Fui até ao vestiário e vesti o meu fato para ir com o primeiro grupo para a água.
- Esse não é o fato que te dei…
- Ai Tiago, assustaste-me! – ele estava encostado à parede a olhar para mim - Pois não, o fato que me deste pediu reforma, já estava cansadito… - mostrei-lhe a língua.
- Ou isso ou já te fartaste… - disse entre dentes.
- O que é que disseste?
- Estava a dizer que quero estar contigo. – enquanto dizia isto aproximava a sua cara da minha.
- O que é que estás a fazer Tiago? – eu tentava afastar-me mas por esta altura já tínhamos as caras quase coladas.
Já nos conhecíamos tão bem que aquele beijo foi quase natural. Quando estávamos juntos esquecíamos tudo o resto e era exactamente isso que estava a acontecer, até que fomos interrompidos por uma tossidela.
- Desculpem, vinha vestir-me… - dizia o Ruben confuso enquanto entrava com o fato na mão.
- Não tens nada que pedir desculpa. O Tiago já estava de saída mesmo – enquanto dizia isto o Saca saía.
- Pensava que estavas interessada no Javi, não sabia que namoravas com o Saca…
- Não é nada disso! – eu estava um pouco atrapalhada – Eu e o Tiago é uma longa história, que eu conto-te quando tivermos mais tempo. E eu também não estou propriamente interessada no Javi, quer dizer… - não sabia muito bem como havia de dizer aquilo – Sabes, é um pouco difícil de dizer que estou interessada em alguém quando mal conheço essa pessoa. Sei lá, o Javi fascina-me, é verdade. Mas tenho que o conhecer melhor e saber que o caminho está livre e há interesse da parte dele e...
- Muita informação miúda. Calma… – dizia-me ele não conseguindo acompanhar o meu raciocínio.
- Eu sei que tenho este ar avariado, e na realidade é assim que eu sou mesmo, mas tenho que pensar que envolver-me com o Javi não seria como envolver-me com outra pessoa qualquer. Eu não tenho problemas em tomar a iniciativa, mas neste caso se calhar devia pensar com os pés mais assentes na terra, percebes? – ele olhava-me ainda algo confuso – Mas podes sempre sondar e saber se haveria interesse da parte dele… - dei uma gargalhada – E para que conste, digamos que o Tiago é um amigo colorido, que vai passar a um simples amigo no dia em que surgir alguém na minha vida. Então e tu, já falaste com a minha Clarinha?
- Tu és estranha miúda… Não, ainda não tive hipótese de falar com ela, só o normal: olá, tudo bem… – notava uma certa tristeza na sua voz.
- Vais ver que daqui a nada têm um tempinho livre os dois. – sorri-lhe para o tentar animar.
- Tu és uma pessoa porreira Guigui, acredita. A Clara tem muita sorte em te ter como amiga. – esboçava um pequeno sorriso – Obrigado por tudo.
- Não tens nada que agradecer. Agora vai-te é vestir que com isto tudo a criançada deve estar à nossa espera… E vê se me pões um sorrisão nessa cara! – quando acabei sorri-lhe, virei costas e fui até à praia.
Quando lá cheguei o Saca estava com o Ico e os restantes monitores do dia a fazer um aquecimento com as crianças e a ensinar-lhes as bases antes de entrarem na água. Fui até junto deles e quando passei pelo Saca parei e aproximei-me.
- Não voltes a repetir se faz favor. – ele olhou para mim e esboçou um sorriso, ao qual eu não respondi.
Entretanto chegou o Ruben, David Luiz, o Diogo, a Joana Vasconcelos, o Paulo Renan e o Rui Costa que nos iam ajudar com o primeiro grupo. Acabámos o aquecimento e entrámos na água. O Ruben e o David portavam-se pior que as crianças, a atirar água um ao outro. Tive que os chamar a atenção e fazer cara de má, pois as crianças estavam a começar a alinhar na brincadeira e a não prestar atenção ao que lhes dizíamos. Como o David fazia surf foi uma ajuda extra que tivemos. Estivemos na água com aquele grupo cerca de 2h. Quando saímos o Tiago tentou falar comigo mas eu recusei. Não tinha gostado do que se tinha passado e por isso não queria falar com ele.
As crianças tiraram os fatos e fomos até ao bar para comerem qualquer coisa, pois eram já quase 11.30h. O Javi estava também lá e dirigiu-se a mim quando me viu entrar.
- Estou a ver que és profissional!
- Digamos que tu és profissional da bola, eu sou profissional do surf! – disse-lhe em tom de brincadeira.
- Mas acho que logo à tarde te passo à frente! Vou dominar o surf melhor que tu. – não se deixava ficar.
- Hmm… Não acredito muito! Tens que me deixar ser melhor em alguma coisa… - estava a gostar daquela troca de provocações.
- Vamos ver. – aproximou-se do meu ouvido e sussurou – Pode haver muitas outras coisas em que és melhor… – sorri-lhe e ele encaminhou-se para a praia.
- Achas que é mesmo preciso perguntar-lhe se está interessado? – o Ruben tinha-se aproximado de mim neste momento.
- Tenho a certeza de que é preciso perguntares-lhe. – respondi-lhe.
- Ué, perguntar o quê p’rá quem? – o David tinha acabado de chegar também junto a nós.
- Nada não cara! – respondi-lhe tentando imitar o seu sotaque.
- Olha p’rá ela tentando me imitar! Cê é muito engraçada garota… Mas contem p’rá mim… - insistia ele.
- Oh rapaz, deixa de ser curioso. A curiosidade matou o gato, nunca ouviste? São coisas nossas. Pode ser que venhas a saber qualquer dia… - respondi-lhe eu – Vou ficar pelo bar, a Maria também tem direito a ir surfar... Até já!
- Cê é mazinha mesmo… - respondeu-me e foi comer qualquer coisa.
Entre muita brincadeira foi-se passando o dia e eu acabei por apanhar o último grupo no surf. Quando acabei de vestir o meu fato e ía a sair do vestiário choquei contra alguém.
- Desculpa, sou super desastrada. – quando levanto a cara vejo com quem choquei: Javi. Sorriu-me.
- Nisso também sou melhor que tu! Passo os jogos a chocar contra alguém. Agora não sei se hei-de desculpar… - disse provocando-me novamente.
- Não desculpas? Acho que ficamos assim então… - entrei no jogo dele. Aproximei-me e sussurrei-lhe ao ouvido – Até te podia compensar, mas se não queres… - e continuei a caminhar.
- Compensar-me? – travou-me a saída – Qual era a ideia?
- Acho que não estás interessado…
- Não sabes se não tentares. – ri-me daquela frase – Qual é a piada? – perguntou-me curioso.
- Essa frase. É a minha frase, passo a vida a dizê-la. – sorri-lhe mais uma vez – Acho que vou tentar mais tarde. Preparado para surfar?
- Vou-me só vestir e já vou para fora. Já nos encontramos. – sorriu-me e passou a sua mão na minha cara. Aquele toque arrepiou-me e acho que ele percebeu.
- Ok, até já. – respondi-lhe e segui para junto das crianças.
Já lá fora o Tiago tentou falar comigo uma vez mais e uma vez mais eu ignorei-o. Fizemos o aquecimento com as crianças e entrámos na água. Desta vez estavam connosco o Pedro Costa, o Roberto, o Caio, o Fábio, o João Pais e claro, o Javi. As crianças estavam-se a desenvencilhar bem e eu aproveitei para me ir meter um pouco com o Javi e dar-lhe umas dicas. Estávamos entretidos na brincadeira quando o Ico vem ter comigo.
- Sabes o que se passa com o Saca? Desde que entrou este grupo que está estranho e agora mesmo acabou de sair disparado sem dizer nada. – perguntou-me.
- Não, não sei. Vou lá falar com ele. Pede ao David que vos venha ajudar. – respondi-lhe. Dirigi-me ao Javi – Desculpa, mas tenho que ir lá dentro. Já volto. – sorri-lhe.
- Eu espero por ti. – e sorriu-me.
Fui à procura do Saca e encontrei-o no balneário.
- O que é que se passa? – perguntei-lhe.
- Nada.
- Nada? E foi por nada que te vieste embora? Os miúdos ficaram lá, reparaste nisso?
- Sim, desculpa.
- Não é a mim que tens que pedir desculpa. A mim só tens que me explicar o que se passa.
- Não consegues mesmo ver Guigui? A sério que não?
- Não, não consigo. Explica-me!
- Eu digo-te que quero estar contigo e tu passas o dia de volta do teu amiguinho… - disse aquilo tão baixo que tive dificuldade em percebê-lo.
- Isto são ciúmes? ‘Tás a brincar comigo, de certeza! Por favor Tiago, nunca fomos assim. Não quero estar contigo. E sim, estou interessada no Javi. Simpatizo com ele, faz-me rir, gosto da companhia dele. Gostava de tentar assentar um pouco também.
- Eu gosto de ti Guigui…
- Eu também gosto de ti…
- Eu amo-te!
- O quê?!
- Sim, amo-te, qual é o espanto?
- É mesmo esse. Não digas disparates Tiago. Gostas de mim, da minha companhia, dos nossos momentos. Nada mais… - disse-lhe enquanto me dirigia novamente para a praia. Nesse momento ele puxa-me e volta-me a beijar. Desta vez afastei-o e disse-lhe – Não voltes a fazer isso, já te tinha dito. Acabou. Eras o meu porto seguro, deixaste de o ser. És meu amigo agora, nada mais. E neste momento estou bastante chateada, portanto deixa-me sossegada! – voltei-me e segui para a praia.
- Passou-se alguma coisa? – o Javi via que a minha cara não estava tão sorridente.
- Não, nada. – tentei disfarçar – Vamos continuar. Se ficas com preguiça não consegues ser melhor que eu.
Retomámos onde havíamos ficado. Vi o Tiago voltar para a água, para junto das crianças. Ficámos mais um pouco, mas já começava a ficar frio. Saímos da água com as crianças. Fomos levando os grupos à vez para os balneários e demos banho aos miúdos. Por esta altura já as cozinheiras estavam a tratar do jantar. Fui levando os puffs para o bar com a ajuda do Javi, que ficou junto de mim desde a conversa com o Tiago. Esse continuou sempre com o Ico ou com a Maria. Depois de darmos banho a todas as crianças era hora do jantar. Eles portaram-se super bem. Não houve nada de birras nem os habituais “não gosto”. Quando acabaram de jantar sentámo-nos nos puffs e nas cadeiras e pusemos um filme a dar…

Oi meninas,
ResponderEliminarLi agora os capitulos sobre o dia do surf e adorei. Esta história está cada vez melhor.
Estou á espera da conversa do Ruben e da Clara, o que será que vai acontecer?
Continua a postar
Bjs
Ah começo a entender quem é o outo... LOL
ResponderEliminarContinua... estou a gostar imenso!!
Bjs