(Narrado pela Clara)
Segunda-feira, 7.30h
Acordei com o despertador a tocar, levantei-me, tomei um duche e arranjei-me para ir trabalhar. Apanhei a Guigui acordada e estive um pouco à conversa com ela. Bebi um copo de leite e peguei nas coisas para sair.
Cheguei ao trabalho ao mesmo tempo da Bá e do Tiago.
- Bom dia. – dizia-me o Tiago.
- Bom dia meninos. Então, esse fim-de-semana?
- Isso pergunto eu Clara! Pensámos que te encontrávamos no lar ontem, mas disseram-nos que tinhas lá ido de manhã… - dizia a Bá. – E pelos vistos muito bem acompanhada…
- Sim, no sábado fui de manhã porque fui ver o jogo a Setúbal à noite e ontem também fui de manhã porque já tinha umas coisas combinadas para a tarde… - respondi-lhe.
- E então que coisas eram essas? Tinham a ver com a companhia que levaste ao lar? – perguntava a Bá curiosa.
- Vá amor deixa lá a Clara em paz, ao almoço depois falam.
- Depois falo contigo. Até logo.
Já estava a chegar ao escritório e por isso a conversa ficou por ali. Já sabia que com a Bá eu não me livrava, ela não me ia largar enquanto não soubesse tudo. Mas pronto, aturava-a ao almoço. Ela era uma querida e sabia que ela só queria a minha felicidade.
A manhã passou e eu nem dei por isso, no meu pensamento só tinha o dia anterior. Ele era tão querido e eu já estava cheia de saudades. Despertei daquele pensamento com a Bá:
- Clara, vamos almoçar?
- Já? Mas que horas são?
- 13h Clarinha, horas de comer…
- Ok, ok. Nem dei pelo tempo passar. Vamos. – levantei-me da secretária, peguei na mala e fui com eles.
Da minha cabeça não saía que ele tinha dito que me ligava para dar os bons dias e não o tinha feito. Será que estava tudo bem? O dia anterior tinha mesmo acontecido ou sonhei?
Durante o almoço não me livrei da curiosidade da Bá, contei-lhe tudo e fiquei espantada com a sua reacção:
- Clara e quando o contratarem para ir jogar para fora? Vais com ele? Ficas cá sozinha?
- Oh Bá, sei lá. Nós só nos estamos a conhecer, sei lá o que vai acontecer daqui para a frente…
- Isso nem parece teu! Não costumas atirar-te assim sem veres as consequências… Agora apaixonas-te e depois ele baza e tu ficas outra vez sem ter onde te agarrares.
- Bá, vá lá, não exageres.
- Desculpa lá Clara, mas estou a dizer a verdade. Eu adoro-te, tu és uma das minhas melhores amigas e não te quero ver outra vez mal. Esta relação não te vai trazer nada de bom.
- Chega Bá! Fogo, eu ‘tou feliz! Quero voltar a sentir-me viva, sentir que tenho alguém de quem gosto e que gosta de mim. Quero aproveitar… Se tu não entendes isso não posso fazer nada. Se és minha amiga vais respeitar a minha decisão, podes não concordar com ela, mas pelo menos respeita-a.
- Tu é que sabes.
Ficámos o resto do almoço em silêncio, a Bá viu que tinha exagerado e não disse mais nada. Eu não lhe queria dar razão, mas a verdade é que o Ruben não me tinha ligado e eu estava a desesperar. Será que tinha mudado alguma coisa?
Voltámos para o escritório sem trocar qualquer palavra. A Bá seguiu mais a frente e o Tiago ficou ao pé de mim.
- Não podes levar a mal o que ela disse. Ela só não quer que sofras mais.
- Eu sei, só tenho pena que ela não compreenda que eu agora estou feliz…
- Ela sabe e adora-te.
Não lhe respondi, apenas seguimos em direcção aos nossos gabinetes.
Estava eu no meio da minha papelada, quando de repente oiço o telemóvel. Atendi:
- Estou…
- Olá minha linda…
- Olá.
- Acreditas que já ‘tou com saudades tuas…
- Vá, deixa-te de coisas.
- Então e dormiste bem?
- Ruben, deixa-te de conversas de namorados, ok?
- Mas o que é que te deu Clara? ‘Tá tudo bem?
- Está tudo bem. ‘Tou cheia de trabalho…
- Está bem, vou deixar-te trabalhar. Só quero que saibas que o dia de ontem existiu e não me vou esquecer do que prometeste.
- Eu também não me esqueci nem do dia de ontem, nem do que te prometi. Pena não te lembrares de tudo.
- Clara do que é que ‘tás a falar. ‘Tás chateada comigo? O que é que eu fiz?
- Não fizeste nada Ruben. Eu é que estou a ver coisas onde elas não existem, esquece. Agora estou a trabalhar, podemos falar depois?
- Não te estou a entender Clara. Mas ok, falamos depois.
Desligámos, eu estava irritada. Ele tinha dito que me ligava de manhã e acabou por não ligar. Aquele telefonema a meio da tarde fez despoletar uma série de indefinições e perguntas. Com aquela atitude parecia que era uma namorada super controladora e possessiva e eu não era nada disso. Ele nunca me tinha tratado mal e eu fi-lo ao telefone. Aquele homem não merecia aquilo…
Durante o resto da tarde não parei de pensar naquilo, na forma como o tinha tratado. A única razão que eu encontrei para o ter tratado daquela maneira foi a conversa que eu tinha tido ao almoço com a Bá. Ela tinha-me lembrado o porquê de eu não me deixar levar, ela sabia que mal ele fosse embora eu ía sofrer. Eu não sabia o que fazer, já estava envolvida demais, qualquer separação agora já ia trazer sofrimento. Eu não tinha certezas de nada a não ser que agora estava feliz e que já gostava do Ruben, ele já tinha um lugar no meu coração… Sem dar por isso comecei a sentir as lágrimas a caírem, todas aquelas incertezas e medos estavam de volta. Ouvi o som do telemóvel, era a Sara:
- Sim amiga.
- Olá Clara, tudo bem?
- Sim… E tu?
- Eu estou bem, não estou é a gostar dessa vozinha… Aconteceu alguma coisa?
- Não, está tudo bem. Vais comigo ao lar logo, é?
- Sim, era para isso mesmo que eu te estava a ligar.
- Apanho-te onde?
- Não é preciso me apanhares. Eu estou em casa do David, vou ter contigo ao lar.
- Mas ele vai-te levar?
- Não, vou de autocarro.
- Então eu vou-te buscar. Manda uma mensagem com a morada dele.
- Ok. Obrigada Clarinha, és um anjo…
- ‘Tá bem… E que anjo… Beijos, até já.
- Beijos.
Às 18h saí do trabalho e fui apanhar a Sara. Cheguei ao prédio do David e liguei-lhe:
- Amiga, já estou aqui em baixo…
- Clarinha, estou um bocadinho atrasada, importaste de subir?
- Eu posso esperar aqui, não tem problema.
- Oh, isso não tem jeito nenhum, sobes sim…
Ela disse-me o andar e o número da porta e lá fui eu. Quando cheguei à porta toquei à campainha. Ela veio logo abrir.
- Clarinha desculpa, prometo que não demoro. Olha, o que é que tens? Notei-te tristinha ao telefone... – dizia ela enquanto ía andando para a sala.
- Nem me digas nada. A Bá primeiro quer saber as coisas, depois conto-lhe e ela resolve dar-me na cabeça. Hoje ‘tou num dia não. – quando acabo de falar chegamos à sala. Fico pasmada a olhar para o sofá.
- Oi Clara, já deu p’rá entender que hoje não é seu dia…
- Olá. Sim, hoje não. O dia começou logo mal, porque alguém prometeu-me que ligava a dar os bons dias e nada…
O Ruben, que estava sentado ao pé do David, de repente sorri.
- David anda cá, preciso da tua ajuda… - chamava a Sara.
- Senta aí Clara, a gente não demora não.
Ele foi ter com a Sara, e nós ficámos os dois na sala. Eu sabia que tinha sido bruta ao telefone e que tinha exagerado, mas não sabia o que dizer. A conversa com a Bá não me saía da cabeça…
- Então aquele stress todo há bocado foi por eu não te ter ligado de manhã?
- Não sei de que é que estás a falar. – fiz-me de desentendida.
- Clara, eu não liguei de manhã porque saí de casa sem telemóvel. Depois só quando cheguei a seguir ao almoço é que pude ligar…
- Eu não tenho nada a ver com isso, tu não tens obrigação nenhuma comigo.
- Não é uma questão de obrigação, é uma questão de querer. Eu queria ter ligado, mas saí atrasado e sem telemóvel. Desculpa…
- Não te preocupes… Eu também tenho de te pedir desculpa, exagerei ao telefone e descontei em cima de ti. O dia não me correu muito bem.
- Desculpas aceites, quem nunca teve um mau dia de trabalho? Queres contar-me o que se passou? Pode ser que eu possa ajudar…
- Puder até podes, mas eu não quero… São assuntos que eu tenho de resolver sozinha.
- Pronto, se tu o dizes… Clarinha, não estás esquecida de nada?
- Sim, desculpa. – cheguei mais perto dele e dei-lhe um beijo na bochecha.
- Ai é só isso a que eu tenho direito? – perguntou-me incrédulo.
- Cada um tem aquilo que merece.
- Ai cada um tem o que merece? Ok… Olha, vamos jantar onde?
- Vamos o quê?
- Jantar! Vamos jantar onde?
- Onde tu vais jantar não sei, eu vou jantar a casa… Agora vou ao lar e depois vou para casa.
- Então e se, enquanto tu vais ao lar, eu for para minha casa e preparo lá qualquer coisa para comermos? Quando saísses ías lá ter e jantávamos…
- Eu acho que não é boa ideia… Amanhã é dia de trabalho e tu também tens treino…
- Oh Clarinha, por favor… Ainda por cima tenho jogo na quarta-feira e se me queres em forma, tens de me dar uns miminhos…
- Ruben, por favor nada! Até parece que no sábado precisaste de mimos. E já agora, não és crescidinho demais para querer mimos?
- Precisar até precisei, tu é que não estavas disposta a dar… Imagina só: se eu joguei bem no sábado sem me dares mimos, imagina como não jogaria se tivesses dado… Quanto a ser crescido para os mimos, depende de quem os dá, se for a minha mãe, sim já sou crescido. Se fores tu…
- Pois, pois. Mas está bem, para bem do meu Benfica eu aceito o convite…
- Vais ao jogo certo?
- Claro, não o perdia por nada…
Nisto aparece a Sara e o David.
- Então meninos que estão a falar? – perguntava a Sara.
- Estava a perguntar a Clara se vai ver o jogo na quarta-feira…
- E então? Vais, não vais?
- Claro.
- Então podemos ir juntas…
- Isso é que eu acho mais difícil. Acho que já não há bilhetes lá para ao pé de mim… Mas tu tens um namorado que de certeza te põe a ver o jogo onde quiseres.
- Mas que bilhete? Cês vão é p’ró camarote. – interrompeu-me o David.
- Pois. – concordava o Ruben.
- Para onde? Para o camarote? – eles abanaram a cabeça de forma afirmativa. – Mas é que vocês nem pensem! Então eu pago o Redpass e agora ía para o camarote? Claro que aquilo lá não tem nada a ver, mas daí até eu ir para lá…
- Clara, acho melhor não discutires com eles. Eles quando se juntam ninguém é mais teimoso que os dois. – avisava-me a Sara.
- Ouve ela… - Dizia o David.
- Não me interessa. Eu não vou para o camarote.
- Clara não sejas assim, assim até podíamos ver juntas…
- Mas podemos ver juntas… Pedes aí ao David e tenho a certeza que ele consegue meter-te lá ao pé de mim.
- Podes-me dizer qual é o teu problema em ires para o camarote? – perguntou o Ruben já chateado.
- Não tenho problema nenhum. Só acho que o camarote é o sítio onde deve estar a família e namoradas dos jogadores. E eu não me sinto bem lá, além disso se gastei dinheiro no Redpass no início da época agora não vou deixar de o usar. – protestei eu.
- Por favor Clara. Sou eu que te estou a pedir… Vem lá…
- Sim Clara, se não vais ver o jogo no camarote por mim, ao menos vai pela Sara. – disse o Ruben com ar desolado.
- Epah, mas vocês são teimosos… Já disse que não vou. Acabou a conversa!
- Ok, tu é que sabes… - a Sara reparou que eu já estava chateada e não insistiu. – Ainda queres ir ao lar ou vamos jantar todos?
- Isso é que era uma boa ideia amor, ‘tou morrendo de fome… - respondeu-lhe o David.
- Vão vocês jantar, eu vou ao lar.
- Pô, mas porque não vem com a gente? – perguntava o David.
- Então eu vou contigo. Amor vão vocês jantar, quando sairmos do lar depois eu ligo-te… -
- Sara, vai com eles, não tem problema…
- Porque não vens jantar connosco Clara? – perguntava o Ruben.
- Eu tenho que ir ao lar, não me sinto bem se não for lá. Mas a sério Sara, vai com eles.
- Só vou com eles se depois fores ter connosco.
-Pô, cê hoje tá do contra… - dizia o David
Eu ía falar, mas entretanto o meu telemóvel começa a tocar.
- Desculpem… Estou?
- Olá bebé…
- Oi Guigui. Então como foi a folga?
- Foi óptima, olha estou aqui com o Javi, e…
- ‘Tás com quem? Tu disseste Javi? – interrompi-a.
- Vá parva, não gozes. Olha, querem vir jantar connosco?
- Lindinha eu não posso, mas estou aqui com a Sara, o David e o Ruben e eles estavam a pensar ir jantar. Vou passar a Sara para vocês combinarem.
- Nem penses Clara, tens de vir connosco!
- A sério Guigui, eu tenho de ir ao lar. Vou passar à Sara. Beijinhos. – passei rápido o telefone, eu sabia que ela ia insistir e não era isso que eu queria.
O Ruben abeirou-se de mim:
- Vais deixar que eu vá sozinho com eles os quatro? – perguntou-me.
- Oh Ruben, não me ponhas nessa posição… Eu não posso ir ao lar só quando quero ou preciso, eles precisam de toda a ajuda possível e estão a contar comigo.
- Ok, eu não insisto mais. Mas depois vais lá ter certo?
- Sim, eu depois vou-te lá salvar…
- Não precisas de me ir salvar, eu vou contigo ao lar. E depois vamos ter com eles.
- Não vais não, tu vais com eles e vais-te divertir. Eu despacho-me e vou ter com vocês.
- Não disseste que eles precisam de toda a ajuda possível? Então eu vou contigo! Eu estou disponível e assim tenho a certeza que vamos lá ter depois.
- Se insistes…
Despedimo-nos da Sara e do David e seguimos em direcção à minha casa. Ele obrigou-me a deixar lá o carro e fomos no carro dele para o lar. Chegámos e já as crianças estavam a jantar.
- Boa noite… - cumprimentei-os quando entrei no refeitório juntamente com o Ruben.
- Finalmente menina Clara! Estava-me a perguntar onde andavas, saíste do escritório logo às 18h, pensei que tivesse vindo logo para aqui. Mas já reparei que a menina agora com namorado novo esqueceu aqui os pestinhas… - disse a Bá mal me viu na companhia do Ruben.
Quando a Luísa me viu, levantou-se rapidamente da mesa e veio abraçar-me. Saltou para o meu colo e deu-me um enorme beijo, viu o Ruben e quis logo ir para o colo dele. Ele pegou nela e deu-lhe também um beijinho. Ela perante as palavras da Bá perguntou-me:
- Vocês são namorados?
- Não meu amor… A Bá estava a brincar. – respondi-lhe.
- Oh… Gostava tanto que fossem namorados… - dizia ela enquanto olhava para nós.
- Vá, toca a ir para a mesa acabar de comer. – disse-lhe.
Ela seguiu para a mesa. Nós ajudámos as crianças a comer, mas aquilo que a Bá tinha dito quando lá cheguei não me saía da cabeça. Resolvi ir ter com ela para falarmos.
- Quero falar contigo. Vem até ao salão… - disse-lhe, cheguei ao pé do Ruben e disse-lhe, - Já volto, tenho só de falar com a Bá.
Ele não respondeu, dirigi-me para o salão e ela veio atrás de mim.
- Mas olha lá, o que é que te deu? Agora deu-te para implicares comigo foi? – perguntei-lhe.
- Implicar contigo? Não, eu só te quero abrir os olhos. Estás a cometer um erro Clara, ele não é homem para ti… Ele mal tenha outro divertimento larga-te ou então tem uma proposta para ir jogar para fora e vai. E tu ficas cá. – respondeu-me.
- Bárbara por favor, respeita a minha decisão. Podes não concordar com ela, mas respeita, é a única coisa que te peço. Até pode acontecer o que estás a dizer, mas pelo menos eu tentei ser feliz. Eu não me posso fechar em casa, ou fechar me para um relacionamento, eu tenho que tentar ser feliz, tenho que me dar uma oportunidade percebes?
- Clarinha, eu adoro-te e eu sei que és tu quem vai sofrer no meio desta história toda. Ouve o que te digo, afasta-te enquanto é tempo…
- Desculpa mas a minha decisão está tomada, se te deixar mais confiante posso-te dizer que ele prometeu-me que não me magoava nunca e eu acredito nele.
- Mas tu não podes acreditar em tudo o que ele te diz, é óbvio que ele ía prometer isso… Clara, tu até já te esqueces dos miúdos…
- Isso eu não admito que tu digas Bá, eu nunca me esqueci dos miúdos. Sabes como eles são importantes para mim, sabes como eu me sinto grata por os ter na minha vida. De uma coisa podes ter a certeza, eu nunca me vou esquecer deles, percebes?
- Ok, desculpa. Exagerei, mas por favor amiga, pensa bem. Ele vai-te fazer sofrer.
- Não vai nada, eu confio nele. Confio nele e na Sara, ela é super amiga dele e se ela me apoia nisto é porque eu posso estar descansada.
- Que Sara? A Sara? – perguntou espantada.
- Sim, a Sara…
- Mas será que essa miúda está sempre no meio das tuas relações falhadas?
Quando ouvi isto nem lhe respondi. Como é que ela tinha sido capaz de dizer aquilo? Como é que ela tinha sido capaz de comparar as coisas? Não fui capaz de proferir qualquer palavra. Sem dar conta senti uma lágrima a cair dos meus olhos. Ela notou que tinha tocado no meu ponto mais fraco e por isso não continuou. Eu saí e fui directamente para a rua, estava nervosa e confusa, as lágrimas soltavam-se dos meus olhos sem que eu as conseguisse parar. Fiquei ali sozinha durante uns minutos para tentar acalmar me.
- Clara? – ouvi o Ruben. – Está tudo bem? – dizia enquanto vinha ter comigo.
- Não me estou a sentir muito bem. Desculpa ter vindo para aqui sem te avisar.
- Queres falar? Eu estou aqui para o que for preciso… - quando ele acabou de falar abracei-o, como eu estava a precisar daquele abraço. Ele notou e apertou-me de tal forma que senti conforto e cumplicidade naquele abraço.
- Sim, eu sei. Acredita que só o facto de estares aqui agora já é o suficiente. Desculpa o que a Bá disse, ela fala sem pensar. Não o faz por mal, ela só tem uma opinião diferente da minha. Não leves a mal por favor.
- Não te preocupes com isso. Com o tempo vais ver que ela muda de opinião.
Ficámos mais algum tempo ali os dois. Até que fomos para dentro, eu estava super chateada com a Bá e o facto de estar a partilhar o mesmo espaço com ela estava a roer-me o juízo. Mas não era só isso, eu senti que o Ruben também não se sentia confortável com aquela situação e decidimos ir embora. Despedimo-nos e fomos para o carro.
- Mais calma? – perguntou-me.
- Sim.
- Queres que te deixe em casa?
- Não, quero ir ter com eles, ou tu queres ir para casa?
- Não, eu estou bem. Só perguntei por ti.
- Então vamos.
Ele ligou o carro e seguimos. O silêncio instalou-se até eu o ter quebrado.
- Desculpa mais uma vez o que a Bá disse.
- Já te disse que não há problema. Mas já agora, quando dizes que ela tem uma opinião diferente da tua é em relação a mim, certo?
- Sim, ela acha que me estou a precipitar. Ela acaba por ter razão, mas eu estou farta de desperdiçar a minha vida, eu não me quero arrepender do que não fiz, só para evitar sofrer. Eu sinto-me bem contigo e eu quero aproveitar isso. Quando acabar, acabou e eu posso sofrer, mas ao menos sei que tenho momentos que me fizeram feliz e que posso recordar.
- Eu prometi que não te iria magoar e prometo de novo. Eu neste momento gosto de ti e os momentos que passo contigo também me fazem feliz. Juro-te que se algum dia os meus sentimentos mudarem, vais ser a primeira pessoa a saber. Eu vou-te respeitar sempre, aconteça o que acontecer…
Quando acabou de o dizer já estávamos à porta do restaurante.
- Obrigado. Eu também gosto muito de ti.
Saímos do carro e entrámos no restaurante. O Ruben disse ao empregado que tínhamos uns amigos à espera e ele lá nos indicou o caminho da mesa.
GOsteii!!
ResponderEliminarPOsta rapiidO!!
BjnhOO
Lindo!!!
ResponderEliminarQuero mais...
continuem...
bjs
lindo...
ResponderEliminarquero mais...
posta mais hoje por favor...
continua...
tou completamente viciada e tou adorando a tua fan fic...