(Narrado pela Clara)
Eram 10.30h, estava eu a fazer um relatório quando oiço o telemóvel a tocar, era a Guigui:
- Fala miúda...
- Isso é forma de me atenderes o telefone? – resmungou ela.
- Amiga a sério fala rápido, tenho muito que fazer.
- Olha, ia-te perguntar se queres vir almoçar comigo, mas se estiveres muito ocupada… - disse desanimada.
- Eu tenho sempre que almoçar, por isso, almoçamos onde?
- Estava a pensar almoçarmos aqui no bar? Pode ser?
- Sim. Então vá, 13.30h aí, pode ser?
- Ok. Beijassa. Até logo.
- Beijinhos.
Desligamos e continuei o que estava a fazer. Não me apetecia nada ir para a Costa, mas há tanto tempo que não tínhamos um momento só das duas, no inicio quando fomos morar juntas passávamos imenso tempo na conversa e na palhaçada, de há um tempo para cá, andávamos mais ocupadas, parece que íamos a casa apenas dormir, e quando combinávamos alguma coisa, não éramos só as duas, havia sempre alguém connosco. Aquele almoço ia-nos fazer bem, e eu também precisava de falar com ela, desabafar o que tinha acontecido no dia anterior…
Quando dei por mim, tinha a Bá à porta do gabinete:
- Eu e o Tiago vamos almoçar, vens? – perguntou.
- Não amiga, combinei ir ter com a Guigui, vamos almoçar as duas.
- Está bem, então até logo. Diverte-te…
Ela saiu, eu saí também pouco depois. Conduzi até ao bar da Guigui, e quando lá cheguei já ela tinha tudo preparado. Almoçamos, e tivemos as nossas brincadeiras. No fim do almoço, fui tirar o meu café, voltei para a mesa, e resolvi puxar o “assunto Ruben”.
- Nem imaginas com quem vou jantar logo… Ou melhor, nem imaginas quem estava ontem no lar quando eu lá cheguei…
- Ui, da forma como falas… Não me digas que foi o Sr. Ruben Amorim? – atirou ela à sorte, sem imaginar que tinha acertado em cheio.
- Mas como é que sabias?? Foste tu que lhe disseste para ir lá, não foste? – perguntei-lhe.
- ‘Tás a gozar… Foi mesmo ele? Clarinha, eu não lhe disse nada, juro-te… – nem ela acreditava que tinha acertado.
- Sim, ele foi lá. Mas não é tudo… Foi lá e ainda ofereceu ao lar um projector e um sistema de som com leitor de DVD… Mandou montar aquilo tudo e os miúdos ainda conseguiram ver um filme depois de jantar… - contei-lhe.
- A sério?! ‘Tou completamente parva… - disse-me ainda sem acreditar no que tinha acabado de lhe contar. – E tu ‘tas a ficar apanhadinha… Ele mexeu com esse coraçãozinho… - disse-me já a rir.
- Oh! Não sejas parva. Fiquei admirada, só isso, aliás eu já sabia que ele era assim, já saiu em mais que uma revista que ele de vez em quando está ligado a acções de solidariedade. Só nunca tinha presenciado. Subiu ainda mais na minha consideração! Subiu, não vou esconder… Mas só isso, qual ficar apanhadinha… Tu conheces-me, sabes que é preciso bem mais para me apaixonar. E agora vá, tenho que ir embora. – disse-lhe levantando-me da mesa – Trabalhas logo à noite? – perguntei-lhe.
- Pois D. Clara fuja da conversa… Sim, logo trabalho, devo chegar tarde. Até logo. – repondeu-me, e eu virei costas dirigindo-me para a porta – Ah, Clara? – Chamou-me novamente.
- Diz.
- Então e vais jantar com ele porquê?
Virei novamente costas e fui-me embora. Cheguei à empresa, fui para o meu gabinete e segundos depois aparece o Tiago à porta.
- Clara, logo a noite jantar com o Dr. José Oliveira, temos que fechar o negócio rapidamente com ele. – Informou-me.
- Logo à noite Tiago? E só agora é que me avisas? – questionei-o, tinha combinado o jantar com o Ruben, como é que eu ia ter coragem de lhe dizer que afinal não podia ir?
- Sim, logo. Desculpa dizer-te em cima da hora, mas ele ligou-me à bocado a dizer que estava em Lisboa e que vai embora ainda hoje para o norte. Consegui convencê-lo a ir jantar connosco. Este jantar tem mesmo que dar certo, está muita coisa em jogo, e tu sabes disso. O jantar ficou combinado para as 20h, vamos à “Tia Matilde”, apanho-te em casa?
- Sim. Estou pronta às 19h. Precisas que prepare alguma coisa? – perguntei-lhe.
- Não, confirma só os valores, para logo estarmos prevenidos. Às 19h estou à tua porta. Até logo.
“Estou completamente lixada”, pensei eu, “ainda por cima como é que eu o vou avisar?”. Não tínhamos trocado números nem nada, toda aquela situação não me saiu da cabeça o resto da tarde. Eram 18h quando saí da empresa. Tinha que me despachar, pois o Tiago estaria dali a uma hora em minha casa para me ir buscar. Resolvi passar no lar, para falar com a Joana, pedi-lhe para avisar o Ruben do que se tinha passado, para lhe pedir imensas desculpas, mas que era uma situação que não estava ao meu alcance. Fui para casa, tomei um duche rápido e vesti-me. Escolhi algo que não desse muito nas vistas, algo formal mas ao mesmo tempo discreto.
O jantar correu bem, embora eu estivesse com a cabeça noutro lado. Conseguimos atingir o nosso objectivo e o Dr. José Oliveira passou a fazer parte da nossa lista de clientes.
O Tiago entretanto deixou-me em casa. Eu não tirava o Ruben da minha cabeça… Como é que ele teria recebido a notícia? Será que tinha ficado chateado comigo?
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O resto da semana passou normalmente, trabalho, lar, casa… O Ruben nunca mais tinha aparecido no lar e eu fiquei com a certeza que ele tinha mesmo ficado chateado comigo. Tinha acompanhado nos jornais que ele em princípio já ia ser convocado para o jogo do fim-de-semana. A Guigui serviu-se disso para desculpar o facto de ele não ter aparecido mais. Eu questionava por diversas vezes porque é que eu estava tão incomodada com aquela situação, não tinha feito de propósito, faltei ao jantar porque teve mesmo de ser e não falei directamente com ele porque não tinha maneira de o fazer. Eu sentia-me culpada e tinha que acabar por dar razão à Guigui, o Ruben tinha realmente mexido comigo.
Na sexta-feira, saí da empresa acompanhada pelo Tiago e pela Bá uma vez que íamos todos para o lar. A minha visita nesse dia foi mais curta, era dia de jogo e o meu lugarzinho na catedral estava à minha espera! Saí do lar despedindo-me de todos e lembrando o Tiago que na segunda-feira não iria trabalhar e lá fui para o estádio. O jogo decorreu normalmente. O Benfica marcou um golo na primeira parte por intermédio do Javi e na segunda parte foi a vez do Carlos Martins fazer o gosto ao pé. Saí de lá bastante animada e resolvi ir ter com a Guigui ao bar.
Nota: Obrigada às meninas que comentaram... estava a ficar triste, pensava que não gostavam da minha fic... continuem a comentar, espero que gostem :P
Nota: Obrigada às meninas que comentaram... estava a ficar triste, pensava que não gostavam da minha fic... continuem a comentar, espero que gostem :P

tou a gostar mt da fic, queria que postasses mais... desenvolve lá a história...
ResponderEliminarbjs fiiii
Oh rapariga por mim bem podes continuar...
ResponderEliminarEstou a gostar de ver!!!
Continua...