domingo, 21 de novembro de 2010

Capítulo 16 – O Fim de um longo dia (Parte II)

(Narrado pela Clara)

Fui apanhada de surpresa quando ouvi o Javi dizer que íam dormir a casa do Ruben, ele não me tinha dito nada e além disso tinha ficado de me levar ao lar. Ele reparou na minha expressão e foi então que se chegou a mim e sossegou-me:

- Não te preocupes, eu não me esqueci que te vou levar a casa. Aliás eu esqueci-me foi que eles iam lá dormir.

- Não precisas de ir Ruben, eu vou com a Guigui para casa, depois amanhã ela deixa-me no lar de manhã e eu sigo dali para a empresa. Combinamos ir sair noutro dia. – eu não queria que ele alterasse os planos dele por minha causa.

- Já te disse para não te preocupares, eles vão indo lá para casa, eles sabem o caminho e o David tem a chave por isso não há problema…  Além disso hoje não te livras de mim.

- Mano, me desculpa, mas não vai dar para ir dormir na sua casa. Sarinha me ligou agora e a gente combinou de ir tomar um café. – disse o David.

- Pois eu também não ia para casa já, combinei com a Clara de irmos a qualquer lado e depois vou levá-la, ela ‘tá sem carro. – confessou-lhe o Ruben.

- Porque é que a gente não vai junto? Clarinha cê se importa?

- Por mim não tem problema, mas Ruben… E o Javi?

- O Javi parece que ‘tá com mais vontade de ficar aqui com a Guigui, do que de ir dormir a minha casa.

Assim foi, o Javi ficou com a Guigui e nós fomos ter com a namorada do David. Resolvemos ir a um bar perto da casa do David, onde ele e a Sara costumavam ir. Quando lá chegámos avistei uma cara conhecida, era uma grande amiga minha, tínhamo-nos conhecido por intermédio do Marco e ficamos logo bastante amigas. Depois perdemos o contacto uma da outra e nunca mais nos vimos. Quando ía ter com ela para a cumprimentar, vejo o David a parar junto dela e a dar-lhe um beijo. Quando se soltaram e ela me viu acho que ficou tão espantada quanto eu.

- Clarinha, há quanto tempo!!! – disse enquanto nos abraçávamos. Os rapazes nem queriam acreditar que nos conhecíamos.

- Mas vocês se conhecem? – perguntou David.

- Sim, amor, a Clarinha é uma grande amiga. Então tu é que és a Clara do Ruben.

- Pera lá, eu não sou a Clara de ninguém, metam isso na vossa cabecinha… Já este menino veio com essa história de manhã… Vejam lá se atinam! – quando disse isto, reparei que o Ruben olhava para mim enquanto fazia um leve sorriso.

- Então, sentamos? – questionou o Ruben – Então mas contem lá como se conhecem?

- Um amigo comum que nos apresentou. – disse olhando para a Sara cúmplice – Tornámo-nos grandes amigas, mas à coisa de um ano perdemos contacto.

- Que amigo é esse meu amor? – Perguntou David.

A Sara preparava-se para lhe responder, mas eu antecipei-me.

- Podemos não falar disso David? Tu não conheces a pessoa em questão. – eles repararam que eu não estava muita à vontade com aquele assunto e não continuaram.

Eu e a Sara conversámos bastante, afinal já fazia imenso tempo que não estávamos juntas, e eu contei-lhe das minhas visitas ao lar. Ela ficou maravilhada e combinámos de ela um dia ir comigo. Nós as duas sempre nos tínhamos dado muito bem, tínhamos uma cumplicidade que estava aos olhos de qualquer pessoa e por isso mesmo não passou despercebida aos olhos dos rapazes. Quando demos por eles estavam os dois a olhar para nós.

- Então? – perguntou a Sara.

- Então o quê? – respondeu o David.

- Passa-se alguma coisa? – continuou ela.

- Não, a gente só ‘tava apreciando o vosso papo. ‘Tou vendo que vocês são mesmo grandes amigas.

- Sim, e eu estava cheia de saudades desta miúda. E das nossas conversas. Ruben vê lá se não a afastas mais de mim. – disse ela olhando para o Ruben.

- No que depender de mim, vocês a partir de agora vão se ver muito mais vezes. – fez uma pausa e olhou para mim – Agora que te encontrei podes crer que não te vou largar mais.

Eu instantaneamente corei, fiquei super envergonhada, apeteceu-me sair dali:

- Tenho de ir à casa de banho, já volto.

- Espera, vou contigo.

Olhei para trás e vi a Sara a levantar-se. Ficaram os dois na mesa a conversar.

- Não entendo esse negócio de elas irem no banheiro juntas.

- Esquece meu, coisas de mulher.

- Você deixou ela sem jeito mano.

- Pois já reparei. Não entendo mano, ela está sempre a fugir.

- Tem que dar tempo a ela, aí tem história… Viu como ela ficou bolada quando eu quis saber qual o amigo que apresentou elas?

- Yah! Não sei, há qualquer coisa estranha…

Entretanto na casa de banho, enquanto lavavam as mãos a Sara virou-se para mim e perguntou-me:

- Tu ainda não ultrapassaste pois não?

- Sara pára com essa conversa, já passou imenso tempo. Eu agora estou feliz.

- Se estás feliz porque foges do Ruben?

- Se eu estivesse a fugir, não estava aqui. Não te tinha reencontrado...

- Se não foges porque é que saíste ainda agora da mesa?

- Porque tinha de vir à casa de banho. Eu não estou a fugir Sara, só não me parece certo. Nestes poucos momentos que tenho passado com o Ruben, eu sinto que ele já mexeu comigo, mas é complicado, eu não posso gostar dele.

- Mas porquê? Se começarem a gostar um do outro vocês só têm que aproveitar, as coisas só são complicadas quando nós as complicamos.

- Não é bem assim. Eu não vou aguentar perder outra pessoa Sara, com o Marco já foi demasiado difícil…

- Já estás a fazer filmes! Pára de fazer o que a tua cabeça manda, às vezes temos que seguir o nosso coração. Faz o que te apetece, não ponhas já obstáculos, não cries problemas, deixa-te levar.

- A Guigui disse-me o mesmo… No entanto eu digo-te o mesmo que lhe disse a ela. Se eu e o Ruben continuarmos a sair e se surgir algum interesse das duas partes, eu juro-te que vou tentar não fugir. Vou tentar Sara, tentar… Agora vamos é ter com eles, senão ainda pensam que fugimos…

Regressámos à mesa e eles comentaram logo que tínhamos demorado. Como já se estava a fazer tarde, resolvemos ir embora. Eu e a Sara trocámos os números de telemóvel e ela seguiu caminho com o David.

- Então e agora? – perguntou o Ruben.

- Agora vais-me levar ao lar. É lá que tenho o carro.

- Não, eu deixo-te em casa, já está tarde para ires sozinha para casa, eu deixo-te lá.

- Ruben não dá, eu amanhã tenho de ir para o trabalho e a Guigui não deve dormir em casa, por isso amanhã não me pode levar ao lar…

- Eu passo de manhã por tua casa para te levar.

- Nem penses numa coisa dessas! Tens de descansar, hoje foi um dia muito cansativo.

- Amanhã estou de folga por isso tenho o dia todo para descansar. Não vale a pena continuares… Eu agora deixo-te em casa, amanhã vou-te buscar de manhã e assim até aproveito para começar melhor o meu dia.

- Parvo…

Dei-lhe as indicações do caminho e quando chegámos ele fez questão de me ir levar à porta de casa.

- Pronto, já estás entregue… - disse com um ar tristonho.

- Pensei que o dia tivesse sido bom, mas pela tua cara…

- Agora quem está a ser parvinha és tu. Estou com esta cara, porque já acabou. Eu adorei o dia, adorei as crianças, as actividades e adorei-o ainda mais porque partilhei-o contigo. Tu em pouco tempo já te tornaste bastante especial para mim, mas sempre que eu tento falar contigo sobre isto tu foges. Eu não entendo porquê, mas de uma coisa tu podes ter a certeza, eu não vou desistir.

- Já acabaste?

- Não, falta isto… - assim que acaba de o dizer, aproxima-se bruscamente de mim e beija-me. Não foi um beijo como o que tínhamos dado no bar, foi diferente, mais emotivo, mais apaixonado. Ele queria que eu acreditasse que não ia mesmo desistir e conseguiu. Eu correspondi e deixei-me levar pelo momento, tinha os meus braços à volta do seu pescoço, enquanto ele me agarrava pela cintura. O ambiente começou a aquecer, os nossos corpos estavam literalmente colados e as nossas bocas não se separavam, ele empurrou-me para dentro de casa e fechou a porta. Estávamos bastante entusiasmados, mas de um momento para o outro o ritmo abrandou. Demos conta ao mesmo tempo que aquele momento não poderia ir mais longe. Era muito cedo, ainda nos estávamos a conhecer e não podíamos avançar. Se o fizéssemos algum de nós ainda ia sair magoado e já gostávamos bastante um do outro para deixar isso acontecer. Lentamente separámo-nos e olhámos nos olhos um do outro. Foi então que ele teve a iniciativa.

- Obrigada. Tu és especial e eu quero-te ao meu lado.

- Tu também és especial. – sorri – Posso pedir-te um favor?

- Obviamente.

- Vamos devagarinho… Eu não quero atirar-me já de cabeça numa situação que pode não dar certo. – pedi-lhe

- Claro que vamos devagarinho, eu dou-te todo o tempo do mundo, mas tu tens de me fazer um favor.

- Qual?

- Não fujas.

- Prometo que vou tentar. Agora vá, vai lá embora que tens de descansar e eu também.

- Ok. Amanhã ‘tou aqui às 8h? Tomamos o pequeno-almoço e levo-te ao lar. E estava aqui a pensar, podíamos ir almoçar juntos. Que dizes?

- Digo que és doido! Qualquer dia ‘tás farto de mim. E sim, às 8h ta bom.

- Impossível fartar-me de ti. – deu-me um beijo e despediu-se. – Até amanhã.

- Até amanhã. Ruben? – virou-se para trás – Quando chegares a casa manda-me mensagem, ok? Quero dormir descansada.

- Ok. Beijo.

Dirigi-me ao meu quarto, vesti o pijama e liguei um pouco a tv para fazer tempo até o Ruben chegar a casa. Pouco depois oiço o sinal de mensagem.

“Clarinha já cheguei, já ‘tou super ansioso com o dia de amanhã, já tenho saudades tuas. És especial. Dorme bem fofinha. **”

Sorri e não hesitei em responder-lhe:

“Não sejas outra vez parvinho. Gostei muito do dia de hoje, gosto muito da tua companhia. Também és especial. Dorme bem. Bjs **”

2 comentários: