi:

“Bebé, estamos combinados para o nosso jantar? Beijão ;)”

Não demorei muito a receber a resposta:

“Claro que sim princesa, a não ser que não queiras…”

Respondi-lhe imediatamente:

“Então? Alguma vez eu ía recusar a tua companhia? Estou à tua espera às 19h. Beijo giraço =)”

“Estou aí às 19h então, ansioso por estar contigo. Beijão guapa”

Ainda não sabia muito bem como reagir ao que se estava a passar entre nós. Se por um lado só me apetecia estar com ele por outro lado não sabia se isso era o certo. Tentei distrair-me, uma vez que o dia estava a ser super atarefado. O dia estava a passar rapidamente e a seguir ao almoço vi o David e a Sara a entrar.

- Olha o casalinho! Já estavam com saudades?

- Claro que sim Guigui! – a Sara soltou uma gargalhada – Muito trabalhinho por aqui?

- O normal de fim-de-semana. – virei-me para o David tentando imitar o seu sotaque – Ué garoto, cê ‘tá muito calado!

- ‘Tou zangadão com você!

- Então? O que é que eu te fiz? – olhei para ele surpreendida.

- Cê viu o que me chamou? Não gostei não… - tentou fazer uma cara séria mas ao olhar para a minha cara soltou uma gargalhada – ‘Tou zoando com você garota. Meu amor, cê viu a cara que ela fez? Muito engraçado!

- Olha para ele tão engraçadinho… O casalinho indeciso não vinha convosco?

- Vir até vinham, mas parece que ficaram para trás… Olha, estão a chegar!

O Ruben e a Clara aproximaram-se de nós muito cúmplices. O David começou a desbroncar-se e eu vi a Clara à procura de um buraco para se esconder, mas mantendo-se quieta no seu lugar. Fiquei espantada e orgulhosa com aquela atitude. Fiquei um pouco à conversa com eles, mas o bar estava à pinha e tive que ir dar uma ajuda. Entretanto eles foram-se embora, pois o Ruben ainda tinha que ir levar o David e a Sara a casa. Despedimo-nos e eles seguiram para casa. Quando o bar começou a ficar e como o Ico já tinha acabado as aulas, fui ter com ele.

- Xuxu, achas que há problema de ficares aqui uma horinha com a Maria? É que estava-me mesmo a apetecer ir surfar um bocadinho…

- Não há problema nenhum! Vai lá bebé, diverte-te!

Segui até ao armazém e fui buscar a minha prancha e o fato. Fui até aos balneários, vesti-me e segui para a praia. Fiz um aquecimento e entrei na água. Eram quase 18h, mas como era Domingo, a praia já estava mais vazia, pois muita gente tentava fugir ao trânsito que se criava e saía mais cedo. As ondas não estavam muito grandes, mas suficientemente boas para me distrair e fazer relaxar. Fui apanhando umas ondas enquanto me perdia a olhar o horizonte.

4 comentários:

  1. Coitado do rapaz!!! entao deixas-o assim!! o telemovel tinha mm q tocar???

    Aiaiai... continuem quero mais...

    Bjs

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  2. lindo...

    perfeito...

    quero mais...

    posta mais hoje, por favor...

    tou adorando a tua fan fic...

    continua...

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  3. Tá lindo..
    Entao mas deixa-se assim o rapaz???

    Bjs

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  4. va agora quero mais...

    so mais um meninas

    bjs
    fiii

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