sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Capítulo 3 - A Visita

(Narrado pela Clara)

A Sexta-feira tinha passado normalmente, entre trabalho e a visita ao lar.
Tinha chegado o grande dia, e estava muito feliz, primeiro porque o lar ia restaurar o seu ginásio, um espaço que toda a criança gosta, e onde elas podem soltar toda a sua energia e infantilidade; segundo porque via mais uma vez o meu Benfica a associar-se a uma iniciativa deste género; terceiro, porque como é óbvio representantes e atletas do Benfica iam à instituição e iam fazer a delícia das nossas crianças.
Eram 8.30h quando saí de casa com a Guigui, chegámos ao lar que estava num reboliço, a Joana já tinha avisado que não vinham jogadores de futebol, pois como no domingo havia jogo na Madeira, eles tiveram que viajar nesse dia de manhã. No início as crianças ficaram um pouco desconsoladas, no entanto ao saberem que o Presidente vinha, e alguns jogadores de futsal também, rapidamente voltaram ao seu estado de euforia, afinal eram pessoas do Benfica que vinham visitá-los.
Já estava tudo preparado, quando de repente entra no salão principal o Miguel, a correr e aos gritos:

- Chegaram! Chegaram! – dizia entusiasmado.

O Tiago vinha mais atrás, num passo mais lento, dirigindo-se à Joana:

- Joana, eles já chegaram, vamos recebê-los?
- Sim. – respondeu-lhe e dirigindo-se para a porta – Meninas vocês também, vamos todos! – disse ela olhando para mim, para a Bá, para a Guigui e para as auxiliares do lar.

Quando chegámos à rua ouvíamos as crianças a gritar, à frente vinha o Presidente Luis Filipe Vieira, logo atrás vinha o Presidente Executivo da Fundação o Dr. Carlos Móia e mais atrás 3 atletas de futsal do Benfica, o guarda-redes Bebé, o capitão Pedro Costa e o brasileiro Davi. As crianças estavam eufóricas, e rodeavam os jogadores de futsal pediam-lhes autógrafos, faziam perguntas, e nem reparam que havia ainda alguém que se aproximava, esse alguém não era muito alto, e a sua cara não era desconhecida. A Luísinha que se encontrava ao meu lado e que viu o mesmo que eu, de repente começa aos pulos e a gritar:

- É o Ruben Amorim, é o Ruben Amorim!! – dizia ela toda contente.

Ele juntou-se aos restantes elementos do clube, os miúdos não se calavam e por isso mesmo chamámo-los todos para dentro pois iríamos dar inicio às actividades que tinham sido preparadas ao longo da semana.

Foi então que a Joana se apresentou:

- Bom dia Sr. Presidente, é com um enorme prazer que vos recebo, chamo-me Joana sou assistente social e Directora do Lar “Florinhas”, desde já agradeço a vossa visita e disponibilidade de nos ajudar na reconstrução do nosso ginásio.

- Eu é que agradeço Dra. Joana, e quero em nome do Sport Lisboa e Benfica e da Fundação dar-lhe os Parabéns pelo trabalho desempenhado na educação destas crianças.

- Muito obrigado Sr. Presidente, vamos entrando?

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Já as crianças estavam todas sentadas no chão quando entrou a Joana acompanhada pelos jogadores e os representantes do Benfica.
Tínhamos preparado um convívio em que as crianças faziam perguntas aos atletas e eles respondiam. Claro que escusado será dizer que o mais solicitado era o Ruben.

- Ruben, com que idade começaste a jogar à bola? – perguntava o Miguel.

- Olha comecei quando era mais novo que tu, o meu pai levou-me às escolinhas do Benfica e eu fiquei lá a jogar…

- Mas tu antes jogavas no Belenenses não era? Porque é que saíste do Benfica? – perguntou o Guilherme que já tinha 15 anos.

- Sim, houve uma altura em que haviam muitos jogadores no Benfica, e então eles tiveram que dispensar alguns, e então eu tive que passar por outros clubes, até fui treinar ao Sporting, mas depois não quis lá ficar. Mais tarde fui para o Belenenses, comecei a jogar bem e o Benfica contratou-me outra vez.

- Então tu és do Benfica desde que eras assim pequenino, como eu? – questionou a Luisinha meio envergonhada

- Sim, eu sou sócio do Benfica desde bebé.

- Tás a ver Clara, ele é como tu, agora já percebi porque dizes que ele é o teu jogador preferido… – disse ela olhando para mim, e fazendo com que todos na sala pusessem os olhos em mim. Eu senti as minhas bochechas a ficarem quentes, detestava ser o centro das atenções, e com apenas aquela afirmação a Luisa pôs toda a gente a olhar para mim, eu sorri de forma quase obrigatória.

A Joana que já me conhecia bastante bem, e viu o meu desconforto com a situação, chegou-se perto dos jogadores, e pediu a todos que se dirigissem para a rua pois iriam começar as actividades seguintes.

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(narrado pela Guigui)

Depois de as crianças inundarem os atletas com perguntas, às quais eles responderam sempre muito simpáticos, iniciou-se um pequeno jogo em que crianças e atletas se estavam a divertir bastante. Como o Ruben Amorim ainda estava a recuperar da lesão que tinha contraído e que o tinha impossibilitado de ir jogar à Madeira, decidiu que iria arbitrar o jogo, para poder participar também nas actividades com as crianças. Enquanto o jogo decorria a Clara estava com a Joana, o Presidente Luís Filipe Vieira e o Dr. Carlos Móia a falar sobre a importância destas iniciativas neste tipo de estabelecimentos. Eu aproximei-me, começando a prestar atenção à conversa, até que tive uma excelente ideia…
- Dra. Joana, tenho uma proposta a fazer-lhe!

- Margarida, antes de mais trata-me por tu e nada de Dra.…

- Combinado! Mas continuando… Sabes que não participo tão activamente como a Clara no apoio ao lar, mas cada vez que cá venho e vejo a alegria destas crianças com gestos tão pequenos e que não custam nada da nossa parte, sinto-me verdadeiramente feliz, porque estas crianças são os seres mais verdadeiros que conheço. – todos olhavam para mim conscientes da realidade do que eu estava a dizer e expectantes de qual seria a minha proposta – E é por isso que gostava de propor que passassem um dia na Costa da Caparica para aprenderem a surfar.

- Margarida, fico muito feliz com essa proposta, mas sabes que é complicado, são muitas crianças e o Surf é uma actividade algo perigosa… Uma iniciativa deste género exige muita responsabilidade…

- Eu sei Joana, é por isso que a minha proposta não acabou ainda… Nós temos um professor de Surf fantástico e eu própria faço também Surf já há alguns anos e posso ajudar, mas entretanto lembrei-me de, mais uma vez e se o Sr. Presidente aceitar claro, convidar os atletas do Benfica a participar nesta iniciativa. Eu sei que o clube tem uma equipa de Surf e que mesmo alguns outros atletas são praticantes, portanto eles também poderão dar algum apoio técnico nesta área. Depois todos os outros atletas poderão participar, não só como apoio a cuidar das crianças, mas também a praticar a modalidade… Seria uma iniciativa vantajosa para todos, o lar proporciona mais um dia diferente para as crianças e jovens, o Sport Lisboa e Benfica associa-se a mais uma iniciativa de Solidariedade Social e o bar patrocina com muita alegria esta iniciativa.

- Dra. Joana, não sei qual é a sua resposta, mas julgo que esta jovem teve uma ideia fantástica e adianto desde já que seria com enorme prazer que nos associaríamos a mais uma iniciativa com a vossa instituição. – disse o Presidente Luís Filipe Vieira.

- Margarida, vejo que pensaste em todos os pormenores, e posso já informar-te que seria impossível não aceitar essa proposta. Fico muito contente por ver outras instituições a colaborarem connosco e a participarem na alegria das nossas crianças. Agradecia que passasses aqui no lar na Segunda-Feira para falarmos melhor sobre esta proposta. E se o Sr. Presidente ou um seu representante pudesse também comparecer eu agradecia, para que conseguíssemos fazer um agendamento tendo em atenção a disponibilidade tanto do Benfica como do bar. – Notava-se no olhar da Joana uma enorme felicidade por poder participar com as suas crianças neste tipo de actividades.

- Podemos combinar então para Segunda-Feira às 10h? – diz o Presidente enquanto procurava algo no telemóvel - Vou marcar já com a Dra. Mafalda Castro, a nossa responsável pela Organização de Eventos.

- Por mim não há problema, até calha bem porque aproveito a folga do bar.

- Fica então marcado para Segunda-Feira às 10h. Agradeço desde já tanto a ti Margarida como ao Sr. Presidente, pelo apoio prestado ao nosso lar.

A conversa continuou a decorrer e só agora reparei que a Clara se tinha afastado de nós e via as crianças a jogar. Sem ela dar por isso o Ruben aproximou-se dela…

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