sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Capítulo 4 – A companhia

(narrado pela Clara)

Estava distraída a assistir à alegria das crianças, quando ouço uma voz:

- Esse sorriso é pelas crianças ou por ter atletas do Benfica aqui tão perto?

Depois de dar um salto com o susto, olhei para o lado e vi que quem falava comigo era o Ruben Amorim… o RUBEN AMORIM?! Oh Deus…

- Ah, desculpe, estava tão concentrada na alegria das crianças que não o vi aproximar-se… Pode-se dizer que o sorriso é pelas duas razões. Vejo estas crianças como se fossem da minha família, e ver os atletas do clube do meu coração proporcionarem-lhes momentos tão felizes, deixa-me também a mim muito feliz! – sorri timidamente.

- Trata-me por tu, por favor. – abriu um largo sorriso ao olhar para mim e continuou – Clara, não é? Trabalhas aqui no lar?

- Sim, Clara. Não, sou gestora na empresa do Tiago. – apontei para que ele percebesse a quem me referia – Faço voluntariado aqui nas Florinhas já há algum tempo, é algo que me dá muito prazer.

- É muito bom saber que ainda existem pessoas que prescindem um pouco do seu tempo para fazer os outros felizes. Já não é muito comum nos dias que correm… – olhou para mim e deu-me mais um sorriso.

- Pois, é verdade. Também é muito bom saber que pessoas como vocês, famosas e certamente com muitos outros convites, disponibilizam parte do vosso tempo para estas causas.

- Oh, não é nada de mais… Todos nós nos lembramos que quando éramos pequenos também tínhamos o sonho de conhecer os nossos ídolos, e agora que somos os ídolos de alguém temos a possibilidade de nos divertirmos animando também os outros…

- Infelizmente nem todos se lembram disso… - olhava para ele enternecida. Ele era tal e qual a ideia que tinha dele.

A tarde passou a correr, e entretanto reunimos as crianças para agradecerem aos atletas e despedirem-se. Ficaram todos muito tristes, mal eles sabiam da proposta que a Margarida tinha feito. Nisto vejo o Ruben aproximar-se de mim.

- Parece que a tarde está a chegar ao fim… Queria saber se tens planos para logo.

- Pois… Eu tinha combinado com a Guigui porque não tenho passado tempo nenhum com ela, entre o trabalho e as minhas criancinhas não tenho tido muito tempo e ía aproveitar para estar com ela…

-Ah, ok então… Pode ser que nos voltemos a encontrar então. Adeus e foi um prazer conhecer-te! – aproxima-se de mim e dá-me dois beijos.

- Igualmente. Adeus! – dei-lhe também dois beijos e sorri-lhe.

Segui com a Guigui para o bar. Quando lá chegámos estava a Maria e o Ico atrás do balcão e o bar muito calmo.

- Boa tarde! – disse a Maria mal entrámos.

- Boa tarde! Vocês realmente são uma vergonha, espantam-me os clientes todos! Não estou cá uma tarde e é o que se vê, bar vazio… - dizia a Guigui a brincar.

- Olá meninos! Tudo bem? Não lhe liguem, sabem que ela tem este defeito, é extremamente convencida! – olhei para a Guigui e deite-lhe a língua de fora ao que ela me respondeu com uma carantonha.

- Boa tarde Clara! Nem sei como ainda tens paciência para ela… Aturá-la em casa e ainda teres paciência para a aturares o resto do dia… És um verdadeiro anjo, de certeza… - dizia o Ico enquanto se ria para mim.

- Hey! Eu estou aqui, sim? Vejam lá como falam de mim… - dizia a Guigui já a ficar amuada.

- Tamos a brincar bebé! – o Ico começava já a dar mimos à Guigui, coisa que ela adorava. A amizade entre eles era inexplicável.

- Larga-me Ico, ‘tou bastante chateada contigo! – a Guigui tentava fazer cara de má, mas mal olhou para o sorriso matreiro do Ico desmanchou-se a rir – Oh, és tão má pessoa!

- Não me consegues resistir bebé! – dizia o Ico com um ar convencido.

- Guigui, não tens qualquer coisa para contar ao Ico? – lembrei-a eu. Ela ainda não tinha falado ao Ico da proposta que tinha feito à Joana.

- O que é que vem daí Maria Margarida?! – o Ico já conhecia bastante bem a Guigui, e sabia que as propostas que ela fazia incluíam sempre muito trabalho, embora também muita diversão na maior parte das vezes.

- Icozinho, não te assustes já. Eu fiz uma proposta à Joana, a Directora das Florinhas, de organizarmos aqui no bar um dia para que as crianças aprendessem a surfar. É lógico que eles não vão conseguir aprender num só dia, mas podem ficar já com umas noções e depois até poderíamos organizar outro tipo de actividades mais completas. Mas para já, como experiência, acho que um dia seria uma boa aposta. – a Guigui falava tentando convencer o Ico – E as criancinhas iam ficar tão contentes!

- Sim, parece-me uma boa ideia, mas sabes que só eu e tu é que temos mais à vontade a surfar, e de certeza que são muitas crianças… - notava-se que o Ico tinha gostado da ideia, mas estava ainda um pouco reticente.

- Até parece que não me conheces! Claro que eu já pensei nisso, foi por isso que propus ao Presidente Luís Filipe Vieira que os atletas do Benfica participassem nesta iniciativa. Eles têm a equipa de Surf e existem outros atletas que também praticam, o que nos ajuda também. Além disso imagina a publicidade que isto também traz ao bar. É uma óptima ideia Ico, diz que sim! – a Guigui já estava abraçada ao Ico a fazer beicinho.

- Digam-me que estão a brincar! Mais lampiões aqui no bar? Não bastam já vocês?! Para aquilo que eu estava guardada… - a Maria já se começava a lamentar.

- Claro que concordo! Aliás, só para ver a nossa Mariazinha rodeada de lampiões isso já vale a pena… - o Ico piscava o olho à Maria que olhava para nós já com um ar de enjoada – Maria, anima-te! Não te queremos com essa cara a atender os clientes…

- Maria, parece que vais ter que te aguentar! – dizia eu olhando para ela e tentando animá-la.

- Combinei com a Joana uma reunião na Segunda-Feira às 10h para acertarmos todos os pormenores. Vens comigo? – perguntava a Guigui ao Ico.

- Claro, não posso correr o risco de começares a ter mais ideias mirabolantes sem que eu faça parte delas.

Entre conversas e brincadeiras passou-se o resto dia. A Maria foi ficando mais animada, mas sem mostrar muito entusiasmo. Combinámos de no dia seguinte eu ir ter com a Guigui ao bar ao fim da tarde para ver lá o jogo. Por volta das 2h fomos para casa. Adormeci mal me deitei, mas não sem antes pensar no Ruben. Eu tinha realmente falado com ele, não era nenhum sonho…

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