sábado, 13 de novembro de 2010

Capítulo 6 - "Bolas"

(Narrado pela Guigui)

- Uma rodada por conta da casa! – gritei eu ainda eufórica com a vitória sofrida, ao mesmo tempo que o Ico me manda um olhar de censura – Ico, é o nosso Benfica!

- É uma vez sem exemplo Guigui! Se repetes pagas do teu bolso. 

- Combinado! – mandei-lhe um sorrisão ao qual ele não resistiu e começou-se a rir – Clara, não te vais esquecer ali do teu cachecol n.º5, não?

- Ah… Não, não vou! – se os olhos matassem a Clara já me tinha morto – Vais precisar de ajuda aí, não é?

- Não, podes ficar aí a fazer companhia ao Ruben! – pisquei-lhe o olho e ela olhou-me com um ar ameaçador.

- Mas o bar tá cheio Guigui. Tens a certeza? – perguntava ela com um ar de suplica.

- Queres ajudar? – respondeu-me abanando a cabeça em sinal afirmativo – Então pergunta aí ao Ruben e ao irmão se querem beber mais alguma coisa? – olhou-me novamente como querendo dizer “és a pior!!”, e voltando-se para eles a perguntar.

- Olha são duas imperiais.

- E para ti? – perguntei-lhe

- Não quero nada. Acho que vou indo.

- Já? – Perguntou o Ruben.

- Sim, ‘tou cansada, tive um fim-de-semana cansativo, e hoje quero dormir cedo, amanhã há trabalho. – argumentou ela.

- Fico triste, tenho pena, gostava de te conhecer melhor. – notava-se que ele ficou com a cara um pouco fechada e o sorriso tinha desaparecido.

- Fica para a próxima, pode ser que nos voltemos a encontrar. – despediu-se e virou costas.

O Ruben tinha ficado visivelmente triste com a partida da Clara, foi então que de repente se encaminha para a porta.

- Mano, onde vais? Olha que ainda não pagámos… - disse o Mauro, no entanto o Ruben respondeu-lhe que já voltava – Pronto foi atrás dela. Ou eu muito me engano ou ‘tá a ficar apanhadinho pela tua amiga. – disse virando-se para mim.

- Pois, mas digo-te já que não vai ser fácil. – disse-lhe

- Então, ela tem namorado é?

- Não, ela não tem namorado. – esclareci-o – Só que a Clara é uma pessoa muito introvertida, que não se atira de cabeça, ela pensa muito nos prós e nos contras. Ela tem demasiado medo de se magoar. E neste caso em particular, vai ainda ser mais difícil… São demasiados contras!

- Pois, a vida dele é complicada. Mas nada impossível de ultrapassar. Há muito que não vejo o meu irmão assim, com tanto interesse ao falar de alguém… Principalmente agora, com esta história da lesão ele anda muito em baixo, mas ontem quando chegou a casa e me falou dela, vi um brilho nos olhos dele que há muito não via. Ela deu-lhe ânimo, mesmo sem saber disso. Se ela realmente gostar dele não perde nada em arriscar.

Eu ia responder ao Mauro, mas ele fez-me sinal e quando olho na direcção da porta vejo o Ruben a aproximar-se cabisbaixo.

- Tens que ser persistente Ruben, não podes desistir já… A Clara é mesmo assim.

Ele olhou para mim e esboçou um sorriso forçado. Mal o conhecia, mas vi uma enorme tristeza no seu olhar. Deixei-o a conversar com o irmão e fui dar uma ajuda no bar. O resto da noite foi animada, mas acabámos por fechar cedo, visto que eu e o Ico tínhamos reunião no dia seguinte para tratar dos preparativos para o dia de Surf das Florinhas.

(Narrado pela Clara)

Cheguei ao pé do carro e ouço alguém a chamar-me, virei-me para trás e reparei que o Ruben vinha já atrás de mim. “Bolas!” pensei eu, “Mas o que é que ele ainda quer?”

- Clara, vens tomar café comigo um dia destes? – perguntou-me.

-Ruben, desculpa mas não acho boa ideia.

- Mas porquê? Só um café, amanhã podes? Vimos aqui se quiseres?

- Não, amanhã está fechado.

- Então vamos a outro sitio, em Belém tem um onde gosto bastante de ir, junto ao rio… - tentou convencer-me.

- Ruben a sério, durante a semana é bastante complicado, saio da empresa tarde, e depois elas no lar precisam da minha ajuda, já para não falar que lá ir depois de um dia de trabalho é bastante gratificante. Pode ser que nos voltemos a encontrar. – dei-lhe dois beijinhos e dirigi-me novamente para o carro.

- Clara?

- Sim?

- Obrigado por este bocadinho.

- Não tens nada que agradecer, foi um prazer. As melhoras, e bom resto de época.

Entrei no carro, liguei-o e segui o meu caminho, vi o Ruben desaparecer pelo espelho retrovisor, e se por um lado me arrependi de negar o pedido dele, ao lembrar-me de quem ele é, segui em frente e tentei não pensar mais no assunto. Cheguei a casa e fui directa para a cama, sabia que se ficasse acordada pensaria naquilo que não queria. No entanto, a última imagem que me veio a cabeça antes de adormecer, foi a daquele abraço a seguir ao golo do Benfica, um abraço espontâneo, que eu não me importava de receber todos os dias.

2 comentários:

  1. realmente quem nao queria um abraço DAquele rapaz!!?

    xDD
    qero capitulo!!

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  2. Coitado do Ruben, vai ter que batalhar pela Clara. Estou curiosa para ver o que vai acontecer.

    Continua...
    Bjs

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