domingo, 28 de novembro de 2010

Capítulo 24 - És Especial

(narrado pela Clara)


Entrámos em casa bastante cúmplices, aquele dia estava-me a correr muito bem. O Ruben era realmente um querido.

- Queres tomar alguma coisa?

- Não, quero que fiques aqui ao pé de mim…

- Mas eu tenho que me ir arranjar, senão depois atrasamo-nos.

- Não atrasamos nada. Vem para aqui só um bocadinho, eu daqui a nada já vou embora e podes arranjar-te à vontade…

Sentei-me ao lado dele. Ele chegou-se mais perto e envolveu o seu braço sobre o meu corpo. Deixei a minha cabeça cair sobre o seu peito e ficámos assim por algum tempo. Eu sentia-me muito bem, o que fez com que não quisesse sair dali. Ficámos em silêncio durante vários minutos.

- Finalmente baixas-te a guarda.

- Eu só baixei a guarda porque sei que és de confiança. Ah e também porque tens duas meninas do teu lado, que estão constantemente a dizer-me para te dar uma oportunidade. – confessei-lhe.

- E eu a pensar que era pelo meu enorme sorriso…

- Esse lindo sorriso também ajudou. Aliás, tiveste muitas coisas a teu favor…

- Ai sim? Então?

- Vá, eu não quero falar disso, senão ficas aí todo convencido e depois ninguém te atura…

- Está bem, vou deixar passar. Mas só desta vez...

- Sabes, ‘tou a gostar muito do dia. És uma óptima companhia.

- Eu também, foi como te disse na praia. Eu estou-me a apaixonar por ti…

- Ruben pára com isso, por favor… Disseste que íamos com calma… Tu para dizeres uma coisa dessas tens de me conhecer. 

- Pronto, ok. Mas então posso-te dizer que estou a gostar muito de te conhecer. Se agora tivesse de fazer uma avaliação sobre a tua personalidade só tinha coisas boas a dizer…

- Sim, sim… Então vê lá se começas a ver as coisas más, para mais tarde não te surpreenderes…

-É impossível teres coisas más. Alguém com um coração como o teu não tem coisas más.

- Acredita que tenho…

- Não acredito, mas se alguma vez vir alguma coisa que não gosto, podes crer que eu vou saber contornar o problema. Vá volta lá para aqui para ao pé de mim…

Encostei-me novamente a ele e senti-o a apertar-me ainda mais contra ele.

- Podíamos deixar o jantar para outro dia e ficávamos aqui. Eu fazia qualquer coisa para comermos e víamos um filme, ou conversávamos um bocadinho. – sugeri-lhe.

- Eu queria mesmo levar-te a jantar…. Mas essa ideia também não é má.

- E então?

- Pode ser. Mas eu quero-te levar a jantar, ainda esta semana…

- Sim, depois vemos isso. Então e diz lá, queres que eu faça alguma coisa, ou preferes mandar vir comida?

- Cozinhas?

- Claro! Achas que vivo sozinha e não ía saber cozinhar?

- Então prefiro comida caseira e de preferência feita com muito amor e carinho…

- Pois, ‘tá bem… Olha tava a pensar fazer uma bolonhesa. Gostas?

- Claro. Toda a gente gosta de bolonhesa…

- Então vá, vou preparar o jantar. Podes ligar a televisão, vai escolhendo um filme para vermos depois, ou então liga a playstation e diverte-te enquanto o jantar não está pronto. – ía a virar costas quando sinto a mão dele puxar-me e sentou-me ao seu colo.

- Não te esqueceste de nada?

- Humm… - antes que eu pudesse continuar já ele me estava a dar um beijo.

Quando nos separámos fui para a cozinha e comecei a preparar o jantar. Ao mesmo tempo que o fazia, pensava no que estava a acontecer. Como era possível eu querer ter calma se ele já estava a jantar em minha casa e se os nossos beijos já eram quase como beijos de namorados. Aquela história estava a andar depressa demais e eu não tinha controlo sobre ela… Estava de tal forma entregue aos meus pensamentos, que me assustei quando o senti encostar-se a mim.

- Desculpa, não te queria assustar…

- Não faz mal. Não te ouvi entrar, só isso…

- Em que é que eu posso ajudar? Posso ir pondo a mesa…

- Sim, pode ser…

Indiquei-lhe onde estavam as coisas e ele pôs a mesa. Entretanto a comida ficou pronta e fomos jantar. No final levantámos a mesa e arrumei a cozinha. Fui ter com ele ao sofá e pusemos o filme a dar. Aninhei-me no seu peito e ficámos assim juntinhos a ver o filme.
A certa altura dou por ele me dar um beijo na testa, levantei a cabeça sobressaltada:

- Adormeci há muito tempo? – perguntei-lhe.

- Logo no início do filme… - disse-me ele enquanto sorria.

- Porque é que não me acordaste?

- Não tive coragem. Tu já és linda, mas quando estás a dormir a tua cara transmite uma calma…

- Desculpa. – disse-lhe envergonhada.

- Não tens que me pedir desculpa, adorei… - disse-me aproximando-se de mim.

- És especial sabias?

- Tu também és especial, vi isso desde que nos conhecemos, desde que vi a maneira como olhas os miúdos no lar. Fascinas-me e a verdade é que, embora tu aches que é cedo, eu tenho a certeza absoluta que estou completamente apaixonado por ti. Não te sei explicar, mas eu estou contigo e não me apetece largar-te. Só me apetece ficar mais e mais tempo contigo. Eu sei que me pediste para ir com calma, mas desculpa, eu parece que não tenho controlo sobre as minhas acções, quando estou ao teu lado as minhas acções são instintivas, não são pensadas…

- Eu desisto…

- Mas desistes de quê? Desculpa se disse algo que não devia, eu… - não o deixei terminar a frase, pela primeira vez tomei o controlo da situação e beijei-o.

Beijei-o como nunca beijei ninguém, um beijo super apaixonado, um beijo sem reservas, um beijo livre e controlador. Naquele momento era eu que mandava, era eu quem impunha o ritmo daquele momento. Senti que ele se deixou levar, sei que ele gostou da minha iniciativa e não fez nada para a parar. Ele deixou cair as suas costas sobre o sofá levando-me a ficar em cima dele, os beijos sucediam-se e a nossa atraccão era cada vez maior. Sentia uma enorme vontade de avançar, eu estava segura e confiava nele, “porque não avançar?”, as perguntas sucediam-se na minha cabeça até que… Parei… Não fui capaz de mais, a minha cabeça estava a 1000, o meu coração batia de tal forma que quase que me saltava do peito.

- Desculpa se te estava a pressionar. Mas o facto de me dares aquele beijo fez com que a minha racionalidade deixa-se de existir… - disse olhando-me nos olhos.

- A culpa foi minha, deixei-me entusiasmar e entusiasmei-te… Se há alguém que tem de pedir desculpa sou eu… - disse-lhe com as faces já rosadas.

- Não tens que me pedir desculpa, eu amei o teu entusiasmo. Agora sim, eu tenho a certeza que temos uma chance de ficarmos juntos. Tu queres o mesmo que eu e obrigado por confiares em mim. Prometo que não te vais arrepender. Vá, já e tarde… Tu amanhã trabalhas e eu tenho treino.

- Pode parecer parvo e podes gozar comigo à vontade… Mas eu não quero que vás embora. – disse-lhe no meio de um sorriso tímido.

- Não é nada parvo, e nem sabes como é bom ouvir-te dizer isso. Sabes que a minha vontade é a mesma que a tua, mas amanhã é outro dia. E nós a partir de agora vamos ficar juntos. Clarinha, ‘tá feito e agora vais ter de me aturar…

- Será um prazer… Então vá… Se tem mesmo de ser… - levantámo-nos do sofá e fomos até à porta.

- Até amanhã. – dizia ele abrindo a porta.

- Então? – perguntei-lhe agarrando-lhe na mão. – Não te esqueceste de nada?

Ele abriu aquele sorriso enorme, puxou-me para ele e beijou-me novamente.

- Era a isto que te referias? – dizia-me baixinho, enquanto ainda se encontrava a poucos milímetros da minha boca.

- Não. – Respondi-lhe. – Era a isto. – Levei a minha mão ao seu pescoço e puxei-o para mim, colei os meus lábios aos dele, como que numa continuação do que tinha acontecido no sofá, estava a provocá-lo e ele sabia disso.
Quando nos separámos pedi-lhe que me enviasse mensagem quando chegasse a casa. E assim foi, enquanto eu me arranjei para dormir ele lá chegou e enviou-me a mensagem.

“Minha linda, acabei de chegar e já me apetece voltar outra vez para perto de ti. Amei cada momento do nosso dia e por isso tenho a certeza que és a pessoa que eu andava à procura à tanto tempo. És Especial… Amanhã ligo-te para te dar os bons dias e combinarmos o jantar. Adoro-te bj”

Não havia melhor forma de terminar um dia perfeito do que com uma mensagem perfeita. Eu podia estar a superar parte dos meus medos, podia estar a precipitar-me, mas aquele sensação era tão boa…

“Não sei o que se passa comigo, mas se isto for um sonho não me acordes. Obrigado por seres quem és, obrigado por essa enorme paciência comigo. Também amei o nosso dia e tal como te prometi hoje. Tens a oportunidade que tanto me pediste… Sabes que também És Especial. Gosto muito de ti. Um beijo enorme…”

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