quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Capítulo 20 - "Quem é?"

(Narrado pela Clara)

O dia de Quarta-Feira, assim como o resto da semana, foi normal. Depois do trabalho fui ao lar. Na Quarta-Feira tinha ligado à Sara para ir comigo, mas como ela não podia combinámos para o dia seguinte. No sábado havia jogo em Setúbal e eu e a Sara combinámos ir juntas. Fomos as duas almoçar a Setúbal, fazer umas comprinhas na baixa e depois fomos para o estádio. Ganhámos 0-2, golos de Aimar e Cardozo. A equipa tinha-se portado muito bem e o Ruben tinha feito um jogão. Embora ainda não estivesse na sua melhor forma, tinha feito um grande jogo. Aliás a assistência para o golo do Cardozo tinha sido feita por ele. Saímos de Setúbal e fui levá-la ao estádio. Ela durante a semana tinha cumprido o que me havia prometido: não voltou a falar no Ruben. No entanto, quando chegámos ao estádio e enquanto esperámos que eles chegassem, não resistiu e perguntou-me:

- Não queres vir connosco? Tenho a certeza que vocês se resolviam e ainda por cima o David de certeza que ia gostar de uma saída a quatro…

- Não vou Sara. Já falámos sobre isto, nós decidimos que era melhor pararmos de nos ver.

- Desculpa Clarinha, mas o que eu ouvi foi que tu decidiste. O Ruben disse que ele nem teve tempo para dizer o que quer que fosse, porque estavam a tomar o pequeno-almoço e que de repente saíste disparada.

- Se ele quisesse dizer alguma coisa tinha dito, ainda por cima tinha o meu número de telefone podia ter ligado. Teve a semana toda para o fazer, se não o fez foi porque também achou melhor afastar-se.

- Acho que estão os dois a ser parvos. Gostam um do outro e andam nisto.

- Esquece Sara, acabou.

Nisto o autocarro chega, eles vão saindo e vejo o Ruben. Trocámos um breve olhar e apressei-me a despedir-ma da Sara.

- Vá amiga vai lá ter com o teu menino. Beijinhos

- Ok. Tens a certeza que não queres vir?

- Sim, tenho. Divirtam-se.

- Ok. Depois ligo-te.

Ela saiu do carro, eu olhei para o Ruben uma última vez e saí do estádio.


(Narrado pelo Ruben)

O jogo tinha sido óptimo, sentia-me cada vez melhor a jogar e sabia que o jogo de hoje tinha sido bom a nível pessoal. Aquele centro para o golo do Cardozo tinha-me dado bastante motivação. Sabia que ela ia ver o jogo, o David tinha-me dito que elas tinham combinado ir as duas. Quando chegámos ao estádio e saí do autocarro vi o carro dela, trocámos um olhar e vi-a a falar novamente com a Sara. Ela foi embora e a Sara veio ter comigo e com o David.

- Grande jogo amor… - dizia ela para o David enquanto o beijava.

- Verdade amor, mas quem jogou p’rá caramba hoje foi aqui o Ruben.
Então e as meninas se divertiram hoje?

- Muito! Andava cheia de saudades da Clara. Fomos ao lar de manhã, depois fomos almoçar a Setúbal e enquanto não eram horas de ir para o estádio estivemos nas compras.

- Já vi que foi um dia em cheio para vocês. – disse eu meio desanimado.

- E então, compraram muita coisa? Onde ficaram as suas sacolas? – perguntou o David.

- Ficou tudo com a Clara… Comprámos imensa coisa. Aquela Clara é demais! Mais de metade das coisas que ela comprou foram para a Luisinha. Ela tem um amor àquela miúda…

- Mas é memo. Ela tem uma paciência com crianças. Aquela garota tem um coração enorme. Não desiste dela não mano… - tentou convencer-me o David.

- David, chega dessa conversa. Ela deixou bem claro que não queria nada comigo, agora não vou insistir. Eu sei reconhecer quando levo uma tampa. – eu já estava irritado com aquela conversa.

- Aquilo que ela diz não podes levar a sério. Ela tem medo e enquanto não se sentir segura não se vai deixar levar por aquilo que sente. Depois do que aconteceu com ela, ela ficou com medo de se envolver, de se entregar a alguém. E por aquilo que temos vindo a falar durante a semana, ela só conseguiu voltar a ser feliz, quando passou a ter o dia completamente preenchido, porque só assim é que ela deixou de pensar em certas coisas. Insiste com ela… Eu conheço-a,  podes ter a certeza que ela está a gostar de ti.

- Mas afinal o que é que aconteceu com ela? – perguntei-lhe. Aquela história já me andava a fazer confusão, tanto mistério…

- Desculpa, mas não sou eu que te vou contar. Ela quando achar que é o momento certo, conta-te.

- Então posso esperar sentado! Ela nem fala comigo...

- Já te disse, insiste com ela. Ela vai acabar por ceder. O sentimento já lá está, agora é só lembrá-la.

- Mano ouve a minha gata. Ela percebe do assunto…

Terminámos a conversa e fomos comer qualquer coisa, eu e o David estávamos a morrer de fome. No caminho para o bar onde costumávamos ir depois dos jogos, a Sara lembrou-se que havia uma coisa que ela tinha comprado e lhe fazia muita falta e disse que tinha mesmo de a ir buscar a casa da Clara. Como estávamos todos no mesmo carro lá fomos nós, no caminho ela ligou para a Clara a dizer que ia lá passar com o David. Pouco tempo depois estávamos à porta do prédio da Clara.

- “Quem é?” – perguntava a Clara do outro lado do intercomunicador.

- Somos nós amiga. Abre. – Respondeu a Sara.

- “Subam.”

Entrámos no prédio e eu fiquei à porta enquanto eles foram para o elevador.

- Então mano, cê não vem?

- Não puto, fico aqui. A Sara não lhe disse que eu também estava com vocês e ela de certeza que não vai gostar de me ver.

- Deixa de ser parvo. Anda, não vais ficar ai sozinho. – insistiu a Sara.

Eu lá acedi e entrei no elevador. Tocámos à porta e em menos de um minuto ela já estava a abri-la.

- Oi Clarinha! Então, tudo em cima? – perguntou o David tentando quebrar o silêncio dela pela surpresa de me ver.

- Tudo bem, entrem. – entrámos – Sentem-se. Querem beber alguma coisa? Café, chá…?

Respondemos-lhe que não queríamos nada e elas foram para o quarto buscar as coisas da Sara.

(Narrado pela Clara)

Saí do estádio e fui para casa. Cheguei, comi uns cereais e vesti o pijama. Fui até à sala e deitei-me a ver televisão. Entretanto liguei à Guigui. Ela disse que estava cheia de trabalho e que ía chegar tarde. Quando desliguei recebi uma chamada: era a Sara. Tinha deixado uns sacos no meu carro e precisava de algo que tinha comprado. Pouco depois tocam a porta. Fui abrir e fiquei em choque. A Sara não me tinha avisado que o Ruben vinha e eu fiquei sem saber como reagir. Entraram e eu e a Sara fomos ao quarto buscar as coisas dela.

- Mas olha lá, porque é que não me disseste que ele vinha? – perguntei-lhe.

- Porque não me pareceu importante.

- Pois, pois. Quem não te conheça que te compre. Fizeste foi de propósito, só para eu me encontrar com ele, certo?

- Ai Clara não sejas assim! Tens que ver pelo lado positivo, agora podem resolver as coisas.

- Já te disse que não temos nada para resolver. Já tens tudo?

- Ui, ‘tás com pressa de ir para o pé dele?

- Não sejas parva!

Saímos do quarto e quando vínhamos a descer as escadas a Sara virou-se a dizer:

- Adoro a tua casa, é mesmo muito fixe! Não me importava de um dia viver numa casa assim… E ainda por cima tem uma vista!

- Tivemos imensa sorte quando a encontrámos. O senhor da imobiliária trouxe-nos aqui e nós decidimos na hora. Só ficámos com pena por ter mais um quarto. Ainda andámos a perguntar se alguém precisava de casa, mas não tivemos sorte nesse aspecto… – fiz uma pequena pausa – Olha lá, tu por acaso não queres largar a casa da mamã, ou queres?

- ‘Tás a gozar… ‘Tás a perguntar-me se eu quero vir viver convosco? – questionou-me ela com um sorriso.

- Yah, se quiseres… Eu adorava!

- E a Guigui não se importa?

- A Guigui, achas? Aquela miúda só precisa de casa para dormir, e mesmo assim nem sempre… Além disso sabes como ela adora gente!

- Bem amor, ‘tou vendo que cê ‘tá vindo para pertinho de mim… - dizia o David visivelmente feliz.

- Pois paixão, parece que não vais ter que fazer viagens tão longas para me levar a casa. Posso ir ver o quarto Clara?

- Claro, o quarto é teu…

Agarrou na mão do David e subiram os dois em direcção ao quarto. Fiquei e com o Ruben na sala.

- Bem, parece que estás destinada a fazer os outros felizes…

- Oh, não foi nada. Eu adoro a Sara e tê-la aqui a viver comigo vai ser bom para as duas. Parabéns pelo jogo hoje, para quem recuperou à pouco de uma lesão estás a andar bastante rápido.

- Pois, hoje o jogo correu-me bem. Estou-me a sentir cada vez melhor. – fez uma pausa e continuou – Clara, eu queria dizer-te que não desisti. Eu gosto de ti e cada vez que conheço um bocadinho mais de ti fico a gostar mais. Peço-te desculpa se na Terça-Feira exagerei, mas eu tinha uma vontade enorme de estar mais tempo contigo. Eu não quero que mudes nada na tua vida, só quero que me incluas nela, porque eu também te quero incluir na minha.

- Mas eu pensei que já tínhamos falado sobre isto e que já estava decidido. Ainda por cima tu nunca mais disseste nada…

- Não disse porque pensei que tu não quisesses, mas agora eu sei que tu queres o mesmo que eu. Fazemos assim: eu amanhã tenho folga, será que podes arranjar um tempinho para mim?

- Amanhã vou ao lar, ainda não tenho a certeza das horas. A Sara quer ir comigo por isso tenho que combinar com ela.

- Então e se eu fosse com vocês, importavas-te?

- Claro que não, de certeza que os miúdos íam adorar ver-te…

Continuámos na conversa, a Sara e o David estavam a demorar. Se calhar tinham-se entusiasmado com o quarto… A conversa estava animada. Estávamos a falar do dia de surf e eu fui buscar o portátil para lhe mostrar as fotos que tinha tirado e entretanto ficámos bastante próximos. Trocámos olhares bastante intensos e involuntariamente aproximámos os nossos lábios um do outro. Os meus olhos não descolavam dos dele, estava completamente petrificada, não conseguia recuar. Desisti de resistir, o olhar dele transmitia-me confiança e fechei os olhos…

3 comentários:

  1. Olhem lá vocês querem mesmo deixar-me super curiosa!!!

    Quero mais...

    Continuem estou a adorar!!

    Bjs

    ResponderEliminar
  2. AdOreii..

    FiicO a espera de maiis!! =DD

    BjnhOOs

    ResponderEliminar
  3. estou a adorar a fic

    quero mais capitulos xD

    Bj

    ResponderEliminar